sexta-feira, 31 de março de 2017

Nulidades Raras - Raridades Nulas - Raridades Raras

O mundo possui nulidades e raridades. Mas elas não se apresentam sozinhas, desconexas. Elas se revelam relacionadas entre si. Como substantivo (sujeito) e adjetivo (atributo, qualidade do sujeito). Não apenas isso, mas essa relação pode ser de três tipos, a meu ver.

Elementos, interconexões, propósito (minha próxima aula). Este surge do tipo de combinação dos elementos. É o fator mais importante, cuja influência se estende nas vastidões oceânicas do tempo (energia), do espaço (matéria) e da consciência (psiquismo). Dos três atributos de sistemas, este (propósito) é aquele onde o trabalho de transformação possui o maior poder de alavancagem. Reside no campo conceptual, imaterial, em que se trabalha a prazos que se estendem - às vezes - além do horizonte da vida individual. E com manifestações carregadas de potência, que vencem as limitações do espaço, tornando essa alavancagem de substância (não de forma) global. É nesse campo que o verdadeiro trabalho é feito. Trabalho além do campo de compreensão do tipo biológico hodierno, que opera no campo da atuação, cujo dinamismo se dá apenas na forma - não na substância.

A moça observa a correnteza. Para onde ela vai?
Seguir a correnteza, nadar contra, ou simplesmente
observá-la? Para onde ela não vai? Existem outras?
Se sim, onde estarão?
Ai daquele que esboce algum ensaio de tentar aprofundar um assunto! Deverá estar preparado para as reações inexoráveis da psicologia hodierna, que no estágio atual se dão de forma elaborada e pouco perceptível. Eis que, mesmo se inteirando de um assunto, ouvindo, escutando, compreendendo e finalmente expondo, num lapso de tempo relativamente pequeno, uma fenda para algo que poderia iniciar uma pesquisa informal num campo desconhecido pela zona do consciente, os atropelamentos ocorrem. No entanto, não há culpas. Tudo é feito de forma inconsciente. Sente-se isso. 

A partir dum estágio de maturação psíquico-nervosa, o ser começa a perceber que transformar o inusitado em ódio - que tende a se plasmar em reações vingativas - é contraproducente. No entanto, há uma atitude que se traduz em mudança de postura ao longo do tempo (meses, anos, décadas,...). Percebe-se que, se há um incômodo profundo, deve-se perdoar, pois "eles não sabem o que fazem". Não há culpas no campo da inconsciência. A incapacidade de captar vibrações diversas apenas atesta que um certo grau de maturação interior não foi atingida. Há tempo para tudo.

Se não se transforma essa alta tensão (experiências) em amperagem (reações) canalizadas para resultados negativos, o que se faz? Trabalha-se a tensão de forma lenta, contínua e persistente. Isso exige nervos de aço e auxilio de alguma fonte superior ao indivíduo. Essa tensão é trabalhada ao longo de certo tempo, e depois convertida em amperagem direcionada para as linhas (canais) adequados, com distribuição inteligente, que não leve a queima das resistências físicas, emocionais e mentais. Ensaios, diagramas, poemas, melodias, trabalhos, estudos, pesquisa, mudanças graduais de comportamento. Mudanças pequenas, mas firmes. Expande-se o histórico de experiências assimilada. Conscientemente. Várias vezes. Até entrar na zona do inconsciente - os instintos. Tudo se relaciona. 

A partir disso perdoa-se mas não se esquece. Perdoar é não se perturbar com o fato. Não esquecer é registrar na memória, na alma, no espírito, de que não adianta introduzir novos elementos em sistemas sem capacidade de absorção destes. E a partir daí não tentar novas aproximações do tipo. Aprende-se a ficar quieto. Toda explicação do mundo, com eloquência oral e teorias lógicas e abrangentes, não mudam o comportamento de um ser de forma efetiva. 


Compreender o atual é fácil: basta seguir a lei da
alimentação (preservação individual) e a lei do amor
(preservação da espécie).
Compreender o que pode ser realizado exige
seguir uma terceira lei: a da evolução.
O erro do ser consiste em não perceber que o campo é inóspito à medida que se incrementa o número de sujeitos. Vivemos num mundo em que a quantidade dita o comportamento individual, com suas crenças, valores, atitudes e ações. E cada agente, ao ver-se diante da força do número (que para ele é força, é justiça, é o que é certo), segue a sintonia da grande onda. Não se trata de condenar, e sim de constatar. Isso já foi comentado no curso (Dia 1). E o discurso cativa, prende, fascina, justamente porque é uma externalização de uma série de experiências vividas, sofridas e compreendidas. Que geraram ao longo da vida uma explosão de eventos aparentemente inexplicáveis - o que as religiões chamam de milagre. Se transforma em blogs, em técnicas rudimentares de aprender instrumentos musicais, em vontade de estudar e pesquisar, em cursos, em segurança diante de situações diversas, em elegância e ordenação de discurso, em compreensão dos deveres supremos da vida. 

Nulidades existem aos montes no mundo. Nas ideias, nos discursos, no tempo (energia e informação) dispendido de forma pouco eficiente,...Agora, existem raridades, que se alçam a patamares da fama: as Raridades Nulas.Essas assumem a forma de fama e riqueza - que inexoravelmente, por sua natureza, tendem a acabar e deixar um rastro de frustrações. Pois quanto maior o gozo, maior a próxima dose, necessária para manter o gozo (e a estabilidade psíquica-física). Num mundo finito, cheio de delimitações e fronteiras, cheia de aparências e jogos de interesses, num jogo de forças que não perdoam porque não compreendem, há atritos imensos. Os métodos de superação operam em nível ineficiente. Infelizmente. Mas é adequado ao grau de compreensão atual. A pior coisa que existe é nascer numa condição favorável do ponto e vista do mundo: ser rico, belo, saudável e talentoso. O ser fica refém desses atributos (temporários!), esquecendo-se de usá-los como meio para trabalhar a única coisa que precisa realmente ser trabalhada: o espírito.

Por outro lado, existem nulidades que (obviamente) são despercebidas. No entanto, pode-se perceber que estas, ao perceberem o meio em que se encontram - e querendo progredir - prontamente procuram se posicionar de acordo com o meio, e se adaptam à mentalidade comum. Mas existem aquelas nulidades que acabam não fazendo isso. As Nulidades Raras. São poucas. Muito poucas - assim percebi ao longo da vida. Essas se inquietam, se indignam, querem levar temas inquietantes até a exaustão de suas forças intelectuais, sentimentais, e físicas. o organismo arde em dores. Frio que queima a alma. Fome que estufa a mente. No entanto, raríssimos são os ambientes coletivos onde essa espécie de trabalho é possível. Raríssimos. Oras, o ser deve recorrer à única solução que lhe resta - se desejar conviver em relativa paz neste mundo: a minimização das relações sociais.

É importante destacar: a causa dessas minimizações não é nem ódio, nem medo, nem arrogância.

Ódio é vontade de reagir de forma a destruir o outro.
Medo é temor de ter suas ideias confrontadas com outras.
Arrogância é acreditar que seus conceitos são melhores que outros.

Não se trata de um afastamento por nenhum dos motivos. Então, qual seria a causa desse comportamento que - infelizmente - leva outras almas a assumirem como causa uma ou uma combinação de duas ou três das causas do mundo

O desgaste desnecessário. O sofrimento inútil. 

Todo mundo que nasce nesse universo deve aprender algo. Logo, deve sofrer. A questão é que existem sofrimentos úteis e inúteis. 

Se, ao longo da vida, diversos ensaios são feitos para compreender o entorno, se adequar a ele, e mesmo assim, por maior que seja seu esforço, percebe-se que existem fronteiras intransponíveis, é sensato abandonar o campo. Livre de vínculos cármicos de ódio, medo ou arrogância. 


