domingo, 19 de outubro de 2014

KARDEC está para NEWTON. UBALDI está para EINSTEIN

Todos que passaram pelo ensino básico tem uma noção da contribuição dos gênios no campo do mundo material. E quem se interessou um pouco mais pelos estudos pôde perceber o seguinte: o conhecimento começa a se firmar a partir de observações capturáveis pelos nossos sentidos. A partir disso é fácil compreender porque inicialmente o modelo da Terra foi considerado um plano se estendendo infinitamente nas duas dimensões e o céu era uma semi-esfera que “tampava” essa plano (a Terra), repleta de pontos luminosos. Tanto que até os dias atuais, para quem estuda astronomia, o termo “abóbada celeste” – fazendo referencia a um céu em formato de semi-esfera – permanece em uso.

Isaac Newton. Formulou as Leis da
Gravitação, entre outros fenômenos
do mundo físico.
Com o passar dos tempos, o modelo do nosso mundo foi se expandindo. O ser humano percebeu que os pontos luminosos (as estrelas) se deslocavam de tal forma a dar uma ideia de que a “abóbada” estava em rotação. Logo concluíram que não se tratava de uma semi-esfera, mas de uma esfera por completo, que girava ao redor do nosso plano. Mais à frente Eratóstenes [1], baseado em sombras e proporções conduzidas por um espírito imaginativo, realizou cálculos que não apenas concluíram que a Terra possuía uma curvatura assim como – partindo das verdades incompletas anteriores – era esférica. E estimou seu raio com uma precisão impressionante para a época (seu erro foi de 16%). E século após século, pessoas com espírito investigativo surgiram para expandir o conhecimento. Sempre se apoiando nas conquistas passadas.

Pois bem. Sabemos que no campo da ciência material (e todas outras áreas) as mentes constroem baseadas nas conquistas de seus antecessores. Foi assim na cadeia física Erastótenes – Giordano Bruno – Galileu – Kepler – Newton – Einstein – ...assim como em muitas outras.

Albert Einstein. Expandiu os conceitos desenvolvidos
por Newton, elaborando uma teoria mais geral, isto é,
com maior amplitude.
A expansão dos conceitos é algo natral em qualquer campo do saber. É intrínseco do ser humano mais próximo da espiritualidade fazer mais e querer mais no intangível. O querer levando ao fazer; o fazer gerando mais querer. Levar e gerar. Um relacionado ao destino; o outro ao meio de atingi-lo. Esse ser humano acima do normal também se faz valer nos estudos do imponderável.

Allan Kardec [2] (Hippolyte Léon Denizard Rivail), um influente educador, autor e tradutor francês, muito crente na ciência e nos métodos racionais-analíticos, notabilizou-se como codificador do espiritismo. Isto é, descobriu, ou melhor, abriu um novo campo de estudos baseado em relatos sistemáticos de entidades estranhas aos nossos sentidos (espíritos) submetidos aos mais diversos rigores da análise científica antes de serem classificados como não pertencentes ao mundo ponderável.

Seis volumes constituem as bases da Doutrina Espírita codificada por Kardec. Respostas à diversas perguntas fundamentais que assolam a humanidade sobre os mais diversos assuntos (afinidades, evolução, sentido da existência, fenômenos, separações, uniões, instintos, progresso, amor, conservação, destruição, destino...) foram dadas por uma série dessas entidades intangíveis. Respostas não necessariamente definitivas – muitas são incompletas e não satisfazem as mentes mais curiosas – mas que até aquele ponto (1860) sintetizavam os grandes problemas da humanidade, consolando milhões e evitando o misticismo de forma.

Allan Kardec. Compilou uma série de leis do
imponderável, demonstrando sua possibilidadee
por métodos racionais e lógicos.
Em 1886 nasce em Foligno, na Itália, uma criança pertencente à nobreza italiana. Seu nome era Pietro de Alleori Ubaldi. Se tratava de uma criança que começou a perceber o descompasso entre o seu mundo e o mundo em que se viu inserida desde a mais tenra idade.

Ubaldi descreve que dos 5 aos 45 anos sua vida consistiu basicamente em CONSTATAR a realidade de seu mundo, seguindo uma vida esperada, com suas riquezas e afazeres profissionais. Dos 45 aos 85 anos se deu a EXPERIMENTAÇÃO das teorias que vinham sendo maturadas em sua mente altamente intuitiva. Nessa segunda fase predominou um tipo de vida completamente diferente, na qual a riqueza foi abandonada e o dinheiro passou a ser ganho à custa do trabalho duro como professor de línguas e piano. Paralelamente ele iniciou a escrever o que denominou por “Obra”: uma coletânea de 24 volumes versando sobre os mais diversos assuntos, de todos saberes, concatenados entre si de um modo nunca antes apresentado, guiadose por uma Lei diretora do Universo (físico e moral). Nascia assim seu livro mais importante, “A GRANDE SÍNTESE” (1935), que gerou espanto e admiração das mentes mais brilhantes de seu tempo. Mentes que não puderam negar sua própria pequenez após se depararem com a vastidão do imponderável.

Ubaldi expandiu as fronteiras do interior como nunca. Ele partiu das obras básicas de Kardec, revelando verdades novas, explicando e exemplificando outras, e unindo tudo em torno de um eixo diretor central (uma Lei universal). A partir daí o mundo pode se considerar abençoado por finalmente ter surgido um ser unificador capaz de dedicar 80 anos de sua vida à Verdade e ao Telefinalismo da existência.

Da mesma forma que Einstein, ao conceber a Teoria da Relatividade e outras teorias na física quântica, não negou mas apenas expandiu a Teoria da Gravitação de Newton, Ubaldi elevou as bases plantadas por Kardec a um patamar inimaginável. A diferença é que Newton e Einstein são expoentes de uma linhagem de pesquisa no campo material, enquanto Kardec e Ubaldi são expoentes de uma linhagem de pesquisa num campo mais elevado (muito mais): o espiritual. Campo este que engloba o material. Para comprovar basta analisarmos cuidadosamente os livros de Ubaldi, capazes de convencer pela incrível fluência em todos campos do saber: filosófico, científico, teológico e artístico.

Pietro Ubaldi. Compreendeu e aplicou o
Evangelho em sua vida, usando-a de laboratório
para comprovar que existem leis superiores,
ainda não admitidas pela nossa ciência. Escreveu
uma obra monumental de 24 volumes abrangendo
os problemas mais importantes da existência. 
De fato Ubaldi disse verdades que incomodam os seguidores de Kardec. Ele alertou o risco do espiritismo cair na mesma armadilha do catolicismo medieval, que nada mais é do que o engessamento. Um estado estático que inibe o transformismo universal inerente a cada ser. Por isso ele é comumente enquadrado como um pensador independente, seguidor do Universalismo Crístico (que nada mais é do que uma denominação para aqueles que se prendem apenas à Verdade).

