sábado, 29 de agosto de 2015

Página interessante

Essa página é só para atestar que não sou uma voz (completamente) solitária.

https://medium.com/basic-income

Existem muitas pessoas em muitos lugares conectando os fatos e percebendo o transformismo do mundo e a profundidade das coisas.

Os artigos vão à fundo e coletam referências e experiências - além de se basearem num forte senso intuitivo. 

Enquanto isso muitos ainda dormem no ponto e intensificam o modo de vida aceito. Mas o mundo não evolui com um exército de conformados estagnantes e sim com uma parcela de bandeirantes da dinamicidade evolutiva - que incomoda e exige trabalho duro.

Despertar mentes.

Eduzir o Deus imanente. 

Evoluir...

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Trégua

Por ora preciso me dedicar aos estudos e à pesquisa (coisas que me agradam muito). 

Minha vivência precisa se intensificar para que floresça a inspiração.



Abraços,
LLO

sábado, 18 de julho de 2015

BUSCA INFINITA NUM MUNDO FINITO

Ó grande Pai, por onde andavas Tu quando eu estava perdido e faminto?
Ó grande Pai, o que fazias Tu enquanto minhas dúvidas se acumulavam?

Na minha ignorância espiritual eu não te encontrava, e com isso buscava no mundo as soluções dos problemas mais profundos da existência - mas nunca atingindo a essência.

Busquei da melhor forma. 

No início aceitava o que o mundo apontava. 
E me senti cada vez mais engessado numa dinamicidade mórbida de aparências...

Depois decidi começar a frear e olhar para detalhes - meus e do mundo.

Pensei e pensei. Depois parei. 
Sempre que podia, parava e refletia.
Sempre que andava, não falava mas pensava.
Sempre que estudava, buscava o que não encaixava.
Sempre, sempre...

Tão perto, tão longe...
O longe nos dá liberdade destemida de transcender o mundo.
O perto nos dá segurança edificante de construir no mundo.
Besteiras aparentes...
Mas dentro delas havia algo oculto e cheio de significado.
Pois tamanha era minha persistência.
E tão impetuosa a intensidade da insistência.

Amei o que não existia - que o mundo temia.
Chorei pelo invisível - que no mundo era ficção.
Estudei o pouco prático - que o mundo ridicularizava.
Unifiquei os antagônicos - que o mundo vê como objetos de combate.

Amei, chorei, estudei, unifiquei.

Depois guardei tudo, bem escondido, numa caixa bem profunda. Uma fortaleza inexpugnável cujas chaves nem eu sabia onde guardava. Uma fortaleza tão sutil que era inatingível pela minha mente e meus sentimentos profanos. Uma fortaleza imponderável que atuava inconscientemente para proteger aquilo que eu queria expelir para fora, na ânsia de poder morrer com tanta tensão. 

E lutei e lutei e lutei, persistindo nas minhas crenças e valores.

Valores com os quais o mundo era incapaz de lidar.
Valores Reais, aquém das premissas e além das finalidades - deste mundo.

Valores filosóficos além das filosofias humanas - que brigam ideologicamente.
Valor que é Filosofia Integral, englobando as verdades relativas de todas filosofias.

Valores religiosos além das religiões humanas - que se combatem ideologicamente.
Valor que é Religião Universal, abraçando as verdades relativas de todas religiões.

Valores que englobam e abraçam, unificando meu Ser.
E meu Ser, ao se conscientizar de sua Unidade, se torna íntegro no agir - poque se conscientizou da sua unidade essencial.

E eu mesmo, na minha pequenez, tento me deixar englobar por uma Verdade que supera todas as verdades - sem no entanto as negar. A Verdade Absoluta, a Divindade, o Poder Infinito e Eterno da Verdade Integral. 

O silêncio diz. O vazio preenche. O nada fazer prepara para
o reto-agir. Compreenda-o quem o puder.
E assim corro e ardo e sofro e aceito o que o mundo vê como inaceitável.

Paro na rua e vejo a miséria e a verdade em rostos esculpidos pela insensatez do mundo.

Paro e penso. Depois deixo de pensar, porque se continuar chegarei às mesmas (pseudo) conclusões do mundo. E assim começo a sentir.

Sento e escuto, já sabendo que do mundo rico e bonito e produtivo e estudado nenhuma felicidade fui capaz de encontrar - seria eu louco e perigoso?

Ao escutar eu me vejo no outro. Eu percebo a única coisa que deve ser percebida: de que eu e o outro, em nossa distância social, econômica, educacional, histórica e genética aparentemente enorme, somos irmãos em espírito. Afinidades, conceitos e buscas alinhadas. O resto é mero detalhe. 

Detalhe tornado como centro pelo mundo. 
Detalhe louvado e cultuado pelo mundo. 
Detalhe que marginaliza o único valor que deveria conduzir toda a ciência: a essência.

E depois de escutar...silêncio.
Dentro de mim começo a sentir.
O sentimento de dentro se encaixa no sentido de fora.
Um sentimento além dos sentidos. Além do intelecto. E aí começo a sentir o poder oculto...

Ó Deus interno! Quão grande é a sua Luz!

E me conscientizei de que sem dor não há salvação.
E de que essa dor tem um significado profundo e sublime quando vista sob um prisma cósmico.

E agora meu querer e meu dever se encontram cada vez mais próximos.
Minha alma arde em busca de mais.
Meu tempo é curto, apesar de ter enorme quantidade dele pela frente.
Minha energia é limitada, apesar de minha saúde e vitalidade.

Tudo é um milagre quando nos conscientizamos da
presença divina - em nós e em tudo.
Por que?

Porque minha consciência cresce vertiginosamente, se tornando a cada dia mais dilatada e com sede de cada vez mais Realidade.

E assim os estudos deste mundo ganham um novo significado.
E tudo se explica magistralmente numa verdade profundamente filosófica e belamente artística.

Nossa Ciência é mera ferramenta para uma finalidade além de si mesma.
Nossas posses são mero acessórios para atuarmos nesse mundo material - trazendo mensagens espirituais.
Nosso corpo é bem temporário, cujo uso deve ser equilibrado. Ele deve ser são sem ser objeto de culto - nem nosso nem alheio.

Tudo orbita em torno da Unidade.
Pela Unidade.
Para a Unidade...

Mas - que maravilha! - a diversidade permanece visível e respeitada.
Nada de diluição.
Apenas integração.

Diluir é desfazer as diversidades empobrecendo a Unidade.
Centralizar uma diversidade é desrespeitar as diversidades e ir contra a lei universal.
Integrar é manter as diversidades operando em prol da Unidade.

Diluir, Centralizar ou Integrar?

Diluir é do panteísmo inerte.
Centralizar é do egoísmo dualista.
Integrar é da consciência monista.

Qualquer que seja a raça, sexo, religião, profissão, origem, etnia, classe, partido, ideologia, idade, estudo.

As diversidades, queiram ou não, são regidas por uma fenomenologia imponderável que supera qualquer elucubração analítica da mente. 

É uma questão de humildade conscientizada - porque sofrida, sentida e vivida no âmago.


O sábio usa das coisas do mundo para preparar terreno para novos progressos.
Ele sabe da sua ignorância. E por isso não tem tempo a perder.

Ele trabalha a cada momento.

