quinta-feira, 26 de março de 2015

SISTEMATIZAÇÃO DO PROCESSO EVOLUTIVO (parte 1)

A realidade se torna mais clara à medida que vivenciamos períodos de incertezas e dores. Os conceitos fundamentais trabalhados no passado se tornam uma plataforma para o desenvolvimento e sustentação de idéias mais elaboradas. E assim se dá a evolução.

Nunca me planejo para escrever um texto. Nem defino quando farei isso. Já comentei sobre a dinâmica do processo interno que me leva a esboçar conceitos [1]. É algo simples e complexo ao mesmo tempo. Simples porque não exige uma dolorosa sistematização ou estudo de um tema que minha vontade não sente atração; e complexo porque um método (aparentemente) desorganizado, partindo apenas de conceitos fundamentais, - tão básicos que qualquer ser humano seja capaz de se interessar - leva à elaboração de ensaios, críticas e poesias que tangenciam todas esferas do saber e sentimento humano, orientando uma infinidade de protagonistas harmonicamente em torno de um eixo diretor central. Eixo orientado num sentido para um único e indefinível destino: o infinito.

Há algumas semanas apresentei uma visão do processo evolutivo do ser humano tendo como ponto de partida o ato de leitura [2], usando-o como exemplo para definir como se dá esse processo nos - em seu aspecto mais amplo e substancial. Para sintetizar tudo me veio à mente duas pirâmides que se interfaceiam em sua base. E projetei-as num espaço bidimensional, obtendo dois triângulos*. Com isso entro com os conceitos de expansão inconsciente e seletividade consciente.

A finalidade era demonstrar que nós (eu, você, seu vizinho, colega de trabalho, parceiro, parceira, pai, mãe, filho, etc), de forma geral, adotamos duas posturas (fases) rumo à sapiência máxima: a primeira é o desenvolvimento do intelecto, pautado pela busca incessante do conhecimento e elaboração de conexões entre fenômenos e acontecimentos. O foco é no mundo externo; a segunda consiste num mergulho interior, pautado na descoberta de uma natureza substancial e íntima do ser. Nela o conhecimento é meio para o aperfeiçoamento do ser, que por sua vez passa a sentir um princípio diretor (antes irresistivelmente inconsciente, depois seguramente consciente), e caminha em direção a ele focando mais a qualidade do que a quantidade. O foco é o mundo interno.

Quando me refiro à qualidade não faço referência àquela qualidade que os "mais refinados" ou "diplomados", ou "vividos", ou "sofisticados" possuem e gostam de exibir - nos momentos seguros, para o público "adequado". A qualidade concebida aqui é aquela na qual se prioriza o Ser em detrimento do Ter.


Enquanto a qualidade do mundo é um Ter ou Agir mais elaborado que os outros Teres e Agires,
a qualidade concebida aqui é um Ser mais auto-realizado do que era antes, e portanto menos dependente dos Teres ou Agires - "sofisticados" ou não. 

Dito isso podemos continuar.

A pessoa que leu (ou releu) o texto em questão [2] deve sentir a importância do transformismo no processo evolutivo individual. É essa consciência que levará a pessoa a reconhecer ter chegado ao zênite do intelecto - ou ter previsto que existe um limite para o desenvolvimento do mesmo. E logo, a partir de um ponto, deve começar a desenvolver uma nova "inteligência", localizada em outro plano, que no nosso mundo pouco se assemelha com a primeira: trata-se da intuição ou consciência. Essa noção é tratada em outro momento, aqui neste espaço [3].

O indivíduo que leu e sentiu a realidade manifestada nas três referências poderá compreender melhor o raciocínio prestes a ser esboçado aqui.

Uma boa dose de vivência profunda (dor) e uma postura filosófica também ajudarão. Quem possuir isso está apto a corrigir, questionar, melhorar, ou tudo isso, o esboço prestes a ser apresentado.

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A título de facilitar a compreensão optei por dividir este ensaio em três partes.

1.  A primeira faz uma revisão de conceitos e introduz o porquê do tema, além de explicar os  
fundamentos do diagrama-mor, base de todos os outros;

2.   A segunda percorre cada caso, explicando e exemplificando, de forma a encaixar o abstração vista
aqui nas particularidades da vida de cada pessoa, independentemente de sexo, crença, ideologia, classe       social, desejos, orientação sexual, grau de instrução, idade, saúde ou qualquer outra característica que
nos diferencia pela forma;

3.  A terceira apresenta possibilidades de extensões, e incentiva idéias para tornar essa visão útil para a
realidade que nos cerca, podendo servir de base para projetos e estudos em áreas de conhecimento
como a pedagogia, a psicanálise, a filosofia, as ciências sociais, a economia e talvez até as ciências
naturais.

Dessa forma a leitura ficará menos entediante e a assimilação mais efetiva. Faço uso de várias figuras que sintetizam os conceitos, sendo a base de todas figuras (Fig.1) o esboço já apresentado anteriormente [2].

Figura 1: diagrama original. A idéia partiu daqui. 
Uso o caminho expansivo-contrativo (azul) de referência e insiro um outro (laranja degradé**).
Este segundo caminho irá variar em forma à medida que explico as possíveis situações. Ele representa as possibilidades evolutivas características a cada ser.

É importante ressaltar o seguinte: cada "pirâmide" deve ser aplicada a um indivíduo, pois o progresso do ser é individual - só você pode fazer algo efetivamente por você. os outros podem ajudar, mostrando o caminho e dando dicas. mas a conquista, a travessia, é única e exclusivamente sua.

Cada processo evolutivo (azul e laranja) tem sua dinâmica própria.

O que ambas (e todas) jornadas tem em comum é o fato de partirem da ignorância inocente e terem como destino (realizável ou não***) a sabedoria cósmica. 

Esses percursos, ao invés de serem considerados numa trajetória individual absoluta, podem ser considerados em termos relativos. Ou seja, a sapiência máxima pode ser encarada como o máximo grau de sabedoria adquirida em vida. Ou seja, mede-se sapiência relativa e intelectualidade (expansão máxima) relativa. Os possíveis empecilhos ao fazer essa projeção são: podem haver pessoas que sequer atingiram o zênite da intelectualidade, e portanto sua avaliação será incompleta.


Quero ressaltar: 1) que os diagramas são universais, aplicáveis a todos seres passíveis de conscientização (nós humanos e outras humanidades), e 2) que eles devem ser vistos sob um prisma telefinalístico e individual, não servindo de base para comparações entre seres - finalidade contraproducente para nosso estágio evolutivo, altamente egoístico, incluindo aquele do autor.

Figura 2: desenvolvimento da idéia. 
Falei sobre os pontos de partida e chegada comuns (ignorância inocente e sabedoria cósmica).

Outro ponto em comum é que ambas possuem duas fases: expansiva-contrativa. Consequentemente, existe um zênite também.

E finalmente: ambas (todas) são guiadas por um eixo-diretor central, que conecta diretamente pontos de chegada e partida.

Essas invariâncias representam absolutos, e portanto são a espinha dorsal que guia nossas vidas. Logo, são ideais, perfeitos e invariáveis para nós.

O ponto de partida é a ignorância e inocência. Pode ser vista como o período em que estávamos nas cavernas e mal nos diferenciávamos dos mamíferos. Era a época do animal-homem. Já o ponto final é a nossa meta longínqua. É a auto-realização. A utopia individual. A paz. 

As fases se referem à natureza de cada processo. Ou melhor, o tipo de mentalidade que impera em cada um. Na expansiva ganhamos em conhecimento, aumentando o saber intelectual, a erudição, o raciocínio racional-analítico. Em suma, alargamos nosso campo, mas com isso dispendemos energia para administrar todo esse saber. Nessa fase não temos ainda noção do eixo diretor que está nos guiando - majestosamente - apesar de sentirmos uma necessidade de orientação global. Esse eixo puxa os extremos e nos faz perceber que o mais do nosso mundo é o menos do mundo futuro, e o menos desse mundo é o mais no mundo futuro. Inicia-se a segunda fase, na qual o foco será o caminhar para frente, sintetizando todo o saber adquirido. Mais vivência, menos discurso. Mais aplicação, menos teoria. Mais eficiência, menos desperdício.

