sexta-feira, 18 de março de 2016

A Grande Ilusão

Para quem vem acompanhando o desenvolvimento do Blog, recomendo a leitura (na íntegra) e reflexão (consciente) do artigo abaixo:

http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-democracia-por-um-fio-intelectuais-chamam-a-rua/4/35721


Quem absorveu os textos deste espaço compreende o gravidade da situação - não apenas nacional mas global.

Peço apenas que entrem em contato com a vossa consciência - antes que seja tarde...

Previsões e possibilidades semelhantes são encontradas através da voz de Noam Chomsky e Zygmunt Bauman, talvez os dois maiores pensadores e sábios de nossos tempos.

Sem mais.

LLO

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Verdade Vulcânica


A Verdade Vulcânica será Vertida no mundo,
Velando a Vileza Verbalizada.

Você que Valoriza a Vontade de evoluir,
Varra Veementemente os Vales de Vômito.

Vamos Variar a Voz que Vem de fora,
Vencendo os Vícios que Vem de dentro.

Vamos Voar Verdadeiramente, 
Versando a Vastidão do Todo.

Vitimas Vem e Vão, 
Vendo o Valor do Vulcão da Verdade interior.

Verdade é o Vértice que Verte Valores nas almas Valorosas e Vulcânicas.
Verdade é Vértice Voraz, Vivificante,
Verdade é Vácuo para os Vácuos,
Verdade é Vendaval para os Ventríloquos,
Verdade é Vulcânica para os Venenosos,
Verdade é Veleiro que Voa como Vapor.

Verdade: a Veia Voraz dos Vulcões de Vênus.

Vamos Viver uma Verdade menos Vale e mais Vulcão !
Uma Verdade-Vendaval, que não Veio pra Viciar.

Uma Verdade que Varra o Velho, Vencendo-o pelo Verbo.

Verdade Vulcânica.

Verdade.

A Era da Unificação

Um mundo cheio de informação, cheio de riqueza e cheio de discurso.
Só falta tornar o sistema operacional. Para isso, mergulhemos no
universo dos valores. Universo interior. 

Ilya Prigogine [1] ganhou o prêmio Nobel de Química em 1977 pelo estudo de Termodinâmica de processos irreversíveis com a formulação da teoria das estruturas dissipativas. Sua teoria envolve um ramo muito vasto - e cada vez mais- denominado complexidade [2]. Eis a definição wikipédica:

Complexidade é uma noção utilizada em filosofiaepistemologia (por autores como Anthony Wilden e EdgarMorin),linguísticapedagogiamatemáticaquímicafísicameteorologiaestatísticabiologia (por Henri Atlan), sociologia,economiaarquiteturamedicinapsicologiainformática ou em ciências da computação ou da informação. A definição varia significativamente segundo a área de conhecimento. Frequentemente é também chamada teoria da complexidade,desafio da complexidade [1] ou pensamento da complexidade.[2]

Trata-se de uma visão interdisciplinar acerca dos sistemas complexos adaptativos, do comportamento emergente de muitos sistemas, da complexidade das redes, da teoria do caos, do comportamento dos sistemas distanciados do equilíbrio termodinâmico e das suas faculdades de auto-organização.

Palavra-chave: visão interdisciplinar

Por que minha fissuração com isso? Porque ela parte de algo muito simples que se manifesta cada vez mais em todos e todas do universo humano - tendo sempre se manifestado em tudo do universo infra-humano. De forma inconsciente e implícita: a necessidade de desenvolvermos "estudos" do (e no) universo interior dos valores para resolvermos o caos criado com a riqueza do universo exterior dos fatos. Talvez por se tratar de algo além do mundo, capaz de abordar os últimos problemas sem recorrer a estatísticas concretas e teorias aceitas pelo número social e/ou poder da cúpula mundial, torna-se difícil compreender os conceitos aqui despejados.


Mas vejamos mais à fundo os dois universos que se digladiam - um querendo nascer, e o outro não querendo morrer.

Universo interior dos valores está para o conceitual, o íntimo, o subjetivo, o amor, a unificação, a síntese.

Universo exterior dos fatos está para o concreto, o expositivo, o objetivo, o raciocínio, a competição, a segregação, a análise.

Mas o novo não quer nascer para exterminar o velho, e sim apenas nascer. Mas com esse parto o novo universo se tornará o Senhor de tudo que existe até o momento - inclusive do velho, que será subordinado a ele.

Capital servindo o Social. 
Social servindo o Espírito.
Espírito orientado para a Unidade. 

De qualquer forma, é interessante reparar que a humanidade inconsciente possui vários pontos em comum com as moléculas da Termodinâmica: interdependência, emergência, realimentação, desordem, incerteza, desconstrução,...

Somos todos interdependentes. Estamos ligados ao ambiente, ao solo, às águas, a outros seres, a idéias e conceitos mentais, a sentimentos, ao passado. Nutrimos expectativas em relação à nossa formação e ao futuro - e à determinadas pessoas.

Depositamos nossas vontades em nossas análises intelectuais com o intuito de criarmos teorias que justifiquem nossa preciosa forma mental, prisioneira de uma consciência limitada e rígida.

Estamos demasiadamente ocupados com os problemas do mundo para refletirmos sobre tudo isso. Muitos, bem intencionados, tentam formular situações para se esquivar desses temas, desconectando a Visão Universal das Ações Específicas. Os sábios chamam isso de auto-ilusão - eu chamo de acochambração. Mas os problemas persistem. E as soluções específicas continuam sendo tentadas...Até uma nova crise ou queda ou depressão...

A emergência é interessante. Do simples chega-se a algo complexo. Exemplo: sistemas altamente sofisticados de foguetes e satélites. Os componentes são simples, com tecnologias consolidadas. Mas a ordenação de seus elementos, aliada ao papel de cada um, leva a um resultado que excede todo o conjunto. Mas não é no mundo da engenharia que a emergência mais encanta...

A união de dois seres, resultando num terceiro, é um processo de emergência. O filho vem através dos pais, mas não dos pais - o Ser vem do Infinito, dele mesmo, de Deus...

A combinação de dois seres emparelhados, com visão e portanto finalidades comuns, resulta numa atração sincera, espontânea e sustentável. Com isso pode-se gerar não apenas um ser, mas conceitos e idéias inteiramente novos, que englobem aqueles do passado individual de cada um. Esses novos conceitos, se sentidos e vividos (dilatação da consciência), serão absorvidos por ambos, fazendo com que o casal se transforme individualmente - mas através do profundo confrontamento de vivências. Esse processo pode ser traduzido no seguinte diagrama:


Figura 1: Conscientização por interação.

Ele revela o caso ideal, no qual o motivo da união é concretizado no desenvolvimento de ambos atores. Isto é, elevação causada por unificação, de ambos.

O estágio inicial (consciência fixa) nada mais é do que aquele que prenuncia a dinamicidade construtiva, com destruição do velho e construção do novo, de forma simultânea. Essa fase nada mais é do que a transformação, que reordena os seres internamente, tornando suas verdades mais próximas do eixo diretor: o Caminho de Meio de Buda, ou o Equilíbrio em tudo, que levará a Deus (Salvação) do melhor modo possível. Tem-se a consciência expandida. 