Por medo de seguir adiante a humanidade tem a tendência em estacionar a cada passo. E nega aqueles que adentram em terrenos desconhecidos. Mas são sempre estes os tipos que iniciam o processos de ascensão coletivo. São os Santos. O homem Evangélico. O tipo biológico muito acima da média.

Já li quinze livros de Ubaldi. Grifei-os. Estudei-os. Ouvi reuniões e pessoas e observei acontecimentos e concluí: tudo se encaixa em sua teoria. TUDO. Vivenciei parcialmente o que eles relatavam. E me dei conta de que algo muito poderoso está ocorrendo dentro de mim. 

A Obra de Ubaldi não é o ponto final do saber, mas deverá se tornar referência para uma humanidade em busca da espiritualização nos próximos séculos.

Enquanto não surgir um Newton das leis morais, leis estas muito mais sutis, profundas e poderosas do que todas descobertas até o presente, o avanço rumo à felicidade será em ritmo lento. 


Referências


sábado, 18 de outubro de 2014

REFLEXÕES SOBRE TEMAS (3)

"Ajude sem exigências para que os outros o auxiliem sem reclamações"

Caridade: ajudar sem exigências. É possível neste mundo. No entanto eu acredito que, para realizá-la de fato a pessoa deva estar num estado temporário de felicidade.

É raríssimo encontrar um ser caridoso quando algumas esferas de sua vida se encontram em desordem. O corpo se enfraquece com faltas e excessos, e isso afeta a alma, que por sua vez se torna incapaz de direcionar energias para atividades elevadas.

Pensando a longo prazo, é vantajoso ajudar sem exigências. Mesmo quando o ajudante estiver na penúria. Mas eu sinto que nos dias correntes raros são os seres com visão telescópica e paciência oceânica. Portanto, em termos práticos, a melhor forma de estimular as ajudas desinteressadas seria garantir condições de existência digna para todos.

Existe ainda um segundo empecilho à caridade: quando o indivíduo, apesar de boa saúde e conforto material, sente (consciente ou inconscientemente) ausência de algo essencial e intangível em sua vida. Nesse caso a falta de perspectivas enfraquece ou anula a vontade de ajudar o próximo. Há desinteresse em escutar o outro ou doar dinheiro (ou tempo). Porque não se vê sentido (ordem) em nada.

Para solucionar esse segundo caso acredito que uma boa dose de ajuda moral por tempo suficiente resolva ou amenize o problema. Essa ajuda deve vir de quem está num estado de felicidade temporário - porque neste mundo ela não dura muito.

Pode-se assim, para ilustrar a ideia, construir um triângulo subdividido em três partes, na qual o topo (3: felizes temporariamente) devem ajudar as bases (1: pobres material e espiritualmente; 2: pobres espiritualmente).


Como neste mundo a felicidade é temporária, existem constantes quedas (3 para 2 ou 2 para 1); e ascensões (1 para 2 e 2 para 3). Ciclicamente, revelando a imperfeição de nosso estágio evolutivo atua, que se apóia na materialidade externa. Esse processo pode ser de meses, anos, décadas ou vidas. Ou seja: o ajudante de hoje pode ser o ajudado de amanhã. E vice-versa. Portanto é prudente ter cuidado ao fazermos avaliações com postura absolutista.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

REFLEXÕES SOBRE TEMAS (2)


"O seu mau humor não modifica a vida" [N2]

O mau humor está relacionado com a percepção que a gente tem da vida.

Sempre iremos receber saraivadas de estímulos externos. Desde que nascemos. E antes. E depois (da morte). E serão de várias espécies.

Ao longo dos anos desenvolvi uma capacidade que consiste em não me deixar influenciar por assuntos ou acontecimentos pouco importantes na minha vida - apesar de muitos verem como prioritários e interessantíssimos. E a perceber e valorizar fenômenos e pessoas e ambientes que passam pela vida de milhões e milhões despercebidos. Isso me ajudou a manter o bom humor em momentos tensos. Mas igualmente aumentou minha indignação diante das injustiças.

É difícil não ficar de mau humor. Especialmente se ele é causado por uma injustiça social, cultural ou afetiva. Mas creio que a irritação - mesmo que prejudicial para o corpo e a mente - já é uma espécie de progresso. Porque trata-se de uma revolta contra um problema mais profundo (afetividade) e universal (cultura e sociedade).

Acredito que continuarei sendo inconformado com muitas das coisas que compões a realidade deste mundo. Talvez pela capacidade de vislumbrar como muitas coisas poderiam ser. E sabendo de que forma isso poderia ser feito. Mas a forma mental progride muito lentamente e é muito resistente a mudanças na substância. Por outro lado, não vejo uma relação direta entre inconformação e mau humor. É possível estar em desacordo com o mundo e conviver nele. Isso é a verdadeira arte da vida, a meu ver.

Existe uma diferença abissal entre adaptação e conformação. Quem não se adapta - a si mesmo, à sua natureza divina - e se conforma - com os absurdos ocultos e visíveis do mundo - pode ser aparentemente bem humorado. Apenas por fora claro. Porque por dentro existe um choque constante entre o que queremos ser e dizer e o que de fato dizemos e somos. Apenas para agradar a sociedade e garantirmos uma imagem boa. Não deixa de ser um egoísmo travestido de boa aparência e educação e pacifismo. A intenção nunca esteve tão disfarçada. Mas isso já é um progresso.

Por outro lado quem se adapta ao seu Ser e é inconformado com o funcionamento do mundo tende a desenvolver hábitos construtivos para denunciar, criticar e amenizar os impactos negativos. É um questionador. Muitos não percebem essa diferença substancial entre quem reclama e quem questiona. Ambos assumem uma postura perante o mundo, mas enquanto o primeiro não filtra a negatividade, deixando-a permear sua personalidade, o segundo filtra tudo nocivo ao seu desenvolvimento e não gasta energias em campos muito distantes de sua realidade. O primeiro busca o segundo atrai.

Quem tem mau humor reclama.
Quem tem bom humor questiona.
Devemos questionar incessantemente. Tudo e todos. Principalmente nós mesmos.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

QUANDO A VIDA DOS OUTROS MUDA A SUA VIDA. E VICE-VERSA.

“Os escritores são engenheiros da alma”. Uma fala proferida no filme A Vida dos Outros, que assisti pela enésima vez hoje. Bela frase. Pra mim pelo menos, já que sou engenheiro e gosto de escrever.