O ideal seria partirmos do início e caminharmos diretamente ao final, numa linha reta, sem expansões - e consequentes contrações. Mas a natureza involuída inicial torna essa possibilidade irrealizável, e portanto essa reta representaria o ideal absoluto de evolução: nenhum desgaste, toda velocidade.

Você já deve ter visto (ou ouvido falar de) pessoas com pouco estudo e que vivem em meios menos favorecidos possuidoras de uma concepção de mundo muito à frente da média "educada" (professores universitários, dirigentes empresariais, sacerdotes ou pessoas "estudadas" como nós). Mesmo sem usar jargões específicos ou mesmo palavras do nosso universo "relativamente culto", elas conduzem suas vidas de maneira sábia - ou muito mais sabiamente do que muitos "à frente". Pois bem, essas pessoas aparentemente não necessitaram passar por um processo de instrução escolar intenso e sistemático para assimilarem as verdades essenciais da vida. Ou pelo menos não precisaram ir tão longe quanto alguns para chegarem às mesmas conclusões - ou algumas melhores ainda. Esses seres atingiram o (seu) zênite intelectual antes de outros, e iniciaram um processo de evolução em outro campo, pois perceberam que aquilo que realmente conta é SER bom - o resto vem como consequência na medida do necessário. Na figura, eles iniciaram a segunda fase (B) enquanto outros estão na primeira e longe de iniciarem a sua própria (B).

Quais as implicações disso?

Bom, enquanto o azul se expande, estudando mais o universo exterior, o laranja se contrai, se preocupando com o universo interior. O segundo se desgasta menos em sua jornada porque o tempo e energia e pensamento e emoções que gasta com o universo externo é menor do que o primeiro, sobrando energia para intensificar sua ascese mística.

No entanto não tenho o intuito de desqualificar o estudo. Digo apenas que os caminhos para a sapiência - e consequente felicidade do ser e seu entorno...os outros seres - vão além da mente sensitiva-intelectual. Os métodos intuitivos-sintéticos são atualmente menos sistematizáveis e portanto analisáveis. A mente do presente é incapaz de aceitar o que não consegue conceber. A mente do futuro saberá por vivência. Caminhará orientada e consciente. Não negará o hoje mas superá-lo-á graciosamente. 

O eixo diretor é o que liga a imanência de Deus (nosso interior) com Sua transcendência (o centro de tudo, nossa finalidade). É um eixo energético que puxa, ora amorosamente, ora violentamente, nós seres decaídos em busca da perfeição perdida. 

Conforme será visto, existem vantagens e desvantagens em expandir a intelectualidade antes de se iniciar a espiritualidade. 

Podemos considerar a largura horizontal (o conhecimento, x) como a matéria-prima para evolução interior (vertical) e a posição vertical (espiritualidade, y) como o grau de conscientização. Isso significa que a consciência já se inicia na fase 1. No entanto, ela não é suficientemente forte para guiar a si mesma, e portanto o Ser sofre mais influências do mundo externo por desconhecer o seu Eu interno (potência divina) do que é capaz de guiar a si mesmo.

Como essa incapacidade inicial (y=0) é natural pode-se afirmar que é necessária; e igualmente é natural (e necessário) a expansão lateral inicial (x crescente). Eis o porquê da impossibilidade lógica de ascendermos em linha reta.

Reparem que x parte da nulidade, chega ao zênite e volta a nulidade. Isso não significa que toda essa jornada foi em vão, pois o que importa é ter recuperado a sapiência cósmica, representado pelo maior valor de y. O intelectual serve o espiritual. Apenas a partir de um patamar tomamos consciência disso e passamos a dar valor real às coisas efetivamente importantes.

Minha crença é que as formas de vida infra-humanas possuem uma ascensão destituída de evolução psíquica-nervosa como a humana, sem expansões-contrações, e portanto sendo caracterizadas por um ponto localizado na parte inferior de nosso diagrama.

É claro que em termos de evolução darwiniana (orgânica) os animais e plantas evolvem. Ou seja, o mundo sensório pode se tornar mais refinado, mas essas criaturas são destituídas de livre-arbítrio.

Todas essas idéias, se corretas, não justifica nenhum mal-trato a outras formas de vida. Querer se impor aos outros (humanos ou infra-humanos) apenas para satisfazer o ego ou instintos baixos não é sábio.

No próximo texto pretendo iniciar a exemplificação e detalhamento dos casos que irei apresentar.

(continua)


Referências:

[1] http://leonardoleiteoliva.blogspot.com.br/2014/09/impulsos-virtuosos.html
[2] http://leonardoleiteoliva.blogspot.com.br/2014/11/um-ciclo-duas-fases-piramide-expansiva.html
[3] http://leonardoleiteoliva.blogspot.com.br/2015/03/nocao-de-transformismo.html

Observações:

*      Utilizei uma imagem 2D para evitar complicações e assim apresentar a idéia da forma mais atraente
         e clara possível. Futuramente talvez me venha um motivo que leve a utilizar um diagrama 3D.
**    Degradé é uma gradação de cores, na qual o que é intenso vai se enfraquecendo...frescura de      
         linguagem da minha parte... ;)
***  Huberto Rohden ressalta o caso da imortalidade. "O ser humano é imortalizável mas não é            
        necessariamente imortal". Isso significa que somos capazes de tornarmos nossa alma imortal, mas
        para isso devemos atingir alto grau de consciência antes que nosso corpo astral (entre o orgânico e o         espírito) se desgaste. Isto é, o nosso corpo orgânico se desfaz mas o corpo energético (mente)  
        novamente forma outro (orgânico); ao longo de milhares e milhares de anos esse processo continua,
        mas o corpo energético também se degrada - a uma taxa muito mais lenta que o orgânico. Logo, este
        segundo corpo deve formar o último (espiritual, este sim imortal) se deseja se imortalizar. Para mais         detalhes recomendo o estudo das obras de Rohden. E muita vivência.


quarta-feira, 25 de março de 2015

ENTRE DUAS HIERARQUIAS, UM ÚNICO CAMINHO: DEMOCRACIA

Existe um (aparentemente) eterno embate entre aqueles que creem num sistema de hierarquias e aqueles que defendem um sistema democrático. Digo creem para um grupo e defendem para o outro porque usualmente os primeiros se apoiam em ensinamentos religiosos enquanto os últimos fazem uso de argumentos e se apoiam nos progressos humanos em todos os campos. Duas formas diferentes de lutar por uma concepção de mundo. Parto desse ponto.

Onde quero chegar? Onde queremos chegar? Onde devemos chegar?

Se cada um há de querer uma finalidade última diferente das demais, o alinhamento entre os diferentes não será realizável, e o embate será eterno...

Se cada um se sacrificar inconscientemente por uma pseudo-finalidade última, igualando forçosamente seus objetivos com uma (imposta) meta comum, chegar-se-á a um alinhamento frouxo que logo se desmaterializa...

No primeiro caso temos democracia pura que ignora o porquê de sua finalidade; enquanto no segundo caso temos hierarquização pura que ignora a imperfeição humana presente e portanto o transformismo que rege o mundo humano.

Existem duas hierarquias: a Divina e a humana. Imaginamos e sonhamos pela primeira, mas somos incapazes de elaborá-la aqui na Terra em seus menores detalhes. Esforços titânicos de mentes iluminadas foram feitas para nos aproximarmos um pouco (só um pouco) de um sistema de ordem ideal, justo, pacífico, harmônico. Portanto, não podemos afirmar que as hierarquias que organizamos aqui chegam ao nível de excelsitude da ordem celestial. No entanto, a hierarquia última (a justa, a divina) serve como referência.

Uma pessoa sapiente vê e sente a Ordem do Universo infra-humano, mas percebe desordem no universo humano. O físico opera com perfeição, o metafísico com problemas.