Hitchcock soube demonstrar esse fenômeno no Cinema.
Dizer muito às vezes exige falar pouco. Ao passo
que falar muito geralmente (mas não sempre) é
dizer pouco. Resta ao ser humano descobrir a potência
do trovejar do silêncio.
À medida que a Nulidade Rara atinge um nível de compreensão mais profundo, trazendo do campo consciente as memórias e sensações trabalhadas em vida, para o campo subconsciente, começa-se a imprimir em sua natureza novos elementos. Em doses homeopáticas. Doses infinitesimais. Mas ainda assim, doses. Inicia-se o que a Ciência hodierna não admite: altera-se conscientemente a natureza própria - para melhor. 

Não há nada que possa mudar a natureza humana a não ser a experiência intensa da dor trabalhada de forma completamente diversa. 

Disso a humanidade ainda não se deu conta.

Não existe desejo de escarafunchar os problemas mais substanciais, que levam aos desentendimentos mais ruidosos. Não se vê a relação entre um e outro. Deseja-se buscar uma solução que apazigue. Lançam-se ideias bonitas, interessantes. Translada-se o assunto. Tudo é feito com o intuito da fuga. Seja com o outro - e mesmo com você. No entanto, as nulidades raras se recusam a seguir esse caminho, ipsis literis. Apesar de compreenderem o porquê disso ser feito. E respeitarem o modo de agir do grosso da humanidade - justamente por compreenderem a natureza do ser humano.

E com uma vontade revigorada, que dilata essas fendas que levam à luz, novas criações brotam no íntimo. Maior capacidade de visão e síntese. Maior segurança. Maior valorização de si. E justamente, maios introspecção. Maior silêncio.

Deve-se semear em terreno propício.

Ao longo da vida, o ser que seguir com sinceridade séria e seriedade sincera o caminho que sua intuição lhe aponta, pode se tornar uma Raridade Rara.

Muitas Nulidades Raras possui o mundo - pouco são incomodadas ou incomodam.

Poucas Raridades Nulas existem no mundo - muito influem mas pouco oferecem.

Pouquíssimas Raridades Raras existem no mundo - são desprezadas, mas influem sobre todo sistema de valores ao longo de séculos, milênios e eternidades, abalando a estrutura para elevá-la. Mas sofrem em vida por esta lhes exigir paciência fora de série.


quinta-feira, 30 de março de 2017

Dia 2

O número de alunos caiu pela metade - de dez para cinco. Cinco alunas. Antes: 7 alunas, 3 alunos. Agora: 5 alunas. Mais um (bom) amigo que decidiu acompanhar de ouvinte o curso. Então podemos dizer que o total são seis. 

Por um lado é bom trabalhar com pouca gente. Será possível que todos emitam ideias e opiniões, tirem dúvidas e exponham observações relevantes. O aprofundamento se torna possível. A concentração é mais fácil de se obter. O trabalho terá apenas dois grupos. Com isso, no dia da apresentação, cada um terá mais tempo de explicar o que foi desenvolvido ao longo do curso. 

Dessa vez defini formalmente o que é sistema, modelo e simulação. 

Para aqueles que não sabem, vai uma breve definição da minha parte:

1) Sistema é um conjunto de elementos (vivos ou não-vivos), que possuem relações entre si (interdependência), e possuem um objetivo em comum (meta). Elementos, relações e objetivo.

2) Modelo é a representação de um sistema. Essa representação pode ser na forma de símbolos (diagramas, por ex.), equações, verbal (descrição), físico (maquetes), entre outras. É importante lembrar que o sistema é real e o modelo representa essa realidade. No entanto, um sistema pode ser real mas não ser tangível (ex: sistema de controle de um veículo, sistema operacional de computadores). Em suma: real não é sinônimo de material.

3) Simulação é o ato de fazer um modelo evoluir ao longo do tempo. Isto é, para simular o modelo deve estar num formato que permita obtermos variáveis ao longo de cada instante de tempo. Existem simulações virtuais, reais e híbridas (misto de real-virtual). 

Os conceitos são a pedra fundamental de qualquer trabalho. Logo, é importante definir com clareza para as construções que se apoiarão nessa pedra sejam sólidas e eficientes.

Á medida que o assunto fluía pude tangenciar alguns temas: falei um pouco sobre análise dimensional, com seu clássico Teorema dos Pi de Buckingham (modelos físicos, protótipos); comentei sobre o nível de complexidade crescente, e sua respectiva dificuldade de representação dentro do paradigma reducionista, com seu método racional-científico. Aí eu citei exemplos de trabalhos que envolveram a compreensão, a representação e a obtenção de comportamentos (variáveis) em vários domínios físicos para se chegar à causa riz de um problema na área espacial. 

Também falei sobre as três inteligências: 

a) Subconsciente (instintos);
b) Consciente (razão);
c) Superconsciente (intuição).

Todos nós possuímos as três. Em larga medida elas coincidem. Para casos raríssimos, excepcionais, passa-se a fazer uso da intuição de forma relativamente consciente, com um controle das visões obtidas. Isso só pode ser atingido através de profunda maturação biológica (UBALDI, P., As Noúres), que desperta o espírito a tal grau que este é capaz de influir com peso no organismo vivo. 

Fiquei contente ao perceber que todas(os) alunos se manifestaram, citando exemplos e comentando. Uma moça falou que fazia validação no trabalho, mas nunca teve a visão mais geral apresentada ontem; outra, quando citei Carl G. Jung, disse ter estudado suas ideias - que foram além das teorias de Freud. Isso me dá o sinal de que o curso está sendo útil (cumprindo sua função). 

Até mesmo meu amigo - e colega de trabalho - foi capaz (olhem que impressionante) relacionar uma atividade que desenvolvemos em grupo ao tema que ele vem desenvolvendo em seu mestrado. Eis o que me espanta: a partir da apresentação de conceitos simples, de forma intensa e criativa, para várias pessoas, cada uma com sua especialidade, é possível criar um certo estímulo ao estudo dos fenômenos. Nada de novo, tudo novo. Nada de novo no mundo analítico, descritivo; Tudo novo na visão, na vontade, na introspecção.

Finalizamos a 1ª parte da aula com uma atividade em grupo: o Dilema dos Dois Prisioneiros. 

Mas sobre isso comento depois. 






quarta-feira, 22 de março de 2017

Dia 1

Nessa nova empreitada, novos rostos, novas mentes, novos comportamentos. Melhores comportamentos. Turma pequena. Reduzida ao número - eu diria - ideal para o desenvolvimento e troca de ideias. 

O que descobri sobre mim ao iniciar esse curso de extensão? A primeira coisa: falo bastante quando tenho a liberdade de desenvolver um assunto que me agrade. Um assunto que englobe vários aspectos e exija um dinamismo. O tempo voou - para mim pelo menos. A turma parece ter se interessado pelo que apresentei. Mas reparei que a minha fala foi um pouco além. Na próxima semana pretendo dar atividades.

A segunda coisa interessante foi ter conhecido parte do corpo discente do curso de Licenciatura em Química do IFSP. São alunas e alunos muito interessados, concentrados e maduros - comparados às turmas que ensino, de modo geral. Isso me permite seguir uma linha de pensamento de forma construtiva, relacionando e exemplificando. Sem medo. Sem rupturas. Explicação integral. 

Me pergunto se o curso foi uma boa ideia. O fato é que gostei de falar para um público o assunto que julgo tão importante para uma humanidade desorientada. Mas mais impressionante é não ter feito brincadeiras. Elas não cabem nesse curso - a não ser que sejam muito construtivas. E acho bom. 

A maturidade das moças me deixa aliviado quanto ao andamento do curso. Acredito que não haverão problemas. Quem se matriculou deve estar interessado - pelo menos a princípio. A ideia agora é seguir um ritmo, divagando um pouco menos, e abrindo espaço para que todos façam atividades e exponham suas dúvidas e opiniões. 