É incrível como um filme...um simples filme, é capaz de mexer com suas emoções de tal modo que lágrimas vertem pelos olhos à medida que os personagens vão vivendo e reagindo e (alguns) se transformando. E é essa capacidade (transformar) aquela que mais encanta no filme.

“As pessoas não mudam”, diz um político para um artista.

A arte expressa vontades e desejos e sentimentos que dificilmente somos capazes de expressar quando estamos na rua, na escola ou no trabalho. Não temos coragem. Nunca temos vontade no momento. E o momento da vontade nunca chega. Nunca...

Mas as pessoas mudam, eu digo. Elas mudam sim. E isso acontece quando se começa a ESCUTAR e COMPREENDER os ignorados e excluídos. Nossa visão muda. Nossos filtros se readequam e passam a deixar muita preciosidade passar pelos nossos ouvidos. Essa mudança interna – sua, minha, de todos nós – é lenta. Tão lenta que até hoje a ciência ainda ignora os mistérios que causam as mudanças mais influentes no ser humano.

A superfície é fácil de ser trabalhada. As camadas mais profundas exigem mais empenho, tempo, criatividade e – sobretudo – Amor. Só os exploradores da alma amadurecidos serão capazes de levar uma vida investigando esse caminho. Em tudo e todos. Todo dia.

Gerd Wiesler. Um homem bom. 
Que belo filme esse “A Vida dos Outros”!

Cada plano, cada cena...Tudo é meticulosamente planejado de modo a extrair e expressar o máximo de humanidade e sentimento. Dos personagens e do público. A trilha sonora se une aos sentimentos e desejos dos personagens formando uma harmonia quase sobre-humana. É um filme que aponta para a divindade sem citá-la. Secretamente. Mas o mais comovente é a crença – uma quase sapiência – na capacidade de transformação do ser humano.

Gerd Wiesler (ou HGW XX/7) é apresentado logo de início. Frio, metódico, inteligente e racional. Um ser humano (aparentemente) sem sentimentos e infalível. Sua voz monocórdica e precisa nos lembra um perfeito robô. No entanto, essa visão acaba sendo abalada no decorrer da projeção.

O trabalho de vigilância de um dos capitães mais brilhantes da Stasi (a polícia secreta alemã pré-queda do Muro de Berlim) acaba por ser um VERDADEIRO trabalho. No sentido evolutivo. Desperta-se uma consciência. Amplia-se sua visão do mundo e da sociedade. De repente a arte invade sua vida. Uma vida sedenta por mais, mas sempre impedida de se elevar por causa de uma falsa percepção de um ideal e de um mundo desejoso de se expressar. 

Dizem que A Vida dos Outros é um conto de fadas, pois nunca houve um caso (registrado) de agente da Stasi que fez o papel de anjo da guarda de um cidadão “subversivo”. Talvez...A questão não é essa. O ponto é o seguinte: esse “conto-de-fadas” virou filme. E filmes são reais porque despertam emoções – que são reais...e INTENSAS. Emoções expressam desejos. As pessoas saem da sala (de casa, do quarto,...) se sentindo melhor. O mundo tem alguma esperança. Porque o ser humano...aquele ser visto como o menos humano, o mais robótico, o mais frio...se transformou. De uma forma magistral. Poética!

Mas a evolução é lenta, como já disse Pietro Ubaldi. Demoramos décadas, séculos, vidas, às vezes para sanarmos um ou outro defeito. Pequeno! E somos cheios deles.

Mas a salvação existe. Pode ainda não ser provada, mas filmes como A Vida dos Outros são um atestado do ardente desejo humano por melhorar. É uma obra que expressa a capacidade de evolver. Mesmo sendo ainda fantasia, já alegra.

Antes de fazermos, precisamos sonhar.

Antes de concretizarmos, precisamos agir.

Antes de agir, devemos conceber.

Para conceber, precisamos nos voltar para nós mesmos e travar uma guerra.

E com isso, após longas batalhas, teremos paz dentro.

E naturalmente, paz fora.


Essa é a sensação qu tive ao (re)ver A Vida dos Outros hoje.

domingo, 12 de outubro de 2014

REFLEXÕES SOBRE TEMAS (1)

A proposta desse tópico é expor a público textos que eu desenvolvi baseados em temas (frases simples, provérbios, ensinamentos sujeitos à interpretação de quem os lê). Esses textos foram sendo desenvolvidos ao longo de um curso que eu participei. Se bons ou não, acredito que seja útil expô-los neste espaço. Nada há de pessoal nem sigiloso. Além disso, nenhuma ideia demonstra espírito de cisão ou expõe detalhes sobre particularidades do próprio curso.

Gostaria de expô-los aqui porque as idéias que desenvolvi neles são minhas, portanto coincidem com a pirâmide de ideias sendo edificada neste blog. Um blog que não é um simples despejar de sensações particulares, mas uma tentativa de construir uma moradia de compreensão para leitores – e autores – das mais diversas tendências. A preocupação é com o Todo, e não apenas comigo (pelo menos é o que tento...). Porque o egocentrismo expandido ao máximo se torna altruísmo. É uma preocupação SUA – sim, sempre seremos assim – mas se relacionando com o Universo, por percepção de que o Todo e o Eu são integrados.

Ao todo foram dez. E aqui vai a primeira reflexão.


“Nas lutas habituais não exija a educação do companheiro, demonstre a sua.”

Sim. Não devemos exigir essa educação – nem qualquer outra atitude que julgamos elevada – das pessoas porque o alcance de nossas palavras é limitado. E o desgaste seria muito grande para nós, gerando outro desgaste no lado oposto.

Eu acredito que a melhor forma de atuarmos para transformar a sociedade (ou grupo, ou família e governo) seja através de nossos afazeres cotidianos. Pois convivemos 24 horas por dia conosco. E existem incontáveis atividades interessantes e úteis e poéticas e belas (sem custo, ou baratas) que expandem nossa mente e contatos e amizades. E portanto nos deixam em melhores condições de saúde. Isto é, menos preocupados com a vida dos outros e mais com a nossa própria. Uma comparação-compreensão do nosso Ser através do tempo, ao invés de uma comparação-competição do nosso Ser com o mundo.

É claro que atingir esse nível de percepção da vida exige tempo. Eu chutaria dez anos de trabalho duro de maturação interior. Assimilação de experiências e tentar encontrar uma lógica coerente no mundo, pesquisando as diversas correntes filosóficas, concepções religiosas do mundo e aspectos científicos da realidade. O natural será das duas uma: depois de uma busca curta estacionamos naquilo que mais nos agarde, nos satisfazendo em viver no mundo e ignorar os problemas últimos e fundamentais – que um dia, nesta vida ou nas outras irão nos martelar; ou traçamos um caminho cada vez mais solitário, nos conectando à nossa essência divina (nosso interior), tão preenchedora para quem se dispõe a realizar uma investigação até as últimas consequências.

