quarta-feira, 15 de junho de 2016

Avanço do Fascismo e do Conservadorismo com Marcia Tiburi - Parte 1

Essa palestra com a Márcia Tiburi é esclarecedora.



O seu discurso trata dos temas mais críticos - e aparentemente insolúveis e insondáveis - da atualidade. E talvez justamente por esse motivo o tema deva ser tratado de forma contínua, profunda e madura.

Ela complementa a abordagem ecológica-espiritual de Boff, explicitando o implícito que é causa das agressões contínuas de um pelo outro. Mas acima de tudo: ela conecta o aspecto individual com o coletivo, revelando sua complementaridade. Mostra que devemos sim, combater os grupos de poder que finalmente - ou melhor, oficialmente - assumiram controle do aparato institucional. Suas intenções são "salvar o país da crise", "reformar", "ordenar". Mas as receitas adotadas são a velha fórmula neoliberal de anular qualquer voz dissonante; calar qualquer movimento social; imputar continuamente um discurso que forme um consenso nas classes sociais razoavelmente abastadas e influentes - que poderiam causar alguma instabilidade na plutocracia que deseja tomar as rédeas para iniciar um novo ciclo neoliberal. um ciclo pautado por privatizações de bens públicos, anulação dos pobres, massificação e homogeneização da cultura e educação.

O momento atual é  muito perigoso para nós como civilização. O que vêm ocorrendo no mundo é um sinal de esgotamento de modelo político e, acima de tudo, econômico, que vigorou e se plasmou magistralmente ao longo dos últimos 2 séculos. No entanto, atingiu-se o clímax: o planeta (solo, rios, atmosfera, espécies, dinâmica ecológica) não vem sendo respeitada. E nós dependemos dela, imensamente. Outra assíntota: a informação se difunde de modo tão rápido e fácil, o que tem gerado uma enchente de novidades e "conhecimentos" vazios, cujo único propósito é serem gerados e espalhados por si mesmos. Não há uma orientação. Uma finalidade. Uma meta a ser atingida.

Submetendo nossa humanidade às nossas tecnologias e forma mental, servimos à matéria. O espírito é ignorado, afogado. Temido. Temido por falta de sensibilização. Por falta de tempo e energia. Por falta de vontade. Ansiamos pela verdade mas somos incapazes de vê-la cara-a-cara. Muito menos de vivê-la. Quem percebeu isso avança sozinho, se conformando à triste realidade. Realidade forjada e reforçada pela mente hodierna, extremamente inteligente e astuta, cujo egoísmo se torna a cada dia mais destrutivo. O grosso da humanidade delira, caindo nos esquemas de agentes mais ordenados e inteligentes. Estes, por sua vez, ganham e riem e vencem. Mas seu ponto de vista é o do mundo. Um mundo caótico, sem sentido, onde o mais forte vence, seja essa força física, econômica, numérica ou psicológica - mas sempre a força. Eles se arvoram nos altos ideais da justiça - e apenas isso.

A insaciabilidade humana realimenta o modelo econômico. Justifica-o com eloquências mundanas e fatos ocos. E com isso procrastina as tarefas que a natureza divina exige: evoluir na verticalidade interior.

Não há maturidade, apenas ociosidade - apesar de todo movimento. Pois (quase) tudo é automático, reprodução de conceitos ultrapassados, executados dia após dia com desespero cada vez maior. Com raiva cada vez mais intensa. Sem questionamento. Sem reflexão. Sem transformação. Sem ascensão...Tudo por um motivo: tememos nosso Eu crístico.

Vagarosamente damos passos rumo a um abismo físico. Sabemos no íntimo, mas continuamos. Pois nos foi dito: "marche ou morra!". Imposição esta mais interna do que externa. Somos escravos de uma forma mental. Isso nos torna miseráveis.

Enxergo miséria em tudo, inclusive em mim. 

Miséria no sentir e no viver, que desemboca em desperdícios faraônicos.
Ao mesmo tempo, quem começa a perceber do que realmente se trata, se vê impotente diante do desafio titânico de evoluir.

