terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Consciência, entropia e informação

Energia é a fase intermediária - que estabelece um vínculo entre matéria e espírito - em nosso universo. Como se sabe (de AGS), as três fases do nosso cosmo não podem ser separadas e analisadas em sua forma pura. Sempre veremos as três intimamente jungidas, concomitantes, simultâneas, cooperando entre si para formas as coisas e dinamizar os fenômenos e assim fazer evoluir a substância. 

Nada está isolado no Universo. Nem pessoas, nem grupos, nem pensamentos, nem crenças, nem narrativas, nem saberes, nem tecnologias, nem teorias, etc. Nada (pense nisso). Isso significa que os fenômenos interagem a todo momento, de vários modos, para gerar o que se conhece por transformação - que em seu aspecto mais alto se denomina evolução. 

Sendo assim, precisamos aprender a observar a realidade de modo mais fidedigno. Precisamos apreender essa realidade, ou seja captar o seu íntimo transformismo. Sua lógica de operação. O algoritmo que ela executa a todo momento. Um algoritmo sofisticado que vai além dos nossos (algoritmos). 

A complexidade do mundo é coordenada por uma inteligência imanente a tudo, que não tem necessidade de tempo para se realizar. Já está tudo presente desde o princípio (do Universo). O que muda é o des-envolvimento das manifestações. É como se o princípio, interior por natureza, partindo de uma realidade exterior caótica, fosse re-ordenando ela, aplicando aspectos seus cada vez mais sofisticados, em níveis cada vez mais propícios ao contexto tangível, para se expressar. E quando a forma (manifestação relativa) estiver no limite de se igualar ao princípio (essência absoluta), todo transformismo - tal qual a gente o conhece - cessa e 'vencemos a morte'.

Falo de tudo isso porque o assunto que irei tratar deve ser abordado com um espírito superior. Não basta saber das coisas do mundo muito bem - é imperativo compreender porque tudo é assim e para 'onde' vamos a partir dessa visão. 

Vamos então relacionar uma das áreas mais apaixonantes (na minha opinião) e de vasta aplicação da ciência, a Termodinâmica, com o monismo substancial. 

Fig.1: A máquina a vapor é um símbolo da explosão industrial que a nossa civilização começou a vivenciar
desde o início do século XIX. Ela marca o início da modernidade: uma sociedade pautada no bem-estar, no crescimento 
sem fim, na tecnologia e no absolutismo da razão. 

Algumas pessoas de nossa sociedade começaram a perceber o quão central é a energia para o desenvolvimento humano. Aliás, ela e os recursos materiais. Mas nossos economistas ainda não conseguem perceber esse simples fato. Eles criaram uma abstração, um mundo ilusório, em que o sistema econômico e o ser humano pode viver e se desenvolver sem o apoio da matéria viva, não-viva e das fontes de energia. Um mundo informacional e humano desacoplado do mundo físico e dinâmico. Parecem ter se esquecido de que a informação depende de objetos físicos e fluxos energéticos para ser transmitida, assimilada, trabalhada e gerar conhecimento. E de que o ser humano é um sistema integrado que interage continuamente com o seu meio físico para sobreviver.

É isso. Muitas pessoas (estudadas) não entenderam o que são sistemas integrados. E com isso seus modelos pecam. Porque são projetados por uma forma mental que não reconheceu plenamente a centralidade das interdependências ou relações. 

Da Termodinâmica aprendemos que existem três maneiras pela qual um sistema pode se relacionar com seu meio, que levam a três denominações:

  • Sistema isolado: não troca matéria nem energia com o meio.
  • Sistema fechado: não troca matéria com o meio.
  • Sistema aberto: troca matéria e energia com o meio.

Exemplos: 

(1) Café numa garrafa térmica (enquanto ninguém a use para beber) irá permanecer todo lá, sem entrada de nenhuma partícula de ar (hermeticamente fechado), e sua temperatura irá demorar muito para decair, de forma que podemos considerar que a troca de calor será desprezível num curto intervalo de tempo 

(2) A Terra pode ser considerado um sistema fechado, pois troca energia continuamente com o meio (radiação solar que é absorvida e emitida em parte de volta) e não deixa matéria escapar (campo gravitacional) ou adentrar (salvo raríssimos casos de asteróides, cuja massa mesmo assim é desprezível em comparação com o sistema em questão).

(3) Um animal (incluindo nós humanos) estamos constantemente trocando matéria (alimentando-se, fazendo necessidades, suando, respirando, etc.) e energia (adquirindo energia via radiação solar, alimentos, ou chocando-se, suando, etc.) com o meio que nos circunda. Sem isso não há vida.

Mas podemos completar essa classificação inserindo um elemento essencial aqui: a informação. Ela, assim como a matéria e a energia, é um aspecto fundamental para descrever nossa realidade (física ou metafísica). Sendo assim, não podemos deixá-la de fora em nossa classificação. 

Antes de avançar mais é importante explicar o porquê de eu jogar esse tempero em nosso caldo. A informação está intimamente relacionada à entropia. E entropia é algo muito estudado em Termodinâmica - não em sua essência, mas em como determiná-la, defini-la em termos técnicos e coisas do tipo. Mais à frente essa relação ficará mais clara. Um vídeo curto (3 a 4 min.) da Khan Academy, com legenda em português, apresenta a Teoria da Informação de forma sucinta:


Agora sabemos que se trata de algo que possui alguma relação com nosso mundo tangível. Podemos mensurar informação como massa ou energia. Mas sua unidade de medida é diferente daquelas do mundo físico. Aí entramos com uma unidade de medida conhecida como bit - muito comum em informática. 

Nosso próximo passo é voltar uns seis mil anos e observar a origem da escrita - época em que as grandes civilizações conhecidas por nós floresceram. Aqui será importante saber como essa informação (símbolos ordenados de acordo com uma gramática) seria armazenada

Inicialmente usava-se a pedra para o registro dessa informação. Mas ela era pesada. Era difícil transmitir algo porque esse algo estava 'preso' à matéria bruta. Algo pesadíssimo. E tanto mais pesado quanto maior a quantidade de coisa a ser repassada. Não era muito prático. Felizmente nessa época estava surgindo um novo material para deixar essa informação: o papiro. Se trata de um produto confeccionado a partir de uma cultura existente nas margens do Nilo. Ela poderia ser cortada em filetes, jungidas em forma cruzada, prensadas (por um rolo) e deixadas por um tempo secando. O açúcar agiria como cola, fazendo com que as inúmeras tiras ordenadas transversalmente se juntassem e formassem um corpo único, coeso e leve - propício para escrever. Uma revolução!

Com o papiro era possível transmitir informação muito mais rapidamente no espaço. Ela poderia ser levada sem grandes problemas e em maior quantidade. Além disso houve desdobramentos mais sutis (porém poderosos): a escrita, por permitir mais liberdade de movimentos e rapidez das mãos, passou a ser mais ágil. Com isso a técnica de representação evoluiu. Os símbolos passaram a se sofisticar. Surge o hierático - uma forma de escrita baseada em hieróglifos mais prática. E houve mais ainda.