Percebam que é possível uma pessoa, individualmente, fazer essa escalada evolutiva e se aproximar do eixo diretor universal . No entanto, apenas os verdadeiros iniciados, os Sábios e Santos, serão capazes de evoluir sem a necessidade de interação. Eles já são capazes de sintetizar tudo, pois já são suficientemente elaborados internamente para trilhar o caminho de ascensão sem desvios. Comumente se encontram próximos ao eixo, obedientes à Lei de Deus.

A realimentação é o famoso feedback dos Engenheiros Eletrônicos. Os animais e plantas possuem a nível sensitivo; os humanos possuem a nível sensitivo e mental; os super-humanos possuem (e possuirão) a nível sensitivo-mental-espiritual.

O fato de não termos uma realimentação a nível espiritual nos coloca em xeque no estágio atual. Por que? Porque os problemas resultantes do desenvolvimento de nossas capacidades intelectuais se acumularam, avolumaram e intensificaram a tal ponto que demandam uma solução além daquelas apresentadas pelas fontes que os causaram. Resta-nos superar o atual plano da mente, adentrando no universo da liberdade do espírito....

Figura 2: Universos de inteligência. 

A Figura 2 revela o que cada tipo de inteligência engloba. O controle sensitivo atua apenas sobre si mesmo; o controle mental atua sobre ele mesmo e o mundo sensório; o "controle" espiritual (compreensão) atua sobre si, a mente e os sentidos. Nada que falo é novo. Todas essas verdades se encontram na Bhagavad Gita, escrita há mais de 6000 anos (!)

O fato de não termos desenvolvido a capacidade de realimentação espiritual significa que ao sofrermos com experiências sistêmicas (crise político-econômica) ou afetivas (crise familiar, conjugal) ou psicológicas (existencial), não sabemos recorrer a saídas efetivamente construtivas, restando apenas enquadrar a profundidade como uma anomalia a ser ignorada. Mas nada se destrói no Universo - especialmente o espírito, a idéia, o sentimento, o imponderável...E com isso há acúmulo de algo não processado adequadamente (para usar um termo corrente e compreensível para o mundo).

Ter desenvolvido o feedback sensório permitiu às plantas e animais lidarem com seus problemas de forma satisfatória.

Termos surgido com - e desenvolvido - o feedback mental permitiu o domínio parcial sobre os elementos e o desenvolvimento dos conceitos, a criação de riqueza e conforto.

Mas eis que o mental apenas resolve a problemática exterior, atuando no específico e com soluções não-definitivas. É bom enquanto ela em si não se desenvolveu ao máximo. No entanto o século XXI começa a apontar para estrelas insondáveis. Os conflitos pipocam e as teorias se desmoronam (vide a pobreza de visão de Fukuyama, ao prever o "fim da História" após 1989...). E nós não vemos soluções implementáveis.

Por que?
Porque nos recusamos a trabalhar com o universo interior. 

Não há Reforma Íntima sem Justiça Social
Não há Justiça Social sem Reforma Íntima.

Estamos chegando à Era da Unificação, na qual tudo que muitos julgavam vazio e sem sentido e fraqueza deverá ser reconsiderado à sério. Isso já está acontecendo. Percebe-se nos discursos de pessoas bem-intencionadas. Está implícito mas firme. Está na atmosfera. Todos elementos e teorias e recursos estão disponíveis. Nos sinceros e retos, a vontade cresce proporcionalmente ao desespero - mais dos outros do que no seu próprio. É o Amor clamando por Unificação. E com isso a Síntese passa a coordenar as análises.

A desordem é relativa à época e ao local. Ela também é uma questão de ponto de vista. Mas ela não é o destino final. Por que? Porque caso contrário, se vermos à fundo, nada teria sentido e a vontade de criar e viver e evoluir não existiria no mundo. Porque a desordem é um sinal que indica que a ordem atual não serve mais, e ela está aí para destruir o inútil que se prendeu às nossas mentes. Naturalmente e sem piedade. Porque a Lei de Deus quer o nosso bem.

Desordem é uma fase que antecede a ordem. E a ordem precede uma desordem. Mas à medida que novas ordens são criadas, o pior da ordem passada é eliminado (resíduos), e novos elementos são adicionados. Substancialmente. Porque a evolução é lenta, seja ela coletiva ou individual.

Incerteza é algo que se manifesta, seja na ordem ou na desordem. Ela pode levar a manifestações de desespero, mas jamais deixará a pessoa indiferente. Podemos negar o íntimo, mas jamais encobrir nossos estado de inquietação. São gestos, olhares, suores, tom de voz,...o modo de conduzir nossa vida. É sutil mas potente.

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Assim, relações deterministas, às vezes muito simples, podem gerar, após muitas interações, divergências de trajetórias significativas partindo de condições iniciais muito próximas [2] 
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Essa verdade, obtida experimentalmente, constatando a natureza infra-humana, mostra que do banal - repetido exaustivamente - pode surgir um caos. Caos que no caso social gera incerteza nas pessoas. Incerteza que amplifica o medo. Medo que nos torna mais egoístas e agressivos. E assim forma-se um caos no qual quem não vê (a imensa maioria) parte para apontar pseudo-causas. Atores específicos, efeitos na superfície, entre outros. Jamais a forma mental imperante e seu produto: o sistema de crenças e valores.

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Porém, surpreendentemente, se do ponto de vista individual há o caos, muitas vezes há um padrão estatístico com relação à distribuição de probabilidade das trajetórias, o que permite alguma inteligibilidade e tratamento científico do caos.
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Eis que a ciência arranha algo muito maior. Ordem no caos...como? Mas através da mente chegamos às portas do espírito. Quer avançar? Se transforme. Isso vale para você, para mim, para sua tia e pai e mãe e irmã e amigos e chefe e político e padre e esportista e artista e cientista e humorista e isso e aquilo...vale para tudo e todos.

No caos não vemos muito claramente porque toda nossa mente - tudo que somos no atual estágio evolutivo - está operando numa faixa restrita de conceitos, tempo e espaço.

A incerteza é produto da ignorância, e só será superada com uma visão cósmica e desprendimento das copias do mundo - que para se elevar, devem servir ao universo do imponderável.

Com isso termino esse ensaio, tendo a certeza de ter cumprido com satisfação um impulso natural e saudável. 

Paz e iluminação !


Referências
[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Ilya_Prigogine
[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Complexidade
















segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Enigma - O Jogo da Imitação

O Cinema...o bom Cinema - o Cinema de verdade - é capaz de brindar o espectador com uma obra que não apenas amplia seu repertório cultural ao mesmo tempo que o mantém entretido, mas também aponta para o infinito com sua miscelânea de recursos. Trata-se de um trabalho que é exclusivo da Arte, capaz de nos manter deslumbrados e curiosos. Deslumbrados porque sempre que (se parece) fechar uma grande questão, abre-se outra maior, mais complexa, mais desafiadora; Curiosos como consequência do deslumbramento, nos mantendo firmes no sofá até o último momento.

Alan Turing deixou sua marca no século XX - em em toda História humana - pelo que ele era (ou melhor, é). Mas esse mundo só soube o que ele é através do resultado de seu mais importante trabalho: a criação de um computador capaz de decifrar os códigos alemães criptografados pela máquina Enigma. Calcula-se que as consequências desses feitos adiantou o fim da guerra em dois anos, poupando nada menos do que 14 milhões de vidas humanas. Esse é o poder da genialidade traduzido em resultados concretos.