Nós por nós mesmos não somos nada...Precisamos de algo que venha de uma Fonte Infinita.
(assim disse um iluminado há dois milênios)

Estaremos prontos para realmente avançar?

Patch Adams diz muito falando pouco.



Pietro Ubaldi viveu o Evangelho do Cristo num grau nunca antes vivido, de forma adaptada aos tempos modernos. Essa vivência foi materializada numa Obra de 24 volumes que abordam de forma magistral e destemida os Últimos Problemas. Isso é fantástico.

Huberto Rohden deu outro grande passo. Complementa Ubaldi, revelando qual o propósito da vida. Escreveu obra vasta e vivificante.

E nós? Nós não precisamos SER mais intensamente. Mas bem que poderíamos TENTAR isso, na medida de nossas possibilidades.

Esse é o convite que Márcia Tiburi faz a eu, a você, a ela mesma.








terça-feira, 31 de maio de 2016

Noam Chomsky - Porque não sou um liberal

Noam Chomsky traça uma linha direta unindo liberalismo clássico e socialismo libertário.


A diferença entre o liberalismo atual (neoliberalismo) e sua origem é gritante. Inclusive um não se relaciona com o outro. Por outro lado, o que o mainstream (corrente dominante, seja na mídia, nos empregos ou nos círculos familiares e sociais) aponta como antagônico - socialismo libertário x liberalismo clássico - são, na verdade, parentes próximos. Um (socialismo libertário) é um desenvolvimento (atualização) do outro (liberalismo clássico), que considera a entrada do poder dos grandes conglomerados privados - as entidades mais nocivas e influentes nos dias atuais, a meu ver.

Estar ciente dessa realidade, desse transformismo, é pré-requisito para falarmos dizendo algo, e agirmos de modo eficaz, e portanto, unificador.

Sem mais.

Dois artigos

Dois artigos que estimulam os bem-intencionados a saírem da superfície estagnante - para mergulharem na realidade das coisas.

Tarso Genro: Os assassinos estavam no Comitê Central
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Tarso-Genro-Os-assassinos-estavam-no-Comite-Central/4/36197

"Escolas sem partido" ou Pensamento Único?
http://outraspalavras.net/brasil/escolas-sem-partido-ou-pensamento-unico/

segunda-feira, 30 de maio de 2016

O Divórcio de dois Sistemas

Capitalismo e Democracia jamais andaram de mãos dadas. Há aqueles que, ao ler esta sentença, pulem de espanto e apontem o dedo à pessoa (eu) que proferiu a frase, acusando-a de autoritária, comunista, retrógrada e adjetivos do tipo. O sangue ferve e os argumentos são vomitados: "A aplicação das utopias provou ser um fracasso!"; "O idealismo não resolve problemas do mundo!"; "O ser humano sempre foi assim - e sempre será assim..."; "O objetivo da vida é crescer, acumular, vencer."; e por aí vai.

Primeiro ponto:
A implementação de um ideal ocorre em etapas. Essas etapas são sucessivas e intercaladas por períodos de absorção, vivência parcial e assimilação. A escala de tempo dessas etapas, para fenômenos humanos-coletivos, são lentas e devem respeitar uma dinâmica. Admitindo ou não, é assim que funciona.

Devemos nos ater a uma coisa: experiências que ocorrem restritas a um povo, um local, e sob a influência dos vícios humanos, estão fadadas a findar. No entanto, é a partir daí que podemos extrair os erros das experiências passadas e nos atentar para o que ocorre no presente, de modo que saibamos realizar uma implementação mais eficaz e robusta, que englobe mais aspectos da vida e respeite características intrínsecas do ser humano - e da natureza!

Segundo ponto: 
O idealismo não resolve instantaneamente os problemas do mundo - nem objetiva fazer isso. Ele é mais uma orientação do Além, cujo contato é possível estabelecer através de um profundo mergulho no nosso Eu divino.