Mas ocasionalmente chegamos num ponto da história em que aparentemente chegamos ao sistema perfeito - relação perfeita, profissão perfeita, sucesso material definitivo, conhecimento máximo, etc. Mas o correr do tempo revela a insustentabilidade de nossa "perfeição" e o que era "absoluto" se desagrega. Ilusão por falta de visão...

Ora, se devemos alcançar hierarquias cada vez melhores, mais justas, menos passíveis de criarem dissensões e ignorância, deve-se ter a sensatez de admitir que os sistemas e instituições mudam com o passar do tempo. Se metamorfoseiam de acordo com as necessidades humanas e sua capacidade intrínseca em elevar a realidade a um nível mais próximo do ideal. É aí que entra a democracia.

O advento da democracia é uma das maiores conquistas humanas. Ela serve de plataforma para alcançarmos regimes colaborativos cada vez mais perfeitos.

Vale aqui uma observação:

A democracia não é um sistema político-econômico em si. Ela pode estar inserida no mesmo e ser usada para transformar esse mesmo sistema, abrindo portas para outras possibilidades. No entanto as forças sociais sempre estão presentes (e cada vez mais) no processo democrático. Isso significa que numa democracia, teoricamente, as forças sociais são o carro-chefe da transformação social e consequentemente dos sistemas político e econômicos.

FORÇAS SOCIAIS --> SISTEMA (POLÍTICO-ECONÔMICO)

Alguns podem estar se perguntando: "mas a democracia não envolve política?"
Claro. Mas a política deve ser ferramenta para a manifestação e organização social, servindo aos interesses coletivos. Da mesma forma, o poder econômico (capital) tem sua função revista de acordo com as necessidades dos seres, que compões a sociedade.

Vale ressaltar que a transformação efetiva se dá no próprio ser. Um trabalho interior psíquico-nervoso-consciencial intenso é o primeiro passo antes que sejam dados passos no mundo externo, da atuação inter-seres (social). Isto é, o social deve ser trabalhado à medida que desenvolvemos o nosso indivíduo.

A Islândia dá os primeiros passos rumo a um modelo
verdadeiramente democrático: poder do povo para servir o povo.
Povo composto por seres. O Ser é a finalidade. O
mercado é o escravo do Ser. 
Dito isso percebe-se que uma sociedade sem democracia tende a se sentir insatisfeita. Mas ao mesmo tempo uma falta de hierarquia total tende a desorientar a evolução. Mas ambos são importantes. O que fazer então?

A questão é simples quando nos tornamos conscientes da realidade profunda e a telefinalidade da vida.

Montamos hierarquias (sistemas e instituições) para consolidarmos o que períodos de dinamicidade* nos trouxeram. A questão é: enquanto essas hierarquias se mantém estáticas - e portanto são porto-seguros para os biótipos médios, a imensa maioria - o indivíduo evolui. Seu intelecto se dilata lentamente. Sua consciência igualmente, a uma taxa muito mais lenta. E com isso o que era ideal e bonito e adequado às suas necessidades se torna uma ameaça à evolução. Logo, novas revoluções, novos embates, novas empreitadas...

Mas certos seres chegam a um estado elevado rápido, transcendendo a si mesmos, sendo antecipações biológicas em plena realidade concreta (o poeta místico de Assis, o místico da Umbria, o Nazareno, o filósofo da metrópole, o cientista da província...). E eis que lançam-se as bases para ulteriores ascensões humanas.

Vivem na Terra com o Céu dentro deles.

Outros seres, muito iluminados, mas não ao nível místico-profético, realizam ensaios arriscados, mesmo sem saber o porquê de o fazerem às vezes. Eles concebem mais, mas no entanto são incapazes de transmitir bem a sua visão e sentimento em palavras ou teorias ou tratados. Eles sentem o outro mundo e encontram soluções gerais para este. Ás vezes até conseguiriam operar para a transformação, mas faltam as adequadas instituições para lhes garantir a sua atuação.

Vivem entre o Céu e a Terra dolorosamente.

A democracia é concebida por nós para servir de meio para chegarmos a um estado orgânico ideal (fim). Mas esse fim está longe, muito longe. E portanto o exercício da democracia deve ser cada vez mais intenso, abrangente, sincero e pautado numa visão telefinalística da vida e suas relações.

Entre o infinito da hierarquia humana, cheia de defeitos, e a hierarquia divina, justa, está a democracia.

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Hierarquia humana (-) --> Democracia --> Hierarquia humana (+)

Ser (-) --> Ser (+)

Hierarquia humana (+) --> Democracia --> Hierarquia humana (++)
...
Hierarquia humana quase-perfeita --> (nenhuma organização externa) --> Hierarquia Divina
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Que grande abismo separa as duas hierarquias!

Que homérico trabalho para a Democracia...

No entanto ela é O caminho laborioso que nos levará a organizações cada vez melhores. Para tudo e todos.

Revolução Francesa: dor necessária para ascender.

A democracia, para funcionar bem, deve cada vez mais, deve se aproximar daquele conceito teorizado pelos gregos. Ela deve ser expandida e consciente. Deve ter orientação teológica sem se prender a religião. Deve aceitar e conversar sobre insurreições. Deve levar o poder social (o povo) ao controle pleno dos aparatos políticos (estados) e econômicos (capital).

Porque tudo nasce do Ser e volta ao Ser...
Sendo o progresso e felicidade deste o fim que nos levará ao Grande fim - que quando estivermos lá revelará mais finalidades...

Eis a grande síntese a ser apreendida pelas antíteses.

Em milênios e milênios chegar-se-á num ponto em que nem sequer teremos as formas de organização presentes.

As Leis não serão necessárias para que cumpramos a Grande Lei.
Lei  que estará visível a todos e sentida por todos.
Lei inscrita no Ser desde o princípio, revelada à medida que as dores martelam a alma, impiedosamente mas justamente.

Hierarquia Cósmica: a nossa será bela como dos astros, mas
melhor porque atingida via livre-arbítrio.

* essa dinamicidade muda sua forma de atuação com o tempo: no passado fazíamos guerras para evoluir; depois passamos para a era das revoluções físicas; agora estamos na era do debate plural e expandido (democrático), que tenta assumir formas cada vez próximas ao ideal republicano concebido por Platão; e por aí iremos...

terça-feira, 24 de março de 2015

SOBRE SEGUIR SUA CONSCIÊNCIA E NOVOS SISTEMAS

Existem pessoas que acreditam que não entrar na onda da (quase) unanimidade de pensamento que domina numa determinada época e/ou local significa ser diametralmente antagonista a essa onda. Ou seja, negar tudo que afirma e desejar combater seus componentes. Observação muito superficial para aqueles que transcenderam o intelecto.

"Ou você é 100% A ou 100% B."

Mas no fundo tanto o A quanto o B tem sua parcela de verdade (e ignorância). E ambos estão perdidos num vasto oceano onde só existem (ou melhor, são reconhecidas) provas, análises e erudição intelectual.

Não aderir a certos movimentos cegamente por considerar que estes são - em sua essência - apenas massa de manobra arquitetada por agentes econômicos poderosos é sinal de sapiência. Significa não seguir a onda da forma mental dominante. Significa perceber o jogo de forças agindo silenciosamente no subterrâneo - jogo que na superfície assume as formas mais belas e aceitáveis, e portanto capaz de aliciar os mais diversos membros. Não me refiro a não seguir simplesmente por ser "do contra" ou por ter alguma relação egoísta relacionada ao alvo do momento, e sim por sentir um quê de vazio em participar de algo que o fundo da alma rejeita.

Para quem deseja compreender melhor do que estou falando recomendo que leiam o último artigo do Mino Carta [1].

Anne Frank: disse tudo!
Que fique claro: Não se trata de apoiar ou descreditar nenhum grupo, e sim de revelar a dificuldade de expandir nosso campo conceitual e abandonar a forma mental que formamos (ou que nos é imposta, discretamente). O texto que recomendo pode ser visto como uma exemplificação dos conceitos apresentados aqui. Esta referência ajudará a compreender o texto abstrato, enquanto este dará uma visão telefinalista para aquele.