Um filme triste mas profundo. Excelente sob
vários aspectos. É um mergulho num mundo
até então desconhecido. Na forma de diversão.
Diversão construtiva. 
Ao contrário de louvar Turing, o filme se preocupa em mostrar sua pessoa humana, com todos seus defeitos, diferenças, traumas e ousadias. Não existem nem elogios nem desprezo. As críticas, quando aparecem, se direcionam a estupidez humana, seja ela manifestada pelos governos (britânico, neste caso), ao se preocupar mais com questões da vida sexual-afetiva do gênio do que com suas potencialidades, sonhos e realizações; seja com a pequenez de Turing em reconhecer a importância do contato humano para o pleno desenvolvimento individual e coletivo; seja na pouca visão dos colegas de Turing, que viviam no plano das pessoas "normais", ignorando possibilidades além do labirinto paradigmático que a humanidade se encontra - presa.

Cenas memoráveis sintetizam a diferença entre um ser que opera com a mente acima do plano: no bar, durante um dos poucos momentos de descanso, enquanto a equipe de matemáticos está preocupada em se divertir e se socializar com o sexo oposto - jogando conversa fora no linguajar comum - a mente de Turing trabalha ardentemente no problema que até então não fora resolvido: a decifração do código alemão. O grupo se diverte, fala, se articula. Ele, no meio disso, arremessado num jogo sem finalidade maior, age lentamente e nada compreende - pois está em outro plano. O que está à volta dele só será objeto de interesse se conseguir se provar subordinável à grande questão: decifrar o código. Isso é o que diferencia o tipo humano do tipo super-humano.

A trilha sonora progride transmitindo a sensação de melancolia do protagonista. Em todos momentos, com todas pessoas, sua vivência é árdua. Ele tem sede de algo que o mundo não compreende integralmente. Ele quer mergulhar num mundo em que ele possui afinidade: a lógica, a matemática, as máquinas. E quer viver sua vida pessoal. Mas o mundo de então não admitia isso - e ainda tem dificuldade em admitir hoje. Vê-se assim a lentidão da marcha evolutiva da humanidade - e a dor causada por essa inércia.

Alan Turing, gênio atormentado por duas coisas:
seu espírito ardente que exigia do corpo e
pelo governo que exigia adequação a padrões.
Impressionante é a cena em que Turing, após "pescar" (no bar) a ideia que decifra todos os códigos em todos momentos, pede aos colegas que não alertem as autoridades britânicas, evitando no momento que centenas de vidas sejam salvas no dia. Um soco e xingamentos. Depois Joan Clarke compreende sua atitude. Por que? Porque ele viu mais: salvar todas vidas aliadas iria indicar que o código foi decifrado. Os alemães - nada burros - iriam imediatamente reconfigurar a máquina e invalidar o árduo trabalho do maior gênio do século depois de Einstein. Turing não iria querer isso, criando um método estatístico que otimizasse as ações aliadas. Ou seja, apenas algumas mensagens seriam usadas para dar vantagem na guerra. O suficiente para não levantar suspeitas do alto comando alemão. Um equilíbrio dinâmico. Uma ação ótima. "É lógico", diz Turing, após visualizarem o que ele viu com antecedência. E assim, com visões cada vez mais vastas, aproximamo-nos um pouco mais das grandes verdades.

A máquina Enigma.
O filme é muito bom. O tempo passa num piscar de olhos. Diverte e serve de estímulo aos estudos. É trabalho porque relaciona a História com a Ciência, a afetividade com as legislações, os costumes humanos com a individualidade, o absoluto com o relativo. E mais: mostra o quão lento é o progresso humano e como o efeito do tempo se relaciona com o despertar de consciência.

O que se vê no filme era segredo há quatro ou cinco anos. Tamanho é o poder de feitos da mente. Mente guiada - consciente ou inconscientemente - pelo Pensamento Diretor que rege a Vida: a consciência.


Dicas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Alan_Turing









quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Mensagem de Ano Novo

As convenções pouco dizem. Melhor: dizem muito por pouco significarem. Os rituais e formas se tornaram uma obsessão do ser humano para adiar o que está sendo martelado cada vez mais intensamente. Martelado no íntimo. No espírito. É o anseio pela evolução.

A crise do sistema que impera no planeta - e nas mentes - é manifestada no campo social, político e econômico. Mas tem origem no universo interior: na mentalidade, nas lógicas, nos conceitos. Conceitos formulados numa época em que as necessidades consideravam um horizonte limitado em termos evolutivos. Conceitos para um mundo focado no materialismo, na ciência e na tecnologia - e nada mais. Conceitos em que a Terra era vista como algo dominável e inferior, a ser melhorado por nós. Uma relação unidirecional, com crescimento material ilimitado, para satisfazer necessidades materiais sem fim e carências afetivas crescentes. Não é preciso ter diploma superior para perceber que isso não se sustenta...

Mas como mudar - o mundo e a gente?

A Bhagavad Gita resolve os problemas últimos da vida. Síntese máxima ao lado do Evangelho e do Tao Te Ching. Mas com um detalhamento ímpar. Cada pensamento expresso num parágrafo ou linha contém uma potência capaz de arrefecer os espíritos mais atormentados - se compreendida. Cada trecho revela o que importa e porque importa. Sua linguagem é universal, abraçando todas esferas com sínteses máximas. Ela é a Canção Sublime.

A palavra equilíbrio traz em si muitos segredos. Ela considera os dois pólos de operação da alma humana: espírito e matéria. Entre esses pólos temos uma gradação infinita. E, além de considerá-los, mostra que devemos operar orientados no sentido matéria-espírito, e equidistantes dos extremos. Isso parece simples, mas trata-se de uma vivência extremamente difícil.

Muitos creem estar vivendo de forma equilibrada porque estão em paz. Mas essa paz é meramente aparente. É uma "paz" que depende do esforço de outros. É uma "paz" calcada em ilusões que insistimos alimentar. É uma "paz" de gozo sem sentido, de esforço desorientado, de exclusão.

Krishna orienta Arjuna. Este está numa batalha contra seu ego
luciférico. Se vencer conseguirá submetê-lo ao seu Logos
crístico. 
Apenas atingindo a íntima substância do ser pode-se começar a compreender a realidade individual - e consequentemente coletiva - de nosso planeta. Após essa compreensão, que pode se tornar uma verdadeira catarse mística, abre-se a porta da assimilação dos valores reais (não os pseudo-valores). Esse processo não tem duração nem modo de ocorrência definidos e pode variar de acordo com a personalidade. Trata-se de algo subjetivo, íntimo, único, ímpar, situado no campo do imponderável, que dificilmente pode ser dito em meios sociais ou familiares. É o que torna o trabalho de maturação um grande desafio.

Segue-se com a mudança de atitude, que se traduz em reformulação de conceitos. A natureza é superada, atingindo-se um novo patamar espiritual. Vê-se de outra forma, atua-se de outra forma. Chega-se ao fim da longa jornada da expansão inconsciente para se iniciar a poderosa vida pautada pela seletividade consciente. Isso não significa que as coisas serão fáceis. Muito pelo contrário, pois quem enxerga mais sente o peso do mundo que afasta o ser do trabalho real. E vislumbra-se horizontes vastos. E que chegar lá exigirá um esforço titânico. E que esse esforço é tão mais titânico quanto menos se dão conta disso. Como poucos ainda acordaram - e não se pode forçar alguém a despertar, pois a consciência se abre a partir de dentro - resta o trabalho de viver de acordo com seus ideais. Eis a Grande Batalha.