A orientação expande o horizonte e aflora a sensibilidade para os problemas reais - isto é, aqueles que realmente são mazelas. Passa-se a ignorar o que muitos levam a sério - e observar o que é tido muitas vezes como vazio e sem finalidade.

Trata-se de operar com visão de longo prazo, sem deixar os aplausos e vaias do meio do caminho desviarem nossa construção (interna e externa).

Terceiro ponto:
O ser humano possui uma natureza. Mas (eu afirmo) ela não é fixa. Fosse assim nossos problemas jamais teriam solução. Porque de nada adianta criar sistemas se o nível da humanidade é o que é. Logo, é intuitivo perceber que existe a possibilidade de superação. Essa possibilidade é sentida a partir de um certo ponto da vida. Somente após um mergulho profundo em nossa dor, na dor dos outros, e na falência de nossos métodos intelectuais, é que estamos prontos para abraçar a nossa humildade com toda sinceridade.

Se nossos problemas fossem eternamente sem solução, de nada adiantaria continuar vivo, aqui, escrevendo, vivendo, trabalhando, constatando e aprendendo, em meio a grandes dores e pequenas alegrias. Logo, é necessário admitir a miséria de nossa mente para compreender fenômenos de ordem profunda. Chega-se à intuição. Esta começa a "puxar" a mente para níveis mais elevados, fazendo o ser arder de desespero e resistir. Sofrer por querer. Sofrer interiormente. Sofrer para expandir a consciência. Nada mais nada menos, pois trata-se de tudo.

Deus, sendo uma realidade viva que se manifesta na multiplicidade dos seres e fenômenos, é União e Harmonia. Se nosso mundo é segregado e caótico, nada mais lógico admitir que ele deve caminhar - por bem ou por mal - a uma meta. Isso se chama Telefinalismo.

Projetar o futuro da humanidade - e o seu futuro - tendo por base única e exclusivamente o passado, é um atestado de ignorância. 

Sabe-se que a humanidade evolui. Lentamente. Dolorosamente. Até hoje inconscientemente. Pela dor. Isso é o que revela a História. É o que sente a Religião. É o que busca compreender a Filosofia e a Ciência. A cada etapa novas configurações. As mudanças são imperceptíveis. Mas estão lá. Elas apresentam novas possibilidades. Dizem algo que apenas os sensitivos captam - mas não sabem explicar. São manifestações do imponderável - através dos fenômenos naturais e das construções materiais e mentais humanas.

Tudo à nossa volta afirma que há unidade na profundidade - apesar da superfície mostrar uma diversidade sem fim. 

Quarto ponto:
A vida não se resume a acumular matéria nem títulos nem conquistas de qualquer tipo. A vida é muito mais entrar em equilíbrio com o Universo - interior e, consequentemente, exterior. Tudo o resto vem de acréscimo. Para a matéria, o necessário dos bens e do saber. Para o espírito, o infinito das possibilidades e do amor.

Agora volto ao texto (e ao ponto!).

Não sou esquerdista (nem direitista). Sou um ser divinizável, como qualquer um, que busca se realizar ao máximo através de sua experiência humana finita, limitada e temporária. Finita no poder exercido, limitada pelos egoísmos, e temporária pela natureza da matéria.

Ontem assisti a um vídeo de um economista norte-americano chamado Joseph Stigliz*, que explica de forma clara e calma o que vem ocorrendo no âmbito econômico em nosso mundo. Meus pensamentos e reflexões vão de encontro às suas ideias, e isso indica algo.


Acabo de ler um texto do Ladislau Dowbor** que aponta para um divórcio muito mais doloroso do que a soma de todas separações homem-mulher que já houveram: o divórcio do Capitalismo com a Democracia.