Minha vontade de fazer algo útil (doutorado) também aumentou. No momento não há forças me auxiliando. As buscas e tentativas não estão sendo úteis. Navego sem rumo no mar da formação continuada. Busco a tempestade para me superar superando-a - mas não a encontro. Ela foge de mim. E assim nenhum projeto à vista. Eis um dos motivos de ter dispendido tantas forças na criação desse curso de extensão.

Todo ser humano quer ser mais. Expansão da consciência. O correr das areias da ampulheta do tempo se somam às dores das experiências intensas e das atividades diluídas na extensão dos desertos de repetições. Mas daí surgem as ideias, os conceitos, a vontade.

O espírito cria sempre. A todo momento. Mas especialmente na dor. Ele ordena a matéria, hierarquizando-a. Torna-a mais resiliente. E com isso pode vesti-la e transmitir seu modo de vida ao entorno.

Pela primeira vez desde que substituí, na emergência, um professor, estou novamente falando sobre um assunto que me interessa. Dessa vez de forma oficial, com quinze encontros, com um curso montado e esquematizado. Esse me parece o melhor momento para manifestar tudo que puder, da melhor forma possível, com máxima responsabilidade e criatividade

Foi um dia bom. Valeu a pena sair de noite para trabalhar. O espírito foi alimentado. 

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Muito além da Engenharia e do Ensino.

Iniciar-se-à um novo movimento em breve. Será uma tentativa - ousada - de colocar em prática princípios no qual acredito. Será um período de tempo semanal no qual pretendo abrir as portas para dimensões superiores de concepção - para mim e para quem participar de meu curso. Não há nada de novo, exceto em termos de ousadia, vontade e criatividade em organizar elementos já presentes, falados e estudados - isoladamente, à fundo. 

Foi me dado um espaço para exercer liberdade. Pretendo exercê-la da melhor forma possível. Máxima eficiência, dedicação, organização. Intensidade do início ao fim do curso a ser ministrado. Sinceridade e aprendizado. Aprender ensinando - e possivelmente ensinar aprendendo, com as dúvidas persistentes e precisas. 

Ciclos intermináveis. Mas a cada novo dia, semana, fase, novas
configurações. Mudanças pequenas, imperceptíveis, mas
mudanças. Eis o fenômenos da evolução que nos escapa.
Do movimento circular ao movimento espiralado, com expansões
e contrações, esta perdendo para aquela numa razão de 3:2.
A vida canta através de todas criaturas vivas e não vivas. Canta através dos fenômenos de todas ordens. Canta ao tecer a história dos povos, dos indivíduos, das correntes filosóficas, das teorias científicas, das ideias políticas, das expressões afetivas, das artes, das religiões, do amor. Basta saber captar o que está sendo emitido. Ver na substância. Sentir a ordem desejante de nascer de forma firme e sustentável. Com força suficiente para imperar sem se impor. Imperar naturalmente. Florescer em todos campos, em todos níveis, para satisfazer todas vontades sinceras de realização no campo artístico, místico, científico, político e tecnológico.

Somos produto de nosso tempo, de nossos genes, de nosso meio. Sim, é verdade. Mas acima de tudo e todos (deste mundo finito), somos produto de nossa consciência. Nosso passado construiu nossas tendências presentes, nossos instintos e traumas e inclinações. O espírito é o elemento faltante nesse gigantesco quebra-cabeças que é o ser humano. De tal forma que, em termos de substância, somos herdeiros de nós mesmos.

A Engenharia humana deverá viabilizar um mundo
sustentável e harmônico. Muito menos atrito,
muito mais liberdade. Logo, menos desperdício -
de recursos, de fala, de energia, de tempo.
De que serve tanto conhecimento se este fica restrito a um campo já fartamente explorado? De que adianta criações fantásticas sem um controle de seu sentido - e suas implicações? De que adianta a especialização que corrói relações entre saberes, entre seres, entre ideias, entre conceitos? Precisamos sim nos especializar. Mas com um senso de orientação. Com a aquisição de uma capacidade de síntese - uma visão ampla no espaço e no tempo, e profunda nos conceitos e relações - atingiremos uma capacidade ímpar de entrarmos em contato com nós mesmos. E isso - feliz ou infelizmente - significa abraçar a nossa dor. Compreendê-la, aceitá-la, e com isso receber os golpes inexplicáveis do presente sem deixá-los influenciar nas causas sendo criadas por nós paralelamente, de tal forma que nosso futuro possua mais graus de liberdade que nosso presente. Reagir à Lei de Deus não. Compreendê-la sim. E com isso sintonizar todo seu ser com ela. Corpo, mente e espírito. De tal forma que a calma comece a preencher gradativamente todo seu cotidiano, e com isso potenciar suas ações, tornando-as mais eficazes na substância - mesmo que na forma pareça haver uma perda. Isso é ascender.

Me formei engenheiro. Me tornei professor. Me considero ambos, ora um, ora outro. Mas sou mais do que isso. Sou SER em busca de conscientização profunda, gastando meus finitos para buscar esse sentido infinito. Não sei exatamente como buscar, mas busco, de certa forma, me lançando por caminhos ligeiramente diferentes da média, dentro das possibilidades. Isso é o que posso fazer no momento. É minha religião: transformismo. Evoluir espiritualmente na matéria. Elevá-la. Deixá-la mais organizada, mais refinada. Eis a finalidade suprema da existência. 

Meus finitos - engenharia e magistério - são, a meu ver, meios extremamente eficazes para construir terreno para um mundo futuro. Um mundo no qual os seres terão inscritos em seus instintos valores morais que atualmente apenas intuímos ou sonhamos. Um mundo a ser gerado com a morte deste. Nova natureza, nova lógica, novo sistema, novos valores, novas instituições, novos comportamentos, novos resultados, novo destinos individuais e - por consequência - coletivo. Eis o fluxo que o parto de uma nova ideia - surgida com o contato com o ideal - segue, inexoravelmente. 

Tudo parte do trabalho íntimo, na natureza humana.
Fonte dos conceitos, absorvedora da vivência.
Daí sustenta-se tudo com orientação.
O erro do ser humano foi querer chegar a um novo destino, em tese sustentável e dinâmico, partindo do meio do processo genético (sistema, instituições, comportamentos). O resultado não poderia se sustentar. É preciso mergulhar nos conceitos e vivência, penetrando todos aspectos da vida com o infinito. Dando vida a tudo que está estagnado.

É claro que formar-se-ão sistemas, instituições e comportamentos completamente diversos, mas partindo-se da base substancial, que é o universo intangível e influente da natureza humana. Dever-se-à assimilar os ideais, desenvolver a intuição. Trazê-lá ao campo da consciência  e trabalhá-la, sistematizando seus aspectos através dos estudos, da prática, até que tantas repetições gerem automatismos que, vida após vida, dor após dor, erro após erro, comecem a se tornar acertos, que descobrem novas leis e com isso novas visões do universo interior e exterior. Estaremos trazendo o super-consciente (intuição) à zona do sub-consciente (instintos), e com isso fazer o que hoje julgamos esforço titânico, doloroso, reservado apenas para o gênio e o santo, em tendência natural. Eis como tudo irá se alterar profundamente. Não mais mudança nas formas, mas nos conceitos, nas atitudes, nos sentimentos.

É com esse espaço de liberdade que pretendo apontar setas para essa mudança de mentalidade. Destacar a importância da sensibilização nervosa. Da dor. Do amor. Através da ciência, da razão, da dedicação, da superação. 

Em breve mais um ingrediente será adicionado a uma vida em fase de demolição construtiva - e construção demolidora.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Gênese de um Novo Paradigma

Para a humanidade, o trabalho jamais finda. Especialmente porque tão pouco houve dele nos últimos 7 milênios de civilização. Me refiro a um trabalho que não envolva sofrimento e esteja orientado para fins mais elevados. Me refiro a um trabalho que englobe a natureza como uma entidade viva; a cultura como um patrimônio útil; a arte como uma fonte inspiradora; a espiritualidade como um vir-a-ser (próximo).