A presença se símbolos fonéticos tornou o aprendizado acessível a crianças em tenra idade. A quantidade de símbolos decaiu. A praticidade em escrever aumentou. Tudo foi co-evoluindo. O mesmo padrão de desenvolvimento pôde ser observado em outras culturas - atestando que se trata de um caminho certo, ou seja, o mais lógico possível para o desenvolvimento da escrita. Novamente aí percebemos a presença de um princípio unificador (a lei do menor esforço) norteando o desenvolvimento dessa nova descoberta dos povos.

Inúmeros desdobramentos levaram à difusão e transformação da escrita, até chegarmos ao alfabeto dos gregos e romanos. Daí para os idiomas modernos foi um pulo. E com isso temos o alfabeto: uma forma muito eficiente de transmitir informação. 

O vídeo abaixo (de 10 min. e com legendas) mostra essa interessante jornada.


Agora podemos falar um pouco sobre a entropia presente na informação. Para isso vamos recorrer a Claude Shannon - a pessoa responsável por elaborar a Teoria da Informação

O vídeo abaixo traz a ideia dessa teoria. Entramos com Probabilidade básica e entra-se com um estudo de caso com duas máquinas cujas probabilidades de expelirem as letras 'A', 'B', 'C' e 'D' variam de acordo com uma distribuição probabilística. Assista o vídeo (7min.) antes de avançar.

Após apresentar os exemplos (~4:30) você percebe que a máquina #2 está produzindo menos informação porque nela há menos incerteza (=mais certeza) em relação á máquina #1. Então podemos associar informação à incerteza. 

Menos incerteza, menos informação - mais incerteza, mais informação. Grandezas diretamente proporcionais. 

Shannon chamou essa média de incerteza de 'entropia, e usou a letra H para representar isso. E para determinar essa incerteza ele se baseou num lançamento de uma moeda não-viciada. Ele chamou isso de pedaço (bit). 

Após uma série de manejos matemáticos ele chegou a uma formula que associa informação à entropia:

Fig.2: A entropia (H) é o somatório do produto da probabilidade de cada símbolo multiplicado pelo logaritmo
de base 2 do inverso dessa probabilidade. 

Sim...eu sei meu amigo. Não precisa entender a matemática. O importante aqui é saber que a probabilidade de obter o símbolo está associado à entropia da informação.

Se formos traduzir para a forma gráfica a função da Fig.2 (H vs. p,) temos o seguinte:

Fig.3:  Gráfico da entropia em função da probabilidade.

O que o gráfico nos diz?

Ele nos diz que a máxima entropia ocorre quando a probabilidade do resultado é igual para ambas as partes. Mais homogeneidade. Dizendo de outra forma: a entropia é máxima quando todas as saída (resultados) são igualmente prováveis. Ou ainda: Diminuir a previsibilidade - ou aumentar a incerteza - diminui a entropia. 

E o bit? O bit é a medida quantitativa da informação.

Resumindo:

  • Menos entropia, mais incerteza.

Entropia é degradação. Então,

  • Menos degradação, mais incerteza.

E incerteza pode ser associado a heterogeneidade. Então,

  • Menos degradação, mais diversidade.

De modo que a riqueza de possibilidades (=diversidade) significa uma menor degradação. Então diversidade é algo desejável em nossas construções e relações.

Já conseguimos relacionar o conceito de entropia ao de informação. Agora podemos voltar a falar sobre os tipos de sistemas, analisando do ponto de vista da informação (ou entropia).

Um ser vivo mantém sua entropia baixa às custas do aumento de entropia do seu meio. Essa é uma característica de todo ser vivo. Inclusive de nosso sistema econômico - quer ele seja sustentável ou não. As possibilidades de atuação de um ser vivo são infinitamente maiores quando comparadas à matéria inerte. Ou seja, o livre-arbítrio desponta na vida - e tanto maior quanto mais evoluído é o ser, como podemos constatar. Então me parece que essa liberdade está diretamente relacionada a essa diversidade (orgânica, psíquica, social, etc.), que oferece assim muitos caminhos que a matéria inerte não pode experimentar. Graças a configurações, interconexões, muito especiais. E um sistema de processamento (sistema nervoso) capaz de interagir com o meio físico através dos sentidos. 

Estou chegando aonde eu quero. 

Se somos seres que aumentam a entropia do meio, então trocamos informação com o meio. E quanto mais a civilização avança, maior parece essa geração de entropia - o que, no estágio atual, implica em resíduos e dilemas incontornáveis. Incontornáveis sob a ótica do paradigma hodierno. 

Somos sistemas abertos. Então esses sistemas trocam informação com o meio.

E sistemas fechados e isolados? Eles também trocam informação? Bom...para responder isso precisamos pensar em termos de matéria e energia. 

Vamos pegar os exemplos usados lá no início e jogar uma pitada de visão monista.

Uma xícara de café numa garrafa térmica (considerando um intervalo de tempo curto e que ela esteja hermeticamente fechada) não troca nem matéria nem energia com o meio. O nosso universo, como todos outros pertencentes ao AS, é trifásico. Isso significa que matéria, energia e espírito trabalham em grupo, sempre (sempre). Eles são contíguos e não podemos encontrá-los completamente isolados na natureza - ou isolá-los. Se assumirmos a informação como um aspecto rudimentar do espírito, então matéria, energia e informação devem estar juntos para um deles se expressar (num sentido ou noutro).

Para transmitirmos informação dependemos de ondas eletromagnéticas atualmente. Essas ondas são uma forma de energia. Ou blocos de pedra ou papel, que são matéria. Se o café não troca nada com o meio, a informação não pode ser transmitida (ao menos não conseguiremos captar o que 'ele' está nos 'dizendo'). Porque o espírito (ou informação) precisa de um substrato físico ou dinâmico para se manifestar (ou transmitir).

Então um sistema isolado não troca informação com o meio?

Bom...se considerarmos que a informação é um aspecto do espírito, e que poderíamos percebê-lo mesmo sem os meios físicos ou dinâmicos, então podemos dizer que não. No nível quântico pode haver esse intercâmbio de informação. Isto é, sem depender do tecido espaço-tempo. Vejam essa reportagem da Revista Galileu [1] ou uma publicação mais pormenorizada da Fapesp [2].

Então aqui irei considerar que, apesar do que foi dito inicialmente, sistemas isolados trocam informação com o meio. s

E sistemas fechados? Bom...eles trocam energia (ex.: ondas eletromagnéticas) com o meio. Logo, trocam informação. 

Vamos tabelar isso tudo:

Tab.1: Tipos de sistemas e trocas feitas (ou não) por cada um deles.

Podemos dizer que a evolução (ou nível de livre-arbítrio) de um sistema é tanto maior quanto mais trocas forem possíveis.

E em sistemas abertos, podemos dizer que as trocas se tornam mais frequentes quanto mais evoluído o sistema for - seja ele na escala individual ou coletiva. 

Agora chegamos num ponto interessante meu amigo. Estamos aptos a observar a nossa espécie sob a perspectiva da matéria, da energia, da informação, da entropia e do livre-arbítrio. Podemos agora começar a fazer a leitura de todo esse conhecimento a partir da visão (ou sabedoria) monista substancial. 

"Os seres que vedes, tanto animais como plantas, são os tipos sobreviventes da evolução, vitoriosos na grande luta da vida. Não podeis observar a evolução, mas apenas suas consequências. A elaboração atual encontra-se em outro nível." 