Mente aberta e paciência são as características de uma personalidade que atingiu um grau supraconsciente. Isto é, não se prender dogmaticamente a nenhuma corrente de pensamento (abertura mental), seja ela uma ideologia, uma religião, um nicho da ciência, uma corrente filosófica ou qualquer outra coisa que apresente antagonismos – diga-se: tudo em nosso mundo. Isso não significa que defender uma visão de mundo e adotar um lado veementemente te transforme num defensor radical de um modo de vida. O valor de defender uma posição reside na capacidade do seu defensor expor suas idéias de forma clara, revelando contradições nas anteriores, mas ao mesmo tempo revelando verdades relativas em cada uma delas, moldando uma nova, mais completa, mais integrada, capaz de atender todos anseios e explicar todos conflitos aparentes.

A paciência é consequência de uma compreensão profunda da realidade das pessoas. É um entendimento da mecânica das relações sociais, do desenrolar da história individual (sua) e coletiva (seu povo, sua nação, a humanidade). É um autoconhecimento. Sabemos separar nosso subconsicente, nosso consciente e nosso superconsicente. Temos clara noção quando um tenta manipular o outro e passamos a respeitá-los e controlá-los na medida adequada ao nosso desenvolvimento. Isso significa que nem tentamos suprimir por completo nossos baixos instintos, com medo de gerarmos uma distorção e possivelmente gerar futuros traumas – desnecessários – nem deixamo-los livres para se manifestar completamente, causando repressão por parte da sociedade, via leis. Ao mesmo tempo, deixamos nossa intuição agir na hora certa, revelando pensamentos profundos para as pessoas certas (se houverem) e ambientes apropriados, conforme nossa capacidade de exprimir sentimentos e idéias.

Devemos dar menos peso para as particularidades da vida alheia, para os bens materiais e para as vaias e aplausos do mundo. Isso é o que levará a pessoa a se preocupar mais consigo mesma do que com os outros. E levará cada um a conduzir o seu trabalho de modo concentrado, possibilitado atingir o máximo de si. Se o mundo responder com indiferença, com condenações ou com bonificações é problema dele. O único julgamento realmente válido virá de outro plano, no qual a concepção é (infinitamente) mais vasta e a compreensão é (infinitamente) mais profunda.

É entre Eu e Deus. É entre Você e Deus. É entre cada Ser e Deus.

sábado, 11 de outubro de 2014

SER CONVENIENTE PARA CONVIVER, SER SOZINHO PARA SE CONHECER.

De alguns tempos pra cá fui percebendo várias coisas interessantes na minha vida - e na vida das pessoas. Detalhes importantes do dia-a-dia. Acontecimentos banais e breves, mas cheios de verdades profundas por trás. Sou muito mais paciente em lidar com reações de pessoas após soltar alguma ideia ou pergunta. Porque passei a compreender o que leva muitas pessoas a reagirem de tal forma ao ouvirem algo de alguém.

Cada ser humano tem uma bagagem de experiências - sua história. Além disso, o meio em que as pessoas vivem influenciam suas atitudes. Digamos que são limitadores de liberdade virtuosos ou viciantes - o que caracteriza um ou outro será abordado futuramente em outro texto. Existem ainda as conexões feitas por essa pessoa, que irão brotar e se manter (ou não) baseado em suas crenças e valores. Conhecendo verdadeiramente a fundo esse quadro (HISTÓRIA-MEIO-CONEXÕES) é possível prever as possibilidades de conexão profunda com essa pessoa e saber como conduzir uma conversa com ela.

Agora começa a se esboçar em minha mente o seguinte: em geral, quanto maior o número de conexões, menos seletivo o critério de seleção das mesmas; e (também em geral) vice-versa. Não se trata de uma verdade absoluta porque podem haver pessoas com poucas e más conexões. Como por exemplo gente que constantemente rompe amizades ou é incapaz de fazê-las porque tem pouca tolerância às diferenças e ainda não aprendeu a lidar com o mundo porque não o compreendeu.

Alguém pode refutar dizendo que é ou conhece pessoas cheias de boas amizades que sempre querem estar próximas e comparecem às suas festas e conversam e dão conselhos e ouvem e etc. No entanto, essa observação me parece muito vaga porque provavelmente está sendo feita baseada em aparências. Experimente por exemplo perguntar a essa pessoa sobre a posição social, renda, herança, atributos físicos, comunicabilidade, antepassados, etnia, religião, orientação política e formação desse indivíduo "abençoado", e ele lhe dará - se estiver disposto a isso - uma série de respostas que derrubará sua afirmação. Isto é, por trás dessa quebra de regra (qualidade com quantidade) reside uma série de aparências. Em camadas. Expor detalhes desse tipo no dia-a-dia provavelmente trará uma horda de inimigos. Mas ao mesmo tempo eles podem trazer amigos - de verdade.

O mundo às vezes tem uma visão emborcada de
felicidade, associando-a aos gozos. Logo se
descobre que o abuso leva à dor e involução.
Quem se contenta com as idéias e vê os milagres
que se operam todo dia deixa de se abalar. Mas
o mundo o vê como idiota ou louco.
Ser saudavelmente sozinho é uma atitude que prima pelo autoconhecimento e é causada pela sensação de independência.

Ser doentiamente sozinho é uma atitude causada pelo desejo de exclusão dos outros, que leva à própria exclusão.

Quem é saudavelmente sozinho dificilmente sofrerá de solidão.
Quem é doentiamente sozinho dificilmente sentirá plenitude.

E os conectados?

Quem é hiperconectado sente uma necessidade de sê-lo (caso contrário não seria). Partindo do pressuposto de que todos somos diferentes, então criar um grande leque de "amizades" significa que a pessoa terá de assumir uma personalidade camaleônica, omitindo opiniões em eventos sociais, na escola, no trabalho e (ás vezes) na família e na cama, para manter as possibilidades externas e não ter amolações. Os valores são esquecidos gradativamente. Nada que possa "manchar" sua imagem é emitido. Tudo é calculado, avaliado, ponderado. Infelizmente no sentido egoístico. Ou seja, não fazemos o mal porque estamos convictos de que não é certo. Não o praticamos por fora porque queremos manter uma boa imagem perante o mundo. Mas sempre que possível, quando ninguém vê - ou achamos isso - deixamos nossos instintos fluírem sem rédeas.

Quando agimos em função do mundo perdemos a identidade e o próprio mundo. Porque o que é externo, o que é aparência, está se transformando e nossa capacidade de acompanhar algo além de nós é limitada.