Um artigo muito interessante diz que a rotina matinal poderá nos garantir a produção de coisas realmente úteis - para nós, o entorno e a vida em geral [5]. Um trecho é particularmente interessante (grifos meus):

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According to psychologist Ron Friedman, the first three hours of your day are your most precious for maximized productivity.
“Typically, we have a window of about three hours where we’re really, really focused. We’re able to have some strong contributions in terms of planning, in terms of thinking, in terms of speaking well,” Friedman told Harvard Business Review.
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É interessante me deparar com isso, pois é justamente nas manhãs que me sinto mais inspirado a escrever neste espaço, ou ler um livro, ou fazer ginástica, ou conversar, ou estudar. E os estudos nas primeiras 3, 4 horas do dia são de tal intensidade que eu sinto que se pudesse coordená-las adequadamente, mantendo uma rotina matinal pelo resto de meus dias, poderia gerar muita coisa.
Foi assim que aprendi francês; foi assim que emagreci 15 kg; foi assim que criei muitos de meus melhores e textos; foi assim que consegui ir excepcionalmente bem em algumas provas. Entre outras coisas que no momento não me vêm à cabeça.

Existem muitas pessoas fazendo trabalhos realmente úteis para o mundo que está prestes a nascer - não me incluo nesse campo prático. Pretendo de alguma forma entrar nessa engrenagem planetária , dirigida por uma elevada consciência coletiva nascente. Por a mão na massa, como dizem. 

Há alguns dias fiquei sabendo que nevou numa cidade localizada no sul da Itália. A cidade se chama Salento [4].

O que impressiona é: 

, desde que existem registros históricos, nunca foi registrado neve nessa cidade;
, no sul da península itálica - uma região muito quente, semelhante ao nosso nordeste - não é normal nevar;
, Matteo Tafuri "previu", há aproximadamente 500 anos, que quando isso ocorresse, o mundo tal como o conhecemos estaria próximo do seu fim.

Matteo Tafuri viveu 90 anos, entre 1492 e 1582, o que na época era incrívelmente fora do comum. Era um filósofo e ganhou fama por fazer profecias, sendo considerado o "Nostradamus" italiano. Ele disse: 

“dois dias de neve, dois relâmpagos no céu. Eu sei que o mundo acaba, mas eu não estou ansioso”. 

A cidade de Salento é famosa por suas belíssimas praias - conforme pode ser constatado por uma breve pesquisa no Google.

O fato provavelmente está relacionado ao aquecimento global, que leva a alterações climáticas. É já admitido que várias regiões da Europa vêm sofrendo com ondas de calor ou frio pouco usuais. 

Praias de Salento com neve.

Quanto ao dito "o mundo acaba", cuidado. Como outros Profetas, sempre é usado o termo "fim do mundo" para designar grandes catástrofes, mas não se trata do fim de nosso planeta - nem necessariamente nossa espécie. O que irá - a meu ver - desmoronar é o atual paradigma, que plasmou a forma mental dos últimos 5 séculos. Forma mental que plasmou em forma econômica e - concomitantemente - política o sistema o qual denominamos capitalismo.

Inicialmente assumindo a forma Mercantilista (Séc. XV-XVIII), na qual as molas propulsoras foram Portugal e Espanha, passamos à forma Industrial (Séc. XIX-XX), na qual a mola propulsora inicialmente foi a Inglaterra, sendo alcançada posteriormente pela Alemanha e após pelos EUA. Atualmente essa forma se plasmou para a Financeira (1970 - Séc. XXI), e segue seu desenvolvimento máximo, que culminará em outra crise, desta vez relacionada à energia, aos alimentos e à economia - que no fundo estão intimamente relacionadas. Essas formas, por sua vez, podem ser vistos como ciclos, que possuem ciclos menores, internos, que influenciam e caracterizam os maiores - e vice-versa. 

No aspecto político observamos um caminhar paralelo: a formação dos Estados Nacionais, que permitiu a concentração de poder para o empreendimento de grandes projetos ultramarinos (Espanha e Portugal). Quando Alemanha e Itália se unificam e os EUA inicia sua industrialização, inicia-se uma corrida pela supremacia, que levará a Europa ao enfraquecimento global com a 1ª Guerra (1914-1918), enquanto nasce um novo protagonista na economia global: os EUA. 

A forma mental conduz todos os desenvolvimentos políticos, econômicos, tecnológicos e culturais. A forma mental que desencadeou o novo paradigma é comumente conhecida como Renascimento. O Antropocentrismo assume o lugar do Teocentrismo. Ruim? Não. Natural. 

A questão é: como esse grande ciclo se desenvolve? 
                     ele saberá acabar, dando lugar a um novo?
                     por que ele surgiu?
                     o que o anterior tinha de ruim? (sabemos muito bem)
                     e de bom? (muitos ignoram)
              
Uma humanidade que se valoriza é muito útil num primeiro momento. Permite o seu desenvolvimento, geração de conhecimento, teorias, artes; criação de sinfonias e riquezas e tecnologias que viabilizam encurtar distâncias, comunicações distantes simultâneas, e desnudamento de superstições. No entanto, ao colocar a carruagem em movimento, devemos observar o que o próprio movimento nos diz. E mais: precisamos aprender a escutar o canto da História, que nos apresentou inúmeros momentos de transições. Ouvir a voz da Vida em nós e nos acontecimentos. Sentir o transformismo.

O Iluminismo foi o salto da Ciência - compilação de todos saberes até então - e estímulo aos saberes por surgir. Galielu, Kepler, Newton, Locke, Hegel, Kant, Darwin, Pasteur, Lavoisier, Rousseau, Goethe, Dante,...Tudo isso paralelo à Revolução Francesa (1789), que abriu as portas conceituais para a propagação da Era da Ciência e da Tecnologia. Logo após, uma combinação de fatores permitiu a eclosão da Era Industrial, cujos efeitos finais começamos a sentir nesse século. O que muitos vem sentindo nos últimos 2 séculos é:

1 - Vivemos num planeta de recursos finitos (materiais e energéticos não-renováveis, a depender da taxa de extração);

2 - A finalidade da vida está além da aquisição de bens e serviços (consumo) sem fim.

Perceber isso está em ressonância com os limites que começamos a sentir - limites impostos pelo planeta. Limites saudáveis. 

A Consciência Humana começa a dialogar com o Grito da Natureza.

Um artigo sério, muito extenso e baseado em fontes está disponível na internet [1]. Ele cobre o problema do pico do petróleo, esmiuçando vários detalhes pouco comentados - e consequentemente desenvolvidos - entre nós, a sociedade, seja pela falta de tempo, seja pela falta de vontade, ou por ambos em proporções diferentes. Outro artigo, referenciado pelo primeiro [2], aponta para o que podemos fazer para participar desse processo. Acredito que todos concordarão e acatarão em unanimidade:

"When you realise something’s wrong with the world, the first step has to focus on educating yourself about it."

Quando você se dá conta de que há algo errado com o mundo - isto é, nosso modelo de civilização - o primeiro passo é procurar saber sobre isso. Ler diversas fontes, estudar temas, usar seus conhecimentos específicos, ouvir as pessoas nas ruas, perceber as suas reações e a dos outros, tentar traçar semelhanças, compreender o porquê das diferentes ações, relacionar. E refletir sobre as grandes questões. Isso é um primeiro passo. Não só fundamental, mas essencial.

Depois, devemos ser pragmáticos e realistas acerca dos eventos. Isso nos levará a não querer mudar o mundo, mas sim, alterar nossa conduta local. Isso pode significar passar a falar menos, aparecer menos, refletir mais, focar em certos tipos de atividades (novas), entre outras coisas. Pode inclusive influenciar em como você faz seu trabalho, conversa e faz atividades do dia a dia. 

Precisamos perceber que existem três níveis no estudo de sistemas: eventos, comportamentos e estruturas.