Esteja ele deitado numa rede, lendo um livro, vendo um filme, ouvindo uma música, conversando com alguém, ensinando seus alunos, fabricando um utensílio, andando pela rua, compondo uma música, escrevendo um texto, contando uma história,...

Porque nosso Eu divino opera na simultaneidade.
Cada movimento - físico ou metafísico - deve prestar constas ao Deus imanente.

Os maiores servem.
Os menores são servidos...

E tamanha é a pobreza dos servidos, que eles precisam propagandear que a finalidade da vida no mundo é ser que nem eles.

Porque a pobreza demanda reconhecimento.

Por outro lado, os servidores convictos nada desejam em troca, porque já são ricos e suas próprias atitudes são um auto-reconhecimento.

Sua pequena humildade supera a grande exaltação.

E hoje vejo tudo isso.
Por caminhos estranhos me conduzistes, Deus!
Mas graças a eles cheguei à iluminação.

E isso graças ao meu Eu espiritual, que é parte da sua Substância Divina - e não do meu ego humano.

Jamais eu, na minha pequenez e ignorância, seria capaz de me conduzir tão sabiamente para me tornar o pouco de Alguém que me tornei hoje. 

Eu temeria cada passo, recuaria diante de cada chicotada, estremeceria diante de cada vitupério -
se soubesse dos vales que haviam pela frente.

E gozaria cada passo, abraçaria insanamente cada pedaço de matéria, e me embebedaria de cada elogio, me afundando em superfluidades - se soubesse que os picos não são para montar tenda.

E assim evitaria as dores e glorificaria os prazeres, afogando meu Ser cada vez mais...

Mas Tu, ó Grande Anônimo, soubestes me conduzir e me apontar setas !
Tu, do Alfa ao Ômega, arquitetastes um Destino que me traria conscientização.

Conscientização de valor Infinito e de duração Eterna...

E busco cada vez mais de Tu, que és A Fonte Universal que mata a sede de tudo e de todos.


E sei muito bem Senhor: a jornada é longa e árdua. E cada momento de bonança deve ser usado ao máximo para revelar o melhor de mim, e com isso transbordar em atitudes convictas e poderosas, auxiliando os outros a atingirem as portas de sua experiência mística individual.

Ó Senhor ! Quão grande é Tua Sabedoria !

Sua ignorância é mais sábia do que toda sabedoria humana.

Sua maldade é mais benéfica do que toda bondade humana.

Tamanha é a distância que nos separa, Senhor!

Eu quero mais, sempre mais, daquilo invisível e imponderável.

Usarei do menos do mundo, da matéria inerte e corpo e energia e mente e sentimentos para chegar ao Seu mais que ninguém é capaz de definir.

Seu Infinito Mais que está em parte no meu finito mais.

Minha riqueza é Infinita.

Sendo assim o mundo não pode roubá-la.

Existe maior segurança do que essa?
Ser livremente seguro e seguramente livre.

Tua Verdade nos liberta de todos desejos dos sentidos.
Tua Verdade nos liberta de todos medos da mente.
E assim nos sentimos seguros para fazer uso consciente do que nos foi dado.

Eu te quero...
Sempre mais...

sexta-feira, 10 de julho de 2015

LÁ PELO ANO 2141...

Lá pelo ano 2141, as pessoas andam na rua e estão cada vez mais preocupadas com a violência e a pobreza e tantos problemas no mundo. Elas se tornaram incrédulas devido ao mau exemplo dos líderes religiosos; o mesmo se deu na política; e decidiram apostar totalmente na tecnologia, nas finanças e naquilo que chamam progresso: cuidar do corpo, da imagem e reputação social, da propriedade, e banir o sentimento metafísico. O sentimento só pode ser para o prazer, e a dor deve ser combatida com todos os meios. Além disso, a receita é ignorar ao máximo possível os problemas alheios - e os próprios. Mesmo que se estude cada vez mais em diversas ciências a interconexão entre seres, as pessoas vivem interconectado apenas para satisfazer os próprios prazeres. E afirmam que fazem isso porque um dia, se todos agirem assim, o mundo será perfeito...

Carros e shoppings e tecnologias cada vez mais demandantes de tempo, energia e dinheiro.
Casas maravilhosas em condomínios ideais para quem decide lutar e vencer os demais concorrentes - que fracassam, por falta de vontade. E muita companhia de pessoas "do bem" ao redor, que decidiram aceitar as regras do jogo deste mundo e triunfar. Não foi às custas dos outros, foi mérito próprio, afirmam todos os vencedores.

Por qualquer lado que se olhe, vê-se um bloco homogêneo que diz em uníssono: "nós agimos da melhor forma. a pobreza do mundo não é nossa culpa. nós não temos relação alguma com o mundo que falhou. nós vencemos por trabalho duro."

Nas ruas ou em situação economicamente frágil, milhões de cientistas, artistas, pensadores, filósofos, professores e estudantes não tem tempo para se dedicarem a seus afazeres. Eles estão em contante atividade. Mas pouco relacionada à sua finalidade, que é criar, gerar idéias, refletir, ler, estudar, conviver, debater idéias. Precisam se ocupar com ocupações "produtivas", gerando dinheiro e produtos que o mundo demanda. Parece um desejo insaciável, pois pede-se cada vez mais - apesar de cada vez menos terem acesso a esse universo.

Aumenta o número desses seres fracassados, que optaram por seguir seu sonho e não viam nada de interessante no "caminho do sucesso".

As revoltas aumentam. A polícia e a propaganda e as instituições econômicas tentam controlar. Mas gasta-se cada vez mais.

Apesar de tanto sofrimento, as pessoas persistem em seguir caminhos estranhos: querem escrever para exprimir idéias; querem voltar a estudar quando se aposentam; querem falar de temas "mortos"; querem compreender porque fala-se tanto e diz-se tão pouco; querem ter um pouco de tempo para caminhar no parque e um espaço para se dedicarem ao que gostam; querem viver uma experiência que não sabem descrever. Estão em busca incessante, e nessa jornada geram teorias e ideias e teses e compõem músicas e ajudam outros. Explicam e se educam. Amam ou tentam amar. E assim eles percebem que fogem do sucesso e do conforto. Querem a Verdade. Querem viver sinceramente e veem em profundidade - muitos dizem que trata-se de frescos ou revoltados.

São os que controlam por fraqueza geral. E assim formam grupos e dialogam.

Os grupos se fazem e desfazem rapidamente - sem nenhum motivo aparente.
Os diálogos são superficiais, e variam pouco.

A vida dentro dos muros é insípida e previsível. Mas é aí que (aparentemente) tudo triunfou.

Aqueles que ficaram de fora aceitam. Em sua imensa maioria pelo menos.
Entendem o visível mas não compreendem o que isso significa.

E por não compreenderem buscam algo diferente.
Nem dentro do muro, nem fora do muro.
Buscam algo além do muro.

E começam a ganhar uma confiança.

Nas últimas décadas surgiu uma doença aparentemente incurável. Ou melhor, ela vem se manifestando de modo a incomodar o mundo perfeito que os jornais e programas televisivos mostram e demonstram. Os cientistas não identificaram a causa. Pode ocorrer com qualquer indivíduo - mesmo os vencedores que residem dentro do muro. Qualquer...E quando atinge o zênite, torna a pessoa completamente imune a ameaças e recompensas. Considera-se a "loucura do século". Ela não é agressiva mas é determinadamente convicta. A pessoa se guia por "referências inexistentes neste mundo" (segundo relatos de enfermos). Falam ora ou outra num personagem quase esquecido pela História chamado Jesus, o Cristo. Se referem igualmente a seres que sentiam o mesmo: Pascal, Sócrates, Francisco de Assis, Agostinho,...Mas os exemplos mais citados são do século XX: Huberto Rohden, Teilhard de Chardin, Albert Schweitzer, Pietro Ubaldi e Mahatma Gandhi. Estes são os nomes mais citados.