Não vou me ater às explicações do porquê desse divórcio. Primeiro porque já venho demonstrando esse fenômeno ao longo de meus (quase) 250 ensaios, sob variados ângulos, e apontando para uma finalidade; e segundo porque o autor sabe melhor do que eu explicar certos detalhes. Eu realmente recomendo a leitura do texto, seguida de uma reflexão e - se construtivo - questionamento. Isso é tudo que posso fazer. Mas faço-o da melhor forma possível, sem egoísmo, pois trata-se de algo de interesse geral.

István Mészáros *** apresenta uma visão interessante. Mas novamente digo e repito: é preciso se despir dos preconceitos antes de assisti-lo. Porque ao contrário do que parece, não se trata de impor um finito - que ele aliás admite como tal e critica - a outro(s), e sim ver à fundo o que ocorre na civilização humana. 




O mercado não é um mal em si. Basta que ele esteja sob controle da sociedade. Mas para isso a sociedade deve ser minimamente consciente. De nada adianta termos 1, 2 ou 5 conscientes e atuantes a cada 1.000. A massa crítica deve ser formada a título de superarmos o estágio evolutivo atual - que nada mais nos tem a oferecer a não ser desespero e depredação.

O socialismo é um sistema que não exclui mercado, liberdade individual e direito à propriedade. Ele apenas prima pelo equilíbrio de forças (economia, estado e sociedade). Enquanto no socialismo a lógica é o capital ser subordinado ao social; no capitalismo vigora o a lógica do social subordinado ao capital. É natural que a humanidade tenha se identificado no seu íntimo com o segundo - mesmo os esquerdistas fervorosos demonstraram ter mais em conta o seu finito do que os alheios na na hora das implementações específicas. Mas chegamos a um ponto em que a produção material é alta. Inclusive extrapola os limites ecológicos. E fala-se em escassez, necessidade de produzir, consumir, vender,...

O que realmente falta a nós é um despertar da consciência. A partir dela conseguiremos combater nosso egoísmo. Admitir nossa miséria humana vai doer - e muito! Passo muito mal ao perceber as limitações de minha natureza. Mas insisto em sempre me manter em contato com ela e compreender como são as coisas. Isso tem me transformado - mesmo que minimamente - ao longo dos últimos anos. É por meio da constatação e experiência que progredimos.

Falei sobre a transformação individual. Mas como fazer a coletiva? Não sei. Mas levando a primeira à frente começam a surgir explicações para a segunda, e assim podemos refletir muito em intensidade e atuar pouco, mas eficazmente.

O divórcio Capitalismo-Democracia é iminente. Já percebemos isso na crise de representatividade, cuja culpa não está encerrada no Estado, e sim na natureza humana. A relação sempre foi fundada em falsidade. Nos enganamos ao crer que um sistema econômico utilitário pudesse se acasalar com um sistema político vasto. Essas verdades começam a vir à tona.

A Revolução Industrial terá de ocupar sua posição importante mas subordinada.
A Revolução Francesa deverá se atualizar e observar que serve a uma finalidade.
E a Evolução Humana desencadeará o processo todo.

Cedo ou tarde teremos de lidar com questões que negligenciamos...


Referências e indicações
* https://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Stiglitz
** http://outraspalavras.net/brasil/democracia-e-capitalismo-divorcio-definitivo/ 
*** https://pt.wikipedia.org/wiki/Istv%C3%A1n_M%C3%A9sz%C3%A1ros


quinta-feira, 26 de maio de 2016

Quando novos sujeitos políticos sobem à cena

Edição do Café Filosófico publicado no Youtube em 2 de abril de 2014.



Nesse convite à reflexão, Vladimir Safatle mergulha em temas que o establishment - a cultura média, a grande mídia (ainda hegemônica), os "especialistas", a sociedade de forma geral - já considera como resolvidos: chegamos ao único modelo político (democracia parlamentar representativa), com uma lógica econômica de crescimento ilimitado, que deve ser defendida à todo custo para que a humanidade possa continuar a existir.