Os eventos são os efeitos visíveis. O que sai nos grandes jornais, na TV, no rádio, nas rodas sociais, etc. Buscar soluções para eventos desagradáveis implementando ações-evento irá resolver problemas no curto-prazo (mas provavelmente ampliar no médio e longo). Por exemplo, aumentar o policiamento e as prisões (sem julgamento) para aumentar o temor e assim (tentar) reduzir os crimes e roubos - mas apenas os da base da pirâmide.

Os comportamentos são a lógica por trás dos eventos. Se relacionam às conexões entre as pessoas, famílias, comunidades, culturas, cidades, estados, países. São o modo de responder aos eventos. Comportamentos são cultivados e consolidados a partir do meio, de sua realidade externa e de sua forma e grau de instrução. Uma ação-comportamento pode atacar de forma mais eficaz um evento desagradável. Por exemplo, criar programas de inclusão social de dependentes químicos, de miseráveis, de órfãos fora das prisões e nas prisões. Ouvi-los.

A estrutura é a base sob a qual irão nascer os comportamentos. São os conceitos que fazem o sistema operar. Os princípios, as leis, o senso-comum. Alterá-los requer paciência, pois é provável que a pessoa não veja resultados concretos em vida. Essa é uma ação que não é ação - do ponto de vista mundano. Mas o é. 

Voltando à questão fundamental (mudança de paradigma), temos a Viviane Mosé, cuja visão segue a mesma linha [3]. Basicamente estamos num ponto de inflexão na escalada cósmica. Precisamos nos atentar para ela, pois o que deve ocorrer ocorrerá independente de nossa vontade ou não. 

O planeta nos alerta. A vida nos grita. A consciência nos incomoda. Tudo muda rapidamente. O previsível atravessa a barreira e se torna imprevisível. Ilya Prigogine define isso tudo como a Era das Incertezas. É transformação profunda e inexorável. Se fizermos de dentro pra fora será muito melhor. Caso contrário ela será imposta de forma pra dentro... 

Na Educação muito deveria estar sendo feito. A começar pela criação de cursos livres que comecem a dialogar com a realidade dos alunos. Livre significa que apenas quem está realmente interessado irá participar - pois seu "ganho" ou "prejuízo" será zero. Cursos que façam as pessoas refletirem sobre o atual estado das coisas. Não se trata necessariamente de filosofia, e sim uma nova abordagem para questões emergentes. Se trata sobretudo de harmonizar o interior das pessoas expondo de forma criativa conhecimentos consolidados, experiências (íntimas ou não, a depender do grau de maturidade do grupo), e ideias inéditas. Fusão de saberes. 

A Grande Sìntese trouxe uma visão tão avançada para nosso atual nível evolutivo que somos incapazes de assimilá-la - mesmo em grau ínfimo - seus dizeres. Um dos problemas é que nos prendemos às palavras ao invés do que elas apontam. No entanto me parece - cada vez mais - que essa descida dos ideais será a bússola nos séculos (e milênios) vindouros.

Iremos chegar lá. 



Referências:

[1]
https://medium.com/insurge-intelligence/brace-for-the-financial-crash-of-2018-b2f81f85686b#.tney3wit9

[2] 
https://medium.com/insurge-intelligence/how-to-change-the-world-in-three-easy-steps-92d7ca576fc1#.sxp2cz95c

[3]
https://www.youtube.com/watch?v=ku5jhVYRrkE

[4]
http://blogs.correiobraziliense.com.br/nqv/cidade-praiana-da-italia-registra-neve-por-dias-seguidos-e-fim-do-mundo-pode-estar-proximo-segundo-profecia-feita-ha-500-anos/

[5]
https://medium.com/the-mission/this-morning-routine-will-save-you-20-hours-per-week-c3088cd2c685#.oz5lzb5eu

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

11-12-14-17-...

"Por que a decadência da velhice, que vai chegando a todas as coisas? Também a vida é um ciclo, contendo a sua fase evolutiva e involutiva, com o inexorável retorno ao ponto de partida. Que mais poderia ser esta mecânica que reconduz tudo ao estado de germe, esse processo natural que opera através de contínuos regressos ao estado de semente, senão a expressão mais evidente da lei de evolução e involução cíclica"

"A ação é o primeiro grau de α, o qual, sendo contíguo a β, está, com efeito, cheio de energia, mas vazio de experiência e sabedoria."

"Quando algo se repete, resume e repousa, isto representa apenas uma retomada de forças, uma pausa com a finalidade de avançar mais para o alto. Esta é, em seu íntimo mecanismo, a evolução, que contém o significado mais profundo do universo. A verdade de minhas palavras está escrita em vosso mais poderoso instinto e aspiração, que é subir, subir sem medida, subir eternamente."

A Grande Síntese


Evolução-Involução. Numa proporção de 3:2. Três experiências ascensionais. Duas quedas. De forma a percorrer o mesmo caminho, no sentido evolutivo, 3 vezes; e o mesmo trecho, em sentido involutivo, 2 vezes. Por quê? Para fixarmos no âmago as experiências.

A ação é a inauguração do universo do espírito. Ela é o início da consciência. Da psique. No entanto é ação apenas. Cheia de energia, que traz ideias, teorias, fórmulas, movimentos, maquinações mentais. Mas tudo isso vêm oco, sem a experiência que preenche e sustenta. Sem o fermento dela a ação é ineficaz. Possui baixa eficiência e logo se exaure - sem resultados constatáveis à mente hodierna. 

Pergunta: Qual o Destino?
Reposta: Aquele que você forjar intensamente.
A personalidade faz o destino.
A Causa pacientemente orientada leva a efeitos
magneticamente influentes e conceitualmente sustentávei.s
A experiência vem com os choques causados pela ação. E depois do organismo se consumir com o tempo - ilusões - inicia-se a construção do alicerce. Alicerce da sabedoria. 

A sapiência, essa capacidade de focar no importante, superando as ilusões, é o que na Grande Síntese se chama de α. A energia, essa vontade e capacidade do talento humano, é o que recebe a denominação de β. No atual momento a humanidade inicia a transição β - α. O máximo grau de vida orgânica agora deve permitir o desenvolvimento de uma vida imaterial, mais voltada aos conceitos. Conceitos que dirigem a ação e a subsequente concretização. 

2011 foi um ano ruim. Agora, nesse momento, decorridos cinco anos, parece que o ruim se tornou útil. Libertador de certa forma. O simples choque desencadeou um processo cujos efeitos são sentidos como ciclos. 

O 1o Ciclo cobre o período de Agosto de 2011 até Dezembro de 2012.

O 2o Ciclo cobre o período de Dezembro de 2012 a Novembro de 2014.

O 3o Ciclo inicia-se em Novembro de 2014 e se desenvolve ainda - aparentemente.

O que caracteriza o início e fim desses ciclos? Por que eu defino-os? Que critério uso? Não sei ao certo. Mas a observação cuidadosa talvez valha o esforço. 

Na inauguração do 1o Ciclo, uma grande dor. Desestabiliza-se toda uma vida construída ao longo de 26 anos. Estava tudo muito tranquilo. Estabilidade. Tentativas de fazer parte do mundo. Tentativas intensas e portanto desgastantes. Traía-se o ser para parecer. Quanto mais se intensificava o processo, maior era a quantidade de esforço necessário para atingir um resultado igual. Como a energia era limitada - assim como a paciência e estabilidade emocional - o fim era certo. Restava saber em que momento, e de que forma.

O colapso veio não com o evento, mas com a negação dele somada à falta de pontos de apoio. Especialmente porque o ser que o sofreu não possuía nenhuma habilidade em lidar com o mundo. E com isso com ninguém podia contar. E dessa forma a única reação era desespero quieto, isolado e repetitivo. 

No final do mesmo ano ocorre algo: o primeiro contato com uma visão de mundo abrangente. Começa-se o estudo de fenômenos mais profundos que buscam a explicação das dores humanas e sua finalidade. Menos tensão, mais emoção. Tudo silenciosamente.