Quando agimos seguindo nossa consciência, o mundo pode nos condenar, mas SEMPRE estaremos em paz conosco, porque nosso SER divino é imaterial e repleto de verdades. A independência externa é mínima, conduzindo a uma vida mais orientada e feliz.

A arte da vida consiste em saber fazer suas coisas sem deixar de conviver com o mundo. E expor suas idéias em ambientes receptivos a ela. É uma busca incessante. Experiências que desmascaram ilusões aqui e ali, tornando-nos mais experientes no viver. Com o tempo passamos a saber como e quando agir. Saberemos de antemão se vale ou não a pena começar a tocar num assunto com um grupo ou uma pessoa. Perderemos menos tempo e menos energia com o que nada nos acrescenta. Nos sentiremos cada vez menos presos a grupos, – sejam de qualquer espécie – nos limitando a cumprir obrigações por mera questão de subsistência.

O futuro está escondido nos pensamentos que o nosso mundo tem como insignificantes. Ele está nesse baú secreto, misturado com diversas idéias travestidas de promissoras e resolutoras. Idéias semelhantes em sua forma, mas que se revelam frouxas à medida que um investigador começa a estudá-las. São teorias feitas apenas para satisfazer um grupo. E infelizmente esse fato faz com que verdadeiras teorias sejam deixadas de lado, com medo de ser uma perda de tempo se aprofundar. Mas quem ousa adentrar nesse campo e abraçar uma idéia desse tipo começa a perceber que não existem contradições. Tudo se encaixa em substância. Há unificação de saberes e grupos. A complementariedade suplanta a segregação. Revela-se que os desentendimentos se devem pela falta de uma visão global e longo prazo. Pela ausência de uma orientação. Esta só pode ocorrer com um sentimento de que tudo concorre para uma finalidade. Quando a humanidade tomar posse desse sentimento começará uma grande revolução na humanidade. Uma revolução mental, que conduzirá a um novo sistema e a implantação de uma justiça social, diversidade cultural e produtividade vinculada não apenas à economia, mas antes de tudo às necessidades evolutivas de cada ser humano.

Nesse ínterim devemos aceitar a realidade presente e buscar formas criativas de nos distrairmos construtivamente ao invés de buscarmos vencer grupos ou pessoas. Isso vale para tudo e todos. Priorizando as coisas simples por tempo suficiente é possível que comecemos a ver seu real valor. E com isso o modo de vida passe a ser cada vez menos dependente do exterior. Porque rico no interior. E com isso nos libertamos, aos poucos, de meios insalubres, que nos obrigam a adotar uma forma mental restrita ao universo das finanças. Mentalmente, depois economicamente. Em ciclos. Aos poucos.

E todo o poder (carnal, material, bélico, financeiro) do mundo deverá se adaptar cada vez mais a uma nova forma mental. Mais consciente, mais sensível, mais sábia.

Como dizia Vitor Hugo,


“Existe uma coisa mais poderosa do que todos os exércitos do mundo: uma ideia cujo tempo é chegado.”

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

CONDENADO POR NÃO-SER ABENÇOADO POR SER.

Todos são um Ser. Poucos sabem o que é Ser. Muitos querem Ter porque acreditam que esse é o meio para solução de todos seus problemas, conduzindo a uma felicidade eterna. Felicidade esta repleta de gozos sem responsabilidades. Uma felicidade particular, segregada, construída e mantida à custa de um mundo que - em sua grande maioria - não pára de sofrer. Mas não!, responde o novo-rico. "Eu conquistei minha felicidade através de lutas contínuas, partindo da pobreza, sem apoio familiar nem condições. Ninguém nunca me ouviu ou acreditou em mim, mas eu me fiz!", proclama com muito orgulho e determinação este homem. É difícil negar perante a força da afirmação e o conjunto de fatos que comprovam seu (aparente) sucesso. Mas quantos tipos partindo dessas condições atingem esse patamar? Poucos. Por falta de vontade, alguns diriam. Mas observa-se indivíduos criativos e enérgicos que passam sua existência produzindo novidades e no entanto nada recebem – hoje pelo menos. Daí percebe-se que não basta a vontade. Deve-se oferecer algo que satisfaça o biótipo presente e seu sistema. “A pessoa certa na hora certa”, dizem. De fato. Isso não significa que estes garantam a implantação do ideal futuramente, mas apenas que o mundo regozije de uma novidade – que apesar de tudo é um passo evolutivo, mesmo que orientado para um beco sem saída.
  
Experiências ruins e boas são experiências construtivas perante a evolução.

Outro ponto: quem garante que essa conquista - este conceito de felicidade - seja realmente uma conquista efetiva? Quem garante que no âmago de sua alma não impere um vazio que se silenciou através da aquisição de distrações externas, incluindo pseudo-amizades e pseudo-matrimônios? Quem garante que seus "amigos" (agora que ele é rico e bem sucedido) gostam de quem ele é, e não do que ele tem ou que posição ocupa? Quem garante, enfim, que foi dado um ponto final na questão da busca pela felicidade?

Quem descobre e afirma sua personalidade íntima inicia um processo de cisão com o mundo. Mas se funde com sua essência divina, capaz de fornecer todo o combustível necessário para sua plena realização ao longo das existências. Quaisquer que sejam os obstáculos do mundo, ele suportará os golpes deste, usando-os para sua elevação. A sensação inicial será de abandono e indiferença, seguida por um período de sucessivas tentativas de compreender tudo que lhe ocorre. Finalmente, o porquê do mundo se comportar daquele modo surge, e com isso atinge-se um estado de calma inconcebível antes do início do processo de maturação. Meio ciclo foi realizado.

A metade final do caminho consiste em saber viver no mundo sem ser do mundo. Esta segunda parte já foi atingida. O Ser já ascendeu um degrau. Seu novo estado evolutivo, estando guardado no subconsciente, se manifesta nas suas atitudes que o levam a adotar postura de vida diversa. Resultado: um destino peculiar, muito diferente da média. Incompreendido, rejeitado ou ambos.