A grande questão é: décadas de crescimento global, em ritmo exponencial de produtividade, parece ser causa de crises cada vez mais agudas, impactantes e - aparentemente - insolúveis. Insolúveis dentro da lógica que nós, humanidade, insistimos em defender e reproduzir. Por mais que se busquem soluções, elas serão pseudo-soluções. Remendos que favorecem um finito em detrimento de outro; ou que suprimem uma classe social inteira, ou grupo, ou área do saber, para garantir relativa tranquilidade - uma falsa tranquilidade. Remendos que ofuscam verdades mais amplas e profundas que a média, e exaltam outras verdades, menores, menos abrangentes - e portanto mais egoístas. Isso tudo é apresentado como se fosse "o único caminho possível". Crescimento econômico, desenvolvimento do intelecto...Quanto aos desafortunados, a explicação é: não se esforçaram para "vencer". E se mostrarmos seres que realizaram esforço titânico, e ainda assim nem um degrau subiram, enquanto muitos, com todas condições, fizeram mau uso e reproduzem os métodos do mundo, resistindo à transformação, o tipo comum diz: "má sorte". Eis a pobreza humana face aos fenômenos mais cruciais.

A mente humana tem grande facilidade em aceitar o que lhe é apresentado - diante da tela, das revistas, dos jornais, das rádios, das opiniões imperantes da sociedade ou da família, dos ambientes de trabalho, etc. Qualquer idéia própria que comece a sentir resistência externa logo se retraí e procura se conformar à realidade estabelecida, aceitando-a como a certa, independentemente da inquietação interior*. Criam-se narrativas individuais, cada uma com sua particularidade, para sustentar o modo de operar do mundo. E assim só resta o caminho da reprodução - com nada de transformação

O problema é global. Ver um povo (ou cultura) como atrasado e outro como adiantado é captar superficialmente, estaticamente. Não absorvemos o dinamismo que rege o caminhar da humanidade. Captamos os relativos que nos convêm, reproduzindo-os para nosso conforto. Reproduzimos palavras sagradas ao léu, mecanicamente, seja por imposição familiar-cultural, seja por vontade de nos sentirmos bem, parecermos boas pessoas - e só. Viver o Evangelho, o Bhagavad Gita ou o Tao-Te Ching é para loucos que perderam a razão. No entanto é para esses escritos que muitas das pessoas mais marteladas, humilhadas e ofendidas, recorrem e encontram algum conforto.

Existem aqueles que, sem necessariamente passarem por situações extremas, começam a sentir a manifestação do Infinito e Eterno em nosso mundo finito e transitório. E os conceitos sobre a vida começam a mudar. Com isso a atitude frente aos desafios se torna plástica, adaptando-se (mas jamais se conformando!) a certas situações, e buscando no mundo os meios para se defender das irracionalidades do racionalismo solteiro e doentio, e transformar a si mesmo, influenciando o entorno com o transbordamento de seu novo ser nascente. Recorre-se aos estudos, a saúde, a posição, a influência, as habilidades. Todos finitos se submetem a algo maior. Algo além de qualquer coisa sistematizável, admitida. 

A interconexão que conhecemos por globalização, foi restrita: unificou-se o capital financeiro, o acesso aos bens de consumo - muitos deles completamente supérfluos - para quem pode pagar algo; e a informação que, em sua maioria, mais desorienta do que orienta o Ser em busca da ascensão**.

Essa tríade de conexão sozinha se torna ferramenta daqueles que detêm o poder - ou a ambição de conquistá-lo, sejam pobres ou ricos. Sem a unificação de conceitos não obteremos o avanço vertical - que é o único que realmente interessa***. Deve-se globalizar os Direitos Humanos em sua integridade, submetendo a economia, os mercados e quaisquer interesses particulares a essa legislação fundamental, que o mundo tem plenas capacidades de cumprir.

Em termos materiais, energéticos, científicos, tecnológicos e de organização social, a humanidade pode organizar-se de modo a garantir a todos uma condição de vida decente, não só materialmente, mas também em termos de liberdade de livre manifestação e de desenvolvimento individual. O único empecilho a essa realização é a forma mental humana, cujo egoísmo é tão rígido e agressivo que inviabiliza qualquer tentativa de melhoria.  