Enquanto na esfera financeira-profissional a situação melhora, o inconformismo se estabelece. A vida é menos dor, mas os questionamentos de antes tornam-se mais orientados. Reformula-se questões. Ganha-se uma visão mais vasta a respeito de tudo que existe. Apresenta-se ao ser conceitos além dos existentes. A potência de forças imponderáveis começam a fazer certo sentido. Mas atém-se muito à questões mais superficiais sobre a finalidade da existência. 

Decorrido um ano - Ago/2012 - inicia-se a vida afetiva. Um ano após o choque. Uma perda, depois um laço de união. Essa vida afetiva seria considerada como tal apenas até o ponto em que a moça percebe ser impossível conduzir os acontecimentos de acordo com sua vontade. Uma vontade quase desesperada de se firmar no mundo sem afirmar nas ideias e nos sentimentos. Firmar às custas de outro. Não afirmar em prol das aparências. Isso o personagem não percebia. Ele era inocente no mundo afetivo. Ver filmes não o preparou para sentir os fenômenos da vida afetiva entre homem e mulher. Era necessário a vivência. A teoria estava sendo vista e sentida em prática. Era necessário absorver bem a situação amarga para a potência criadora se manifestar com toda sua magnitude e majestade. Estava findando o 1o Ciclo.

O avanço será em outro plano.
O plano atual está saturado e não é mais
capaz de conduzir à salvação.
Para esquecer as dores do primeiro choque todas energias foram empenhadas na criação de um trabalho com algum sentido. Como o meio profissional não oferecia essa oportunidade, buscou-se dar sentido à vida profissional através da criação acadêmica. E o sucesso de revelou antes do findar do ano. De Janeiro a Novembro de 2012 - em 9 meses - foi gestado um trabalho de importância reconhecida. Até hoje é difícil explicar como surgiu a vontade e determinação em realizar tal feito. Contra todas possibilidades, o irrealizável se realizou. A perda, os tormentos psicológicos, os atritos na relação,...tudo não foi suficiente para frear o progresso. Aliado ao fato do autor ter feito toda sua pesquisa e contornado todos os obstáculos sem auxilio nem compreensão de pessoas capacitadas para tal torna a explicação de seu sucesso ainda mais inusitada. Em Novembro desse ano veio a aprovação. Glória e alívio. Tanto sucesso não poderia vir desacompanhado de mais um golpe.

O segundo choque - de magnitude menor que o primeiro - chegou próximo ao Natal de 2012. Separação sem explicação. Tentativas de compreensão. Tentativas que deram como resposta a completa ausência de sentimento da outra parte. E uma ou duas semanas muito desesperadoras. Após isso, de tanto cansaço, o ser começa a focar em sua vida diária. Para esquecer? Não. Para poder iniciar a compreender o processo. E assim as coisas foram ficando mais claras.

Mais ou menos nessa época ocorre algo muito interessante. Ouve-se pela primeira vez, de alguém, em algum lugar, um nome. Um nome que estava associado a um ser de profundidade imensurável, com vivência intensa, orientada. Esse nome era (e é) Pietro Ubaldi. Em seguida foi apresentado outro, igualmente libertador: Huberto Rohden. Passados uns meses o interesse decaiu. Buscou-se algumas obras do primeiro. Leu-se um pouco. Mas logo largou-se tudo. O autor parecia repetitivo. No entanto, a Obra ficou na mente, inquietando.

Por volta de Junho de 2013, após 5 meses de maturação interior, pequenos ensaios são feitos. Ensaios que caracterizarão o início efetivo do 2o Ciclo. Nessa época nosso personagem aventura-se (não se sabe o porquê) na escrita. Começava a escrever o que sentia e colocava tudo em palavras. Ordenadas. Sinceras. Sérias. Textos caóticos mas com substância. Que foram se ordenando com o passar do tempo. 

A eclosão textual, com a geração de ideias, se harmoniza com a explosão coletiva pela qual o país passava. Em ambos os casos tratava-se de um grito de indignação que clamava por uma nova forma de conduzir os acontecimentos. O alinhamento não parecia ser ao acaso. O autor vibrava em ressonância com o país. Era uma época fantástica em todos aspectos. Cheia de possibilidades. O latente estava em erupção.

Paralelamente a essa criação inesperada, dentro de casa, que avançava com ímpeto titânico, houve um início tímido de vivência questionadora. 

A vivência se torna mais intensa. As cicatrizes do 2o golpe arrefecem. Ele foi um ganho no fundo. As do 1o são assimiladas e usadas como combustível para a tarefa de escavação interior. O meio que o personagem era forçado a viver a maior parte de seu tempo atentava contra sua natureza. No entanto, tudo ele fez para se adaptar e compreender o sentido profundo daquele modo de vida. Não o encontrou, e isso o decepcionou. 

A partir do momento em que as relações subjacentes se tornavam claras, os comportamentos se tornaram previsíveis, e tudo se torna sem graça. A vida que um ser considerado normal neste mundo tanto admirava era motivo de desespero para o nosso personagem. Mas ele não via saída. Todo seu tempo era varrido. Todas suas energias eram sugadas. O que sobrava era uma parcela ínfima (tempo-energia), que não possibilitava realizar qualquer tipo de criação que ele julgava útil, com algum sentido social, ambiental, cultural, para a vida. Para o espírito...

Após várias chances dadas, o nosso personagem se cansa: um acontecimento marcará para sempre a imagem do local que ele precisou frequentar - por motivos materiais - durante 30 meses. Não era possível compactuar com algo que era diametralmente oposto à sua mais íntima natureza, que ressoava com um Universo ainda desconhecido. Fora expulso sem explicação satisfatória. 

O fato não o impediu de continuar criando. Ao contrário, a produção de textos se tornou mais vulcânica. O vocabulário enriqueceu e se articulava mais elegantemente. A intensidade das palavras, das frases, dos parágrafos, eram mais perfurantes. A capacidade de síntese assombrava-o após ver a obra concluída.  

Paralelamente, Ubaldi já era interesse central em sua vida. 

O que ocorrera nesse meio tempo? Tudo e nada. Tudo em termos de vivência interior. Nada em torno de sinceridade e seriedade no mundo.O nada reforçava o Tudo. O Tudo compreendia o nada. Logo a lógica deste mundo torna-se sem graça. Era preciso encontrar um meio minimamente compatível com a sua natureza.

O que mais espanta é o fator monetário. 

Em nenhum momento, antes ou depois do segundo golpe (Nov/14), desde sua formatura, deixou de cair dinheiro na conta do ser. Após receber bolsa do INPE ele passa para o PEE. Depois entra na empresa como funcionário. E tudo finda nesse (pseudo-) fatídico mês. Mas a inquietação momentânea logo é preenchida por uma confiança fora do comum: o ser revela estar disposto a enfrentar tudo, desde a superfície de suas palavras até a raiz de seu espírito. Isso pode ter sido a causa-prima de sua Salvação.

Seguro-desemprego: janeiro a maio de 2015.

Nesse período toda a Obra de Ubaldi (24 volumes) é terminada e assimilada. Num jato engole-se todo o conhecimento que irá satisfazer incontáveis gerações. Assimila-se Rohden paralelamente. É a coisa mais fantástica que ocorrera em sua vida. Indescritível...

A vida afetiva renasce. Desta vez com uma pessoa que melhor compreende os tipos de dores do personagem. Sente-se amor e sinceridade. A relação revela-se séria e com isso inicia-se um caminhar em dupla. Mas de nada adianta o desenvolvimento afetivo sem o sustento material.

Em junho de 2015 o personagem retorna ao meio acadêmico, agora como estudante de doutorado. Nenhum projeto de pesquisa à vista. Apenas a vontade de começar algo. Contra todas expectativas minhas, a bolsa é aprovada. E as disciplinas são cursadas. Em grande quantidade. Era preciso ocupar a mente...