De onde viemos? Para onde vamos? Por que? Como? Qual o sentido disso e daquilo? O que é realmente importante na vida? Porque tudo muda a todo momento?...São perguntas que não saem da moda. Porque elas superam todas nossas análises e teorias e inventos. Elas podem nos orientar. Basta respeitarmos o que está aquém das premissas e além das finalidades deste mundo. Um mundo que não se salvará por si só...

O Ano Novo está chegando. Promessas, festejos e rituais. Mas nos esquecemos que as mudanças ocorrem sem que a gente estabeleça datas ou elabore rituais. Elas vem e pronto. Naturalmente. Isso é o que importa. Isso é o que sempre importou.

Descobrir a si mesmo. Superar a nossa natureza. Dilatar a consciência. Evoluir...

Despertar é a melhor coisa que pode acontecer a uma pessoa.

E é o único meio de nossa Salvação.


Bom Ano Novo !



quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Mensagem de Natal

Quase 2016. Vejo as pessoas indo afoitamente no supermercado, no shopping, nas concessionárias,...Milhões de pessoas que tem algum dinheiro na conta gastando o que foi ganho à custa de muito tempo, saúde e energia para comprar perus, carnes, comidas, bebidas, presentes, e as mais diversas coisas. E os milhares daqueles que tem muito mais dinheiro, ganho com a exploração da natureza, das pessoas, das circunstâncias do mercado - em sua maioria - gastando em itens igualmente. Só que mais sofisticados e inacessíveis ao consumidor das classes médias para baixo.

Vejo os pobres usando os parcos recursos para comemorar também. Cada classe gastando compatível com sua realidade - mas sempre gastando.

Vejo os miseráveis na rua...uns nem sequer ligando para esse Natal, percebendo que nada muda - tanto na vida deles quanto na natureza humana. Outros criticando com profundidade, mostrando o que realmente importa nessa época...e em todas épocas, em todos dias. Mas ninguém os escuta: estão mal vestidos, sem tomar banho e na rua. Para a mentalidade do tipo biológico médio atual eles não existem. São "coisas", não pessoas.

Passamos ocasionalmente pelos bolsões de miséria e...apenas olhamos. No máximo olhamos. Mas não por muito tempo. Porque se começarmos a olhar os excluídos (excluídos por nós mesmos!) nos olhos...ver aquela criancinha que nasceu no completo abandono, que nunca poderá ter uma educação mínima, uma alimentação adequada, um lar, uma vestimenta, um tratamento digno, o amor de uma presença sincera...se começarmos a observar isso e absorver essa Realidade - criada por nós! indiretamente ao longo de séculos...- ficaremos loucos. Então ignoramos e fazemos piadas. Piadas do sofrimento alheio. Para não enlouquecermos...

Tudo pela nossa saúde mental e emocional...

Quem nos dará a água da vida quando o mundo nos
abandonar é aquele que desprezamos e ignoramos.
Na miséria se revela a face de Deus.
Mas essa Realidade que nos alopra - cada vez mais - se intensifica e se espalha. 

Parece que quanto mais apoiamos políticas de exclusão, (travestidas de progresso e "ajuda") mais cresce a miséria no entorno. E com isso vem a filha violência, que aciona a neta segurança, que começa a vigiar tudo que se move e não está vestido, alimentado de um certo modo. Todo ser que não possui é suspeito. Porque afinal de contas, quem não tem não é...Pelo menos é essa a lógica que constato nesse planeta.

Com a segurança vem um sintoma: as pessoas alopram. Todos tem medo de todos. Desconfiança. Medem-se as relações com base no que se pode obter de retorno, seja ele sexual, patrimonial, físico, social ou intelectual. Nada além disso. No fundo. Raros são os seres com algo a mais nas suas relações. E quando se percebe isso a atitude muda. As palhaçadas da vida - antes tidas como tarefas "importantes"...eventos "importantes"...cargos "importantes" - passam a ser vistas como tal. Apenas continuamos nelas num certo grau. O suficiente para que possamos atuar no mundo sem sofrer perseguições.

Mas como eu ia dizendo...a segurança desencadeia uma reação sem fim de desgaste emocional que culminará num completo aniquilamento da sociedade. A não ser que as pessoas comecem a despertar e perceber qual é a realidade exterior que elas estão criando à sua volta. E reconhecendo que a pior violência é aquela louvada, perseguida e propagandeada pelas pessoas. A (grande) mídia tem ajudado a nos desviar do caminho. Mas nós temos nossa parcela de culpa por nos deixarmos conduzir por ilusões.

Natal é (dizem) uma época de compartilhamento, união, comunhão dos seres entre si e com algo maior. Mas quando observo as pessoas correndo que nem loucas, falando e falando sobre o que comprar, o que usar, como falar...pensando se aquela pessoa atraente ou rica ou influente ou tudo isso junto vai estar naquela festa...gastando sem jamais saber o porquê...quando vejo isso me sinto abençoado e condenado ao mesmo tempo. Porque percebo o vazio interior daqueles que tem - e o vazio exterior daqueles que não tem. E sinto que esse vazio exterior acaba levando muitos a um vazio interior. Porque os que muito possuem e falam em amor são geralmente os que menos praticam.

Uma vida centrada no consumo de bens e serviços supérfluos é uma vida escrava.
Somos escravos de nossa ignorância. E com isso criamos ódio - em nós mesmos e nos outros. Um ciclo sem fim, que não vê nada além do crescimento econômico e da satisfação dos prazeres...

Estamos preparando uma grande Dor porque estamos sendo incapazes de lidar com os recursos, a energia, o tempo e as teorias. 

Meu Natal será simples - como é há muitos anos.
Pouca quantidade, muita qualidade.
Pouca quantidade porque o necessário é o ponto ótimo.
Muita qualidade no convívio, na sinceridade, na substância.
Reflexão.

Sem picos nem vales materiais - que nada fazem a não ser desgastar.
Porque cheio de picos e vales espirituais - que é o que conta.

Mas poucos sabem disso...
Poucos sentem isso...
E são justamente esses os que mais sofrem.

Usando o próximo como combustível a ser consumido - para manter nosso equilíbrio interior - preparamos uma avalanche. Um equilíbrio insustentável e sempre em vias de colapso. 

O Natal não importa.
O que importa é transformarmos o Natal das Compras estagnantes no Natal do Espírito evolutivo.

Para mim é falso e vazio desejar "feliz natal" a pessoas da minha classe social, meu meio e etc, sabendo que isso é uma mera formalidade. Sabendo que existem milhões e milhões privados de tudo - até mesmo nessa época. E que ninguém se importa com eles, por mais próximos que estejam. Porque eles são uma ameaça. Sempre uma ameaça...E assim alimentamos a Grande Dor que atingirá todo o globo em todas as frentes.

O Natal só será Feliz quando houver Paz entre tudo e todos.
Até lá tudo (ou quase) é uma ilusão - e das boas.

Temos de parar de seguir fórmulas engessadas.
Temos de parar e refletir.
Temos de ser mais corajosos em adotar uma postura de vida e idéia.
Devemos forçar o despertamento antes que seja tarde.

Vá, comemore, coma bem, dê presentes. Mas constate e reflita. Em silêncio...em intensidade. Dá pra começar por aí. Não é tão difícil...Não dói muito - talvez um pouco, no comecinho.