Não precisamos ser santos para termos um mundo melhor. Basta desenvolver o equilíbrio, nos atendo ao necessário. Para isso é essencial que tenhamos a coragem de seguir nossa consciência, ao invés de sermos arrastados por tendências coletivas - algo que o neoliberalismo estimula anonimamente, discretamente e lentamente.

Safatle nos introduz possibilidades. Não apresenta soluções. Estas serão edificadas à medida que demonstremos coragem em transcender a realidade presente, cada vez mais deplorável. A rigidez do intelecto é a causa da ruína humanitária. Não devemos ceder à erudição sem orientação, por mais sedutora e fácil que seja. Sedutora intelectualmente ou materialmente...

A consciência diz que há algo além. A civilização da intuição sintética, pautada pela conexão integral, quer nascer. Mas os partos sempre são dolorosos e difíceis, e muitos defendem partes do velho, já apodrecendo, por medo. Medo vem da ignorância. Ignorância gera separatismo. Separatismo é causa da dor. E é daí que devemos buscar o início da ascensão: da dor. 

Sou professor e pesquisador. Busco esclarecer e me colocar na arena do mundo para esclarecerem meu ser. Estudo e aprendo. Me arrisco na medida das possibilidades, para assim criar terreno para a gênese de novas perspectivas, que possam garantir sustento para novos seres conscientes.

Esse trabalho pode ser feito por qualquer um, de várias formas.

Isso é o que conta: atuar conscientemente dentro de suas possibilidades. E seguir sua consciência!


Referências
* http://leonardoleiteoliva.blogspot.com.br/2013/10/adaptacao-versus-conformacao.html
** http://leonardoleiteoliva.blogspot.com.br/2014/11/um-ciclo-duas-fases-piramide-expansiva.html
*** http://leonardoleiteoliva.blogspot.com.br/2014/11/o-absoluto-englobando-o-relativo.html






Entrevista com Marcia Tiburi

Publicado em 18 de mai de 2016

"O Senge-RJ entrevistou a filósofa Marcia Tiburi, falou sobre atual momento político do Brasil e sobre a manipulação das nossas consciências, principalmente pelos meios de comunicação dominantes que ajudaram a executar o golpe em andamento."




Ressalto que não se trata de pregação, e sim de um convite à reflexão.

Rezo para que um número mínimo de pessoas tome consciência e comece a tomar as rédeas de suas próprias vidas, servindo de exemplo aos outros - e assim por diante. Essa é a única forma de colocarmos a nossa civilização rumo à evolução - não ao abismo.



terça-feira, 24 de maio de 2016

Indo ao cerne da questão

O seguinte artigo do OutrasPalavras pode ajudar as pessoas a se orientarem melhor diante do caos que se agita no país.

http://outraspalavras.net/brasil/romero-juca-sintese-de-um-sistema-falido/

Através de um personagem central - e seu pouco destaque nos meios de comunicação influentes - é possível perceber o que sempre ocorreu, e ocorre, por baixo dos panos. São temas pouquíssimo tangenciados pela mídia, e consequentemente pela maioria da sociedade - mesmo aquela que se considera instruída e culta.

"Seja qual for o partido no poder, ele funciona, essencialmente, para ampliar a dominação da aristocracia financeira, expandir a predação da natureza e manter um oligopólio de mídia que esconde do país seus problemas essenciais."

"ele" se refere ao sistema político dominante no Brasil, desde sempre, independentemente de quem ocupa o cargo dos três poderes. Na verdade existem Poderes que mandam nesses (três) poderes...deixando-os reféns de um esquema muito mais influente, silencioso e nefasto. Trata-se do poder: Financeiro-Corporativo e Midiático. Eles controlam os minérios, as fontes de energia, as mentes, os costumes, os valores, ditam tendências, arregimentam pessoas,...perto deles o poder do Estado brasileiro é pequeno e cada vez menos influente. E mais: esses poderes não estão interessados nos interesses das pessoas, apesar de usarem muito o nome do povo e setores da sociedade, exaltando-os, para justificarem seus atos ilícitos.