AGS, Cap. 69 (grifos meus)

O que nos aparece diante dos olhos não é a evolução, e sim um resultado temporário da mesma. Estamos em movimento incessante, elaborando os germes que irão frutificar nas formas estáveis do porvir. A intensidade com que intercambiamos informação é apenas uma expressão, um desejo ardente, de conseguir atingir uma nova forma de vida. Uma maneira diferente de se relacionar com os objetos e com os sujeitos. E toda essa odisséia gera entropia.

"Algumas células sociais tendem a manter-se na senda dos equilíbrios estáveis, conhecidos e seguros, mas fechados no passado. Outras células, que, personificando as tendências opostas, destroem e reedificam continuamente, sempre na tentativa de caminhos novos, num incessante dinamismo, representam o princípio da revolução diante do princípio da conservação."

AGS, Cap. 69 (grifos meus)

Há aqueles que são conservadores (maioria). Porém, percebemos os progressistas (minoria). Me refiro a conservador e progressista mais no sentido espiritual do que formal. 

O progressista destrói e reconstrói costumes, ideias e valores. Gera mais entropia que o conservador nessa busca por superação. Degrada o que o mundo necessita - mas pode criar o que o mundo almeja. Do conservador do espírito nada de grande pode-se esperar. Do progressista do espírito devemos depositar nossa confiança. Especialmente nesses tempos de destruição das formas mais caducas e tentativas titânicas de expressar a substância.

"Mas a ciência para na atual fase evolutiva, que deve justamente, porquanto se encaminha para o espírito e representa a reconstrução dessa forma do todo (Deus, pensamento), representar a morte da matéria, como a involução representa a morte do espírito. Assim, isolando a entropia numa só direção, sem ver o transformismo oposto, não se pode compreender essa transformação. Foi na precedente fase inversa involutiva que se concentrou aquela potência que agora se manifesta e vai gastando-se, nivelando-se como entropia. Ela não é senão um desenvolvimento que, anulando a forma-matéria, cria a forma-espírito, que é o retorno a Deus na ascensão evolutiva atual."

Problemas do Futuro, Cap. 21 (grifos meus) 

Então antevemos que essa incessante entropia que o mundo gera serve para criar terreno propício para criar a forma-espírito, tornando o ser mais (porém não completamente) independente da forma-matéria. 

"Temos primeiro, então, a formação dos núcleos de matéria no espaço, dinamizados pelo pensamento criador, e depois a irradiação dinâmica desses núcleos altamente dinamizados, até seu esgotamento (entropia), mas, em consequência, formam-se os planetas e sobre eles a vida, incumbida da transformação da energia em consciência e pensamento."

Problemas do Futuro, Cap. 21 (grifos meus) 

É exatamente isso o que ocorre em todo Universo. A vida se desgasta para se tornar cada vez menos orgânica e mais psíquica, num ato apaixonado e criativo de expandir a consciência. 

Então a consciência é algo eterno, desde todo o sempre e em qualquer lugar presente, que se revela através da vida. Vida que trabalha com grande quantidade de informações, aumentando a entropia que extingue as possibilidades de uma vida ancorada única e exclusivamente na matéria. 

Você está vendo, meu amigo, minha amiga? Tudo que exponho aqui visa mostrar a unicidade do cosmos. Essa unicidade evolui através do dualismo dos pólos que interagem cada vez mais construtivamente. Essa unicidade trabalha se manifestando em três aspectos (vide todas trindades de todas religiões, além do aspecto trifásico de nosso universo). Essa unicidade na diversidade é o que precisa ser compreendido (pela mente) e depois vivenciado (pelo espírito) de cada um de nós. 

Mas já fui longe demais para um ensaio. 

Deixo um conselho final: é melhor fazer algo de modo imperfeito do que não fazer nada de modo perfeito - nem que esse algo seja um simples gesto de doçura ou um diminuto pensamento penetrante. 


Referências:

UBALDI, Pietro. A Grande Sìntese. 21ª Edição. FUNDAPU. 2017.

UBALDI, Pietro. Problemas do Futuro. FUNDAPU. 2019.

What is information theory? Khan Academy. Link <https://www.youtube.com/watchv=d9alWZRzBWk>

History of the Alphabet. Khan Academy. Link: <https://www.youtube.com/watch?v=6NrTrBzC6dk&list=PLSQl0a2vh4HC9lvrBhVt4UUkhzpp3N5_x&index=2>

domingo, 6 de fevereiro de 2022

Três rainhas, três destinos e um fio condutor

Desde o início da pandemia, lá por Março de 2020, uma boa parte de minhas noites vem sendo permeada por séries. Não tinha o hábito de assistir seriados. Desde a adolescência via somente filmes. Estes foram melhorando de qualidade - especialmente após chegar aos 17~18 anos. Os temas eram cada vez mais profundos; os personagens, mais complexos; os roteiros, mais bem elaborados; os significados, mais inesgotáveis; as trilhas sonoras, mais sublimes. E assim fui conhecendo obras verdadeiramente eternas. Verdadeiros marcos da sétima arte. Já escrevi sobre algumas delas aqui (vejam os primeiros ensaios).

Não acompanhava séries. As referências que eu tinha não eram muito boas. Sempre que pipocava alguma na minha frente, percebia que se tratava de algo desinteressante, superficial, com pouca densidade. Parecia que obter risadas a qualquer custo, impressionar com explosões e efeitos e ritmos alucinantes de movimentos era a finalidade dos seriados (de fato, muitas séries, se não a maioria, tem isso como foco...especialmente as estadunidenses). Mas quando minha rotina - e a de meu pai - mudou comecei a descobrir novos continentes.

De L´Amica Geniale até Das Boot, passando por Isabel, Carlos Rey Emperador, Las Chicas del Cable, Tiempos de Guerra, Downton Abbey, The Cimson Field, La Templanza, Miss Fischer Murders & Mysteries, The Borgias, Consciência3, Mixte, The Bletchley Circle, Victoria, The Paradise, The Marvelous Miss Maisel, Ambição, I Segretti di Borgo Larici, Le Secret de Maison des Rocheville, Call The Midwife, Mildred Pierce, The White Queen, The White Princess, The Spanish Princess. Em sua maioria, muito boas, cheias de conteúdo, personagens bem construídos. Algumas possuem trilhas sonoras maravilhosas (algo divino). Já são quase dois anos de uma distração que enriquece a cultura, instiga, faz pensar e inspira.

Gostaria aqui de comentar sobre as três últimas, que tratam de uma história que perpassa a vida de três personagens, três rainhas, três mulheres incríveis. Mulheres de fibra, de ousadia, de sentimento e de determinação. Mulheres que representam o espírito feminino sem ceder à força das circunstâncias.

Fig.1: As três séries que tratam da vida de três rainhas inglesas. Elizabeth Woodsworth,
esposa do Rei Eduardo IV; Elizabeth (filha da outra), ou 'Lizzie', esposa de Henrique VII;
e Catarina de Aragão, filha de Fernando de Aragão e Isabela de Castela, e (primeira) esposa de Henrique VIII

Recomenda-se assistir as séries em sequência (como apresentado na Fig.1, da esquerda para a direita). Porque as histórias estão entrelaçadas e seguem a cronologia dos fatos. Daí poder-se-á compreender melhor o contexto histórico de cada uma delas e suas ligações com certos personagens. 

