sábado, 11 de abril de 2015

O GRITO DE UMA VIDA, O GRITO DE TODAS VIDAS - CONSCIENTES.

A escravidão, que o mundo estava abolindo até os anos 50, 60 e 70 do século XX, está voltando à todo vapor, englobando brancos, negros, índios, homens, mulheres, crianças,...Uma escravidão que engloba todas esferas da vida e anestesia os escravos com corpos, matéria, posses e (até mesmo) títulos.

Uma escravidão que nos prende pelos dois lados: a produção desorientada e o consumo desnecessário.
Cada vez mais desorientada, cada vez mais desnecessário...

Os ricos são pobres em suas prisões mentais,
Os pobres sofrem fisicamente com essas prisões, e muitos se prendem a essa mesma prisão, sustentando um sistema falido.

Nos tornamos escravos de um ídolo chamado Lucro. Enquanto isso os Ideais encarnam em poucos seres que, para os difundirem, precisam chorar e sangrar e sofrer, recebendo golpes intermitentes.

Perdemos a Fé porque sua primeira aparição foi mal conduzida pela Igreja.
A Ciência nos revelou progresso, que é bom. 

Mas progresso sem orientação pode nos levar para uma nova idade das trevas.
O mundo melhora no geral, mas há recaídas periódicas...
Temos potencial (consciência individual) para evitá-la...

Resta o Monismo: um conceito Vasto e Profundo que trará Luz a quem anseia por um mundo melhor.
As "ameaças" nos tornaram reféns de nosso intelecto, e assim permitimos que os instintos mais baixos tomem controle do mundo. Um mundo capitaneado por máfias com todo poder porque não abrimos o olho para a Verdade.

Nos tornamos insensíveis ao que importa e por isso nosso íntimo afoga...

A Matéria é importante e existe ! (mesmo que os ascetas a neguem)
O Espírito é importante e existe ! (mesmo que os profanos o neguem)

Mas é o Espírito que deve conduzir a Matéria.
E não a Matéria conduzir o Espírito...

A Razão espiritual conduzir o Intelecto luciférico.
Lógos usa Lúcifer.

Hora de iniciarmos o processo de autoconhecimento que nos conduzirá à autorrealização.
E assim formarmos um novo sistema.

A "coragem" de hoje é o fracasso de amanhã.
A "loucura" de hoje é o triunfo do futuro.
É o trabalho que não é "trabalho".
É a Ação que brota do Ser.
É a Palavra que energiza a Ação.

Compreenda-o quem o puder !

(Esta foi minha reação interna ao saber do resultado da aprovação para ampliar a Terceirização)

sexta-feira, 10 de abril de 2015

EVOLUÇÃO DA CONSCIÊNCIA: COLETIVA-> INDIVIDUAL->UNIVERSAL

A humanidade se encontra num estágio de semi-consciência. Sua consciência individual está latente na grande maioria dos seres, enquanto em raros espécimes ela atingiu o nível consciente, e em expoentes ela atingiu a sua plenitude universal.

Huberto Rohden demonstra que nosso Ser se plenifica seguindo a seguinte sequência:

Semi-Consciência --> Consciência pessoal--> Pleni-Consciência


Nada mais a dizer...
A Semi-Consciência é consciência coletiva,
A Consciência pessoal é consciência individual,
A Pleni-Consciência é consciência universal.

A primeira é sensória-intelectiva,
A segunda é intelectiva-intuitiva,
A terceira é intuitiva-mística.

Na primeira seguimos o rebanho,
Na segunda seguimos nosso Ser,
Na terceira submetemos nosso Ser ao Todo sabendo que seremos infinitamente felizes com isso.

Se pararmos para pensar bem iremos nos dar conta de que não somos capazes de tomar decisões por conta própria. Nem crianças, nem adultos. Nem homens, nem mulheres. Nem diplomados, nem sem estudo. Nem religiosos, nem ateus. Nem esquerdistas, nem direitistas. Nem ricos, nem pobres...

Nos baseamos num grande banco de dados histórico individual ou coletivo, sendo que o primeiro, "individual", foi formado baseado em experiências coletivas vistas (pelos olhos) ou estudadas (livros) ou contadas (por parentes, amigos, mídia, professores ou redes sociais). Ou seja, pensamos baseados no que foi dito ser certo (ou errado) e/ou no que está na moda.

