sábado, 18 de julho de 2015

BUSCA INFINITA NUM MUNDO FINITO

Ó grande Pai, por onde andavas Tu quando eu estava perdido e faminto?
Ó grande Pai, o que fazias Tu enquanto minhas dúvidas se acumulavam?

Na minha ignorância espiritual eu não te encontrava, e com isso buscava no mundo as soluções dos problemas mais profundos da existência - mas nunca atingindo a essência.

Busquei da melhor forma. 

No início aceitava o que o mundo apontava. 
E me senti cada vez mais engessado numa dinamicidade mórbida de aparências...

Depois decidi começar a frear e olhar para detalhes - meus e do mundo.

Pensei e pensei. Depois parei. 
Sempre que podia, parava e refletia.
Sempre que andava, não falava mas pensava.
Sempre que estudava, buscava o que não encaixava.
Sempre, sempre...

Tão perto, tão longe...
O longe nos dá liberdade destemida de transcender o mundo.
O perto nos dá segurança edificante de construir no mundo.

Besteiras aparentes...
Mas dentro delas havia algo oculto e cheio de significado.
Pois tamanha era minha persistência.
E tão impetuosa a intensidade da insistência.

Amei o que não existia - que o mundo temia.
Chorei pelo invisível - que no mundo era ficção.
Estudei o pouco prático - que o mundo ridicularizava.
Unifiquei os antagônicos - que o mundo vê como objetos de combate.

Amei, chorei, estudei, unifiquei.

Depois guardei tudo, bem escondido, numa caixa bem profunda. Uma fortaleza inexpugnável cujas chaves nem eu sabia onde guardava. Uma fortaleza tão sutil que era inatingível pela minha mente e meus sentimentos profanos. Uma fortaleza imponderável que atuava inconscientemente para proteger aquilo que eu queria expelir para fora, na ânsia de poder morrer com tanta tensão. 

E lutei e lutei e lutei, persistindo nas minhas crenças e valores.

Valores com os quais o mundo era incapaz de lidar.
Valores Reais, aquém das premissas e além das finalidades - deste mundo.

Valores filosóficos além das filosofias humanas - que brigam ideologicamente.
Valor que é Filosofia Integral, englobando as verdades relativas de todas filosofias.

Valores religiosos além das religiões humanas - que se combatem ideologicamente.
Valor que é Religião Universal, abraçando as verdades relativas de todas religiões.

Valores que englobam e abraçam, unificando meu Ser.
E meu Ser, ao se conscientizar de sua Unidade, se torna íntegro no agir - poque se conscientizou da sua unidade essencial.

E eu mesmo, na minha pequenez, tento me deixar englobar por uma Verdade que supera todas as verdades - sem no entanto as negar. A Verdade Absoluta, a Divindade, o Poder Infinito e Eterno da Verdade Integral. 

O silêncio diz. O vazio preenche. O nada fazer prepara para
o reto-agir. Compreenda-o quem o puder.
E assim corro e ardo e sofro e aceito o que o mundo vê como inaceitável.

Paro na rua e vejo a miséria e a verdade em rostos esculpidos pela insensatez do mundo.

Paro e penso. Depois deixo de pensar, porque se continuar chegarei às mesmas (pseudo) conclusões do mundo. E assim começo a sentir.

Sento e escuto, já sabendo que do mundo rico e bonito e produtivo e estudado nenhuma felicidade fui capaz de encontrar - seria eu louco e perigoso?

Ao escutar eu me vejo no outro. Eu percebo a única coisa que deve ser percebida: de que eu e o outro, em nossa distância social, econômica, educacional, histórica e genética aparentemente enorme, somos irmãos em espírito. Afinidades, conceitos e buscas alinhadas. O resto é mero detalhe. 

Detalhe tornado como centro pelo mundo. 
Detalhe louvado e cultuado pelo mundo. 
Detalhe que marginaliza o único valor que deveria conduzir toda a ciência: a essência.

E depois de escutar...silêncio.
Dentro de mim começo a sentir.
O sentimento de dentro se encaixa no sentido de fora.
Um sentimento além dos sentidos. Além do intelecto. E aí começo a sentir o poder oculto...

Ó Deus interno! Quão grande é a sua Luz!

E me conscientizei de que sem dor não há salvação.
E de que essa dor tem um significado profundo e sublime quando vista sob um prisma cósmico.

E agora meu querer e meu dever se encontram cada vez mais próximos.
Minha alma arde em busca de mais.
Meu tempo é curto, apesar de ter enorme quantidade dele pela frente.
Minha energia é limitada, apesar de minha saúde e vitalidade.

Tudo é um milagre quando nos conscientizamos da
presença divina - em nós e em tudo.
Por que?

Porque minha consciência cresce vertiginosamente, se tornando a cada dia mais dilatada e com sede de cada vez mais Realidade.