Assim, daqui a alguns séculos ou milênios, poderemos comemorar um Natal de Verdade.
Um Natal de Sinceridade, Paz, Liberdade, Amor, Integração, Abundância, Equilíbrio,...

O Natal que nunca houve,
Mas pode nascer...

Depende de todos nós.

Boa reflexão !

Sinta, viva e se transforme !



sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A Lei de Deus

Vida é sofrimento. Sofrimento belo. Beleza sofrida. Vida é um processo interrupto e ininterrupto. Saltos e quedas. Períodos de estabilidade e tempestade. Dores e alegrias. Gritos, espasmos e incubações. É dinâmica.

Existe lógica em tudo. Mas descobrimos - individualmente e coletivamente - aos poucos o sentido da História. Tanto a nossa quanto a coletiva. São revelações sucessivas, que ocorrem à medida que vamos compreendendo o porquê das coisas e o mecanismo de funcionamento (o como) da vida. Desde a natureza infra-humana até o além. O porquê e o como: eis as chaves para o início da libertação dos ciclos de sofrimentos. Não falo nada de novo. Apenas reproduzo verdades milenares. Reproduzo sentindo que se trata de algo realmente sublime e prático.

Eu acho desagradável falar de mim, mas sou eu quem melhor me conheço. E quando falo de mim na verdade falo de você, leitor(a), de meu vizinho, de seu amigo, seu professor, dos estadistas, dos pesquisadores, dos artistas, dos excluídos, dos iludidos,...de tudo e de todos. Por que? Porque não falo sobre meu eu humano, minha pessoa com seu corpo e vícios e posses e títulos e histórico. Falo sobre as profundidades que sondam meu espírito - ou tento pelo menos. Tento captar a essência de cada momento.

Vida é transformação, superação.
Aniquilamento da forma velha,
Criação de forma nova. 
A vida é constatação, assimilação, maturação interior e eclosão exterior. São quatro fases de um ciclo que se repete indefinidamente. Esse ciclo é único em seu aspecto mais abstrato, e vai se multiplicando em uma miríade de ciclos à medida que vamos descendo ao campo prático, da vida real, concreta, necessária a tudo e todos.

1. Constatação
2. Assimilação
3. Maturação
4. Eclosão

Não existe melhor nem pior. Prática é vida. É necessária para a manutenção do mundo e para a assimilação de teorias consolidadas. É real. Teoria é abstração necessária para preparar terreno para novas práticas. É ideal.

Ideal sem Real é esmagamento no mundo.
Real sem Ideal é estagnação infernizante.

Ideal com Real pode ser bom se o Ideal guia o Real.

Real guiando Ideal é involução destrutiva.
Real ignorando Ideal é estagnação corrosiva.
Real seguindo Ideal é evolução construtiva.

Como eu dizia, a vida possui ciclos de 4 fases. São quartos necessários para o afloramento da consciência individual. Cada conclusão levará a um novo tipo de atuação - geralmente com alterações imperceptíveis.

A minha vida é igual a de todos - em sua essência. A sua vida é igual à minha - pelas mesmas razões. Nas multiplicidades nos diferenciamos. Mas devemos ver que o que realmente importa é saber partir do íntimo. Do profundo ao superficial conseguiremos guiar nossas vidas. Visando o longo prazo construímos solidamente. Orientação é uma palavra-chave. Devemos nos orientar na vida para que não sejamos presas das aparências coletivas. Isso não significa que a coletividade não tenha grandes verdades. Significa apenas que geralmente o menos interessante (e importante) das coletividades vem à tona. O cuidado é máximo.

Comecei esse blog sem saber o porquê dele. Nada planejei, nada ambicionei - continuo assim. Deixei a minha natureza se manifestar (o melhor dela!). O tempo passou e as idéias foram se desenvolvendo. Uma gerou outra. Destruições de conceitos antigos, refinamentos de outros e algumas gerações. É sobretudo o registro de experiências profundas.

O primeiro quarto de século de minha existência foi uma preparação para o que estava por vir. Até 2010 eu pouco (ou nada) sabia claramente sobre a finalidade da vida. Mas todos elementos já estavam presentes em meu Ser. Foram adquiridos inconscientemente. Falo de forma abstrata porque descer nas especificidades tende a descaracterizar a essência das coisas, desviando a atenção do que interessa e levando a cisões e julgamentos. 

Vida é busca ardente e sincera. É inquietação constante.
É superação da lógica atual para a gênese de super-lógicas.
O Ideal guia o Real.
Ao me formar comecei a trilhar um trajeto cuja finalidade desconhecia (e ainda não sei). Ao mesmo tempo, fazia tudo com a melhor intenção possível. E sofri com isso. Mas - não sei o porquê - perseverei. E o tempo passou, e os golpes vieram. 1 ano. 2 anos, 3 anos...Foi uma época intercalada por tensões e quedas. Eu não sabia, mas a cada tensionamento interior eu me voltava pra mim, absorvendo tudo sem recorrer aos artificialismos do mundo. Idem para as quedas. E com isso eu ia vivendo o dia-a-dia.

Depois de um tempo começaram a surgir alguns resultados surpreendentes. Fatos que eu julgava irrealizáveis tomavam forma. E eu agradecia a tudo e todos menos eu mesmo. Aquilo não tinha uma explicação dentro dos parâmetros da razão. Isso se deu em algumas esferas da vida. Era uma transformação que parecia ter surgido do nada. Só agora me dou conta de que ela estava esperando as condições e circunstâncias propícias para se manifestar. A mudança era eu. Era a vida. Era a vontade. Era a teimosia chata se transformando em perseverança intensa.

O último grande impacto veio há pouco mais de um ano.

Era algo tão esperado quanto inesperado.
Esperado da parte de meu espírito multimilenar.
Inesperado da parte de minha pessoa superficial histórica.

Isso gerou uma explosão de alívio e desespero simultâneo.
Eu não sabia o que fazer com aquilo. Era uma tensão demasiadamente grande para mim.

O tempo passou e comecei a interiorizar o impacto sofrido.
Diálogos, pensamentos, reflexões, discursos, textos, estudos,...

A vida continuou e o trabalho se intensificou.
Saíra do inferno para me ver num vazio eterno? Errara pra variar...

Mas...quem foi responsável? O Ego Luciférico ou o Logos Espiritual? Ambos agiram com intensidade. Ninguém sabia. O mundo não via nada. Mas eu sentia tudo. Tudo. Intensamente...

Esse é o dilema de todo ser humano que anseia pela ascensão.

E 2 meses passaram...

O primeiro e mais importante acontecimento elevou a minha vida afetiva às alturas.
Era felicidade num aspecto e tristeza noutro.
Não há opostos sem equilíbrio.

Restava rever as escrituras: quem conduz quem? Quem é elemento essencial, a ser valorizado e cultivado e vivido para estimular o elemento secundário? Eu sabia a resposta: era o afeto. O Logos. A intuição.

Os meses passaram...
Me resolvi parcialmente e sosseguei temporariamente.
Mas o problema material persistia.

Surge um sinal. Poucas chances, muita vontade - o que custa tentar?
Me lancei com todas as forças nos estudos, sem pensar no futuro nem no passado. Era tudo presente e vida. Era intensidade máxima causada por concentração no espaço-tempo. Era a Consciência e a Fé guiando a mente.