Muitos deixam suas vidas - ou grande parte dela - para se dedicar a estudar e até viver um pouco como esses seres. Afirmam que é tudo "tão interessante, fascinante e, ao mesmo tempo, profundamente real" que largam todas compras, grupos, vícios e manias para mergulhar sua vida em apenas uma coisa. Dizem que isso, apesar de pouco, é muito e explica tudo. Mais: afirmam que esses seres, com sua essência e obras, resolveram os mais agudos problemas da vida pessoal e pública, e que passaram a ver tudo e todos de outra forma.

Livro muito citado pelos "monistas".
Não se compreende nada, mas muitos
se encantam com seu conteúdo...
Muitos se dispõem a arriscar sua reputação, suas posses, - e até sua vida - para seguir o que chamam eles mesmos de "consciência". E o mais impressionante é que, mesmo sendo minoria (não chegam a ser 1% da população planetária), eles se tornam cada vez mais numerosos. Ano após ano. Década após década.

Alguns morrem de fome. Outros são mortos. Outros ainda são relegados à exclusão social. Mas aparentemente não deixam de fazer obras e estudar. Parece que a maioria tem um medo muito grande desses seres. Tão grande que, ao identificarem um, decidem fingir que não o conhecem. E num segundo momento decidem afastá-los vagarosamente de certos meios, dificultando-lhes a vida material. Explicam o porquê disso baseados no "perigo" da "instabilidade" que essa minoria pode causar. Mas ao mesmo tempo, segundo relatos, alguns demonstram expressões faciais nunca antes vistas ao ouvirem esses seres loucamente diferenciados, que se expressam de forma logicamente poética, e poeticamente lógica. 

É difícil vencê-los numa discussão, porque eles, pouco falando, dizem muito ou tudo; enquanto a alguns da maioria, ávidos por impor seu ponto de vista, falam muito e dizem pouco ou nada.

Esses seres vivem distantes e próximos da sociedade simultaneamente.
A grande maioria cumpre suas obrigações cotidianas com zelo, mas percebe-se que dão pouco valor a elas.

Não se afastam por medo nem se aproximam por desejos.

"São movidos por uma força indefinível", segundo psicólogos e cientistas.

Uma pesquisa disfarçada foi feita para tentar compreender a natureza dessa doença. Esses seres falam sempre em "imponderável" e "amor" e "sinceridade" e "transformismo".

É tão difícil enquadrá-los como ameaçá-los, pois eles nada esperam do mundo - apesar de não o odiarem. E sua presença é enigmática e silenciosa. Eles exercem influência sem falar ou agir, segundo relatos. Ninguém sabe explicar do que se trata.

Alertas sobre essa "onda" circulam nos meios sociais "seguros". Isto é, em locais onde é raríssimo encontrar criaturas dessa espécie: lugares de altos negócios, de consumo, de jogos violentos, em academias ou cultos, em eventos barulhentos, em locais luxuosos ou congressos, em shoppings ou qualquer lugar que esteja relacionado unicamente (ou em grande parte) com físico, com dinheiro, com aparências ou com coisas do tipo.

Eis um deles:

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ATENÇÃO

Doença perigosa sonda todas as cidades, todos campos, todos meios sociais.
Em qualquer casa, seja rica ou pobre, ela pode germinar e se manifestar.
Qualquer pessoa está suscetível à infecção, seja qual for a sua religião ou ideologia ou raça ou ocupação. Mesmo jovens podem ser infectados. É mais rara em crianças, no entanto esse número vem crescendo cada vez mais. Trata-se de uma anormalidade inédita.

As escolas, a televisão, os rádios, a internet, as instituições tem cada vez mais dificuldade em curar essas pessoas. Ao que tudo indica, trata-se do "Mal do Século".

No momento não se sabe como esse vírus surgiu. Sabe-se apenas que ele afeta o comportamento da pessoa. Não há como apontar que o indivíduo foi contaminado, exceto por um detalhe: perde-se o interesse pelas coisas de nosso mundo.

Especialistas da teologia dizem se tratar de algo semelhante ao fenômeno do cristianismo primitivo - hoje pouco estudado nas escolas e universidades - em que milhares de pessoas estavam dispostas a sofrer e morrer, abdicando de vários bens e títulos e confortos, para seguir um ser morto crucificado. Mas o fenômeno atual é diferente, assim como os tempos, dizem estudiosos do caso.

A sociedade civilizada, tecnológica e financeira, após crises sucessivas - iniciadas no início do século XXI - decidiu expandir a propaganda para todas esferas da vida. Estudos científicos e trabalhos artísticos são controlados por forças econômicas cujos autores jamais se revelam. E raramente deixa-se um estudo ou obra ser divulgado se for "alterar muito o estado das coisas". No entanto, alguns especialistas afirmam que seres acometidos pela nova doença possuem tamanha vontade aliada à criatividade, que percebem tudo que ocorre à sua volta. E estão dispostos a serem fiéis às suas idéias mesmo que estejam ilhados. "Eles possuem sempre explicações eficazes, que às vezes fogem à compreensão de seus colegas", afirma uma professora.

Por se encontrarem em todos ambientes e serem serenos, é difícil convencê-los a seguir o ideal moderno ou induzi-los a algo que eles não aceitam 'por dentro'. Na verdade, eles geralmente demonstram - não se sabe como - que quem realmente não é fiel aos seus princípios são os próprios "seguidores de regras", que caem em contradição após meia hora de conversa franca.

Recomendamos cautela ao lidar com eles.
Não os excluam, porque isso aparentemente os tornam mais determinados.

Qualquer pessoa que venha a ter contato com uma pessoa que apresente esses comportamentos, é pedido que descreva as principais caraterísticas.
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Eles se dizem "monistas". Mas ao mesmo tempo não se associam em cultos ou compartilham uma ideologia comum. Nem possuem a mesma formação ou ocupação. Não excluem os outros, apesar de pouco se interessarem pelas coisas que se dá valor.

São firmes no discurso, mas serenos na condução dos mesmos.

Dizem que a humanidade tende a se tornar toda desse jeito. Um dia foi entrevistado um ser dessa natureza, mas o entrevistador não foi capaz de compreender algumas idéias. Ele se inquietou e decidiu realizar outras entrevistas. Nada compreendeu...Após alguns meses esse jornalista mudou seu comportamento e começou a chorar quando lia certas coisas. Além disso, buscava os autores citados como Rohden e Ubaldi. E livros sacros - hoje pouco disponíveis - como a Baghavad Gita e o Tao Te Ching. E se silenciou para sempre. Diz ter encontrado a "solução de todos seus problemas", apesar de levar o restante da vida com problemas e sofrimentos. Ninguém nunca o compreendeu...Diz-se que, após essa transformação, ele passou a sofrer alegremente e querer o que todos devemos - mas não fazemos. E se contentava com pouca comida, dinheiro, posses, sexo, reconhecimentos e demais prazeres da vida.