The White Queen começa em 1464. O rei da Inglaterra é Eduardo IV, da dinastia York, conhece Elizabeth Woodville, de outra dinastia (Lancaster). Ambos se apaixonam. Uma ligação íntima ocorre desde o início, como pode-se perceber pelos gestos e olhares de ambos. Mas esse amor sofrerá ofensivas terríveis do mundo. Ofensivas de um mundo, de uma época, de uma cultura, de uma mentalidade, que não aceita uma unição mais baseada no amor do que nos interesses políticos do reino. Porque a bela Elizabeth (Rebecca Ferguson) que além disso não possui uma posição importante. 

O encontro dos dois se deu de maneira inesperada - sua união se deu quase que imediatamente. Ocorreu quando a moça de 27 anos, acompanhada de seus dois filhos, se depara com o rei para pedir que lhe restituísse a herança de seu finado marido, John Grey, para sua família. Eduardo fica comovido pela retidão e beleza da mulher, que não apenas restitui suas posses, como a toma em casamento. Uma união rápida, sem rodeios, por amor - algo raro na época. Quem deseja saber mais a respeito, pode ler aqui [1].

Contra todas as normas sociais da corte, contra todos os conselhos de seus familiares (especialmente do Lorde Warwick), eles se casam. Um casamento mais por amor do que por interesses - algo escandaloso na época, e muito perigoso politicamente. No entanto, as coisas não serão fáceis para os dois - especialmente para Elizabeth. O vídeo abaixo faz um apanhado geral da trajetória dessa mulher incrível, que não era apenas uma moça bonita na corte, mas também rainha, feiticeira, esposa e mãe. 

Desde o momento em que a Elizabeth (Rebecca Ferguson) começa sua vida na corte, toda família do rei começa a desestabilizar o reinado. Perde-se a confiança. Alianças são desfeitas. Palavras perdem valor. Promessas são duvidosas. Pelo simples fato de não ter sido feita uma união baseada nos interesses políticos, pautados em alianças na forma de casamentos, - em que moças eram entregues a reis visando fortalecer laços entre povos - perde-se a paz num reino. 

Elizabeth nunca consegue a simpatia dos irmãos. Ela até tenta fazê-lo, sem deixar seus princípios, sem se rebaixar, como toda grande heroína. Mas os interesses, o ódio, prevalece e os esquemas não cessam.

Vida de casado não é fácil dizem. Mas imagine uma vida assim na Inglaterra do século XV, em meio a um conflito que durou trinta anos e deixou o país dividido [2], com uma pessoa que ocupava o cargo mais importante do país. As complicações, os perigos e as dores são aumentados exponencialmente. 

Não há como fugir de um grande destino quando as premissas são ousadas.

Nessa grandiosa série de época, sentimos a intensidade da paixão, as maquinações do poder, a mentalidade da época - em que as posições eram fixas, predeterminadas, sem opção de escolha...especialmente se os cargos almejados ou ocupados eram altos. Vemos a adaptação dos personagens. A resistência feroz, que mesmo assim é insuficiente contra as forças da vida, e consequentemente aponta para a necessidade de uma resiliência além do normal, além do esperado. Somente pessoas com estofo espiritual podem sair ilesos dessa tempestade de interesses. Elizabeth era uma dessas pessoas e soube lidar bem com sua realidade, seu destino.

"Deveis compreender que o equilíbrio de uma posição econômica e social é, como na física, tanto mais estável quanto mais baixo se encontrar, quanto mais próximo estiver do nível mínimo da sociedade na qual se situa. É contra os cumes que as tempestades investem. Não invejeis esses grandes perigos de quedas maiores. Quanto mais elevada é uma posição social, mais insegura e vulnerável ela se torna, mais dificuldade impõe para a sua defesa e mais facilmente tende a cair, exigindo a presença de um valor intrínseco que a sustente através de um esforço contínuo." 

A Grande Síntese, Cap. 93 (grifos meus)

Percebam, meus amigos, que as coisas estão profundamente relacionadas. Basta ler o livro da vida em profundidade. A arte expressa a beleza da realidade intrínseca que jaz no ser. Uma realidade que deseja se expressar de forma cada vez mais cristalina, intensa, atraente e certeira. 

Elizabeth deu luz a 13 filhos. Era uma mulher forte também em termos físicos - algo fundamental para a época, que exigia a geração de uma prole, de preferência meninos. Uma dessas crianças, também de nome Elizabeth (Lizzie), acabaria por se tornar a rainha da Inglaterra em 1485, casando-se com o Rei Henrique VII da dinastia Tudor. Esse casamento, um arranjo entre a crente fervorosa e radical Margarida (mão de Henrique) e Elizabeth Woodville, colocaria fim ao conflito conhecido como a Guerra das Rosas. 

Aí começa a próxima série.

The White Princess inicia-se com um casamento indesejado, forte, violento, em seu primeiro episódio. Lizzie não gostava de Henrique Tudor. Mas seu destino foi traçado pelas circunstâncias da vida.

Ao contrário de sua mãe, que ao menos pôde escolher dar primeiro passo livremente, Lizzie teve de se contentar com um casamento arranjado, com alguém que ela não queria e até chegou a detestar no início. Mas o desenrolar dos eventos e o forte envolvimento com a vida na corte acabou por torná-la uma aliada, depois amiga, depois verdadeira esposa do rei. Esse desenvolvimento da personagem também percebemos ao longo da série. 

Nessa série nos deparamos com uma mulher inicialmente sem liberdade, sem poder para mudar um mínimo sua situação. Mas com muita determinação. E ao longo dos episódios percebemos como ela acaba se reinserindo muito bem no novo meio. Ela se adapta e aprende a amar aquele que detestava. Ela encontra uma posição e um sentido, e assim ganha a força para governar e ser vista como uma pessoa importante. 

O reinado de Henrique foi permeado de medos por parte dele e de sua mãe - que rezou e arquitetou sua ascensão ao trono. Sempre há o medo de alguém reclamar seu direito ao trono. Sempre apoiadores. Sempre, sempre...E isso faz com que a crueldade seja regra. Melhor dizendo: uma norma de sobrevivência. E isso vemos nas inúmeras prisões, decapitações, restrições, impostas a pessoas inocentes. Pessoas cujas culpas eram apenas estarem numa linhagem que ameaçava tirar do poder aqueles sedentos pelo poder. Uma crueldade sem fim, sem sentido, que no entanto moldou nosso mundo moderno e persiste nos instintos do ser humano - que hoje exerce ele de forma sofisticada. Mas a natureza egoísta permanece viva. No entanto, esse é o caminho do progresso humano, quer gostemos ou não. E ele só será superado pela nossa assimilação.

"Estais presos num mecanismo sem fim, lançados num jogo de forças cujo substancial resultado, de ilusão em ilusão, é a vossa ascensão, sendo somente isso o que importa. Toda satisfação alcançada e todo passado conquistado vos parecem ilusão. O sonho reside eternamente no amanhã, pois, tão logo se transforme em saciedade, um novo sonho sempre ressurge. Assim desloca-se continuamente vossa posição na linha do progresso."