Fiz o que podia e os meses passavam. Prestes a completar um ano de golpe mortífero tomei conhecimento de seres fantásticos que vivem vidas fantásticas. Um Sábio chamado Eduardo Marinho que sentiu e viveu o espírito de Francisco de Assis. E a partir daí me dei conta de que só há um caminho para a Salvação: a libertação individual das coisas do mundo.

Um ano. Quarta-feira. Novembro.
Volto da aula e leio um email. Era a Salvação. O Destino. A consequência de uma trajetória sofrida mas sincera. Ambiciosa mas orientada. Ambiciosa para a elevação interior. Orientada para a atuação futura.

Percebi que forças mais sutis, incrivelmente poderosas, foram responsáveis pelo ocorrido. Me senti em dívida com o Alto. E consequentemente com a humanidade.

Tudo na vida tem função. Nada está num lugar sem finalidade. E eis que um novo ciclo começa. Com incertezas e durezas pela frente. Mas também com possibilidade ímpar de superações. Trata-se de uma jornada que não finaliza quando nos convencemos de um fim. Viver é luta constante. É ascensão. É criação. É despertamento.

De onde vem os milagres? 
Eles não vem, são causados.

Como nascem os anjos?
Com dor intensa. 

Qual a finalidade da vida?
Evoluir, evoluir, evoluir,...


Blog do Eduardo Marinho - Observar e absorver

Recomendo muito.
Um cara que vive o Evangelho !

http://observareabsorver.blogspot.com.br/


Espirito de luz. Fala simples. Fala tudo.
Vive o que fala. Sente o que pensa. 


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Ar-Água-Alimento-Abrigo-Afeto

Tenho visto diversos vídeos de Eduardo Marinho nos últimos dias. E me admiro cada vez mais ao ouvir um indivíduo com tão alto grau de consciência e capacidade ímpar em lidar com a realidade material. Isso é raro. Raro nesse grau. Nessa intensidade.

Arte de Eduardo Marinho.
Excesso causa carência - carência revela excessos.
Excesso é nojento, embora não pareça.
Carência é triste, embora revele a verdade.
Muitas pessoas estão despertando para o que está ocorrendo no mundo. Eu tenho reparado nisso através de observações profundas em todos momentos do cotidiano: nas aulas, nas ruas, nas pessoas, nos mercados, nas feiras, nas redes sociais, nas mídias, nas artes, na ciência, na religião. Existe algo nascendo com ímpeto e força. E não podemos encerrar essa gênese numa classe social, num nível intelectual, numa raça, numa igreja, numa área de pesquisa ou num local. É simultâneo e se manifesta de várias formas. No entanto percebe-se, em profundidade, um fio condutor em comum, que é forte como titânio quando é enfrentado pela razão do mundo; e suave como uma pétala de rosa ao lidar com questões (aparentemente) insolúveis.

O futuro se materializa em função do desespero do indivíduo. Ele começa a tomar forma à medida que o indivíduo esgota todas as possibilidades apresentadas e reconhecidas pelo mundo (passado e atualidade). O futuro é algo que se cria quando você reconhece os benéficos do passado e ao mesmo tempo rejeita aquilo que está erodindo e não serve mais. Em todas esferas da vida. Teorias, invenções, sistemas, relações. Modos de conceber o mundo que serviram numa dada época mas devem ser abandonados - por mais doloroso que seja. Quebrar paradigmas - tendo ou não estudo, sendo rico ou pobre, homem ou mulher, jovem ou idoso, negro ou índio, branco ou amarelo. É uma destruição da forma velha e inútil para que a substância construa novas formas.

Somente nos transformamos quando nos desprendemos da vida. Melhor dizendo: apenas quando nos desprendemos do que esse mundo vê como vida.
AR

A Vida não morre, pois ela é substância. 
As existências nascem e morrem, pois elas são formas.

Vida é um princípio que anima a matéria.
Existência é uma experiência na matéria.

Mas...voltando ao tópico. Num dos vídeos Eduardo apresenta os 5 A's que todo ser humano REALMENTE precisa para viver. Eu fiz uma alteração de modo a tornar a idéia mais completa, trocando o agasalho pelo afeto: Ar, Água, Alimento, Abrigo e Afeto. De fato, tudo é redutível a isso. Se estivermos conscientes disso - independente da nossa riqueza material - podemos começar a libertar nossa mente dos pesos do mundo e preenchê-la com as potências da sabedoria.

Através de experimentações interiores chegamos a perceber a potência dessa verdade. Tudo que utilizamos nessa existência - ou deveríamos utilizar - são redutíveis a esses cinco aspectos fundamentais. Vejamos como isso se dá de fato. O ar, elemento primário, indispensável à vida humana, contínuo e frequente em sua circulação, elemento basilar para a execução de qualquer atividade, permite as atividades mais elementares. É a base sem a qual nada é possível. A água, cujas moléculas são maioria em nosso corpo físico (70%), é fundamental à vida, pois contém dois dos quatro elementos fundamentais à vida orgânica: Hidrogênio, Carbono, Nitrogênio e Oxigênio (H,C,N,O). Dois ou três dias sem a circulação dela extingue a atividade dos sistemas e órgãos e suas células. Mas vejamos mais a fundo as relações do ar e da água com o mundo exterior ao corpo.

ÁGUA
Ar com elementos tóxicos significa circulação frequente de elementos nocivos ao funcionamento corporal. São milhares de litros por dia. Por outro lado, água mal tratada contamina o organismo. O processo é lento e discreto, de forma a enganar os sentidos e até mesmo o raciocínio. Nos acostumamos com elementos e situações estranhas que, introduzidos lentamente, discretamente, e às vezes assumindo formas elegantes e sedutoras, se infiltram no corpo e passam a fazer parte dele, dominando processos biológicos, podendo estes interferir no processamento cerebral-mental, porta de conexão entre mundo material e mundo espiritual.

A luz é outra necessidade fundamental. Ela nada mais é do que a sublimação da matéria ao grau máximo. Não se lista ela justamente pela sua característica universal. Ela é não-enquadrável em si mesma. Helioterapia é tomar quantidades de radiação solar para ativar algumas vitaminas (moléculas com função vital específica). Ela deve ser diária e em horários adequados. Quem vive encerrado diariamente dificilmente tem essa oportunidade. O paradoxo é que nossa sociedade industrial fixa essa regra como necessidade suprema de sobrevivência material, obrigatória, induzindo-nos à repetição e consumo desnecessários, estrangulando-nos aos poucos. Estranha lógica! Dá se pseudo-vida à custa da vida de fato. E isso justamente por termos nos afastado lentamente do contato com a natureza. Nos seduzimos pela ciência, que se plasmou em tecnologia e anima nossos desejos e projetos de vida. Nos encantamos pelo pensamento racional, uma explosão mental despertada na Renascença (séc. XVI) e desenvolvida por meios de ciclos tão ascendentes quando destrutivos - porque não guiados pela intuição espiritual, sintética e orientadora. Com isso veio o espasmo da Ciência material (Pascal, Galileu, Newton), Iluminismo (ordenação do saber), Gênios artísticos (Beethoven, Tchaikovsky, Mahler, Rachmaninoff,...), Revolução Francesa (política / sociedade), Revolução Industrial (economia / tecnologia) e desenvolvimentos lógicos de bases plantadas no século XIX. As consequências se estendem e desenvolvem em ciclos mais refinados e insustentáveis, porque não pautados pela intuição...