BLOG --> TEXTO     (SÍNTESE --> ANÁLISE)

TEXTO --> BLOG     (ANÁLISE --> SÍNTESE)

Na análise - como se sabe - trata-se de temas específicos. Portanto o exemplo que peguei se encaixa perfeitamente na síntese, que é universal e imparcial; assim como qualquer tema. Mas sob a ótica de uma análise (uma área do conhecimento, por exemplo, as ciências térmicas), é impossível englobar o Todo.

Eu particularmente não pretendo me enveredar pelos caminhos da ciência política ou econômica. Este blog (creio eu) é mais universal - e portanto poderoso - do que isso. O que não implica que a política e a economia estejam desvinculados dos grandes temas aqui tratados. A diferença é que os temas lidam com a essência, a síntese, trabalhando com o universo intuitivo; ao passo que as especificidades de nosso mundo lidam com os teoremas, a análise racional, trabalhando com o universo intelectual. Ambas são importantes. Mas o nosso mundo está dando sinais de saturamento intelectual, clamando inconscientemente por algo a mais: a consciência.

De acordo com Ubaldi existem diversos níveis evolutivos:

SENSÓRIO --> INTELECTUAL --> CONSCIENCIAL --> MÍSTICO -->...

Em seu terceiro livro, Ascese Mística, ele não soube conceber o que havia além do nível místico-unitário, mas afirma a possibilidade de haverem níveis além de sua visão.

Nós estamos no segundo nível. Depois de tantos séculos e milênios...Eis como a evolução efetiva se dá a passos de tartaruga.

Lentos mas firmes...

Os diferentes finitos orbitando em torno do infinito.
Orientados por ele, agindo por conta própria.
Quando muitos afirmam que uma pessoa é "burra" não sabem o que dizem. Essa pode ser uma visão relativa ao que ela viu no outro, ao que disseram do outro, ao que os métodos atuais de avaliação extraíram - e diagnosticaram - do outro. Além disso, incorre-se ao erro de considerar o outro ser como uma entidade estática, cujas aptidões e sensibilidade são invariáveis no tempo. E o ser que afirma (ou pensa) a "burrice" de uma classe ou pessoa ou povo ou etc na verdade nada mais faz do que revelar a sua própria.

Muitos são inteligentes. Sabem explicar e provar e argumentar. Tão sedutor é o campo mental que muitos entram no campo de batalha armados de intelectualidade para vencer os outros (igualmente armados dela).

Quem entrou no campo consciencial pode não ter a mesma potência intelectual de seus vizinhos terrestres. Portanto, é incapaz de provar ou argumentar com a mesma elegância e eloquência algo que é uma verdade universal. Logo, esses seres partem para o refúgio e interagem com o mundo na medida do necessário, garantindo seu sustento físico. São pessoas calmas e serenas que não tomam posição e pouco interagem com o mundo que acontece.

Ser consciente e não ter o intelecto desenvolvido como o dos leões do mundo demanda resignação.

Ser intelectualmente rico e inconsciente arrasta o ser para a luta competitiva.

Ser consciente e intelectualmente alinhado - mesmo que em pequeno grau - impulsiona o ser a desejar construir pontes entre os dois mundos.

 A consciência permeia o intelecto. Início de uma ascensão humana integral.

Nem isolamento consciencial-resignado passivo,
O livro desmistifica o que o mundo
tenta consolidar. O perigo do livro: ser
 interpretado erroneamente por introduzir
conceitos universais.
Nem luta intelectual-destrutiva ativa.

E sim consciência trabalhando no mundo via intelecto, guiando-o.

Voltando ao tema...

O momento atual é polarização. O problema: achar que cortar um elemento ou grupo resolverá o problema substancial. Não. A forma mental continua a mesma, e com isso o sistema que opera segundo ela e a estrutura que o sustenta continuam iguais. Muda-se a forma. Apenas.

Outro ponto: o ódio é comumente manifestado de maneira a parecer desejoso pelos mais altos ideais. Não quero dizer com isso que as afirmativas belas sejam inválidas, e sim que elas podem ser usadas para manter tudo como está.

O problema de alguns leitores está em querer usar o parágrafo anterior para desqualificar EM SUA ESSÊNCIA ideais que tentaram ser implantados no século XX. Igualam a substância à forma. E com isso se prendem à sua forma mental.

Vale lembrar que os seres não são estáticos, e consequentemente os sistemas que os governam. Uma idéia acima no nível biológico dos seres que a implementam levará facilmente a uma catástrofe. O biótipo  presente não consegue criar e viver em tal sistema, mas apenas idealizá-lo.

Quando ideais começam a ser concretizados existem sinais de que o sistema atual inicia o seu saturamento. Mas como a consciência se dilata lentamente e a mídia, - órgão em sua maioria engessado e liberalmente autoritário contribui para frear o despertar espiritual, julga-se (precipitadamente) que os ideais do passado (passado ou presente?) devem ser esquecidos. Conformismo. Falta de vontade de trabalhar de fato. Fugir ao verdadeiro desafio: trabalhar criativamente no campo social, psicológico, filosófico.

O ideal é sempre ideal.
A implementação do mesmo muda com o tempo.
Ontem desastrosa, hoje repensada, amanhã concretizada.

Escravismo, Feudalismo, Capitalismo, Socialismo,...

O homem sempre desejou mais bem-estar e felicidade em seu íntimo. O escravismo, o feudalismo e o capitalismo foram capazes de propiciar isso.

Mas vejam: eu afirmo isso e muitos vão achar absurdo que a escravidão e o feudalismo foram bons. Mas foi justamente do feudalismo que chegou-se ao capitalismo (por pior que muitos julguem a Idade Média). A questão é que o ser humano sempre irá fazer aquilo compatível com seu nível biológico.

Não se deve culpar a fera por ser fera.
Quem está acima não julga ou culpa. Pode no máximo constatar.

Da mesma forma que na época julgava-se o feudalismo o melhor tipo de organização, amanhã pode ser que o capitalismo seja uma forma primitiva de conceber as relações (ou falta de...).

A questão é a seguinte: É fácil afirmar o que está em voga e parece inexorável e insubstituível; Difícil é conceber novos patamares, pautados por novas relações e prioridades, sem ignorar as coisas boas do mundo presente, e trabalhar para o mundo perceber isso.

Arrisco afirmar que o socialismo, em sua essência até hoje não praticada - mas cada vez mais assimilável e praticável - será o próximo sistema político-econômico. Um socialismo corrigido, englobando não apenas a sociedade, mas toda a fauna e flora e fenômenos físicos. E não será o último. Apenas mais um grande passo rumo à perfeição.

(Obs: Neste ponto, antes de causar divergências, recomendo fortemente a leitura de obras de Bertrand Russell e Noam Chomsky [2].)

Muito além deixarão de haver organizações e tudo funcionará sem leis.

Somente a Lei de Deus, revelada em cada Ser, bastará.

Ela é Tudo e é Simples para aqueles que atingiram sapiência...

Como eu disse em outro ensaio, o TER deve servir o SER. Mas - como se vê - isso não implica na eliminação do velho.

Quando a humanidade incorporar em sua alma essa noção de transformismo, a verdadeira revolução terá início. A revolução consciencial que demarcará a fronteira entre os futuros saltos pacíficos e os passados saltos violentos.

Nós somos mais do que sabemos.
Nós podemos mais do que queremos.
Nós seremos mais do que somos.

Estamos em transformação rumo à fonte Infinita.


Referências
[1] http://www.cartacapital.com.br/revista/842/o-brasil-explica-a-si-mesmo-8290.html
[2] De Russell, Elogio do Ócio; de Chomsky, Notas Sobre o Anarquismo - nada de
      radicalismo ou apologia ao nada-fazer...creiam em mim.

CONCURSO JÁ !