A Grande Síntese, Cap. 95 (grifos meus) 

Lizzie foi uma mulher que sofreu uma maldição da própria mãe - sem que esta desejasse isso. A mãe feiticeira lançou uma maldição aos Tudors, fazendo com que não tivessem herdeiros masculinos em sua linhagem - ou que, se houvesse, eles teriam problemas em gerar mais. E como sua filha se casou com um deles, a maldição recaiu sobre ela, que estava jungida ao esposo, inimigo da mãe dela, e a todo reino. Essa maldição se estendeu para Arthur (que morreu jovem) e Henrique VIII (que jamais teve um filho homem com sua legítima esposa Catarina de Aragão). Uma maldição que perpassa gerações.

Para quem deseja saber mais a respeito do reinado daquele que estabeleceu a dinastia Tudor, aqui uma referência boa [3].

Elizabeth de York (Lizie) cumpriu uma função histórica. Ela conquistou o coração de um dragão (seu esposo) e com isso deu tom ao reinado. 

"Elizabeth de York e Henrique VII, foram duas rosas que uniram-se dando vida à uma outra. Uma nova chama de esperança dentro de um reino desvencilhando-se da idade média, assim como das infindáveis guerras e conflitos locais." Fonte: [4]

E é interessante perceber como o amor pode nascer das mais cruéis circunstâncias:

"O casamento de Elizabeth e Henrique VII, naturalmente fora uma aliança política. No entanto, logo torna-se claro, que uma duradoura relação, de genuíno amor e afeto, desenvolveu-se entre o casal. Fonte: [4]

Esse é, a meu ver, o aspecto mais interessante dessa série. 

Para além do aprendizado histórico, da constatação das leis e mecanismos do poder, dos costumes, das estratégias e das relações entre política, religião e cultura, há a maturação interior de personagens que são lançados num turbilhão impiedoso. Aí entra a força, a coragem e a criatividade. É preciso se reinventar a cada momento, com cada golpe.

E com o reinado de Henrique VIII chegamos à série da última rainha, a princesa Catarina de Aragão. Uma estrangeira que seria rainha da Inglaterra.

The Spanish Princess, ao contrário das outras duas séries, é dividida em duas temporadas. Na primeira vemos a árdua luta de Catarina, que é oferecida pelos seus pais, os reis católicos Isabel de Castela e Fernando de Aragão, ao príncipe Arthur para selar a aliança entre os dois reinos. Mas o príncipe morre, e Catarina fica numa situação periclitante. Nessa primeira parte vemos todos os dramas de uma mulher, filha dos reis mais poderosos da Europa, tia do homem que seria o ser mais poderoso dos últimos tempos (Carlos), numa posição instável, que poderia implicar em esquecimento completo. E como a atração que ela sente pelo filho mais velho do rei (e vice-versa) acaba a colocando novamente no eixo do poder.


Catarina é filha da Espanha. Ela possui a ousadia, o ímpeto, a resiliência e a paixão típicas de sua terra, de sua cultura, de sua vivência. Ela descende de uma linhagem poderosa, com mais quatro irmãos cuja história é igualmente intensa - trágica para alguns, suave para outros. Ela imprime sua personalidade ao seu reinado, mesmo sendo rainha de outro país.

Catarina é rainha da Inglaterra. Ela cumpre seu papel e abraça de corpo e alma seu destino. Ela toma as decisões e apoia o seu marido, como Lizzie o fez anteriormente. Mas ao contrário do reinado de Henrique Tudor e Elizabeth de York, o reinado de Henrique VIII e Catarina começa com um casamento cheio de amor e compreensão, mas que acaba por se tornar algo amargo, violento e triste. 

Por não conseguir lhe 'dar' um herdeiro do sexo masculino, Catarina é cada vez mais rejeitada pelo rei. Essa rejeição se torna ódio, que termina por fazer com que ela se aparte dele, vivendo uma vida em paz, criando sua filha Mary (que ele vê como inútil para a sucessão). Essa filha no entanto era inteligente e forte, capaz de governar tão bem (ou melhor) quanto qualquer homem. Se ao menos a mentalidade da época fosse mais evoluída...quantos problemas de governo não poderiam ter sido resolvidos sem desgaste inútil.


Percebemos que uma forma mental fixa - que não se justifica substancialmente - acaba por ser o elemento genético e o alimento de inúmeras mortes cruéis, desgastes, traições, climas pesados e coisas do tipo. Uma solução simples para quem percebe - impossível para quem não concebe. 

Fica evidente que uma das causas (se não a principal) para essa 'tragédia' (apenas devido à mentalidade atrasada) se deve a uma imensa pressão psicológica por parte do rei para obter um descendente homem. Isso pode ser melhor estudado aqui [4]. Fica evidente que forçar um ser a fazer algo não é o melhor método de conseguir persuadi-lo a fazê-lo. Talvez um pouco mais de compreensão, um clima mais propício, uma perspectiva diferente, tivesse evitado muitas dores.

A forma mental determina a cultura que pelo número de adeptos acaba ditando a verdade. Uma verdade relativa e em progressão. Mas é justamente devido a essa realidade rígida, com golpes inexoráveis e impiedosos, que Catarina convive. Ela sobrevive a tudo e encontra paz (apesar de tudo desfavorável a ela). Henrique vive mal e vive agredindo, prendendo, condenando (apesar de tudo favorável a ele). 

Ela é uma guerreira, forte e flexível - ele é um frustrado, fraco e rígido.

Ela sempre é fiel. Compreende sua realidade...a realidade de tudo e de todos, que comprime e exige; que recompensa em função dos valores da forma mental predominante. E compreendendo, se esforça em dar um herdeiro. Guerreia pelo rei, age pelo rei, vive pelo rei - mas este não valoriza suficientemente...e essa é sua condenação perante o Absoluto e a Eternidade.

O julgamento final pertence à História - que através das consciências sábias, irá avaliando cada vez melhor a natureza de cada ser. Seus dramas, seus conflitos internos, suas atitudes, seus atos criativos. 

"A compreensão é posterior aos acontecimentos, razão pela qual a consciência é o resultado da história. Não obstante os estrondos externos dos choques desordenados, no âmago está sempre a ordem." 

A Grande Síntese, Cap. 96 (grifos meus)

É um trio de séries que merece ser assistido, de corpo e alma. Com o olhar frio da razão e o sentimento apaixonado da fé. Como aprendizado dos fatos e assimilação dos valores substanciais. 

Vemos três mulheres belas, determinadas, fortes.

Como é maravilhoso ver as profundas relações entre os fenômenos, os estudos e as personalidades. 

Tudo tem sentido quando mergulha-se no âmago dos movimentos íntimos que determinam os acontecimentos históricos...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Espaço, tempo e consciência

Não há praticamente nada sendo escrito sobre Física Clássica. No sentido de pesquisa, descobertas, quero dizer. Porque tudo nesse campo, pautado num paradigma (racional, indutivo, analítico), já foi desvendado, equacionado, sistematizado. Em suma, esse é um nicho do conhecimento que já está consolidado. 

Já chegamos à Lua baseado na Lei da Gravitação Universal e nas Leis do Movimento. Já construímos máquinas incríveis baseado nas Leis da Conservação (de massa, de energia, da entropia, da quantidade de movimento, do momento angular, da difusão,...). Já construímos tecnologias baseados nas Leis de Maxwell. Já fizemos muitas coisas baseado naquilo que compreendemos, definimos, sistematizamos e equacionamos. 

Compreender leva a definir, que leva a sistematizar, que por fim leva a equacionar e aplicar.

Mas e aquilo que nem sequer compreendemos, como consciência?