Clóvis de Barros Filho, professor de Ética na ECA-USP, certa vez, numa de suas aulas (ou palestras?) reportou um caso real, conduzido por um grupo de estudo sócio-psiquiátrico de uma instituição famosa, em que decidiu-se fazer um teste para medir o quanto a decisão coletiva afetava a nossa decisão pessoal. E os resultados foram impressionantes.

Huberto Rohden (1893-1981). Nem Dualista nem
Panteísta, e sim Monista. Apresentou o conceito
de Homem Cósmico, Integral, além do Bem e do Mal.
Além do Espírito e da Matéria. Obra universal,
tangenciando a essência de cada aspecto da vida. 
Cem pessoas de diversas etnias, classes sociais, profissões, orientação sexual, sexos, credos e meios, uma por vez, entraram numa sala com outras cem. Estas eram atores que deveriam responder conforme um gabarito fixo, enquanto aquela única estava realmente sendo avaliada e tinha a liberdade escolher. Detalhe: essa 1 pessoa (sendo testada) não sabia que as outras 99 eram atores. Foi-lhe dito que todas estavam submetidas ao mesmo teste.

Pois bem...na tela apareciam sempre cinco palitos: 4 curtos e iguais em comprimento e 1 longo, sendo a diferença entre o longo e os curtos evidente, de 2:1.

O público - ou melhor, o sujeito sendo avaliado - deveria indicar qual é o palito mais longo. Resposta evidentemente fácil...

Eis que os atores foram instruídos a escolherem, em sua maioria, um dos 4 palitos curtos ao invés do longo, sendo que a quantidade daqueles que deveriam apontar para a resposta certa era inferior a 10.

Depois dessa escolha, visível a todos, havia uma 2a rodada para que pudessem mudar de idéia (se quisessem) baseados no que eles quisessem (sua consciência ou seu meio...).

E o constatado foi o seguinte: os sujeitos testados, um a um, vendo que 90...92..86% apontavam um dos 4 palitos curtos como sendo o mais longo, ficavam confusos e inquietos. Mesmo percebendo que apenas um era maior....muito maior do que os outros. E se reviravam e contorciam e repensavam e questionavam a si e aos outros - num silêncio infernalmente barulhento.Tamanha obviedade e tantas incertezas.

Obviedade ao ouvir seu decisão pessoal, incerteza ao olhar a decisão coletiva.

E desses mil testados, mais de 98% (se não me engano)...de qualquer forma, uma IMENSA MAIORIA, acabou cedendo e optando por um dos palitos mais curtos, seguindo a opinião dominante, seguindo o rebanho. Apenas uma ínfima minoria manteve sua decisão e escolheu acertadamente.

O que esse experimento nos diz?

Ele constata que a humanidade não possui uma mentalidade individual - em sua grande maioria. 

Pensamos coletivamente por medo de nos sentirmos excluídos e desprezados. Podemos até chegar a seguir nossa íntima convicção, e viver de acordo com nossos valores pessoais respeitando o coletivo, mas ainda assim, num dado momento, seguimos a tendência coletiva contra nossa vontade, não questionando ou pouco o fazendo. Ás vezes por medo, outras por desorientação completa. Medo de perdermos reputação social, "amigos", (pseudo-)esposas ou (pseudo-)maridos, um emprego, um cargo,...E desorientação por não confiarmos em nosso Eu-Universal, cedendo às teorias já formuladas, incompletas, relativas e - em muitos casos - engessadas por uma máfia.

Volume fascinante por falar de
temas do interesse de todos.
Explica, fascina, encanta e
convence. São setas apontadas
para o Infinito...
É compreensível - até certo ponto - o instinto de "seguir o rebanho". No entanto, pensar coletivamente até nos momentos mais íntimos e profundos, quando inexiste uma efetiva pressão econômica e social, se torna contraproducente e nos conduz a caminhos que no fundo sentimos que não são nossos. Daí o fato de que grande parte do mal que lhe vem acaba sendo de sua própria autoria. Porque acabamos submetendo projetos pessoais a pensamentos coletivos.