Paralelo a isso está ocorrendo outro estudo. Um estudo mais importante. Feito com paciência e de forma serena, perseverante. Afinal, é assim que o personagem agia quando sentia uma determinação férrea. 

Em Novembro de 2015 - exato 1 ano após o choque profissional - é aberto um email com uma mensagem de nomeação. Fora aprovado no concurso público. Em sua cidade. Em sua especialidade. Numa área que julgava mais adequada a sua personalidade. E assim, em dezembro desse ano, recebe sua última bolsa de doutorado e inicia a vida de professor em instituição pública. Abrem-se as portas para a união definitiva com aquela que seria sua esposa. 

Explicar tudo à luz da razão atual é muito difícil. O momento histórico era apropriado. Sua idade, sua formação profissional, seu ímpeto em negar a natureza corruptora do meio em que se encontrava, sua reação ao acontecimento, o tempo disponível, a circunstância ímpar que lhe permitiu estudar e se preparar, a compreensão de sua companheira,...tudo foi vital para permitir o resgate glorioso. Não há outra palavra que descreva o acontecimento: MILAGRE.

Essa história se desenvolve a passos largos. Ela parece se impulsionar por choques. O 1o foi familiar; o 2o afetivo; o 3o profissional. Tudo indica que haverá um 4o. E daí em diante. Não se sabe de que tipo nem em que momento exato. Mas o desenvolvimento do universo pessoal e as circunstâncias em formação no mundo e no país podem indicar algo. 

Quanto ao momento, temos uma sequencia:

2011 - 2012 - 2014 -...

O intervalo que separa o 1o do 2o choque é aproximadamente 1 ano (2011-2012). Do 2o ao 3o temos 2 anos (2012-2014). Como o período foi de relativa tranquilidade em 2015 e 2016, é possível que algo esteja para eclodir em 2017Se isso se confirmar, o próximo intervalo terá sido de 3 anos (2014-2017).

1, 2, 3,...

Me vem à cabeça Fibbonacci

1+1=2   
    1+2=3    
        2+3=5
            3+5=8
                5+8=13
                   ...

Só o tempo revelará...

Mas uma coisa é certa: 
A de que todo benefício exige um sacrifício de elevação. 

Tudo posso. 
Nada quero. 
Pois sei que tudo devo.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Feliz Forma Mental Nova !

Expectativas de saúde, paz e sucesso todo mundo tem - ou quer ter. Na verdade o primeiro erro está no "sucesso": sucesso implica em "vencer na vida", que dada a forma mental dominante de nossos dias implica em esmagar o outro ou o entorno. Em diversos aspectos. Físicos, emocionais, financeiros, psicológicos, políticos. É um equívoco que está se revelando como tal. 

Já foi a época em que vencer no exterior implicava em algum grau de melhoria coletiva. A cada ano se torna mais evidente a insensatez dessa meta - e ao mesmo tempo mais custoso e doloroso é sustentar isso como finalidade da vida. Mas no entanto muitos ainda querem. 

Me endereço aos conscientes - ou que já atingiram um certo grau. Aqueles que sabem que não podemos voltar ao passado doloroso, mas ao mesmo tempo não devemos permanecer no lodo do presente. Precisamos avançar evolutivamente. Não cronologicamente, evolutivamente. Um futuro em termos de evolução, não necessariamente concatenado ao tempo; um futuro que aponte para cima, para a conscientização profunda, para a libertação de conceitos que se transformam em ideias, que por sua vez viram modos de vida, com atitudes viciantes e vazias. 

Deseja-se saúde e paz. No entanto, as opiniões, em geral - e que se impõem - são as que começam a destruir a saúde, tanto no nível individual (comidas processadas, jornadas alucinantes, desinformação na TV, nos jornais, nas revistas, nos cinemas,...) quanto no coletivo (sistema público sendo extinto, lógica de financeirização dos serviços). A paz igualmente: todos soltam desejos da boca para fora, mas raros são os que trabalham por ela a cada instante. Não culpo, apenas constato. É normal seguirmos o rebanho, fazermos os votos e cerimônias. Nos prendemos a isso na expectativa de uma melhora que venha externamente. Infelizmente (ou felizmente) ela não virá. Seremos nós que precisaremos dar um passo ousado para transformação efetiva desse sistema à beira de levar grande parte de vidas ao colapso. 

De nada adianta desejar feliz ano se não mudarmos a forma mental. Isso pode ser feito a qualquer momento, em muitas circunstâncias. Quem possui melhor circunstância, infelizmente, é capturado pela mesma e vive em função dela, para mantê-la ou melhorá-la. Mas uma hora ela muda contra nossa vontade, e o que resta é sofrimento que gera soluções relativas que apoiam lógicas autoritárias - cada vez mais sutis - nas quais aparentemente está mais difícil nos desvencilharmos sem sofrermos algum tipo de represália forte do mundo. Eis o grande desafio de nossos tempos. Á medida que constato e sinto e reflito a sensação se torna mais forte. Uma cadência que se intensifica. Uma cadência que, se intensificando, começa a trazer uma série de instrumentos (conceitos) novos para o mundo, como o Bolero de Ravel. E não é possível ignorar o que está martelando sua alma. Isso é o que muita gente vem sentindo. 

Não precisamos desejar nada feliz. Precisamos VER a REALIDADE e mergulhar nas concepções mais profundas...cósmicas, para a partir daí começar a gerarmos soluções efetivas. No longo prazo haverá muito trabalho. Mas posso garantir que se soubermos passar por esse túnel de desespero com convicção e orientação, o trabalho começará a apresentar frutos. Para você, para mim, para todos. Para as espécies, para a Terra. Para o mundo das ideias, das teorias. Extrair de dentro novos conceitos. Viver o sentido até as últimas consequências. Observar a Realidade e senti-lá. Absorvê-la. Compreendê-la. Reformá-la. Supera-la.  

O seguinte ensaio mostra que existem pessoas que levam a sério isso. E vêem o que provavelmente deverá ocorrer nas próximas décadas. 

https://medium.com/@joe_brewer/we-are-all-stepping-into-a-broken-future-ee65e49d764d#.l1pgxdxg7

Devemos estar preparados para o que vier. O primeiro passo para isso é compreender o que está ocorrendo no mundo. O como e - acima de tudo - o porquê. Em todas esferas: político-social, econômica, científica, afetiva, religiosa, cultural, filosófica. Diversos ciclos, de diversas durações, estão fechando. Esse alinhamento de furos de discos que giram em velocidades diversas levará a uma transformação. Resta a nós aceitá-la e usá-la da melhor forma. Ela é inevitável. A História nos levou a ela, pelo bem ou pelo mal. 

Ascensão é a palavra mais adequada para quem realmente quer que haja paz e saúde e vida.

Efetivamente.

 







sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O PROBLEMA INVISÍVEL E INSISTENTE

Ensaio de 2014

De nada vale o que é escrito aqui se não for minimamente vivenciado no sentir e no agir. A teoria, para ser elaborada conscientemente, deve se apoiar numa série de vivências. É necessário um longo período de constatações (anos ou décadas), acompanhadas por tentativas criativas de mudança, antes de colocarmos em pauta algumas causas de problemas fundamentais e enumerarmos possíveis soluções. Estas devem ser criativas o suficiente para integrar. Esse é um trabalho individual, solitário e não perceptível.

Anteriormente, em outro texto, eu tangenciei alguns aspectos da teoria esboçada por Ubaldi a respeito de nossa queda no Anti-Sistema (AS), o mundo da matéria, no qual a realidade do espírito é declarada uma ilusão infantil, enquanto a matéria (os bens, o dinheiro, o corpo, os títulos) é a realidade que conduz ao triunfo. É com uma visão desse tipo que a humanidade, em sua esmagadora maioria, adota religiosamente uma forma mental que colima numa série de comportamentos e condutas semelhantes em substância – apesar de grande variabilidade na forma.