Estou repassando esse levantamento realizado pelos servidores de Ciência e Tecnologia porque creio ser de suma importância para o futuro do país - e da humanidade como um todo.

Faço também por mim, que me interesso por estudo e pesquisa e sinto falta de entidades que possam canalizar toda minha vontade e conhecimento para transformar a realidade da Ciência e Tecnologia do país e gerar bem para a sociedade.

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Concurso já!

Falta de Pessoal pode levar institutos de C&T à devastação.

Em novembro de 2014 os Grupos de Trabalho formados por membros das Comissões Internas do Plano de Carreira dos Institutos com servidores da carreira de Ciência e Tecnologia apresentaram ao Ministério de Ciência e Tecnologia o levantamento realizado sobre pessoal nas instituições. O trabalho realizado tem por objetivo subsidiar a Comissão do Plano de Carreiras de Ciência e Tecnologia do MCTI relativas às atuais necessidades de pessoal, conforme o Fórum de C&T tem apontado nos últimos anos. Para a elaboração do levantamento, os Grupos de Trabalho compilaram as informações recebidas da Administração Central do MCTI e de suas Unidades de Pesquisa. No INPE, o Grupo de Trabalho também se baseou na necessidade de força humana em cada projeto desenvolvido no instituto para se chegar ao número ideal de servidores. 

O quadro atual de servidores no âmbito do MCTI está aquém da lotação ideal proposta por seus dirigentes. A expectativa de aposentadoria nos próximos 6 anos apresenta números preocupantes, podendo, em alguns casos, ultrapassar 55% da lotação atual aprovada para algumas Unidades de Pesquisa, o que pode comprometer gravemente o cumprimento de suas missões.

O levantamento realizado demonstra a necessidade, urgente, de reposição dos cargos vagos e de ampliação do quadro de servidores, para que as atividades, programas e projetos sejam desempenhados a contento e para que possamos atingir as metas estabelecidas nos planejamentos estratégicos e as metas pactuadas nos Termos de Compromisso de Gestão. O Fórum de C&T já solicitou audiência com o novo Ministro do MCTI e irá apresentar, além das reivindicações da carreira, o estudo realizado. Para o MCTI foi avaliada a necessidade de 6.552 servidores. 

Atualmente, o Ministério conta com 3.794, dos quais 1.568 estarão aptos a se aposentar em 2020.

No INPE, dos 974 servidores, 545 poderão se aposentar em 2020, enquanto o quadro ideal de funcionários seria de 1.458. Essa deficiência de pessoal já atinge projetos importantes, como CBERS e Amazônia.

Os dados do DCTA também são alarmantes.

Hoje o quadro de funcionários é composto por 1.460 servidores. A estimativa, com futuras aposentadorias, é chegar a 2020 com apenas 890 servidores (26% do efetivo, se comparado a 1987). 

O Grupo de Trabalho também quer abrir um canal de diálogo com os dirigentes das  Instituições e da Administração Central, a fim de discutir e estabelecer parâmetros e  diretrizes que possibilitem ações imediatas e eficazes para a reposição dos cargos vagos, para a ampliação do quadro de servidores, e para a re adequação de alguns perfis, tendo em vista a crescente demanda da sociedade por novos produtos e serviços, frente a importância da área de CT&I nos últimos anos. Em fevereiro foi realizada uma reunião no Museu de Astronomia e Ciências Afins - MAST, com os Dirigentes de Recursos Humanos das Unidades de Pesquisas do Rio de Janeiro (MAST,ON, INT, CBPF, CETEM e LNCC). Um dos pontos de pauta foi Concurso Público. O tema foi levantado e discutido exaustivamente entre os Dirigentes de RH, considerando a resposta do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão ao MCTI negando o pedido de acréscimo de 50% (cinquenta por cento) das vagas aprovadas e remanescentes do Concurso Público para áreas Técnicas, encaminhado pelas Unidades de Pesquisas. A solicitação de concurso foi negada pelo MPOG, tendo em vista estar concluído o planejamento orçamentário para o exercício de 2015.

Porém, foi aberta a possibilidade de esta proposta ser contemplada no próximo ano, 2016.

Ou seja, as Unidades de Pesquisas perderam a oportunidade em ter até 50% de vagas aprovadas em seus quadros de pessoal para o ano de 2015, para diminuir o impacto das vacâncias, principalmente das aposentadorias. Todos os Editais de Concurso Público realizados pelas Unidades de Pesquisas tem seus editais com encerramento da vigência no exercício de 2015.

O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, MPOG, precisa se sensibilizar com a carência de pessoal nas instituições e autorizar a realização de concursos públicos para suprir o pessoal, além de agilizar o sistema burocrático para a nomeação de novos servidores. A reposição de pessoal é necessária e urgente.

O SindCT e o Fórum de C&T alertam: sem a reposição, as Instituições de Pesquisa 
podem entrar em colapso.

domingo, 22 de março de 2015

O GRAU DE CONSCIÊNCIA DETERMINA O TIPO DE INTERAÇÃO

Como definir "sério"?
Da Wikipedia temos algumas definições [1].

Conscientemente guiados seremos: intelectualmente
eficazes, sentimentalmente tranquilos e fisicamente sadios.
.ri:o Ajudamasculino
  1. que demonstra profundo pensar
    • Porque esta cara assim tão séria?
  2. de disposiçãomaneira ou caráter gravesóbrio
    • Ana é uma mulher séria.
  3. que denota sinceridade, não de brincadeira
    • Aquela multinacional demonstrou um sério interesse em adquirir ações de nossa empresa.
  4. que requer pensamentoconcentraçãoaplicação
    • Dirigir um automóvel é uma tarefa séria, devemos prestar atenção.
  5. importanteconsiderável
    • Casamento é um assunto sério, não se deve decidir apressadamente.
  6. que dá motivo a apreensão
    • Este meu plano tem uma falha séria.
  7. (Medicina) que tem sinais vitais anormais ou instáveis e outros fatores desfavoráveis (se diz da situação de um paciente)
    • O enfermo foi levado para a UTI, sua doença é séria

Observando as oito definições - que por si só já bastam - podemos dizer que a primeira sintetiza todas as outras: "profundo pensar".

Quem pensa profundamente tende a nortear sua vida pela sinceridade, se concentra muito em algo - mesmo que o mundo veja como divagação. É algo fácil de definir. Trivial.

Quando passamos para a exemplificação geral de atividades e posturas de seriedade não encontramos muita divergência. No entanto, com a especificação dessas atividades, isto é, quando revestimos essas atividades com uma pessoa e todo seu (digamos) "pacote" como profissão, história, classe social, orientação sexual, crença, fisiologia, raça, etc, as divergências começam a emergir a partir das opiniões. 

O que é sério para alguns pode não sê-lo para outros. E vice-versa. Como chegar a um consenso, ou melhor, um acordo social universal, quando o relativismo dos conceitos dá a cada um uma blindagem proporcional à sua capacidade de demonstrar força (física, verbal, econômica ou psicológica)? Mesmo que a verdadeira razão não esteja ao lado dessa força... Uma razão que demora séculos ou milênios ou mais para se firmar como verdade universal e aceita como o ideal para tudo e todos. Como, num mundo onde (em que ainda) persiste a força (em suas quatro formas) e pouco se manifesta a idéia e o ideal, pode-se ter um relativismo saudável?

Na escola, no trabalho, entre a roda de amigos ou na relação o que é "sério" e o que é "brincadeira" podem variar. Para a mesma pessoa. E de acordo com o clima / momento também. Mais dificuldades para obtenção de um consenso universal.

Consciência X Reputação.
Round one...
*Atenção: consenso universal não significa imposição de uma lei ou forma de pensar (ideologia) por força, e sim a penetração de um consentimento...uma lei biológica, via diálogo e vivência de cada um que leva o ser a adotar livremente uma regra. Servir algo maior do que conhecemos, imaterial, intangível mas atuante, por livre convicção.