Há muita coisa sendo dita a respeito da consciência. Diversas obras são publicadas todo ano, alegando novas descobertas, novas definições e perspectivas a respeito do que significa esse termo. É algo muito falado e muito buscado - porque não se sabe muito.

Talvez seja interessante, para que haja um amadurecimento conjunto (eu e você), possamos recorrer a uma frase do livro O Sistema, de Pietro Ubaldi.

Fig.1: A matéria se auto-elabora. Nela reside o princípio - mas ela não é a essência da realidade, apenas manifestação bruta.
O espírito está matéria - a matéria será espiritualizada. Mas ambos possuem um denominador comum: a substância. 

Leia uma, duas, três, vinte vezes. Pense a respeito. O que está sendo dito? O que significa essa idea? É assim que começamos a adentrar no reino da consciência: observando o fenômeno evolutivo.

Diz-nos Sua Voz em A Grande Síntese, que a dimensão característica do infinito é a evolução.

"A dimensão infinita, que compreende todas as menores, é precisamente a evolução. Assim como cada fase tem sua dimensão, o infinito também tem a sua, e a dimensão do infinito é a evolução." 
AGS, Cap. 36: Gênese do Espaço e do Tempo  

A dimensão do infinito é a evolução significa que nós podemos 'medir' o infinito através do fenômeno conhecido como evolução. É nesse transformismo incessante das formas que se encontra o mistério do Absoluto. E a consciência é o fator que coordena esse processo no universo. 

Precisamos compreender antes que a evolução é algo que perpassa todas dimensões que conhecemos. Como um fio-mestre que atravessa todos os tecidos conhecidos - e ainda desconhecidos - por nós, dando ritmo a cada dimensão. 

"Aparece uma nova manifestação dimensional; algo se acrescenta ao espaço; uma superelevação dimensional (a quarta dimensão que procurais), mas num sistema diferente: a trindade seguinte. Esta nova dimensão, a primeira da série sucessiva, é o tempo. A unidade máxima dimensional precedente é tomada, na passagem à seguinte, por um novo e mais intenso movimento, mas sempre em direções novas e diferentes, cada uma própria de seu sistema (espacial, conceptual etc.), numa aceleração de ritmo que é exatamente o processo no qual consiste a evolução." 
AGS, Idem (grifos meus)

Nesse trecho está sendo descrita a passagem do espaço - uma tríade dimensional completa, composta de linha, superfície e volume - para o tempo, primeira dimensão de um novo sistema ternário. Então podemos dizer que o espaço é a dimensão pontual (germe) de uma nova tríade dimensional: a tríade conceptual.

Assim como o ponto sintetiza o todo do sistema trino anterior ao espacial, o espaço sintetiza o todo das três dimensões características da matéria, e é germe (ponto) do novo sistema trino, cuja primeira dimensão é o tempo.

Percebe? O tempo é a primeira dimensão da trindade conceptual. O tempo já é uma forma de consciência (que em AGS é denominada consciência linear). Já o que denominamos consciência seria a consciência de superfície

Linear em analogia à linha (1D) do sistema espacial.
Superfície em analogia à superfície (2D) do sistema espacial.

Não é à toa que os estudiosos (formais e informais) estão descobrindo que o tempo está intimamente relacionado à consciência. 

É muito importante ter essa informação clara na sua mente.

Agora vou lançar uma outra referência, distinta, que provavelmente jamais ouviu falar em Ubaldi:

"Space. Time. We readily understand the three dimensions of a cube, say, front-to-back, side-to-side, top-to-bottom. We look out and we see shapes and colors and signs everywhere. We see things to horizons in all directions, but time?

Time is something completely different. We really only have NOW; but we also remember and we plan. So we say that time has a duration, past memories, present moment towards an uncertain future. But that’s different from the solidity we assign to spatial objects.

Yet with all their profound differences, we know that space and time interact, and noticeably so as velocity approaches light speed."

Fonte: [1] (grifos meus)

O tempo é algo completamente diferente (do espaço), segundo o autor. Ele não possui a mesma solidez com que associamos aos objetos materiais. Apesar disso, eles (espaço e tempo) interagem - como Einstein tão bem formulou e demonstrou em sua Teoria da Relatividade Geral. Vejamos o que Sua Voz diz a respeito disso:

"Não se tem α→β→γ de um lado e, depois, γ→β→α de outro; mas, em todos os lugares e a cada momento, o todo existe concomitante numa fase dessa transformação, de modo que o absoluto não se divide, mas se encontra sempre todo a si mesmo no relativo."
AGS, Cap. 11: XI. Unidade de Princípio no Funcionamento do Universo (grifos meus)

Matéria, energia e espírito estão em todos lugares e interagem em todos momentos. No micro e no macro. O mesmo podemos dizer de suas dimensões características, espaço, energia e consciência. Se trata de uma unidade trina. 

"O princípio da trindade da substância, que vos expus, é universal e único; poderá pulverizar-se numa série infinita de efeitos e de casos particulares, mas ele permanece, e o encontrareis em toda parte, em sua forma estática de individuação α, β e γ ou em sua forma dinâmica de transformismo, que segue o caminho ...γ→β→α..." 
AGS, Idem (grifos meus)

Sendo universal, podemos encontrá-lo em todos os cantos da ci ência, da religião, da filosofia e da vida social. Não à toa muitos estão percebendo essa realidade. 
Fig.2: A matéria é a substância expressa em sua forma mais involuída, grosseira, de nosso universo.
A consciência está presente nela, mas sua expressão é menos vívida, porque se apresenta embatumada nas 
baixas formas, sensórias, concretas. 

Vamos falar agora um pouco de Mecânica Quântica.

At subatomic scales, the 3-dimensional matter we encounter as solid and extensive demonstrates strict probabilistic behavior, and the manifestation of the energy as particle or wave depends on factors outside the realm of the internal reactions—the presence of an observer, say, or at least some intentional factor.

Once a decision is made about the nature of the experiment and a measurement is taken, only then does the so-called probability function collapse into particle-of-some-sort or continue on to display as wavelike.

Though it caused initial dread among physicalist scientific establishment, probability and uncertainty are now grudgingly accepted as fundamental, at least at submicroscopic magnitudes.


Fonte: [1] (grifos meus)

A manifestação depende de fatores além do fenômeno observado (1º grifo). Isso foi constatado. Então podemos dizer que isso reforça a tese de que observador e observado, sujeito e objeto, estão intimamente relacionados - apesar de não sabermos exatamente como. Logo, tudo que existe está ligado a tudo, de várias formas. 

A decisão do sujeito que determina o comportamento do fenômeno observado (2º grifo).

O âmago de nosso universo (Anti-Sistema) não é regido por ordem, ou melhor, é 'regido' pela probabilidade e incerteza. A essência de nosso universo físico é quântica (3º grifo).

No final do século XIX eletricidade e magnetismo foram fundidas numa única teoria pelo físico e matemático escocês James Clerk Maxwell. Com sua teoria, surge a ideia de campo magnético. De lá para cá os cientistas conseguiram demonstrar que - a níveis altos de energia - a força eletromagnética se funde com a força (nuclear) fraca e, em níveis energéticos ainda maiores, com a força (nuclear) forte. Ou seja, as três forças - eletromagnética, fraca e forte - podem ser descritas pelo mesmo conjunto de equações. Apenas a força gravitacional (energia gravífica) ficou de fora. 