ALIMENTO
O alimento é uma combinação orgânica que fornece elementos elementares, carregando em doses adequadas outros elementos essenciais ao bom funcionamento dos sentidos e órgãos e processamento. Ele influencia no físico e no mental. Sua carência quantitativa ou qualitativa se manifesta como deficiência. Essa pode assumir duas formas, conforme se caminha para um exagero ou outro (ausência). Nesse quesito o que devemos saber é o seguinte: precisamos do suficiente com a qualidade necessária. Os prazeres alimentares podem induzir a vícios crescentes, nos desprendendo da base da vida e consequentemente nos fazendo dispender mais tempo e energia para adquirir recursos para a compra de coisas desnecessárias.

Com a expansão da ganância alimentar invadimos outras esferas da vida individual: as posses. Nos alimentamos de bens além da nossa capacidade de usá-los para proveito próprio ou adjacente (auxílio fraterno), consumindo bens num ritmo frenético e com atributos desnecessários. Pior: tornando necessidade o luxo, sendo este mera desculpa para satisfação de instintos.

Só se deve adquirir algo se for feito uso benéfico e eficiente. Para si e para o entorno. Desde o curto até o longo prazo. Para avaliar isso é preciso ter desenvolvido a faculdade de discernimento. Ela não se adquire na escola ou universidade, e sim na vida, com a sensibilização psíquico-nervosa. Não se trata de impor um pensamento, e sim apenas apontar em linhas gerais qual é a finalidade da vida. Entrar com exemplos práticos pode ser contraproducente, uma vez que certos leitores podem inflar seu ego e se sentirem atacados em seu modo de vida particular, que julgam ser correto e de seu direito. Mas nem sequer o autor se julga com esse direito, se questionando constantemente, revendo seus conceitos e se expondo a vivência intensa de realidades necessárias. 


ABRIGO
Uma idéia incapaz de sobreviver a sistemáticas investidas violentas não é digna de sobreviver.

Digo mais: quanto mais sublime a idéia, mais ela tende a fortalecer-se com os ataques. De repente percebemos que muitos questionam ou atacam não para destruí-la, e sim testá-la até ao nível de alicerce. E se resiste e cresce, se tornando mais bela e forte, demonstra-se o poder construtivo da dor, seja ele praticada por agentes inconscientes ou pela Lei de Deus. Estamos diante de fenômeno sublime que encanta espíritos sensibilizados de forma intensa. E mesmo àqueles presos à razão ou aos instintos não podem deixar de ficar paralisados ao sentir em si mesmos uma corda vibrando. Eles não compreendem mas se assombram com esse desconhecido. A sensação é ímpar e envolvente. Ela domina sem exercer uma gota de energia. Ela encanta e convence pelo simples fato de SER sinceridade máxima. Partindo-se de um conceito extremamente simples bem conduzido chega-se à compreensão dos mais complexos fenômenos sociais, políticos, econômicos, psicológicos, morais, científicos, afetivos, científicos. 

Subindo na pirâmide chegamos ao abrigo. Este nada mais é uma extensão do alimento. É a necessidade de conservação, segurança do indivíduo e da família. É a vestimenta, é o colchão financeiro para os tempos de penúria. É a proteção das intempéries ambientais. É a privacidade, em que as idéias e opiniões e afetos podem se manifestar sem temor de represálias (teoricamente). É o Lar, direito de todo ser humano. Lugar onde se exerce a individualidade de forma mais intensa, para que a atuação social seja cada vez mais efetiva e coordenada. Para que a aceitação seja maior. Espaço que deve ser usado para reflexão. É a propriedade necessária. Não deve ser mais sofisticada a ponto e que essa sofisticação prejudique alguém - direta ou indiretamente. Novamente vemos o discernimento como elemento balizador da evolução interior que dita as necessidades exteriores.

AFETO
No topo da pirâmide temos o afeto, base da unificação. É aí a gênese das famílias, uniões não apenas para perpetuar a espécie, mas para desenvolver as capacidades intuitivas latentes e satisfazer os instintos. Geralmente sentimos a necessidade dessa última, mas no íntimo temos vago sentimento de que existe um algo-a-mais que nos leva a escolher uma pessoa e um grupo. É aí que reside a chave para a evolução. A intensidade da experiência afetiva permitirá o desenvolvimento virtuoso e orientado de toda inteligência analítica, a razão. Ele alimenta-a por trás, sem aparecer. É a força sutil do espírito que nos impulsiona a aprender o antes chato, o hoje interessante, e o amanhã fascinante.

Com isso construímos a pirâmide das necessidades fundamentais descritas pelo Eduardo. Pirâmide que é síntese das necessidades e finalidades da vida. Em todas existências, em quaisquer circunstâncias.

Pautar a Vida por essa hierarquia nos levará a eliminar inutilidades e construir nossa personalidade ao longo das diversas existências. Mas isso requer atitude constante e convicta, sem se importar com circunstâncias temporárias e aparentes.

Eu creio que podemos sair desse labirinto.

Mas precisamos de VONTADE.

Vontade de EVOLUIR...

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Link recomendado:    https://www.youtube.com/watch?v=NMn_1rQ3sms
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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A FELICIDADE TRANQUILIZA - A INFELICIDADE INFERNIZA

Existe uma evidência muito clara que indica se uma pessoa está ou não contente com o que está fazendo, seja no trabalho, seja nos estudos, seja no convívio social. Basta olharmos se essa pessoa está preocupada com o que está acontecendo ao seu redor. E se, além disso, sente um ímpeto ardente de vigiar e controlar pessoas.

Preocupação indica carência interna, que pode ser traduzida como alguma vontade do ego humano não satisfeita. Pessoas assim abundam. Somos todos sujeitos a imaginar o que os outros estão fazendo, como estão fazendo e por que fazem. Especialmente nos empregos ou locais onde seja explícita a relação hierárquica de subordinação. Queremos exercer controle externo porque não somos suficientemente preenchidos internamente - por falta de contato com o Deus imanente que reside em nós. Essa realidade (presente) são causa de grande parte dos males da humanidade - se não todos.

Transformismo.
Desde minha adolescência comecei a me tornar quieto e retraído. Tinha dificuldades de expressar minhas ideias e sentimentos. No entanto, ao longo dos anos percebi que - aliado a essa característica - minha mente e espírito estavam em trabalho incessante, constatando cada detalhe (a princípio), e formando sínteses (a seguir) dessa miríade de fatos, eventos e opiniões. Isso me deu uma relativa tranquilidade, pois me convenci de que todos esses anos "parados" foram de fato uma espécie de preparação para uma série de ideias e atitudes que eu iria adotar. E me certifiquei também de que o mundo acadêmico, racional, científico, seriam incapazes de fazer essa elaboração de substância. Anos de maturação interior. Incubação que antecede uma eclosão.

A vida começou a ficar mais clara. De repente ia me dando conta de que ao fim de cada período "inútil" eu conquistava alguma qualidade capaz de libertar minha mente de algum fantasma que o imaginário coletivo inconsciente inculca na mente de todos nós quando descemos a este mundo. Isso a universidade não ensina, apesar de apontar caminhos - se a pessoa possuir uma sensibilidade capaz de ler nas entrelinhas.