Libertação é iniciada pela Conscientização.
Segurança é iniciada pela Conscientização.
Consciência traz liberdade segura, sem desequilíbrios,
 e segurança livre, sem amarras. 
A dinamicidade horizontal buscada pela massa de seres presos ao campo gravitacional do AS cria uma ilusão de evolução que é confortável acreditar. E ao mesmo tempo confiamos nelas, vendo nossos semelhantes adotarem as mesmas atitudes – cada qual do seu meodo – e declararem que se sentem transformados (será?). Além disso, eles “vencem”, mas apenas por fora. Por dentro a guerra continua no mesmo nível – ou até abaixo – antes dessa pseudo-vitória. Trata-se de mudanças que não trabalham a substância do ser. Apenas alteram a sua forma. E como em nosso plano encaramos forma como substância, nos declaramos vencedores de nós mesmos. Isso significa que a ilusão da matéria venceu a realidade do espírito.

É preciso ter muita coragem para adotar uma nova postura de vida. Quem se arriscaria em seguir sua consciência durante anos e décadas, restringindo seu meio social, oportunidades afetivas e profissionais, sem garantias de retorno à curto prazo? No entanto surgem na Terra biótipos 'à la' Sócrates, Arquimedes, São Francisco, Cristo, Kant, Beethoven, e por aí vai, que parecem edificar um edifício invisível cuja magnificência sempre sonda e aconselha as mentes mais perdidas e sinceras em busca de uma real solução aos problemas. Mentes que já tentaram os caminhos práticos e fáceis sem nada conseguir de efetivo.

Nós, com toda informação e tecnologia, não somos capazes de trabalhar a própria substância (e a adjacente). Isso se traduz na falta de vontade em tratar de assuntos delicados e/ou polêmicos. É sensato fugir do diálogo profundo, sincero e laborioso, e partir em busca de alguém mentalmente mais próximo para reafirmarmos nosso modo de vida. E assim tudo caminha suavemente – e estaticamente...

A fronteira imposta pela sociedade através das normas de conduta tornam escandaloso o investigador da alma. No entanto essa mesma sociedade anseia secretamente e fervorosamente por um novo modo de vida, baseado em novas relações e oportunidades, sem as quais o mundo poderá ter a paz tão desejada. Como solucionar algo sem abrir a mente para novas formas de ver, sentir e pensar?

O risco é grande. Mas quem já percebeu e analisou tudo cuidadosamente, adotando múltiplos pontos de vista, começa a ganhar um ímpeto. Este é elevado ao quadrado com a aquisição de experiência, adquirida dolorosamente com os choques de mentalidades que não se comunicam. Uma percebe os acontecimentos globalmente e busca diálogo. A outra percebe os mesmos localmente e tende a se entrincheirar.

À medida que a marcha do progresso avança por terrenos inimagináveis,
Revelam-se os contextos que nos fazem - cada vez mais - olhar para dentro.
Dentro de nós, dentro de tudo.
E assim escutar a sinfonia da vida, que de tempos em tempos clama
por uma evolução que rompa os véus dos velhos paradigmas.
O fracasso em (não) transformarmos nós mesmos e nosso entorno ao longo dos anos reside no excesso de medo. Por medirmos tudo em curto prazo, as humilhações aparentes e momentâneas são ampliadas (negativismo cresce quantitativamente) e pioradas (negativismo cresce qualitativamente), dando uma sensação de que a melhor maneira de lidar com a vida é adotar uma astúcia hiper-maquiada e amenizar vícios buscando outros vícios. Inicia-se assim uma ciclagem que dá uma falsa sensação de melhora.

Um choque de idéias bem conduzido – sem preconceitos e visando um eixo diretor comum...a evolução – é temeroso a princípio. Mas se as partes forem sensatas e sentirem a boa intenção dos outros a gênese dos laços espirituais se inicia. Pura emoção. Emoção subterrânea, sólida e restauradora da crença em si mesmo e no universo ao redor.

Todo esse ciclo não é mera abstração que o autor busca imprimir na mente de seus leitores. Cada palavra e sensação trazida por ela é a transmissão de uma vivência recente. Um caso vivido, temido (à princípio) e praticado, até suas últimas consequências. Com a crença de que estando na verdade e num ambiente receptivo à evolução nada poderia acontecer de mal. E assim sucedeu.

Eis o caminho da dinamicidade vertical. Um caminho de subida rumo ao Sistema (S). De depuração material através da conexão espiritual. É mais estreito? É. É mais trabalhoso? É. É demorado? É. Você será reconhecido pelos métodos avaliativos deste mundo? Não. Vale a pena? SIM. Por que? Simplesmente pelo fato de isso trazer libertação. E ela é só o início de um longo processo que jamais deve estacionar. Até atingirmos a espiritualidade absoluta e nos fundirmos com o S.

Quando (quase) tudo está engessado por uma forma mental predominante de dinamicidade horizontal, qualquer atitude de autoconhecimento será encarada como perturbação.

Mas (felizmente) idéias não morrem. Apenas são ignoradas pela ignorância, sendo recorridas assim que o anseio por evolução se torna irresistível. 

Será que nós, humanidade, estamos perto de atingir tal anseio?

Link interessante:
https://portal2013br.wordpress.com/2016/06/09/4-metodos-que-o-sistema-usa-para-tentar-bloquear-o-nosso-despertar/


sábado, 24 de dezembro de 2016

Uma Observação

Extraído de um iluminado (UBALDI, P.)

"Antigamente, as revoltas dos subalternos eram todas ilegítimas, porque era inconcebível que eles tivessem direitos. 
Isto produziu um inevitável estado de desconfiança, sobretudo por parte dos dependentes em relação aos dirigentes. 
Por isso não existe colaboração entre os dois extremos, mas sim um antagonismo dificilmente sanável. 
Pudemos observar na Europa casos em que o velho instinto de revolta do servo contra o patrão  voltando à tona  induziu os primeiros a não aceitarem propostas para sua própria vantagem, oferecidas a eles por patrões inteligentes. 
Estes as ofereciam porque tinham compreendido que, nos próximos anos, ver-se-iam constrangidos a concedê-las à força. Então, antecipando os tempos, tinham decidido oferecê-las por sua espontânea vontade, em vista de seu interesse futuro 

A vantagem, para eles, consistia em assegurar à sua própria indústria um longo período de paz, o que significa uma produção maior e portanto uma utilidade maior, pelo fato de eliminar a dispersão de energias provocada pela luta, associada a greves, vandalismos, sabotagens, escasso rendimento de trabalho, discussões com sindicatos etc. As concessões queriam prevenir tudo isso e os consequentes prejuízos, procurando resolver o problema da violência através da eliminação de suas respectivas causas, para instaurar assim um regime de justiça. É seguindo este exemplo que os dirigentes demonstram ter compreendido o quão mais conveniente é darem prova de justiça e generosidade  concedendo aos seus dirigidos espontaneamente aquilo que estes, mais tarde, conseguiriam pela força  do que continuarem a explorá-los e a oprimi-los. 


Pois bem, nestes casos pudemos observar que os dirigidos recusaram estas pacíficas ofertas, realmente vantajosas para eles, preferindo palmilhar o método da ofensiva e da sucessiva extorsão pela violência. 

Isto porque foram induzidos pelo seu instinto, fruto de longa experiência no passado, a desconfiar da oferta, que foi interpretada então como uma enganosa armadilha. 


Este instinto os leva, portanto, a não aceitar tal proposta, porque eles acreditam que, somente conseguirão algo de verdade extorquindo-o pela força. 

Nem é possível se esperar uma atitude diferente de indivíduos habituados a desconfiar durante milênios. 

Até ontem, os servos nem sequer conheciam quais eram os seus direitos. Sabiam apenas que o mais forte os tinha todos e que o mais fraco não tinha direito algum, sendo qualquer reclamação sua julgada e punida como uma revolta."