Muitos veem de forma séria o que outros veem como brincadeira. Isto se deve, a meu ver, com o seguinte: nossa visão de mundo é relativa e estática. Melhor dizendo: nossa consciência se dilata lentamente, a uma taxa muito menor do que nosso intelecto, levando-nos à construção de um sistema de valores pessoais rígido. Essa rigidez, se compartilhada por um grupo forte (economicamente), pode ganhar ares de verdade absoluta e diminuir sua fluidez rumo à evolução. Efeito: outros grupos, com essa ou outra força, tendem ao mesmo enrijecimento. E num dado momento haverá o combate.

Guerra (violência física) é a forma mais primitiva de grandes grupos (culturas, nações, etc) se conhecerem. Por mais estranho e cruel que pareça, esse é um fato biológico inerente à humanidade - de ontem...e cada vez menos, esperemos. Basta estudar história e perceber que inconscientemente nossos ancestrais seguiram um curso natural que se revelou construtivo se visto sob um plano mais geral. Com isto não quero dizer que guerra seja algo bom de um ponto de vista absoluto, mas em certo estágio evolutivo é a única atividade ocupacional que o ser humano consiga conceber. Trata-se de consciência. De capacidade de conceber algo (relações, meios de progresso, melhora do bem-estar, etc).

Violência verbal é uma forma primitiva, ainda muito praticada, que também é usada por seres que não são capazes de conceber algo além de seu campo intelectual ou consciencial. Para homens ainda no campo sensório (animal-homem), a tentativa de chegar a um consenso pela análise racional é inviável. Ou seja: forçar a barra com um ser - por exemplo - da pré-história não é aconselhável e levará o esforçado bem-intencionado a cair numa arena de violência física.

A partir do ponto em que o intelecto se desenvolve e atinge um patamar elevado, a tal ponto de permitir a criação de teorias e máquinas e espaçonaves e coisas do tipo, a violência verbal ainda pode existir. Só que ela assume uma forma extremamente sutil e elegante, sendo de difícil identificação e investigação até pelos altamente intelectualizados. A humanidade se encontra na fase de consolidação do intelecto. 

Nossa sociedade (inclusive a ocidental-"democrática") se
comporta dessa forma. Sutilmente. Muito sutilmente...
Pessoas com intelecto desenvolvido podem, por um sentimento funesto de ódio a quem não vê os fenômenos do seu ponto de vista, - que pode estar emborcado por ser preso a um nicho do conhecimento e pela sua classe e corpo e forma de pensar e sentir - fomentar o ódio de outros seres contra um dado processo biológico que esteja ocorrendo. Como o processo é biológico, é natural, e no campo humano está no campo social (ou coletivo). Mas por ser natural, e portanto inexorável, faz-se de tudo para culpabilizar os agentes que servem de catalisadores desses fenômenos - mesmo que estes às vezes sejam meros representantes que pouco fazem. Nesse nível discernir o que é ou não mais universal é difícil. Igualmente difícil é perceber o transformismo e as causas primeiras dos eventos.

Ao invés de refletir (fazer o verdadeiro trabalho, ou ócio criativo) preferimos nos prender a formas mentais pré-formatadas (o ócio sem finalidade, ou trabalho institucionalizado-destrutivo).

Há alguns meses escrevi um texto sobre o fenômeno pessoal da busca pelo conhecimento via leitura e esbocei um diagrama com dois triângulos (pirâmides) cujas bases se interfaceiam [2]. Se devesse expandir o fenômeno para o nível coletivo eu diria que a nossa humanidade se encontra próxima ao zênite de sua envergadura: conhecimento à todo vapor aliado à desorientação quase total. 

No nível de intelecto avançado e consciência prestes a despertar, a violência verbal e física existem mas a causa delas é especialmente a violência "refinada", que é econômica e psicológica.

A violência econômico-psicológica é amplamente e inconscientemente* praticada. Especialmente por aqueles que mais longe foram no nível racional-analítico. Pois é muito fácil se tornar preconceituoso à medida que nos tornamos mais diplomados [3]. Com essa afirmativa não quero dizer que o estudo deve ser perseguido ou desprezado ou não-buscado, mas sim visto como um meio de auto-descobrimento que leva a auto-realização (um fim) - antes individual e depois coletiva. Independente da área. Todas tem sua importância fundamental. Todas. 

Para sairmos do(s) dilema(s) que se apresenta(m) diante de nós - seja em nível familiar, político, financeiro, energético, afetivo, religioso, etc -  devemos passar da fase de expansão inconsciente (já saturada) para a fase de seletividade consciente (ansiosa por nascer). 

A consciência deve nascer no ser para guiar o intelecto. Essa consciência, a meu ver, deve ser buscada desenvolvendo-se áreas que até o momento presente foram pouco valorizadas e reconhecidas e trabalhadas, adotando-se uma mentalidade telefinalista do Universo físico e metafísico [4]. O que é bom para o mercado pode não ser bom para o futuro de seus filhos ou do seu organismo ou mesmo da sua consciência. Com isso não quero decretar o fim do mercado e sim adotar uma visão de mundo em que o SER deve ser servido pelo mercado (TER) e não o mercado ser servido pelo SER. 

Leitura recomendada.
O TER serve o SER.

Armadilhas diversas existem para justificar a necessidade de se cultuar o TER em detrimento do SER. Afirma-se que para SER precisamos antes TER. Em doses cada vez maiores...Gigantescos combos que prometem felicidade mas nada trazem a não ser ilusões que, para não gerar depressões e decepções em larga escala, devem ser realimentados. Resultados: um combo atrás do outro. Cada vez maior, de formas cada vez mais mirabolantes. E o SER amargurando...escravizado pelo TER...atrasa sua jornada.

E eis que chego a uma definição universal de sério: 

Uma pessoa consciente, cuja consciência guia seu intelecto.

Ou, segundo Rohden:

Lúcifer seguindo Lógos é Angelos.
Lúcifer guiando Lógos é Satan.

Lúcifer é o intelecto.
Lógos é a consciência.

E a partir daqui podemos iniciar nossa razão-se-ser.

Vamos lá?


Referências
[1] http://pt.wiktionary.org/wiki/s%C3%A9rio
[2] http://leonardoleiteoliva.blogspot.com.br/2014/11/um-ciclo-duas-fases-piramide-expansiva.html
[3] Para saber mais à respeito do tema recomendo fortemente a leitura dos ensaios de Michel de 
      Montaigne (http://pt.wikipedia.org/wiki/Michel_de_Montaigne) e as obras de H. Rohden e Pietro 
      Ubaldi, já amplamente citadas nesse espaço. 
[4] http://monismo.com.br/dinamevol.html

* Lembrem-se vivemos no máximo da intelectualidade, não da consciência...

sexta-feira, 20 de março de 2015

NOÇÃO DE TRANSFORMISMO

O mundo ainda não internalizou a mentalidade transformista. Em sua essência, digo. Somos ainda seres que veem os fenômenos (infra-humanos, humanos e supra-humanos) como algo estático em sua essência. Para nós só existe a mudança da forma. E tudo se baseia fortemente em experiências passadas. E restritas: captamos detalhes superficiais aqui e ali e daí partimos para formar teses e teorias e métodos para julgar e avaliar e tentar vencer no mundo. Somos enganados pela superfície sedutora que encobre a profundidade reveladora. Profundidade genial e fascinante. Imaterial e portanto discreta. Causa dos maiores feitos. Ímpeto interior. 

"Isto se transforma naquilo porque aprendi assim na escola."                        (1)
"Aquilo dá naquilo outro porque o passado mostrou que é assim."                (2) 

E por aí vai. 

A questão não é dizer que essas observações tão comuns à humanidade são certas ou erradas, mas sim perceber que elas são incompletas.

O infinito engloba o finito.
O infinito está para Fonte Criadora.
O finito está para Multiplicidade Evolutiva.
Observemos que (1) é algo comum quando estudamos a natureza infra-humana (minerais, plantas e animais). Especialmente a orgânica, tão fascinante e perfeita, sendo alguns seres muito próximos a nós em termos de sentimentos. Mas raramente nos perguntamos o porquê disso ser assim e não assado. 