É tão assustador quanto fascinante.

Não se sabe como os órgãos competentes e a sociedade irá tratar com esse tal "monismo". Combatê-lo é difícil, pois ele aparentemente não é uma seita ou ideologia ou congregação espiritual. Não é enquadrável por se encontrar numa multiplicidade de meios. É - ao que tudo indica - uma situação ímpar na História.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Pedro Orlando

Para quem se identifica com minhas ideias, recomendo a página de Pedro Orlando , um sujeito incrível, que ampliou a obra de Pietro Ubaldi, explicando, relacionando, criando diagramas e demonstrando com boa vontade (e prazer!) como a Obra do místico da Umbria é a coisa mais universal e imparcial até hoje apresentada à nossa humanidade.

O sujeito é muito bom. Sua página é muito mais profunda que meus escritos - e mais importante.
Para aqueles que estão em busca de verdades mais profundas, discretas e potentes, sugiro um mergulho nesse oceano de sapiência

http://monismo.com.br

Esse é um verdadeiro estudioso da Obra de Ubaldi. Jamais vi tamanha dedicação. Imagino que tenha passado seus últimos anos - de aposentado - realizando esse monumental trabalho de explicar e difundir tudo que Ubaldi viveu, sentiu, sofreu e gerou. É realmente fantástico. Fantasticamente belo. Belamente lógico. Logicamente poético. Poeticamente verdadeiro.

No momento me encontro atarefado com afazeres - legais - que demandam concentração e esforço.

Não se prendam somente a esse espaço.

Esse blog só pretende ser uma seta que aponta para os grandes mestres do universo.

Observem as indicações e as dicas. Assimilem.
E depois disso, continuem o caminho.

;)

sábado, 27 de junho de 2015

UM ALERTA, UM CONSELHO, UM CONCEITO UNIFICADOR

Estamos adentrando num período de inflexão conceptual em nível global. Se trata de um fenômeno singular que está (muito) além da economia, da política, da ciência, da psicologia, da sociedade, etc - apesar de seus efeitos se manifestarem em cada uma dessas vertentes da vida. Ela afeta a essência de tudo e todos, apesar dessa alteração se manifestar de variadas formas.

Estamos chegando num ponto em que os postulados "invioláveis" adotados devem ser revistos a título de continuarmos a jornada evolutiva que sempre permeou a matéria e todas as formas de vida, desde o minério até o ser humano.

Aquilo que serviu de alicerce para o florescimento da vida; para o desenvolvimento da ciência, da tecnologia, das filosofias, das artes, das religiões; para a manutenção e compreensão das relações afetivas e sociais, todos esses apoios "sólidos" devem ser revistos e - possivelmente - superados.

O tempo passa, as descobertas aumentam o conhecimento, as tecnologias trazem (teoricamente) conforto e tempo livre e energia para o Ser se dedicar a trabalhos de ordem superior. Concepções de Deus evoluem, e com isso o elenco de conceitos secundários que orientam a vida de cada ente humano desse mundo.

As maiores verdades são paradoxais justamente por transcenderem sua época. Elas escapam à lógica compreendida (e portanto estabelecida). São inassimiláveis pela mentalidade analítica-sistematizadora - que se julga o ponto final da evolução. Trata-se de uma supra-lógica diagnosticada como "delírio" pela mente intelectual. Uma mente balizada por tempo e espaço que disseca o fenômeno (quer ele seja natural, humano ou "sobrenatural") para estudá-lo. E não percebe que ao dissecá-lo para analisá-lo, não capta a essência - pois violou para sistematizar...

Amar o fenômeno é o único meio de assimilá-lo integralmente.
Disso sabem os grandes gênios da ciência, da arte e de todas outras áreas.
Disso sabem os santos, místicos e profetas.

Quem lê e estuda apenas conhece.
Quem sente e vive sabe.

Conhecer está para inteligência.
Saber está para intuição.

É chegado o tempo em que o vetor de desenvolvimento desta humanidade não mais será aquele que muitos creem que será.

A tecnologia é boa e útil e deve continuar a nos brindar com seus inventos.
No entanto de nada adianta uma invenção sem aplicação sábia...

A evolução orgânica é assintótica, assim como o desenvolvimento técnico.
A estrela mais próxima se encontra a 4 anos-luz, e nossos meios de propulsão mais modernos levariam séculos para nos levar até lá.

Einstein demonstrou teoricamente que todos os (aprox.) 92 elementos do Universo são lucigênitos. Toda matéria provém da luz. E no mundo material (material...) nada é mais veloz do que a luz. Isso não significa que tudo acaba aqui. Porque o que a matéria é incapaz de superar é facilmente abraçado pelo pensamento. E isso é uma característica intrínseca do ser humano.

O Ser humano foi pouco compreendido até hoje. Ele é auto-causante e não alo-causado. Ele possui a potencialidade capaz de mover montanhas. Basta estar sintonizado com a Fonte Infinita. Para realizar esse feito basta se conscientizar de sua natureza.

Fenômenos humanos são mais complexos do que fenômenos infra-humanos (ditos naturais). Daí a nossa falta de habilidade em lidar com as ciências humanas - e a Filosofia e Religião. Mas são essas que abrirão as portas para ascendermos. Porque nós evoluímos sempre no longo prazo, e com isso revemos nossos conceitos e sentimos que o poder do 

Universo Interno dos Valores é superior ao 
Universo Externo dos Fatos.

Disse Einstein:
"Do mundo dos fatos não se chega ao mundo dos valores.
Mas do mundo dos valores podemos chegar ao mundo dos fatos."

Técnica analítica é facticidade. É talento.
Reflexão intuitiva é valor. É gênio.

Poucos admitem isso porque se prendem à sua formação;
assim como se prendem ao seu corpo, se identificando este com sua essência;
assim como se prendem a ideologias inconscientemente;
assim como se prendem aos bens materiais além da conta (e assim se tornam escravos de circunstâncias e de uma forma mental);
assim como se prendem ao pensamento coletivo que impera.

Seguir o Ideal interior é a mais profunda consciência da Realidade.
Ser arrastado pela realidade exterior é o mais radical culto à Ilusão.

Compreendam se puderem.
Vivenciem se compreenderem.
Se realizem como consequência da vivência.

E depois, difundam a Realidade Universal.

Isso pode demorar anos, décadas, séculos ou milênios.

Mas trata-se de um Trabalho de longo prazo, cujos frutos são Absolutos e Eternos.

Acho que vale a pena...

quarta-feira, 24 de junho de 2015

REFORMA ÍNTIMA INTEGRAL

Pode parecer contraditório para muita gente o termo "psicologia-social". Não pelo fato da sociologia ou psicologia serem antagônicas por definição*, e sim porque ao longo das últimas décadas a aplicação de cada uma dessas ciências vêm revelando um caráter exclusivista - e não inclusivista, como deveria ser. Logo, não posso deixar de perceber uma postura dualista estática incorporada pela maior parte da sociedade ao adotar uma filosofia de vida.

Após ler, refletir, sentir e (em pequena dose) vivenciar as obras de Ubaldi e Rohden, me tornei incapaz de não perceber a Unidade do princípio e do fim nas Diversidades dos meios. No momento em que leio um artigo começo a pensar e repensar sobre o assunto, relacionando com outros temas e vivências próprias. Vou a fundo e sinto o transformismo que rege o psiquismo humano e os fenômenos infra-humanos. Enquadro tudo numa ordem universal. Eis a gênese de uma idéia.