SER → CONSCIENTIZAÇÃO → ADAPTAÇÃO

Quem se afirma se identifica consigo mesmo e
começa o verdadeiro trabalho de autoconhecimento.
Trabalho orientador que irá conduzir o ser a caminhos
tão árduos quanto libertadores. 
Sinto que a arte da vida se dá em duas grandes etapas, que se repetem ciclicamente, podendo durar anos. Uma de ascensão na verticalidade; e outra de adaptação ao mundo que abandonou no plano das idéias e sentimentos, convivendo nele pacificamente e ao mesmo tempo cumprindo seu dever perante sua consciência. As duas são dolorosas, mas transformam definitivamente o ser. A primeira (ascensão) é inconsciente, natural, não-planejada. Ninguém pode evitá-la, apesar de diagnosticá-la como doença porque fora do padrão. O sintoma de mal-estar existe, porém nesse caso se trata de uma sensibilização nervosa causada por uma conscientização maturada interiormente ao longo da existência. Atividade fervorosa no íntimo, mas quietude e indiferença exteriormente; A segunda (adaptação) é mais difícil porque deve ser controlada. Em suma, agora inexiste uma força interna que opera harmonicamente sem necessidade de trabalho cerebral. Isso leva a pessoa a exercitar sua criatividade no campo da vida terrena. Tarefa árdua para o ser sem domínio das ferramentas do mundo.

Como descer para conseguir ganhar o pão sem perder a orientação?
Como viver no mundo sendo apto para outro completamente diverso?
Como encarar o cotidiano sem poder expressar abertamente suas idéias?

Não se trata nem sequer de ter sucesso, porque o ideal nunca é para o presente. A tarefa é sacrifical, de renuncia a vantagens do mundo em prol de uma libertação interior. O Ser sabe disso e aceita essa realidade. Não se pode esperar do mundo nada mais. Não é justo.

Quem não se afirma se condena mentalmente.
Mesmo se bem-sucedido. A negação da essência
divina gera conflito constante que deve ser anestesiado
com alegrias externas efêmeras.
Para ter uma visão mais vasta da vida e uma compreensão mais profunda dos acontecimentos deve-se englobar mais pontos de vista. A idéia de quem sentiu diversas verdades relativas se aproxima um pouco mais de uma síntese absoluta. A concepção de vida é diferente e com isso o ser começa a perceber que as forças da vida operam mais a favor dele do que ele imaginava. Não se trata necessariamente - nem primeiramente - de uma mudança efetiva de fora, e sim de uma nova visão. Mais sentida do que compreendida a princípio.

O Ser anseia por descobrir as novas verdades sentidas. Para isso procura se desenvolver nas mais diversas vertentes, experimentando e observando. Cria esboços de pensamentos. Imagina qual será o papel da ciência, da fé e das filosofias. Procura explicações para o mal e o bem que lhe atinge. É de certa forma um detetive. Se satisfaz com pouco e se encanta com os milagres que se operam cotidianamente, sem que o mundo os perceba - o imponderável. Sente mais as coisas de dentro e vive para elas. As de fora pouco lhe interessam. Na verdade estas de nada serviriam. Bastaria que lhe fosse garantida uma liberdade – por parte do mundo – para buscar se conhecer melhor. Muitos anseiam por isso. Cada vez mais.

Seus métodos são simples e lentos. Os resultados impressionam para quem percebe todo o desenrolar fenomênico. O conceito de “milagre” é renovado, migrando para o universo psíquico, sendo a realidade dinâmica e física mera consequência do pensamento.

O Ser não sabe explicar o que ele sente. Pode não convencer, mas sabe viver. Com menos – expectativas terrenas, bens materiais, serviços,...Conquistas amorosas passam para segundo plano. Amor passa para o primeiro. Essa revolução de conceitos muda tudo. O que se tenta aparentar passa a se tentar SER; e o que ERA passou-se a aparentar. Assim o Ser não teme expor seus defeitos para corrigi-los o mais rápido possível. Com a sinceridade ele conduz seus atos e conversas, tornando difícil ofendê-lo. Porque os ataques serão vistos mais como dados experimentais e oportunidades de superação do que lanças visando feri-lo. Vitória e glória. Independência do mundo, alinhamento com Deus.


Estudo, trabalho, dor e evolução. Sucessivamente.  

domingo, 5 de outubro de 2014

MATEMÁTICA: RESQUÍCIO DO SISTEMA NO ANTI-SISTEMA

Existem diversas áreas do conhecimento que foram sendo criadas, ou melhor, descobertas, por nós humanos ao longo de nossa existência coletiva e individual. Cada uma delas lida com uma vertente da vida de forma específica. Mas todas contém verdades – e portanto utilidades. E nesse vasto grupo, a matemática talvez seja uma das mais interessantes.

Quem estudou e já parou para refletir deve ter se dado conta de que, nas ciências exatas, a matemática é uma linguagem que permeia a física, a química, e até a biologia, servindo como ferramenta para essas áreas quantificarem, demonstrarem via provas, modelarem seus fenômenos particulares e simplificarem, quando possível. Aliás, ela também vem demonstrando eficácia na modelagem de fenômenos sócio-econômicos*, facilitando nossa compreensão de acontecimentos pouco compreendidos pela razão – mas muito sentidos pelos instintos e intuição.

Talvez a característica mais fascinante da matemática seja sua capacidade de ABSTRAÇÃO ímpar. Um matemático é capaz de imaginar, teorizar e conceber um espaço de 10, 20,..100 dimensões – nosso mundo físico conhece apenas 4... E o fato dela conceber visões tão vastas não implica que se trate de pura fantasia. Basta nos lembrarmos que há algumas décadas o tempo não era considerado uma dimensão (nossos métodos consideravam apenas as três dimenões espaciais), e que as primeiras representações de nosso mundo pelo povo se dava em duas dimensões (a Terra plana, por exemplo).

A matemática na sua abstração forma uma personalidade assutadora e encantadora ao mesmo tempo. Assutadora porque desconhecida; encantadora porque desejada. Muitas teorias só foram provadas e efetivamente aceitas graças às demonstrações matemáticas, cuja linguagem universal, simples e poderosa é capaz de provar o desconhecido.

Pietro Ubaldi escreveu um livro intitulado “Queda e Salvação”. Nessa obra, ele desenvolve uma teoria que explica o surgimento do Universo físico (a queda) e como ele irá se extinguir com a nossa depuração – evolução espiritual – completa, restando apenas o espírito num Universo não-físico (salvação)**. Essa tarefa ascensorial é o objetivo máximo da vida. E o Universo espiritual (Deus) é denominado pelo autor de Sistema. Trata-se de um “mundo” 100% espiritual, com o Bem predominando, sem tempo ou matéria ou espaço ou energia (que é uma forma de matéria), que toda criatura alcançará com seu esforço individual. E nosso mundo, desde a queda até atingirmos o ponto final, é denominado anti-Sistema. Nele predomina o Mal (100% a 0,0...1%), conforme o grau evolutivo), a matéria com o tempo espaço a energia e etc. Cabe a nós trabalharmos bem no AS para reconquistarmos a posição privilegiada no S.