A Natureza sempre nos brindou com as mais belas paisagens, os fenômenos mais fascinantes, matematicamente e logicamente perfeitos, e seres cujos modos de vida e busca pela sobrevivência não poderiam ser melhorados nem pelo mais estudioso grupo acadêmico englobando diversas áreas. Ao contrário: estudamos eles. 

Quando colocamos essa natureza perfeita, infra-humana, ao lado de nossa natureza humana, nos sentimos imperfeitos e maus e incapazes, apesar dos livros sacros afirmarem veementemente que "o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus". E portanto, está um grau evolutivo acima dos animais, que estão acima dos seres vegetais, que tem vida - algo desconhecido no reino mineral, primeiro grau da matéria. E então, diante de afirmativa tão sublime e realidade tão marcante, nos sentimos desorientados (de tão firmes polaridades) e desgastados (de tão profundas e incessantes avaliações). E escolhemos ignorar e embasar nossa filosofia de vida baseada num dos pólos, ignorando o mesmo quando não podemos negar o outro.

Exemplo: "Sigo as escrituras e adoro a natureza. Logo, quando leio os ensinamentos religiosos acredito neles. Mas ao estar diante da bela e perfeita natureza, aprecio-a demonstrando claramente que a vida conturbada entre os seres de meu tipo é muito pior do que esta."

Ou a pessoa simplesmente deixa de acreditar nas escrituras (ou não crê nelas) e ama a natureza. Não lida com essa contradição (á primeira vista). Mas essa pessoa igualmente lida com seres humanos, mas considera a si mesmo e aos semelhantes menos do que o infra-humano. 

Esses foram os modos que a humanidade encontrou até hoje de lidar com tal situação. 

Ciclamos de um pólo a outro ou adotamos um e negamos outro. Mas nunca passou pela cabeça que deveríamos integrá-los numa grande síntese. 

Precisamos orientar nossos vetores para o misticismo vertical.
O fazer bem aos outros só pode ter como causa o ser bom.
A ética horizontal é um resultado da plenitude mística vertical.
Diagrama e conceitos de H. Rohden.
A natureza é bela e perfeita. Atingiu o máximo de sua potencialidade. Atualizou todas suas potencialidades latentes, e para o seu nível de complexidade atingiu o zênite. Nós, seres humanos não. Por isso "criamos" os anjos e observamos de época em época surgirem santos e místicos e gênios devotos com visão sobre-humana e capacidades de outro mundo. Eles nos puxam para cima, elevam nossa alma, nos inspiram a ser mais e desejar algo maior do que a tonelada de materialidade que a mídia nos apresenta. Somos seres em TRANSFORMAÇÃO.

"Deus fez o homem o mais perfectível possível para que ele pudesse se tornar o mais perfeito possível."
Huberto Rohden

No livro Deus e Universo Ubaldi nos dá uma noção clara do que significa esse transformismo. Nas primeiras páginas um homem, perdido e insatisfeito, como todos no fundo somos, dialoga com todos os seres e elementos da natureza, partindo dos elementares fenômenos físicos aos seus semelhantes e além. 

E todos respondem que são o máximo que podem ser, e portanto já cumpriram e cumprem seu dever cósmico. Mas o homem, ao contrário, está MUITO LONGE de atingir esse estado orgânico, e portanto, ao invés de questionar o vento que venta, a maré que mareia, a planta que fica parada, o animal que não compreende, e mesmo seus semelhantes ignorantes ao além e à evolução, deveria olhar para os anjos e compreendê-los, vendo neles o seu futuro pessoal e de seus semelhantes; deveria olhar para seus semelhantes e ver criaturas igualmente perdidas num oceano de incompreensão e estático, fechado para o que está acima e temeroso por retroceder a estágios passados; deveria compreender que deve imitar a natureza nos princípios, usando-a de guia, mas ao mesmo tempo perceber que será melhor e um dia atingira uma perfeição humana. Um estado orgânico mais belo e elegante que qualquer um da natureza.

Portanto, os sujeitos acostumados a utilizarem o argumento (2) até supersaturarem seus semelhantes, deveriam perceber que "os rendimentos passados nas mesmas condições não são garantias de rendimentos futuros". Ou seja, o que foi aplicado por nós no passado (sistemas, métodos, etc) e falhou deve ser revisto e atualizado.

A consciência se dilata e o ideal apresentado precocemente, implementado super-precocemente, pode ser novamente revisto e compreendido. Sob uma ótica mais madura. Uma ótica transformista e super-relativista, com um absoluto que se torna a acada dia mais compreensível e menos propriedade de um ser ou grupo. 

Deus e Universo, de P. Ubaldi.
Um tratado teológico-filosófico sobre
a origem de tudo e o nossa destino.
Pura emoção.
Deus é unidade. 

O Monismo será o grande conceito do futuro a ser assimilado pela humanidade dividida entre monoteísta e ateísta. A forma deixará de ser o carro-chefe e verdades se tornarão claras. 

Eis a Unidade permeando a multiplicidade. 

Nem diversidade caótica  nem unidade opressora.
Apenas vários finitos manifestando sua essência infinita. 

Isso significa que conceitos devem ser revistos e preconceitos derrubados. 

O que parece óbvio não o é. Eis a grande questão de nossos tempos. 

Após a queda do muro de Berlim um historiador decretou (precocemente) o "fim da história". Atingimos o ideal de modelo político-econômico. Em termos sociais chegamos ao máximo.

Mas o mundo que vejo e sinto parece estar longe do ideal...
Um ideal que deseja atingir mas não sabe como.
Um ideal que está dentro de cada ser.
Um ideal tão sedutor que cada vez mais as múltiplas realidades se desconectam da grande realidade opressora para construir uma nova realidade, um pouquinho mais alta (só um pouqinho!). Guiadas por esse ideal, cada vez mais próximo e claro para alguns seres. 

Pesquisa, estudo, trabalho e amor.

O mundo vê princípios fundamentais de forma emborcada.

Li um artigo outro dia no qual o mesmo sujeito deu uma entrevista, já adequando um pouco seu ponto final, colocando uma necessidade de "alguns ajustes" aqui e ali. Talvez daqui a alguns anos ele fará mais e mais ajustes, até chegar ao ponto de admitir que a nossa jornada é longa e as aparências enganam.

E que considerar o imponderável é motor de progresso e abrigo de esperança para tudo e todos. 

Tudo isso não é tão simples.

Mas é O caminho.


quarta-feira, 18 de março de 2015

OUTRAS RODAS DEVEM GIRAR



Mil dores, muitas esperas infinitas, inúmeras incompreensões infundadas. 
Nenhuma luz no fim do túnel...

Mais dores, esperas e incompreensões. 
E os meus teres começam a perder o brilho que eu dava a cada um.

Alçapões, marteladas e gritos. 
Alçapões que se abrem a cada tentativa honesta de melhorar a si mesmo,
  Marteladas a cada tentativa sincera de ir além da realidade,
    Gritos silenciosos que apenas a sensibilidade espiritual compreende.

Sussurros de verdades que anseiam por se tornarem conversas aceitas.
Palavras e pensamentos condenados e perseguidos.
Perseguidos por quem é desocupado.
Condenado por quem é inconsciente.

Inovação, coragem e originalidade.
Apenas isso. Tudo isso.

Sussurros de verdades. Sussurros de esperança...

Dizem que temos de fazer a roda girar.
Senão todo mundo que conhecemos submerge...

Dizem que somos livres. 
Mas temos de fazer essa roda girar...
Temos de fazer dinheiro circular.

Para sustentar o que chamam de vida.
Para manter todo mundo numa felicidade que desemboca em crises e desilusões.

O gozo pede doses sempre maiores.
O sofrimento de muitos. 
Cada vez mais intenso, cada vez mais sedento.

Seja rico ou pobre para o mundo,
Sendo escravo da forma mental da "Roda girante",
A pobreza é total,
Desesperadora,
Pesada...