Muitas pessoas afirmam e defendem com unhas e dentes a reforma íntima. E sem dúvida trata-se de uma grande verdade que, se conscientizada em experiência mística (auto-conhecimento), e posteriormente experimentada em vivência ética (auto-realização), libertaria a humanidade de seus erros. Mas esse não é o cerne da questão aqui. Isto é, a reforma íntima possui dois lados que devem ser vividos para que essa reforma seja vívida e efetiva.


Reforma íntima é transformação.
Transformação deve ser integral, unindo experiência
mística individual com atuação ética social.
Quando nossa vida vai mal tendemos a procurar culpa no outros, seja família, sociedade, sistema, fenômenos naturais ou qualquer circunstância - que é externa. Sem dúvida essas externalidades influem e podem ser empecilho grande para o nosso progresso. E também pode se tratar de sistemas ou comportamentos que devem ser superados e alterados - respectivamente.

Mas, primeiro: raros são os indivíduos que conseguem formar um diagnóstico sintético e profundo, após realizarem profunda autocrítica para não caírem em autoengano. Portanto aí está o porquê de muitos debates coletivos serem mal vistos por muita gente - as pessoas não estão prontas para lidar com a sua substância, se transformando intimamente para conseguir transformar o entorno.

E segundo: muita gente, percebendo a ineficácia do passado e se prendendo às aparências dos sentidos e às armadilhas do concebível humano, ignoram a conscientização intuitiva. Com isso elas adotam uma postura que conduz a uma reforma íntima unilateral, acreditando que jogar todos os males para si e evitar a todo custo questões sociais seja o caminho integral para o progresso. Isso é um erro e explicarei o porquê.

Aqueles que seguem a filosofia do segundo ponto adotam uma visão e - consequentemente - vivência unilateral, se esquecendo de que grandes iluminados eram atuantes no âmbito social. Mas o eram de forma sábia**.

Se uma pessoa sofre um mal e procura ver a sua postura para compreender a causa daquele mal - que pode ser sua interpretação errônea de um bem - ela estará a meio caminho da iluminação. A questão é: do mesmo modo, quando essa pessoa vê uma calamidade pública, a miséria de outros ou a falta de liberdade (religiosa, política, econômica ou em emitir opiniões acerca de administração, ciência ou temas afins), ela se vê responsável - e portanto relacionada - com aquilo; ou simplesmente adota uma postura que joga um discurso pré-moldado dizendo: "eles devem se esforçar. eu não fiz nada para que fosse assim e nada posso fazer."?

Percebam que somos unidirecionais em aplicar um princípio que é, por excelência, bidirecional.

Eu me sinto responsável por muitos males que ocorrem no mundo - mesmo que indiretamente. Porque a simples postura que adotamos ao falar com as pessoas, ao difundir verdades, ao adotar um modo de vida, ao escrever um artigo, ao atuar por meio de uma profissão, ao buscar nosso Ser, ao ver determinados filmes, ler livros,... todas essas posturas pessoais causam efeitos coletivos, que se alastram subterraneamente, sustentando uma forma mental, que leva a manter um sistema operando. E assim hábitos e conceitos são mantidos. É claro que há casos - e cada vez mais - em que existem atuações conscientes que combatem a inércia espiritual de um mundo dinamicamente material-mental, e causam menos males em sentido coletivo (a longo prazo).

Muitas pessoas que encontraram a solução só viram uma faceta dela. Apenas metade do caminho foi percorrido nesse Drama Milenar que assola a humanidade há muitas Eras.

Devo ter autocrítica ao receber algo indesejável do meio externo antes de questionar.
Devo me responsabilizar pelas mazelas do meio externo que não me afetam antes de lavar as mãos. 

A reforma íntima envolve autocrítica e responsabilidade.

A primeira leva a uma incubação em forma de experiência mística interior.
A segunda conduz a uma eclosão de atuação ética destrutiva-construtiva exterior.

Destroem-se os conceitos saturados - e cada vez mais degradantes - para se construir conceitos novos, mais abrangentes, baseados em visão mais vasta e experiências mais profundas. A atuação se adensa.

Fala-se menos, diz-se mais.
A tensão psíquica é dedicada a causas universais.
O espírito gera e domina as tempestades mentais, que conduzem a ações materiais. 

Não é possível continuar crendo que a simples não-intromissão - ou a não atuação completa no meio social - irá gerar o novo mundo. Isso é se eximir da responsabilidade em apontar contradições a serem superadas por um novo modo de pensar. Um novo modo de conceber a Vida e as relações. Um novo modo de fazer ciência e debater idéias. Um novo modo de fazer política. Um novo modo de conceber o Além.

Renascer pelo corpo é um fenômeno natural, cada vez mais comprovado pela nossa ciência, e mecânico, devido ao nosso aprisionamento conceptual no plano da matéria e dos sentidos e mente.

Renascer pelo espírito é mudar sua concepção do mundo e vivenciar isso. Seja nessa existência presente, seja em estágios entre existências, seja em outras existências.

A questão é que a Vida não morre, pois ela é essência e portanto infinita em suas capacidades expansivas conceptuais e eterna em sua propagação.

Renascer pelo espírito em vida é a manifestação do maior dos milagres***.

A Reforma Íntima não exclui atuação ética no mundo.

Devemos unir o questionamento à auto-crítica.

Devemos englobar as antíteses para formar uma Grande Síntese.


Observações
*https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia
  https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia
** Sócrates, Cristo, Pascal, Spinoza.
*** a palavra milagre, em sua acepção original, significa "coisa admirável".

quinta-feira, 18 de junho de 2015

MONISMO

Trabalhar sob inspiração é compensador por si só. Aliás, é gratificante trabalhar sob e em prol da inspiração. Porque esta tanto influencia o canal (autor) quanto se faz tangível para o receptor (leitor/a) capaz de extrair o significado subliminar das palavras.

Ubaldi: homem integral. Venceu o mundo, superando-o.
Uma nova concepção do Evangelho. Atualização necessária
para nosso mundo continuar o progresso.
Este blog, prestes a completar 2 anos, já possui quase 200 ensaios que falam sobre Tudo, Nada ou algo entre esses limites. O julgamento demonstra a natureza daquele que recebe a mensagem - seu grau de consciência individual, sua história, seu meio e sua constituição genética definem a capacidade de seu recipiente finito.

Eu ainda tenho dificuldade em compreender como funciona o processo inspirativo que rege essa espiral ascensional construída em formas de palavras. É tão gratificante quanto imprevisível sentar aqui, diante do computador, mãos no teclado, mente vazia e ausência de sentimentos, e descarregar uma visão profunda sobre um tema simples - em poucos minutos. Fornecer uma nova visão para temas desgastados mas - ao mesmo tempo - cada vez mais inquietantes. Temas metafísicos que influenciam tanto o mundo metafísico quanto o mundo físico. Sem nenhum planejamento ou revisão bibliográfica detalhada. Baseado apenas na sinceridade e vontade de cumprir um dever - o imperativo categórico.