Podemos entrar em breve nessa Nova Era vislumbrada por
Pietro Ubaldi. Ou podemos atrasar nossa entrada, em muitos
milênios...

A pior das mazelas é a falta de liberdade. Eu senti isso quando estava empregado numa empresa privada. O autoritarismo era implícito - jamais explícito. Ele se forjava através da arquitetura do ambiente, da formação continuada de consenso. No aprisionamento em locais fétidos, sem vida, sem diversidade substancial, e portanto sem possibilidades. Na penetração de uma forma mental na nossa mente racional, usando nossos instintos mais basilares como fenda para penetração (infecção).

Ressalto que o maior mal de todos é a forma mental hodierna. E que as instituições que melhor alimentam ela são aquelas vinculadas aos dois poderes citados. Elas sustentam um sistema que deve se transformam profundamente, tanto em suas premissas quanto em suas finalidades (objetivo). E consequentemente teremos um novo sistema coletivo, adequado à sobrevivência da espécie, ou melhor, à possibilidade de manutenção de uma vida decente para as pessoas, e da criação de meios para que possam ser exercidas novas habilidades. 

É claro que o egoísmo, a vaidade e a inveja estão em todas esferas: Estados, Igrejas e Corporações. A questão é:

1o) os dois primeiros já foram - e vem sendo - suficientemente malhados por todo coletivo humano, mas o último é visto como uma divindade, apesar de todas mazelas diretamente relacionadas estarem vindo à tona (vide os Panama Papers, os escândalos do HSBC, o Suiçalão, entre muitos outros);

2o) Enquanto os dois primeiros (Estado e Igreja) oferecem um ideal (Justiça Social e Moral, respectivamente), mesmo que até hoje pobremente implementado, o último (Corporação), apesar de importante (mas não essencial, a meu ver) para viabilizar riqueza, não oferece um ideal, o que reflete numa ideologia desprovida de ideal. Isso é o que muitas pessoas (paradoxalmente) creem ser "ideal".

Gostaria de destacar que o Discernimento é, de longe, a qualidade mais importante a ser adquirida por um indivíduo. Especialmente nos tempos atuais, Era de erupções perigosas para nossa espécie.

Quem desejar seguir os velhos métodos de impor um finito a outro - ignorando a mensagem deste blog - fique à vontade. Não serei eu que ficarei decepcionado ou inquieto. A Lei de Deus será aplicada indistintamente a todos(as). Cada um receberá, individualmente, o que semeou no íntimo.

Quanto aos que compreendem esses dizeres, não parem aqui. Saiam e busquem por si. Questionem, criem, reflitam e vivam o que até hoje pouquíssimos tem vivido. O máximo que este espaço pode ser é uma plataforma para isso. Você é quem deve atravessar a porta. Cada um de nós. 


sábado, 21 de maio de 2016

Noam Chomsky full length interview: Who rules the world now?

Entrevista atual (postada em 14/05/2016)  feita pela BBC a Noam Chomsky.



Nessa altura do campeonato creio ser muito mais prático e eficaz apontar para seres com alto grau de consciência e intelectualmente capazes de esmiuçar o que ocorre no mundo concreto.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Cafezinho entrevista com Marcia Tiburi, escritora e filósofa

Ela percebe e expõe muita coisa que alguns não querem ver.



Jorge Furtado - sobre a mídia

Observações e reflexões de um cineasta que admiro a respeito da mídia.



É preciso tomar muito cuidado. As ideias e (pré) conceitos que formamos a respeito do mundo recebem influência massiva dos meios de comunicação. Poucos tem o discernimento de refletir. Isso demanda tempo e trabalho mental - o que poucos tem e pouquíssimos querem fazer, respectivamente.