Logo, num primeiro momentos temos:

QUEDA: SISTEMA → ANTI-SISTEMA S → AS

SALVAÇÃO: ANTI-SISTEMA → SISTEMA AS → S

(OBS: É importante destacar que – segundo Ubaldi – a Queda não se refere à Criação (dos espíritos), e sim apenas ao evento da “revolta”, quando o Universo físico foi criado)

Mas o que a matemática tem a ver com tudo isso?

O S é um ponto visto AS. Logo é visto como algo imponderável. No entanto, é esse imponderável que é a causa fundamental de todos fenômenos de nosso Universo, dos quais só percebemos os efeitos. A matemática parece ser um ramo do conhecimento capaz da mais alta abstração. É como se ela, com seus métodos, fosse aquilo que mais próximo temos para nos colocarmos em contato com o S. E – de fato – à medida que a física, por exemplo, expande suas fronteiras, aquilo arrogantemente visto como inutilidade abstrata se torna uma ferramenta essencial para comprovar as novas teorias de nosso Universo (micro e macro). Como lição eu recomendo cautela na hora de avaliarmos e trabalharmos o desenvolvimento de nossa sensibilidade. Se esse pensamento é sem sentido ou não, apenas o tempo poderá dizer. No entanto tudo parece ter lógica até esse ponto.

Um exemplo de aplicação: propulsão espacial.
Vale a pena valorizarmos o imponderável para no futuro estarmos preparados para viver numa nova realidade material. Uma realidade mais depurada e menos dolorosa.


Observações

  • o fato da matemática revelar alta permeabilidade entre as ciências não implica na desvalorização das mesmas (*)
  • é interessante ressaltar que segundo a 3a Lei da Termodinâmica (da entropia) o Universo tende a se desorganizar cada vez mais, já que sua entropia aumenta – quanto mais entropia, no mundo, mais desorganização molecular. Qualquer processo energético biológico, físico, químico aumenta a entropia do todo. Isso coincide com a teoria de Ubaldi (**).

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

PLEASANTVILLE


É incrível como num espaço de 15 anos o cinema de um país pode deixar de existir como Arte. Ou seja, como algo que expõe as fraquezas e as forças dos indivíduos. Como algo que nos faz sonhar, pensar e sentir. Como algo que nos faz observar uma ideia de outro ponto de vista. E nos emocionar. Tudo isso. E muito mais. E todas essas sensações podem ser percebidas quando assistimos “Pleasantville”, do diretor Gary Ross, de 1998 – época em que o cinema norte-americano ainda brindava a humanidade com obras dignas de ecoarem pela eternidade.

Trata-se de uma história um tanto simples e aparentemente banal que, no entanto, trata de um tema muito profundo de uma forma elegante. Esse tema – você deve estar se perguntando – é a “perfeição”, tão imaginada naqueles momentos em que estamos sozinhos, no meio do nosso caos diário. Algo que imaginamos como a solução para o nosso problema e os de todo mundo. Algo que não precisa ser corrigido. Algo ideal. Além de toda nossa realidade. Mas...será que esse “perfeito” que imaginamos seja Perfeito de fato?

Um atendente que encontrou a si mesmo quando o
novo se apresentou de forma destemida.


Tendemos a idealizar coisas completamente opostas à nossa realidade como perfeitas – na maioria dos casos. Como se tudo presente em nossas vidas fosse indigno de fazer parte de uma sociedade ideal, sem problemas ou dores. Mas uma pessoa relativamente experiente e instruída sabe (relativamente) muito bem que o nosso mundo, apesar de longe do patamar ideal, tem algumas vantagens que, mesmo sendo poucas, podem ser substanciais e portanto essenciais para compor uma sociedade perfeita. Eis a mensagem substancial que “Pleasantville” pretende nos passar de forma de película agradável e divertida.


David e Jennifer (Tobey Maguire e Reese Witherspoon) são irmãos que não se dão bem. O rapaz gosta de um seriado cujo título coincide com o do filme. Esse seriado retrata um mundo ideal, preto-e-branco, de uma sociedade dos anos 50, onde tudo é “perfeito”: os homens tem a função fixa (trabalhar fora por X anos até o dia da aposentadoria, que nunca chega no seriado porque tudo se repete infinitamente), as mulheres também (cuidar da casa amorosamente); o colégio tem eficiência máxima, com alunos bem comportados e aplicados, e as relações entre os mesmos se dá de forma ordenada, programada, na hora “certa”, do modo “certo”; nada muda, pois tudo é perfeito – até o clima, sempre com 22 graus Celsius, ensolarado e...nada mais. Tudo é “agradável”. Inexistem conflitos. É um mundo estático, que desconhece a dor e – consequentemente – a evolução.

Numa dada noite, discutindo com sua irmã, David acaba sendo sugado para esse mundo ideal - junto com sua irmã. Sem saber como sair desse lugar, acabam sendo obrigados a conviver com os personagens dessa cidade pacata. Uma tragédia para a moça, e uma experiência para o moço. Inicialmente. Inicialmente...
Num mundo "perfeito", ordenado inconscientemente.

A experiência de serem jogados num mundo perfeito, sem problemas, começa a ser percebida como algo não tão bom. Porque a “perfeição” tem um custo: os sentimentos são programados, ou seja, inexistem. E a ausência de conflitos, de profundidade nos diálogos e nos gestos, na manifestação daquilo que as pessoas tem, por natureza, armazenadas dentro de si – cada uma do seu modo – acaba revelando uma imperfeição de magnitude inimaginável nessa sociedade “perfeita”. E isso só começa a ser revelado com a chegada desses dois irmãos, vindos de um mundo “imperfeito”, caótico e desumano.

O que deveria ser uma estadia tranqüila, sem interferências, acaba se transformando numa experiência única para todos. Uma escavação é iniciada pelos nativos. Um desenterrar de emoções e ideias naturais de todo ser humano. Que estavam sendo mantidas em estado latente. Para tudo se manter agradável. Mas eis que um outro mundo, com outras possibilidades, é apresentado aos poucos. Uma mescla se inicia.

“Pleasantville” é um filme que assisti no cinema quando tinha 13 anos. Na época seria impossível (ou quase) explicar o sentimento que invadiu minha alma quando saí da sala de projeção. Não entendia de forma racionalizada a história. Seria incapaz de dar uma explicação detalhada do que tudo aquilo queria dizer. Só sabia uma coisa: era um filme emocionante. Algo dentro de mim estava diferente. Fora mexido. Mesmo que temporariamente. Mesmo sem ter passado por experiência alguma. Mesmo sem conhecer em profundidades as grandes questões humanas (como os relacionamentos, os problemas financeiros, a afetividade, o amor, o trabalho, os papéis sociais, e etc). Apesar de tudo isso, o filme consegui passar uma sensação de utilidade que eu só viria a valorizar e compreender plenamente muitos anos após aquelas imagens terem passado pela minha retina. E aquela maravilhosa trilha sonora (puro sentimento!) ter vibrado em meus tímpanos. Uma trilha em perfeita sintonia com o que os personagens estavam sentindo nos momentos mais críticos. Pura emoção. Puro cinema.