É gratificante, pois o próprio ato de escrever é imprevisível, desafiador, incerto e exigente. É um princípio potente que se lança num abismo enorme e constrói apoios e auxílios sem essa intenção. E com isso chega-se ao fim da idéia-base de forma satisfatória. Conclui-se com uma nova visão, mais vasta, construída após um mergulho numa realidade profunda - A Realidade. Toda satisfação já é recompensa - de dever cumprido, perante o Espírito e o mundo. Aquele reconhecendo o valor hoje, este reconhecendo o valor amanhã.
Com a alma abraçamos e amamos o Universo.
Com a mente concebemos o Universo.
Com a matéria atuamos no Universo.

É imprevisível pelo simples fato de não se tratar de métodos da mente. Nada de sistematização inicial - que pode até ser gerada no decorrer da idéia. Nada de desejo de recompensa. Nenhum medo de errar ou ofender - pois tudo se baseia num desejo ardente de unificação e de eduzir a verdade da própria alma. Trata-se de um trabalho de auto-descobrimento, ou melhor, auto-conhecimento.

O autor escreve para si mesmo. Ele se conhece e se realiza em seus textos. Textos vividos ou a serem vivenciados. Textos vívidos e intensos justamente por brotarem de uma experiência interior vulcânica. Nada de fórmulas, receitas ou formalismos. Nada de técnicas ou seguir tendências coletivas. Nada de se basear continuamente em "casos de sucesso" - exceto quando reconhece-se conscientemente a universalidade e imparcialidade de um método. Em suma, a profundidade da vivência leva ao transbordamento das palavras.

Há muitos meses escrevi sobre o Monismo. Minha concepção ainda era limitada. E por isso me sinto estimulado a (digamos) parir um novo ensaio sobre o assunto.

Para começar, devo esclarecer alguns pontos que devem estar se cristalizando em algumas mentes.

O monismo não é uma seita, ou partido, ou corrente filosófica (apesar de alguns "gênios" terem transformado o termo nisso), ou etnia, ou raça, ou sistema político/econômico/social ou pessoa. Ele é (simplesmente) um estado de consciência que engloba tudo e todos, e portanto capaz de transformar a vida de qualquer ser humano disposto a sair do labirinto físico-mental-emocional que se encontra. 

Segundo a Wikipedia:

Monismo (do grego μόνος mónos, "sozinho, único") é o nome dado às teorias filosóficas que defendem a unidade da realidade como um todo (em metafísica) ou a identidade entre mente e corpo (em filosofia da mente) por oposição ao dualismo ou ao pluralismo, à afirmação de realidades separadas.

O Ser realmente consciente se dará conta de que o monismo engloba o dualismo, sendo mais vasto e portanto potente do que esse último estado de consciência. Logo, o verdadeiro monista jamais será separatista e segregador em sua essência - ao contrário do dualista ou pluralista, que deseja impor um finito de interesse a outros finitos.

Um Ser integral é Corpo e Espírito.
Monismo é submissão do ego finito ao Ser Divino que reside dentro de ti (Deus).
Dualismo é ignorar o Ser Divino dentro de ti e (por isso) submeter os egos adjacentes ao seu ego.

Monismo é integrar o bom das diversidades.
Dualismo é desconsiderar as diversidades.

O monista tem uma concepção metafísica da Divindade.
Ele vê Deus no diabo e o diabo em Deus - apesar de Deus ser muito mais do que o diabo.

"Eu e o Pai somos um. Eu estou no Pai e o Pai está em mim. Mas o Pai é maior do que eu."
Jesus, o Cristo.

Cristo era monista, admitindo a Divindade Transcendente e o Deus Imanente. Deus imanente em cada Ser - em estado potencial, latente ou dormente na imensa maioria dos indivíduos desta humanidade. Mas atualizável, realizável. Basta a conscientização da Verdade Libertadora. Nada mais, nada menos...

Existem pessoas simples que são monistas sem o saberem. Percebem a unidade do mundo nas inúmeras diversidades. Não há oposição, apenas complementação.

O monismo considera o Além, e por isso o "Deus dos monistas" é intangível, inominável, indescritível. Porque quem atingiu a consciência monista (que todo ser humano, se quiser se salvar, irá atingir) iniciou o cultivo da humildade profunda, que admite que o ego humano é incapaz de conceber algo além dele. O intelecto e os sentidos não levam à vivência da Realidade Eterna e Infinita. Apenas a intuição é capaz de superar o labirinto de problemas e infelicidades que (aparentemente) governam nosso mundo e nossas vidas pessoais. Porque ela nasce da bondade.

A intuição é a base para se chegar a uma consciência monista do Universo. E antes dela, retidão convicta e sinceridade ardente, independente dos vitupérios ou elogios - circunstâncias sem importância para o sapiente que colocou o intelecto e os sentidos a serviço da Fonte Infinita de bondade.
Spinoza: visão integral, vivência
integral.

Quem leu, refletiu e vivenciou "Queda e Salvação" de Pietro Ubaldi percebeu que o dualismo (Anti-Sistema, AS) rejeita o monismo (Sistema, S); mas este engloba aquele, e justamente por isso triunfará.

O monismo afirma o mais e reconhece o menos.
O dualismo afirma um menos e ignora o mais.

Quem se interessa por Ciências Humanas (carro-chefe do futuro, a meu ver*) nota claramente que a humanidade progrediu do politeísmo para o monoteísmo, e este conviveu com um hiato materialista (séc. XIX e XX) ainda presente em muitos meios eruditos. E nesse desenvolver "nasceu" e se difundiu o conceito de monismo, capaz de eliminar rivalidades e resolver os problemas últimos da humanidade atual, afogada em aparências, consumo, tecnologias e tecnologismos.

POLITEÍSMO --> MONOTEÍSMO DUALISTA --> MATERIALISMO --> MONISMO --> ?

O "?" significa que provavelmente haverá mais. Uma concepção tão vasta e profunda, com um poder cósmico, que escapa a qualquer tentativa de descrição.

Por ora nos contentemos em compreender o monismo e permear a nossa vida com ele, transformando o nosso Ser de hoje no Novo Ser de amanhã. E com isso superando: 1o) a forma mental atual e; 2o) o sistema atual.

O monismo é tão simples que se torna complexo para a mente hodierna**.

Para compreendê-lo devemos ser:
Sinceros na vivência.
Reto no agir.

Nada mais, nada menos.


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* http://leonardoleiteoliva.blogspot.com.br/2014/08/e-chegado-o-tempo-das-ciencias-humanas.html
** hodierna: atual, moderno.
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sexta-feira, 5 de junho de 2015

MATRIX: UMA VISÃO CÓSMICA

Me lembro muito bem. Assisti Matrix pela primeira vez aos 14 anos, no cinema. Meu corpo de adolescente estava muito desenvolvido em termos de vigor e força física. Minha mente era bem sucedida nas tarefas escolares regulares - apesar de que nessa época eu via pouca relação entre a teoria das salas e o mundo circunjacente. Minha intuição, meu espírito, ainda estava adormecido por completo, sendo incapaz de detectar conscientemente qualquer nuance da Grande Realidade no mundo que se apresentava nas telas ou no dia-a-dia.