Porque o ser não se tornou um SER, e sim um TER que julga ser.

Roda material. Roda econômica. Roda financeira,...
Egoísmo físico, egoísmo verbal, egoísmo psicológico,...

Rodas saturadas em seu giro,
Rodas que o mundo já assimilou,
Rodas de um presente que se torna cada vez mais passado para os bandeirantes do espírito.
Rodas de um presente e somente este para os gozadores e realistas que nada concebem.
Rodas de um presente que já é passado e dará lugar ao futuro para os místicos que se realizam neste mundo.

Uma voz diz: "AVANTE!"

O progresso exige dor e renúncia.
Para renascer em espírito devemos morrer em ego.
Mas para morrer devemos fazê-lo conscientemente - não por exibicionismo.

Chegar à beira do abismo naturalmente. 
E ver adiante o futuro.

Ter fé consciente. 
Para Ser consciente. 

A Roda das Idéias, do Ideal, do Espírito.

Os ídolos nos saturam.
Os ideais nos inspiram.

Mas aquele tem a força que ainda vence e domina,
Enquanto aquele ainda não é suficiente para nos impulsionar.

Mas aquele está cada vez mais fraco e desesperado,
Enquanto este é paciente e o futuro lhe pertence.

Para quem sabe tudo isso, já sofreu muito e compreendeu os últimos problemas,
Só resta ter paciência e cumprir seus deveres terrestres da forma mais graciosa possível

Nada mais, nada menos.

domingo, 1 de março de 2015

SEM DOR NÃO HÁ SALVAÇÃO

Creio que apenas um ser suficientemente maduro possa compreender essa frase tanto em sua plenitude universal quanto em sua profundidade abissal. Não há intelectualidade analítica capaz de desvenda-lá sem cair em alguma contradição. Os métodos do mundo – da imensa maioria – são impotentes diante de afirmações tão profundas e sublimes. Afirmações aparentemente loucas (a loucura contém a 'cura'...mas apenas a loucura supra-normal) e paradoxais ganham sentido quando vivenciadas. A intuição supera a razão. O espírito engloba a mente, mas não vice-versa.

Alguns professores que tive diziam – inconscientemente, através de inúmeras observações provavelmente – que o aprendizado era um processo doloroso. Isso assusta o aluno e dificulta o trabalho do mestre. No entanto, vemos que as maiores transformações ocorrem APENAS após um período de sacrifícios, renúncias e dores. Não apenas esses tormentos, mas igualmente saber lidar com eles de forma receptiva, é o meio de realizar o que grandes mestres denominam 'ascensões humanas'. E saber se dirigir a eles conscientemente quando estamos preparados interiormente.

Albert Schweitzer: 52 anos servindo o lado mais
pobre do mundo sem reconhecimento ou
meios adequados. E profundamente feliz.
Luz aos 21 anos. Início da ascensão aos 36.
Rico materialmente antes.
Rico espiritualmente depois.
Convido o leitor a observar os detalhes da vida de alguns expoentes da sabedoria cósmica como Sócrates, Mahatma Ghandhi, Albert Schweitzer, Pietro Ubaldi, Blaise Pascal, Francisco de Assis e Jesus. Observar-se-á que: 1) todos esses seres poderiam triunfar materialmente no mundo, e 2) igualmente, com suas capacidades, poderiam esses mesmos seres dominar mentalmente (intelecto) seus semelhantes, impondo sua forma mental a um mundo e ganhando honras e títulos com isso. Condições de vencer no físico e na mente. Mas eles preferiram renunciar a isso. Ou melhor, optaram por usar os bens, o físico, o sentimento e o intelecto apenas para servir o espírito.
Observe todos os fatos. A fundo.
Por que Jesus se deixou levar à cruz, com calma, serenidade, determinado?
Por que Sócrates discursou no seu julgamento com calma, firmeza e afirmou uma Verdade universal – vencendo todos ignorantes com suas limitações conceituais – bebendo cicuta sem grandes preocupações?
Por que Pietro Ubaldi, nascido em família rica, saudável, forte, com estudos, títulos e posses, deixou tudo para viver o Evangelho de forma integral, colocando em risco apenas sua vida e espírito? E mais: deixou TODA herança, tudo, e ainda, para não ser peso para sociedade, arranjou emprego, realizando a sua verdadeira missão (escrever a Obra de 24 volumes, um tratado filosófico-espiritual-científico sobre o Todo, realizando a Síntese do Saber), dos 41 aos 85 anos?
Por que o jovem Francisco, filho de família riquíssima, largou tudo para servir ao mundo – e com satisfação e alegria?
De longe, ao vermos todos empecilhos e superações, admiramos cada uma dessas figuras. De perto, pessoas invejosas se incomodavam. Geralmente pessoas não do povo, mas dos eruditos, com títulos e fama e saúde e planos egocêntricos. Pessoas contaminadas pelo intelecto que não encontraram a consciência.

A inteligência não é o máximo grau evolutivo.
Ela deve ser guiada por algo maior. E a humanidade, no seu íntimo, sente isso. Especialmente aqueles que tudo (deste mundo) conseguiram.
A consciência não pensa, mas sabe.
Ela é sábia e resolve as últimas questões, sem passar pelo laborioso processo mental-analítico. Ela intui e resolve. Ela é adquirida por vivência. Ela guiará o intelecto, colocando-o como servo.
A Consciência Absoluta está para o nosso Superconsciente.
O Intelecto está para o nosso Consciente.
Os instintos estão para nosso Subconsciente.

Cuidado: A consciência plena (absoluta) não é a nossa consciência humana! Esta é vista como ponto final pelo grosso “educado” do mundo, mas deve ser considerada como um intelecto-analítico. Um estágio sub-consciente em termos absolutos.

Sem Dor não há Salvação.

Mudar sem esforço é mudar permanentemente por fora OU mudar temporariamente por dentro.
De uma forma ou outra, não é mudar de fato.
Mudar com esforço é se transformar permanentemente por dentro.
Isso é mudar de fato, seja você um farrapo humano ou um bem de vida.
Mas quando a potência da vertical mística interior atinge o ápice, há transbordamento em forma de atuação ética. E com isso inicia-se o verdadeiro trabalho de ascensão coletiva. Eis a missão das personalidades citadas.
Mudar de fato profundamente transborda numa liberdade em servir.
Ser feliz no sofrimento ou ser infeliz no gozo?
Muitos afirmam veementemente serem felizes por dentro, e atuam com esforço tremendo para demonstrar isso, mas recorrem frequentemente a entorpecentes, relações superficiais, demandam elogios e acumulam bens e títulos e posses para mostrar e demonstrar ao mundo o seu sucesso e exemplo. Para se sentirem seguros. Nada mais, nada menos...
Afirmar e provar e mostrar não convence o íntimo de ninguém.
Por isso, quando alguém afirma algo (eu ou você ou outro), raras vezes devemos dar peso a isso.
Por isso, quando alguém demonstra algo (eu ou você ou outro), raras vezes devemos nos impressionar com isso.
Mas quando alguém simplesmente É, pouco afirmando e pouco fazendo, uma influência imponderável estará presente. Um Ser nesse grau de conscientização dificilmente recorre ao mundo externo para se manter seguro. Seu SER superou todos seus TERES e PARECERES, tornando estes servos daquele. Se faz, fá-lo de forma sólida e orientada. Se diz, diz de forma calma e convincente.
A dor não é buscada gratuitamente. Ela é encarada como deve ser: oportunidade no momento adequado para iniciarmos um processo de micro-ascensão (para nós, ainda pouco conscientes) ou macro-ascensão (para expoentes que buscam os infernos conscientemente).
Mas não se trata de salvar os outros.
Isso é consequência.
Trata-se de se auto-realizar após atingir o autoconhecimento.
Seria muito cômodo termos nossa Salvação garantida apenas com o sofrimento homérico de uns poucos seres.

A dor é individual. A Salvação é individual.
Mas podemos nos ajudar. Guiamos ou nos deixamos guiar.

Sem Dor não há Salvação.