Os cientistas indicam que seriam necessárias seis dimensões adicionais para unir gravidade com o eletromagnetismo - numa escala menor do que a de quarks e elétrons. Sua Voz parte de outro ponto, assinalando que devemos ver a energia gravífica (força gravitacional) como base de todas outras.

"Assim como o hidrogênio é o tipo do protozoário monocelular da química inorgânica e o carbono é o da química orgânica, também a gravitação é a protoforça típica do universo dinâmico." 
AGS, Cap. 38: Gênese da Gravitação (grifos meus) 

Talvez esses caminhos diferentes se devam devido à forma com que seja definido 'gravitação':

"Entendo aqui, como gravitação, não a pequena gravitação de Newton – caso particular ao vosso planeta – mas sim uma gravitação de sentido mais amplo, que resulta do equilíbrio das forças inversas de atração e repulsão, opostas e complementares (lei de dualidade, que veremos a seguir); uma gravitação filha direta do movimento, isto é, energia gravífica, filha da energia cinética."
AGS, Idem (grifos meus) 

Vê-se gravitação como equilíbrio de forças inversas. Que forças seriam essas? Sua Voz fala que essa força (gravitacional) seria filha da energia cinética. Logo, do movimento, que podemos ler como velocidade.

Então seria a velocidade que forma o tipo de energia mais fundamental?

Mas a velocidade de quê? Certamente não estamos falando de velocidade de uma partícula...Seria uma velocidade intrínseca...da substância provavelmente.

Não estamos aqui para afirmar coisas, mas para desequilibrar o leitor em suas certezas - ainda mais se for uma pessoa da ciência. Para fazer ver que deve haver um fenômeno mais profundo por trás disso tudo. 

Prossigamos.

Segundo a Teoria das Cordas seriam necessárias seis dimensões adicionais - que em nada se assemelham às dimensões espaciais e de tempo. 

Com as quatro dimensões do espaço-tempo (na verdade, a dimensão espaço, ou seja, volume, completa a tríade espacial, composta de linha, superfície e volume; mais a dimensão tempo, que é a primeira manifestação da tríade conceptual) nós somos capazes de conceber todo o universo físico. Mas quando chegamos na biologia, surgem problemas.

O que é vida? O que é consciência? Há experiência extra-sensoriais que vão além da capacidade da física e da química. Sensações, pensamentos, emoções...chegando até experiências transcendentes. Tudo isso é inexplicável do ponto de vista da física que se apoia no espaço-tempo (gama e beta) e da química, sua filha direta.

Então os físicos colocam seis dimensões adicionais para descrever esse aspecto da realidade (muito importante, aliás). Sua Voz coloca simplesmente que essa 5ª dimensão (na verdade a 2ª do sistema trino) é o que denominamos consciência.

"Com efeito, apenas as forças, por terem como característica dominante a dinâmica, tomam a iniciativa do movimento e dominam γ, a terceira dimensão espacial, característica da matéria, que não inicia esse movimento, mas apenas o sofre. Nas fases inferiores, o tempo só existe em sentido mais amplo, entendido como ritmo do devenir, propriedade de todos os fenômenos, e não como consciência do transformismo, propriedade das forças. Facilmente compreendeis a revolução que trazem esses conceitos em vossa ordem habitual de ideias."
AGS, Cap. 37: Consciência e Superconsciência - sucessão dos sistemas tridimensionais  (grifos meus) 

No vídeo abaixo do canal Eu Superior, logo no início, a narradora fala sobre uma teoria recente que sugere que "o ser humano consiste de um corpo físico feito de matéria estendida no espaço físico, e além disso, de uma consciência estendida em um 'espaço' diferente, fora do espaço físico."


O tempo, segundo a Mecânica Quântica, não é contínuo, mas discreto. Ou seja, podemos dizer que ele está fraccionado. Podemos dizer que o que era uno passou a ser seccionado em incontáveis pedaços - assumindo que esse estado (discretizado) seja algo anômalo.

Segundo o físico Julian Barbour, o que percebemos como 'passagem do tempo' é o nosso movimento através de uma sucessão de 'agoras'. Então, segundo ele, nos movemos através de algo (um eterno presente), adquirindo a percepção do tempo. Mas, à luz de Ubaldi, esse movimento seria então a base dessa percepção. E sabendo que no Sistema não há tempo, podemos afirmar que esse movimento que perfazemos não é natural do universo Divino - apenas do nosso.

Segundo Barbour, 

o tempo se move porque os seres humanos são biologicamente, neurologicamente e filosoficamente programados para experimentá-lo dessa maneira. (grifos meus)

Vamos pensar:
  • Se somos programados (para experimentar dessa maneira), então há uma lei responsável por isso. 
  • Se essa lei, inviolável e certa, atua a todo momento e em todos os lugares do espaço-tempo, há uma causa para isso.
  • Se há uma causa, então ela deve advir de algo que foi feito antes de tudo que conhecemos. 
  • Como 'antes' não havia tempo, estamos falando de um não-local, fora dos parâmetros físicos.
Pense nisso.

Segundo o conceito biocêntrico postulado pelo médico e cientista Robert Lanza

O tempo não existe independentemente da mente que o percebe. (grifos meus) 

Vamos pensar isso sob o prisma ubaldiano para ver se as coisas batem (revelação e raciocínio): 

O cientista afirma que o tempo está subordinado à mente - ou seja, não pode existir sem ela. A mente, sendo um aspecto do espírito (alfa), teria então o tempo, dimensão da energia (beta), como um derivado - um desdobramento, um apêndice, um des-envolvimento - dela. Então todos os fenômenos em nosso universo (que é dinâmico) seriam um desdobramento da mente. 

Pense nisso.

O conceito do biocentrismo ainda afirma que, 

"como o tempo, o espaço não é nem físico nem fundamentalmente real. Pelo contrário, ele é um modo de interpretação e compreensão e é uma parte de um tipo de software mental que molda as sensações e percepções em objetos multidimensionais." (grifos meus)

O espaço não é físico nem real (fundamentalmente...em termos essenciais). Traduzindo: tudo que percebemos e consideramos real é de fato uma ilusão. É apenas o modo pelo qual podemos interpretar as coisas.

Eu não sei quanto a você, meu amigo, mas para mim parece que o que essa visão de mundo está querendo nos dizer é que essas dimensões que conhecemos e valorizamos são na verdade desdobramentos de dimensões superiores...E esse desdobramento deve ter tido uma causa - porque quanto mais primária, mais trivial a dimensão, mais grosseira o mundo que ela mede. 

Parece que há uma escala de dimensões. E que para algo profundo ficar evidente (dimensão superior), esse algo deve se desdobrar em dimensões inferiores. Em outras palavras: deve haver uma queda de dimensões.

Quem estiver com a cabeça rodopiando sobre esse assunto de dimensões, recomendo a série de vídeos de Phil Braham [2]. E sobre a questão de consciência e vida, um texto muito bom de Sylvester Amponsah [3] e um outro do médico Deepak Chopra [4]. Sobre este último, ele responde dez questões a respeito do assunto 'consciência'. 