Matrix (1999). Visto há 16 anos.
Compreendido e sentido integralmente ontem.
E quando será vivido pela humanidade?
Todas mensagens Eternas, Infinitas, Místicas, Verdadeiras, manifestada por meio de gestos, diálogos e concatenamentos sutis e poéticos, iam diretamente para a zona inconsciente; enquanto os efeitos sonoros e visuais, as ações repetitivas, a forma, eram captadas diretamente pelo meu consciente. Até a trama superficial interessava. Ela era passível de interesse intelectual e estimulava a concatenação das ações dos personagens. Será que eles eram alienígenas? , eu pensava a princípio; Tratava-se de uma trama de dominação global de robôs? Como vencê-los?...Várias perguntas do tipo, mas sem adentrar no aspecto místico-filosófico que permeia essa superprodução do dinheiro que consegue ter mensagens super-profundas para a alma capaz de captá-las. Todas "qualidades" percebidas na época pelo adolescente de 14 anos eram pequenas mensagens usadas para passar uma Grande Mensagem.

Ontem eu revi o filme com um novo olhar.

Após passar os próximos 16 anos por experiências diversas e intensas (como todos), mas optar por caminhos - aparentemente - ilógicos e loucos, persistindo em "erros" e estudando as dores e suas causas (como pouquíssimos), não pude deixar de perceber o quão sublime é a Grande Mensagem transmitida por esse filme sincero, profundo, questionador e profético.

Oráculo: sapiência sem exibicionismo.
O poder da sensibilidade intuitiva.
Matrix é classificado como ficção-científica pelo mundo presente - possivelmente por causa das tecnologias e situações anormais. Mas ao mesmo tempo, através da ficção, o filme trata da mais profunda realidade metafísica que permeia a vida humana. Mais: é profético, ao apontar para as tendências da civilização exacerbadamente tecnológica-neoliberal, na qual a inteligência artificial, IA (robôs) dominará a inteligência natural (humana).

Se você observar com uma mentalidade transformista [1] perceberá o seguinte: quase todas pessoas (inclusive você mesmo e eu) adotam comportamentos robóticos, são - ou buscam ser - produtivas em termos financeiros-materiais, e procuram podar ou esconder sinais de sentimento por assuntos metafísicos do imponderável. E com isso gera-se uma onda psíquica a nível global que plasma uma forma mental coletiva capaz de sustentar estruturas (instituições de qualquer natureza) e sistemas (modo de operação coletivo de estruturas ou sociedades) inconscientemente. Esse comportamento, por estar preocupado com a execução e resultados imediatos e visíveis, delega indiretamente, via leis (regulamentos oficiais) ou normas de conduta (leis sociais), a reflexão, o sentimento e a orientação universal a segundo plano, sendo essa atitude e filosofia de vida mero lazer - ou seja, distração - do ponto de vista deste mundo. Pode ser até que muitos considerem esse lazer como assunto de suma importância no discurso. Mas na prática individual e social do cotidiano pouco se realiza, sendo mais importante criar uma forma agradável do que mergulhar na substância quase sempre dolorosa da vivência.

Um lazer à serviço do intelecto luciférico que quer satisfazer os desejos instintivos.
Um lazer à serviço desse intelecto luciférico que cria medos instintivos.

Matrix procura trazer essas reflexões à tona, preenchendo a Realidade Ponderável dos Efeitos especiais e Tramas com a Realidade Imponderável do Amor e dos Valores.

Em Matrix os nomes dos personagens e suas características físico-mentais-espirituais sintetizam a natureza dos mesmos: Morpheus é o deus dos sonhos, capaz de mimetizar qualquer forma humana para aparecer nos mesmos. Ele é a Voz da Verdade se manifestando no mundo da Ilusão; Trinity é a moça com atitudes cirúrgicas, pensadas e diretas, que aparentemente não exibe sentimentos, mas que possui grande fé (fidelidade) com uma finalidade superior (Amor, Salvação da humanidade); Neo é o Novo, o Escolhido, o veículo de Salvação. É aquele que é resgatado da sua inconsciência infeliz para atuar de forma eficaz na realidade pequena e ilusória da Matrix. Ele tem a Vontade de desvendar o mais desconhecido, que o leva a seguir o misterioso Morpheus, apresentando a Realidade. Abrem-se os horizontes. Choro, dor e espanto, à princípio. Adaptação depois. E futuramente reorientação.

Trinity e Neo realizando o irrealizável.
Cada cena do filme traz uma mensagem subliminar, ou implícita, para o Ser ainda profano (sensitivo-intelectivo), mas explícita para o Ser místico (intuitivo-sintético).

Os humanos que vivem adormecidos, produzindo milhares ou milhões de zeros na ilusão da Matrix, são canais que permitem aos agentes (máquinas, robôs) atuarem e investigarem tudo e todos, nada escapando aos seus olhos e ouvidos ou superando suas habilidades e potência. Nada...até que Neo é despertado...

O oráculo é uma mulher negra simples, que fuma sem culpa e vive seu cotidiano com a leveza de um fazendeiro rural. Ela não se preocupa com aparências ou erudição profunda. Diz coisas aparentemente sem nexo, mas que com o desenrolar dos acontecimentos formam uma cadeia de eventos evidentemente imprevisíveis à princípio, pelos ouvintes, mas claramente previsíveis pela vidente. Neo é especialmente refratário a essas coisas do Além à princípio - do espírito, do imponderável, do não-demonstrável e etc - mostrando uma incredulidade no olhar e gestos. Mas eis que o desencadear feio e caótico de muitos eventos forma um mosaico belo e harmônico.

A vidente diz o que as pessoas precisam ouvir para se auto-realizarem.

Morpheus tem grande fé no mais. Ele atua no finito mas crê no Infinito. Isso lhe dá força e vontade e ânimo para aguentar a luta de cada dia. Não possui o dom de Neo mas tem a Fé para despertá-lo.

Fé que fará morrer o Sr. Anderson, funcionário de uma empresa de software comportado e obediente, e nascer Neo (o Novo), Sujeito consciente e atuante, transformador da realidade.



"Quem não renascer da água (corpo) e do Espírito (consciência) não poderá entrar no Reino de Deus (Salvação, Felicidade)."

Jesus, o Cristo

Neo é duvidoso. Tem muita energia e capacidade, mas vê a crença no Infinito como mais um meio de ilusão. Ele aceita, mas não incorpora o espírito místico, a princípio. Por isso a vidente faz afirmações fortes ("Você não é o escolhido. Sinto muito garoto...") e ao mesmo tempo prevê um dilema: haverá um momento em que ele deverá decidir entre salvar sua vida em prejuízo da de Morpheus, ou salvar a vida de Morpheus à custa da sua.

A Fé move montanhas.
O Amor ressuscita almas e corpos.
Tudo ocorre normalmente. E concorre para o grande desfecho, imprevisível pelos protagonistas, sentido pela vidente, temido por Neo.

O que leva Neo a decidir voltar para a Matrix, sabendo que ninguém nunca conseguiu vencer os Agentes - encabeçado pelo Agente Smith - frios, metódicos, velozes, fortes e (aparentemente) insuperáveis, é um imperativo categórico. O dever de salvar alguém útil que lhe despertou, ajudou e até deu sua vida por um pseudo-Escolhido. Porque ele, Neo, acredita nisso.

Agora a grande questão:

Se a vidente houvesse dito a Neo que ele era o Escolhido, será que, diante desse dilema (esse Drama Milenar), esse Escolhido consciente de seu Destino arriscaria sua vida para salvar um simples humano?

Será que a consciência de ser a centelha de acionamento de um grande fogo libertador não o faria arrogante e temeroso de arriscar sua vida para salvar qualquer pessoa ou objeto?