E assim os estudos deste mundo ganham um novo significado.
E tudo se explica magistralmente numa verdade profundamente filosófica e belamente artística.

Nossa Ciência é mera ferramenta para uma finalidade além de si mesma.
Nossas posses são mero acessórios para atuarmos nesse mundo material - trazendo mensagens espirituais.
Nosso corpo é bem temporário, cujo uso deve ser equilibrado. Ele deve ser são sem ser objeto de culto - nem nosso nem alheio.

Tudo orbita em torno da Unidade.
Pela Unidade.
Para a Unidade...

Mas - que maravilha! - a diversidade permanece visível e respeitada.
Nada de diluição.
Apenas integração.

Diluir é desfazer as diversidades empobrecendo a Unidade.
Centralizar uma diversidade é desrespeitar as diversidades e ir contra a lei universal.
Integrar é manter as diversidades operando em prol da Unidade.

Diluir, Centralizar ou Integrar?

Diluir é do panteísmo inerte.
Centralizar é do egoísmo dualista.
Integrar é da consciência monista.

Qualquer que seja a raça, sexo, religião, profissão, origem, etnia, classe, partido, ideologia, idade, estudo.

As diversidades, queiram ou não, são regidas por uma fenomenologia imponderável que supera qualquer elucubração analítica da mente. 

É uma questão de humildade conscientizada - porque sofrida, sentida e vivida no âmago.

O sábio usa das coisas do mundo para preparar terreno para novos progressos.
Ele sabe da sua ignorância. E por isso não tem tempo a perder.

Ele trabalha a cada momento.

Esteja ele deitado numa rede, lendo um livro, vendo um filme, ouvindo uma música, conversando com alguém, ensinando seus alunos, fabricando um utensílio, andando pela rua, compondo uma música, escrevendo um texto, contando uma história,...

Porque nosso Eu divino opera na simultaneidade.
Cada movimento - físico ou metafísico - deve prestar constas ao Deus imanente.

Os maiores servem.
Os menores são servidos...

E tamanha é a pobreza dos servidos, que eles precisam propagandear que a finalidade da vida no mundo é ser que nem eles.

Porque a pobreza demanda reconhecimento.

Por outro lado, os servidores convictos nada desejam em troca, porque já são ricos e suas próprias atitudes são um auto-reconhecimento.

Sua pequena humildade supera a grande exaltação.

E hoje vejo tudo isso.
Por caminhos estranhos me conduzistes, Deus!
Mas graças a eles cheguei à iluminação.

E isso graças ao meu Eu espiritual, que é parte da sua Substância Divina - e não do meu ego humano.

Jamais eu, na minha pequenez e ignorância, seria capaz de me conduzir tão sabiamente para me tornar o pouco de Alguém que me tornei hoje. 

Eu temeria cada passo, recuaria diante de cada chicotada, estremeceria diante de cada vitupério -
se soubesse dos vales que haviam pela frente.

E gozaria cada passo, abraçaria insanamente cada pedaço de matéria, e me embebedaria de cada elogio, me afundando em superfluidades - se soubesse que os picos não são para montar tenda.

E assim evitaria as dores e glorificaria os prazeres, afogando meu Ser cada vez mais...

Mas Tu, ó Grande Anônimo, soubestes me conduzir e me apontar setas !
Tu, do Alfa ao Ômega, arquitetastes um Destino que me traria conscientização.

Conscientização de valor Infinito e de duração Eterna...

E busco cada vez mais de Tu, que és A Fonte Universal que mata a sede de tudo e de todos.

E sei muito bem Senhor: a jornada é longa e árdua. E cada momento de bonança deve ser usado ao máximo para revelar o melhor de mim, e com isso transbordar em atitudes convictas e poderosas, auxiliando os outros a atingirem as portas de sua experiência mística individual.

Ó Senhor ! Quão grande é Tua Sabedoria !

Sua ignorância é mais sábia do que toda sabedoria humana.
Sua maldade é mais benéfica do que toda bondade humana.

Tamanha é a distância que nos separa, Senhor!

Eu quero mais, sempre mais, daquilo invisível e imponderável.

Usarei do menos do mundo, da matéria inerte e corpo e energia e mente e sentimentos para chegar ao Seu mais que ninguém é capaz de definir.

Seu Infinito Mais que está em parte no meu finito mais.

Minha riqueza é Infinita.
Sendo assim o mundo não pode roubá-la.

Existe maior segurança do que essa?
Ser livremente seguro e seguramente livre.

Tua Verdade nos liberta de todos desejos dos sentidos.
Tua Verdade nos liberta de todos medos da mente.
E assim nos sentimos seguros para fazer uso consciente do que nos foi dado.

Eu te quero...

Sempre mais...



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