Dentre as afirmações, as cinco primeiras são as mais interessantes. Segundo elas, a consciência:

1. Cria a realidade (manifesta);
2. É causa do nosso universo - este é uma experiência 'dentro' da consciência;
3. É sem causa - ou seja, está além do tempo;
4. Tem como utilidade nos acompanhar nessa jornada evolutiva;
5. Se manifesta através do cérebro - mas não é este, que serve apenas como uma ferramenta de expressão.

Então ela é criadora, além do espaço-tempo, está sempre conosco e no nível humano se manifesta melhor através do cérebro. 

Lendo e estudando a obra de Ubaldi você perceberá que tudo isso bate com sua teoria.

Para pessoas mais práticas, voltadas para a melhoria pessoal - a vivência da dimensão do espírito - encontrei um site interessante aqui [5].

Para reforçar a necessidade de adotarmos uma perspectiva mais intuitiva, espiritual, sintética, recomendo a leitura deste texto [6]. Ele revela o porquê da ciência não ser capaz de avançar nesse campo. Em suma, a maioria dos cientistas que querem desvendar o mistério da consciência são incapazes de abandonar o paradigma materialista, objetivo, analítico. 

A ciência dominante considera a hipótese de que o cérebro é uma secreção da consciência como irreal. Resultado: décadas de estudos sem avançar um passo. 

Falta aos cientistas 'sérios' da atualidade uma pitada de percepção da dinâmica evolutiva. Eles admiram os gênios do passado que ousaram estar à frente do tempo - mas são impotentes em identificar e reconhecer as visões e ideias de gênios da atualidade, também à frente do tempo.

Somente iremos avançar no estudo da consciência se estivermos dispostos a abraçar algo inteiramente novo. Algo que reconheça o velho, mas ofereça um diferencial - que será um pontapé inicial num novo caminho. Um caminho com saída. Nesse sentido seria interessante nos tornarmos uma sociedade que comece a perceber seus gênios e heróis e santos. Sobre isso encontrei um artigo muito interessante aqui  [7]. 

Na Grande Equação da Substância o espírito (alfa) é o princípio e o fim do ciclo que vivenciamos neste universo. A energia (beta) é o dinamismo que expressa a queda (rápida) e a evolução (lenta). A matéria (gama) é a expressão basilar de nosso cosmo - a parte mais baixa, mais involuída. A forma mais grosseira de manifestação da substância (ômega).
Fig.3: A Grande Equação da Substância em sua forma de ciclo. 

Os dois movimentos, α→β→γ e γ→β→α, coexistem, portanto, continuamente no universo, em um constante equilíbrio de compensação. Evolução e involução. 
AGS, Cap. 9: A Grande Equação da Substância (grifos meus)

Se há uma coexistência, então jamais podemos isolar uma fase (psiquismo, dinamismo ou físico). Então a consciência estaria fortemente jungida ao aspecto físico de nossa realidade - apesar de não ser derivado dele. Podemos dizer que a evolução da matéria possibilita a expressão mais cristalina da consciência. 

A consciência é uma dimensão extrafísica - e portanto não pode ser mensurada por nossos instrumentos. Ela é o princípio e o fim dos fenômenos neste universo. 

Uma das fontes pesquisadas pelo autor lança a hipótese de que "a matéria escura é efeito gravitacional da consciência no espaço", e que "a energia escura é o efeito propulsivo da consciência através do tempo". Do original:

Dark Matter can be imagined to be the gravitational effect of Consciousness on Space; and Dark Energy, the propulsive force of Consciousness through Time, causing the Physical Universe to expand.  
Fonte: [1]

Então alfa transformando-se em beta torna-se energia escura, gerando expansão do cosmos. E alfa, continuando o trajeto, transformando-se em gama, torna-se matéria escura, gerando atração no cosmos - e também matéria visível.

Não se sabe o porquê desse processo de queda (alfa - beta - gama) gerar esses três tipos de entidades. O fato é que apenas 5% da matéria-energia de nosso universo está na forma tangível. O resto parece existir para gerar o efeito de atração e expansão - que dá a característica rítmica de tudo, baseada no dualismo.
Fig.4: Proporções de energia escura, matéria escura e matéria visível em nosso universo.
Fonte: [1]

A consciência deve estar presente nesse processo de geração dessas entidades. Se houvesse uma ausência de alguma delas, ou uma desproporção entre elas, nada funcionaria, nada seria possível - inclusive a vida! 

Yes, at the deepest level, All is One — Space and Time and Consciousness — a singular energy swirling, rippling, swelling. Failing to acknowledge this, the species seems headed down the road to extinction. Powerful economic interests are served in the short term by denying our commonality: stir up dissension and hatred, divide and conquer. This is the ultimate naiveté. 
Fonte: [1] 

Atribuir esse caminhar cíclico, oscilante e ascendente de tudo que existe a um mero acaso parece uma maneira de fugir das evidências. Estas apontam que caminhamos para algum "lugar". E esse caminhar não é reto, ou seja, direto, certeiro. É curso. É feito em trajetória espiralóide. Como se houvesse a influência de duas forças: uma que nos impulsiona para frente (ascensão, evolução); e outra que nos  mantém (até certo ponto) num estado de inércia, tentando fazer a gente retornar ao mesmo ponto nessa jornada através do espaço-tempo-consciência. Mas não retornamos, pois a ascensão se dá e o ciclo se abre lentamente (daí a espiral). Então vemos os movimentos fenomênicos, com sua trajetória típica. 

Esse ensaio pretende apenas servir como uma iniciação. Há muito a ser descoberto. Não sabemos muitas coisas. A única certeza é que existe uma unidade entre espaço, tempo e consciência. Todas as pesquisas científicas estão descobrindo isso. 

O tempo irá nos revelar aspectos dessa unicidade.

Aguardemos.

Referências:

AMPONSAH, Sylvester. Why No One Understands Consciousness. 02 Dez., 2018. Disponível em: <https://medium.com/@sylvesteramponsah?p=ec248a6a2144>

BRAHAM, Phil. Matter Time and Consciousness 1. Link: <https://www.youtube.com/watch?v=rBXGfKQxyKc&list=PLUjdOmNtVGJqnP1rQhlPfl9YcU27GioTZ>

CHOPRA, Deepak. Consciousness: Ten Questions, One Answer. 26 Jul., 2021. Disponível em: <https://deepakchopra.medium.com/consciousness-ten-questions-one-answer-2a284d600ea1>

MENEZES, Gabriel. 12 Sinais de que Você está Despertando para uma Nova Consciência. 27 Mai., 2018. Disponível em: < https://blog.spartancast.com.br/12-sinais-do-despertar-da-consciencia/>

PEMBERTON, Graham. The Hard Problem of Consciousness and the Stubbornness of Neuroscientists. 25 Ago., 2021. Disponível em: < https://graham-pemberton.medium.com/the-hard-problem-of-consciousness-and-the-stubbornness-of-neuroscientists-2c7d2ca27360>

SHAHINIAN, Stephen. The Genius Right Manifesto. Link: <https://stephan-shahinian.medium.com/the-genius-rights-manifesto-9334647fedb4>

The Science of Compassion. Link: <https://stevesharpcompassion.com/the-science-of-compassion/>

UBALDI, Pietro. A Grande Síntese - síntese e soluções dos problemas da ciência e do espírito. Ed. FUNDAPU. 23ª Ed. 2017.

UBALDI, Pietro. O Sistema. FUNDAPU.