"She told you exactly what you needed to hear, that's all. Neo, sooner or later you're going to realize, just as I did, there's a difference between knowing the path and walking the path."
(Morpheus)

Conhecer o caminho é muito diferente de caminhar pelo mesmo.

Erudição é intelecto, que geralmente leva ao preconceito, divisão e distanciamento.
Vivência é intuição, que leva à libertação, união, compreensão.

Saber está acima do conhecer.

Quem sabe não prova, sente.
Quem conhece prova, mas não sente.

Quando Neo começa a acreditar, sente-se um espasmo de poder - da Verdade.
Quando ele é dado por morto, Trinity, com fé (fidelidade) no Mais, nas Grandes Mensagens, chora e busca orientação interior. Ela lampeja sua sinceridade para o Neo morto e demonstra o seu Amor, beijando-o intensamente. Tamanha é a retidão, perseverança e sinceridade dessa moça, que ela passa essa vontade infinita para aquele que aprendeu a amar. E eis que Neo renasce completamente pelo Espírito. E consequentemente, pelo corpo. Eis o milagre da verdadeira Ressurreição. Um milagre a ser operado pela humanidade vindoura, dentro de alguns milênios.

As balas são metafísicas. Elas são os vitupérios para intimidar
ou os elogios para viciar. Nós podemos freá-las com o poder
da Verdade Libertadora. Basta sintonizar com o Infinito e Eterno.
Emoção e comoção Infinita que se converte em atuação de potência máxima.

Sr. Smith é tomado por ódio e ataca com todas suas potencialidades robóticas, mas de nada adianta: Neo só sente. Ele não mais pensa. Ele vive e atua na mais profunda Realidade.

É a pequena potência Infinita da humanidade mística superando a enorme potência finita da robótica intelectual-sistematizadora.

A inteligência humana perde da inteligência robótica.
Mas a intuição humana, uma vez despertada, sempre vencerá qualquer inteligência artificial.

Choro e emoção.
Porque sinceridade e busca pela Verdade demandam tais reações.

Reflexão e Amor.
Porque dúvidas e insatisfações com o presente clamam por isso.

Glória e Salvação.

Matrix: filme que realiza a síntese impossível do misticismo conceptual com o materialismo atual.

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Referências:
[1] http://leonardoleiteoliva.blogspot.com.br/2015/03/nocao-de-transformismo.html

Trailer recomendado:
https://www.youtube.com/watch?v=m8e-FF8MsqU
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quinta-feira, 28 de maio de 2015

CHEGAR AO CRISTO CONSCIENTEMENTE

Por anos a humanidade está fazendo esforços titânicos em atingir a libertação por meio da Verdade Libertadora (Evangelho de João), proferida por Jesus, o Cristo, há cerca de 2.000 anos. Mas desde o século IV, quando o Poder político, militar e econômico foi dado àqueles que difundiam a mensagem de Cristo - que tem a mesma essência da Bhagavad Gita e do Tao Te Ching, os livros Sacros do Oriente - a Verdade Cósmica ficou encoberta pelo Poder Sedutor.

Após 16 séculos adentramos no terceiro milênio.

Revoluções científicas.
Revoluções políticas.
Revoluções industriais.
Revoluções tecnológicas.
Revoluções mercadológicas...

Evoluímos sempre por meio da dor.
E poucos seres souberam compreender o significado dessa dor e sua causa.

"Eu e o Pai somos um. O Pai está em mim e eu estou no Pai. 
Mas o Pai é maior do que eu." 
(Jesus de Nazaré)

O Profeta de Nazaré. Verdades paradoxais somente
compreendidas após uma experiência mística.
Isso é concepção monista do mundo. Deus está em tudo e em todos. Mas Ele é mais do que a soma de todos nós. Nós seres humanos somos potencialmente crísticos por natureza. Basta nos conscientizarmos disso por meio de uma vivência intensa e sincera.

Não me arrependo de nada que sofri. 
Pois meu sofrer me levou ao meu conhecer.
E meu conhecer me entregou ao meu saber.

Me arrependo do pouco que fiz.
Mas sempre podemos fazer.
Mas antes de fazer devemos Ser.
E para Ser devemos compreender.

Em quase 30 anos nunca me interessei pelos Além, pelo Infinito, pelo Eterno, pelo imponderável.
Aos 26 anos lia e ouvia sobre o Cristo, mas pouco me comovia.

De lá para cá, muita coisa aconteceu.
Mas jamais me converti a uma igreja,
Nem realizei um curso,
Nem estudei o que desconhecia...

Apenas ardi e pensei e chorei e sangrei.
E uma mensagem veio em forma de papel.
Pietro Ubaldi e Huberto Rohden.

Com eles cheguei a Gandhi, Pascal, Einstein e Tolstoi.
E depois a outros e mais outros.

Leitura assimilada, refletida, sentida e vivida.

A maestria das palavras à serviço do espírito.

Ubaldi e Rohden realizaram a melhor degradação Conceito -> Palavra que jamais vi.
Degradação porque quando descrevemos uma experiência mística em vocábulos humanos, sempre degradamos a mensagem do Alto.

Elevaram tanto a palavra, quanto a teoria, quanto a poesia ao patamar máximo, chegando mais perto do Espírito.

Sua vivência espiritual integral é sublime.
Tão fantástica que foi capaz de imprimir uma potência ímpar a cada relato, palavra e explicação.

E com isso li o Evangelho e inicio o Novo Testamento.
Mais tarde lerei a Baghavad Gita e o Tao Te Ching.

E agora, em 4 anos, vendo grandes épicos da década de 50 e 60 como Ben-Hur e o Rei dos Reis, choro inexplicavelmente ao ver a representação do Nazareno, que tanto sabia da Vida que não necessitou escrever ou passar uma teoria ou receita.

Choro mas adoro, porque tudo que é Belo causa um misto de assombro e fascinação.

É um choro mais feliz do que as horrorosas gargalhadas infelizes que expeli ao longo dos anos passados.

Imensa era minha ignorância feliz ontem !
Enorme é a consciência de minha ignorância infeliz hoje !

Mas como me sinto tão melhor tendo diante de um deserto aparentemente invencível?
Por que me sinto repleto de paz na minha solidão de parcos recursos?
Por que me desprendi de tantas coisas?
Não foi isso que a sociedade me ensinou...

Mas talvez esses ensinamentos tenham sido sinceramente inconscientes.
Ensinamentos sem orientação.
Ensinamentos que não eram ensinamentos...

Oh futuro incerto !
Oh possibilidades loucas !
Oh vontade vulcânica !
Oh jornada solitária !

Mas eis que encontro alguém que procura ser Alguém - como eu.
E minha jornada solitária passa a ser uma jornada Solitária potente.

Porque ambos estamos orientados para o Infinito de mãos dadas.
Nos alimentamos do Mais e trocamos experiências e idéias no nosso finito.

É uma escalada sem fim.

E eis que começo a me aproximar do Cristo interno conscientemente. Busco o que falaram que deve ser buscado sem imposição, mas sim permeado de convicção. E com isso as palavras são internalizadas e as experiências são buscadas.

Querer o dever é sublime.

E devo buscar isso em todas esferas da vida.
É o imperativo categórico de Kant.

Há muito a sentir.
Há muito a viver.
Há muito a descobrir.
Há muito a fazer.