Essa sensibilidade foi aflorando à medida que os golpes do mundo iam sendo aplicados. Eu, ao invés de seguir os caminhos normais, conhecidos, já trilhados - para acabar com a dor - optei por abraçar as decepções e indignações. Alta tensão a ser trabalhada para virar corrente bem orientada. E com isso as ideias e os conceitos começaram a brotar. Finalmente eu estava superando o mundo. Não pela razão, e sim pela intuição - muito mais poderosa. 

Evolução, evolução, evolução.
Só se foca no mais (desconhecido). Afirmar o mais desconhecido
para superarmos o menos conhecido - e cada vez mais triste.
Com essa capacidade de observação e filtragem, adotei uma atitude da seletividade. Pois queria desenvolver tudo que estava se formando na minha mente e espírito. E logo me dei conta de que o único modo de continuar o caminho era me tornando o caminho, porque estava adentrando em terreno novo para o mundo. Terreno ainda não sistematizado, quantificado, reconhecido. Essa loucura me deu uma força que jamais teria obtido seguindo os métodos do mundo, e desde então nunca deixei de seguir esse ímpeto interior.

Eis que (voltando ao tema) começo a perceber uma verdade fundamental, mas pouquíssimo compreendida pelas pessoas: quem realmente trabalha não deseja controlar o outro. E como consequência existe menor vontade de compensação - seja via consumo ou controle de alguém.


Reparem no seguinte: a pessoa "normal" (i.e, adaptada ao mundo) passa 8, 9, 10 horas no escritório ou oficina e adquire bens e serviços para si. A maioria desses bens e serviços não são realmente necessários para que ela viva bem, mas no entanto essa pessoa deseja ardentemente adquiri-los porque ela "merece". O que isso significa? Vocês já pararam para refletir sobre o significado disso?


Se alguém "merece" algo é porque ela sofreu algo. 


Ou melhor, ela tem direito a algo. E quem reclama direito é porque tem uma necessidade fundamental não satisfeita. No caso dessa necessidade ser inacessível (muito profunda, como tempo livre, convívio familiar, ter uma ocupação que lhe agrade, afetos, entre outras) ela preenche o vazio com o consumo de bens e serviços com frequência e intensidade muito além do necessário; e/ou com a imposição de sua posição social ou autoridade sobre outra pessoa - sem motivo.


Obs: Por "reclamar direito" entenda-se: "descontar frustração nos outros maquiadamente ou no consumo conspícuo". Não se trata de combater os direitos constitucionais conquistados com sangue e suor ao longo de séculos de lutas.

E quando compreendemos isso a vida fica muito interessante. Pessoas que desejam controlar ou impor algo a outra são de fato pessoas com problemas internos. E por mais que escondam e sejam astutas em maquiar sua realidade miserável, percebe-se essa pobreza simplesmente pelas atitudes da mesma.

Basta observar atentamente. Se alguém está realmente entretido com o que faz, não importa se todos à volta estão fazendo outra coisa ou estão ausentes ou estão batendo papo (desde que não atrapalhando o sujeito). Essa pessoa está vivendo o fenômeno e nada mais lhe interessa. Se encontra imersa num mundo paralelo e já está recebendo o que deseja durante o próprio ato de criação ou execução. Essa pessoa não irá depois querer ver se o outro fez o tanto que ele fez, ou se os outros não estão dando duro o suficiente. Ela simplesmente se divertiu.

Eduardo Marinho: biótipo do futuro. Nasceu no céu social,
mas não encontrou sentido na vida. Desceu ao inferno
social e encontrou sentido para a vida. 
Infelizmente momentos assim são raros. Porque as condições são desfavoráveis. Temos ambientes e jornadas (de trabalho) que inviabilizam o bem-estar interior, as relações, o convívio, e mesmo o desenvolvimento das faculdades das pessoas. Temos rotinas que nos foram impostas sem que tivéssemos a oportunidade de questioná-las; não podemos conceber outras formas de vida. Nossas mentes foram condicionadas a abraçar uma mentalidade racional - uma forma mental que foi se intensificando até culminar no capitalismo em sua forma neoliberal. Uma mentalidade que se julga o ápice da evolução. Uma mentalidade que se separou do Universo completamente nas últimas décadas. A Natureza e o Além. Nos divorciamos mentalmente do infra-humano e do supra-humano, nos declarando deuses. Essa razão luciférica sozinha não irá nos levar adiante nessa longa jornada evolutiva.

Essa realidade é constatável em todo mundo. Nos ambientes de trabalho (alienado) e de consumo (conspícuo), que abundam e são duas faces da mesma moeda, isso é muito mais evidente. Porque esses meios são propícios para a manifestação dos instintos sob vestes de "contribuição social" e "gozo". Mas a grande verdade é que essa "contribuição social" se revela uma grande farsa, pois a vida de quem segue o modelo vigente se revela cada vez mais vazia de significado, e em grande medida prejudica indiretamente o bem-estar de outros. Prejudica de forma muito sutil (observem o mundo à fundo) comunidades, famílias, ecossistemas e cultura. Rejeita o mais afirmando o menos como o mais. Ignora-se o porvir por ignorância. Ignorância que gera medo. Por outro lado, esse "gozo" nada mais é do que degradação interior por falta de vontade de superação. É uma necessidade de compensação por todas misérias sofridas interiormente. Misérias que não se manifestam porque mal vistas pelo grosso da sociedade. Misérias não-tratadas porque nem ouvidas - muito menos compreendidas. Misérias que culminam nas compras sem sentido, nas atividades vazias e na agressão de minorias. Misérias que realimentam um trabalho que não merece tal nome. Um "trabalho" feito repetidamente, que é meio para fugir de problemas afetivos e também evitar cair no que a mentalidade hodierna crê ser o fim de tudo: exclusão.

A humanidade como corpo coletivo está cavando a própria cova. Está gerando a própria ruína ao colaborar com seu ego luciférico. Um ego que sustenta um sistema que não mais é capaz de atender as necessidades do Ser do Terceiro Milênio. No entanto alguns indivíduos se destacam das massas financeiras, intelectuais ou populares [1]. Indivíduos que podem vir de qualquer meio e pertencer a qualquer classe ou etnia. Indivíduos que podem ou não ter formação específica. É aí que residem as setas que apontam para cima. Precisamos sair do labirinto da horizontalidade racional para ascender a um plano de intuição. Para isso precisamos nos mover na verticalidade mística interior que temos, e assim começar a agir efetivamente para libertar nosso Ser e todos Seres desse plano em erosão.

Temos o Dever de nos libertarmos de uma forma mental.
Temos o Dever de nos conscientizar da Realidade.
Temos o Dever de sair do lugar-comum.

Somos profundos e belos, mas não manifestamos essas belezas profundas.
Queremos ter muitas coisas vazias, mas não percebemos essa auto-intoxicação.
E quando temos, queremos mais e mais e mais...
E nosso SER diminui e diminui e diminui...
Essa é nossa miséria.
Foi assim, é assim...
Mas não precisa ser sempre assim.

A miséria material só existe porque a maioria dos que tem poder e influência são espiritualmente pobres.


Pensem nisso, reflitam sobre isso, sintam tudo isso, vivam isso.

Na carne, na mente, no espírito...

Sem Dor não há Salvação.


Notas
[1] Noam Chomsky, Scott Santens, Ricardo Sempler, Amit Goswami, Domenico De Masi, Vincent de Gaulejac, Huberto Rohden, Leonardo Boff, Pietro Ubaldi, Vladimir Safatle, Leandro Karnal, Márcia Tiburi, Eduardo Marinho, Carlos Novaes.