O mais bonito na história é que TUDO MUDA com o contato. Não apenas Pleasantville, mas os dois irmãos, mudam seus pontos de vista e postura diante dos fenômenos sociais após essa interação. Interação essa inicialmente com aparência destrutiva. Mas que, com o desenrolar da vivência, se revela construtiva.

Sinto falta desses filmes norte-americanos com SUBSTÂNCIA. 

Trailer:    https://www.youtube.com/watch?v=nrEAfkY9ods

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

DISCURSO versus PRÁTICA


“Muito se fala, pouco se faz.” Eis uma das frases mais ouvidas ao longo de cinco mil anos de Civilização quando alguém se dá conta do descompasso entre o falar e o agir existente na nossa sociedade.

Não é difícil entender o porquê de nossa pessoa dizer muito mais do que realmente fazer aquilo a que se propõe. É muito mais fácil FALAR do que PRATICAR uma atitude. Mais: a pessoa – com suas afirmações – ganha destaque imediato. Além de que, após alguns dias, semanas ou meses (ou horas...), aquilo que foi dito, mesmo que fervorosamente, tende a ser esquecido pelos outros. Seja importante ou não para o próprio receptor da mensagem.

Não é minha proposta aqui enumerar e condenar os inúmeros vícios humanos passados e atuais relacionado ao discurso, mas procurar algumas das causas fundamentais que levam uma pessoa a ter uma energia e vontade fervorosa para praticar esse discurso, e um completo (ou quase) desinteresse em praticar atitudes, das mais simples (o ato de dar “bom dia”, de tentar puxar assunto com um estranho(a), por exemplo) às mais sólidas (aprender uma nova língua, música, fazer uma faculdade, escrever um livro, elaborar uma teoria,...).

Pela minha intuição, o ESQUECIMENTO é um dos motivos mais proeminentes que conduzem as pessoas a super-valorizarem o discurso, seu ou dos outros (momentaneamente, claro), e não perceberem, ou sub-valorizarem, as atitudes suas e de seus semelhantes – especialmente a destes últimos. Por que? Porque esse ato de esquecer a médio e longo prazo, facilmente, é um tipo de postura que vai desencorajando a prática de qualquer ato que gere resultados a longo prazo. Isto é, encarar afirmativas SÉRIAS como se fossem BRINCADEIRAS é um ato que vai alimentando os “valores” dessa massa chamada humanidade, que passa indiretamente a conduzir a forma de agir (ou não) das pessoas individualmente. Como resultado, gera-se uma força de campo que induz seres a levarem vidas orientadas pelo e para o discurso, e praticarem atividades sempre iguais ou com uma pseudo-variação, padronizada e anti-natural. Raros ainda são os casos de independência completa no agir.

Esse ato de esquecimento sem dúvida é importante e deve ser usado com liberdade. Nossa memória é incapaz de armazenar todas as informações que recebemos no dia a dia. Nem deve, já que MUITA coisa dita não acrescenta nada ,ou até 'desacrescenta'[*], na nossa vida. Mas esse não é o ponto aqui. A questão central é: SERÁ que estamos FILTRANDO de maneira correta? Pensando a longo prazo? Pensando de forma SISTÊMICA? Como de fôssemos parte de um todo, inter-relacionados uns com os outros. Será?

Estamos assim diante de um problema de grande magnitude que é perceptível a um número reduzido de seres (de sensibilidade desenvolvida e visão de futuro telescópica), que são os que mais sofrem internamente ao se darem conta da triste realidade – e mais ainda ao perceberem que nada ou pouco, a passos muito lentos, está sendo feito para alterá-la efetivamente. Dessa forma, devemos procurar nos atentar para essas insatisfações – aparentemente banais para o tipo médio deste globo – e tentar compreender o motivo delas. Pois a única forma de podermos julgar se alguém está louco ou não é:


Primeiro,
Escutarmos o outro.
Segundo,
Compreendermos o que está sendo dito pelo outro.
Terceiro,
Sentirmos essa realidade “imaginada”, usando outros sensores e mais refinamento e mais percepção cósmica.
Quarto,
Raciocinando, a partir da nova sensibilidade, essa realidade, e buscando alterá-la.

Confesso que seguir esses quatro passos requer tempo – às vezes uma vida inteira. No entanto, é a única forma que vejo de tirar a Civilização da inércia moral-espiritual que vem a caracterizando nos últimos séculos. 

A História é prova farta e concreta da subvalorização da prática e supervalorização do discurso. Basta nos lembrarmos do célebre pintor Vincent Van Gogh, que morreu paupérrimo, desprezado e rejeitado por uma moça que amava, mas que hoje é citado despudoradamente e tem seus quadros vendidos por milhões de dólares; ou Schubert, uma virtuose do piano, brilhante compositor, que no entanto nunca teve um piano em sua vida; ou Jimmy Carter, que apesar de uma vida menos trágica, foi desprezado quando presidente por demonstrar razão e ter visão de longo prazo em questões energéticas, de sustentabilidade, de seguridade social, entre outras. Os exemplos são muitos. E no outro extremo, líderes extremamente rudes no campo estatal e privado, ou pseudo-cientistas e pseudo-artistas que, por terem habilidades em se apropriar de ideias alheias e falar de forma agradável no momento certo para as pessoas certas (de poder), puderam colher louros e glória em vida, sem no entanto acrescentarem nada para a humanidade por conta de seu próprio esforço.

Esse é o retrato de forma variada mas substância repetida que traduz a humanidade. E creio que chegou o momento de deixarmos de repetir velhas fórmulas que não mais se adequam às REAIS NECESSIDADES do ser – prestes a nascer – do Terceiro Milênio. Ser este que tende a ser cada ve mais comum em nosso meio. 

Com isso tudo eu, em minha infinita teimosia (consciente, creio eu), sugiro ignorar o que não está de acordo com os sentimentos e vontades mais profundos do seu ser. Ou seja, INDEPENDENTEMENTE de companhia ou não, de garantia de “amizades” ou não, de garantia de “sucesso” ou não, busque praticar as atividades que você sempre desejou quando houver oportunidade.

Não devemos criar barreiras que impeçam nossa evolução para mantermos intacta nossa “boa imagem” na sociedade ou no grupo ou na família ou na empresa ou etc. A única imagem que devemos valorizar é a nossa perante a Eternidade.

* me pareceu legal esse neologismo