Observe à sua volta e faça um retrospecto histórico. Pergunte a si mesmo o porquê de você ir sempre naquele lugar, fazer isso, estudar aquilo, publicar e pensar de tal forma. Vá a fundo mesmo, sem pensar na "perda de tempo" ou em "não se machucar" (Sem Dor não há Salvação...). Reserve meia hora de um dia sossegado. Se desconecte da internet, celular, telefone,...E SINTA a realidade profunda que começará a aparecer diante de suas perguntas potentes e respostas sinceras. Poucos suportarão. Mas eu garanto que é o início de um processo de transformação ímpar do Ser - talvez o único...

Você se dará conta de que chegará numa rua sem saída. Um ponto final que não fecha o circuito de sua vida, da vida de seu colega, de seus familiares, de seu sistema de valores,...Faltou uma Orientação Universal. Um pensamento Integral, capaz de unir Matéria com Espírito; Bem com Mal; Sistema com Anti-Sistema; Amor com Ódio; Homem com Mulher; Causa com Efeito; O UNO do Infinito com os DIVERSOS dos finitos...

É muito difícil pensar por conta própria. Muito mais difícil é compreender a Realidade que permeia todos acontecimentos e rege toda forma de vida, formando um mosaico gloriosamente belo que não diz nem prova, mas revela e convence.

Um Mosaico que é amável quando sentido, temido enquanto buscado, e odiado quando ignorado.

A Consciência se dilata. Dói a cada expansão. Por isso deve haver um período - longo - de adaptação, seguindo de assimilação e uma posterior prática e exercitação da mesma. Assim, depois de um longo período, começa-se a preparar o próximo impulso - com suas dores mais profundas. Dor que deve ser suportada para se atingir um patamar mais livre e feliz.

Um sofrimento feliz é melhor do que do que um gozo infeliz...

Porque este estagna e ilude e machuca cada vez mais, você e o meio, periodicamente, exigindo doses cada vez maiores de recursos cada vez mais escassos. Enquanto aquele clareia e eleva e purifica e ajuda no longo prazo - exigindo apenas vontade sincera e retribuindo com o infinito da Vida, tornando o Ser menos dependente dos finitos da existência.

É O caminho.

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PS: Acho importante deixar claro que nem o coletivo nem o pessoal são problemas em si. Um sistema de bem-estar coletivo é melhor do que outro que eclipsa as necessidades de grande parcela da população, gerando um bem-estar individual ou de elite - que geralmente não progride ela mesma nem permite aos outros ascenderem. Da mesma forma, quando se massifica um conceito já aceito, uma verdade percebida como a última, - mas muito longe disso - e impõe-se uma forma de pensar coletiva sobre as mentes, o próprio progresso coletivo retarda e o pensamento individual sofre com represálias. Tudo depende do contexto, da finalidade e da sensibilidade.
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quinta-feira, 9 de abril de 2015

ERA UMA VEZ UM ESCULTOR MÁGICO E DOIS BLOQUINHOS

Era uma vez um Grande Escultor Anônimo. Possuía a característica de fazer obras magníficas e belas. Mas sempre ao fazê-las recorria a métodos que pareciam caóticos àqueles que observavam a suas obras.

"Não é possível que vá sair algo dessa coisa...", diziam alguns, observando o hábil e paciente Escultor. Alguns o desconsideravam, outros, jamais compreendendo o seu "método", desistiam de decifrá-lo e simplesmente se maravilhavam com as obras prontas. Ordenadas, harmônicas e vivas. Vivas...tamanha era sua capacidade de trabalho. Cada uma dava um aspecto de ser mais viva que outra.

Cada vez melhores, cada vez revelando mais da natureza do Escultor...

Mas o Escultor era, é e sempre será o que É. E suas obras revelavam partes dele. Quanto mais complexa, mais do Escultor se revelava em sua obra, formando assim um mosaico de belezas finitas que apontavam cada vez mais para uma Beleza Infinita.

E para algumas obras era exigido um trabalho além da conta. Pois quanto mais trabalho e amor, maior harmonia e beleza. Mais verdade. Mais sinceridade...

Recuperação da essência por camadas: corpo, sentimentos,
mente, espírito. Cada fim de ciclo demanda a destruição da
forma anterior. Devemos morrer por fora para nascer por
dentro. Metamorfose fácil para os animais, puramente
sensórios, mas dolorosa para os humanos, seres com
intelecto e em busca de algo a mais...
Nesse contexto existiam dois blocos brutos. Grandes, sujos, pesados e disforme. Mas o Escultor, sapiente de tudo, percebeu um POTENCIAL fora-do-comum naqueles dois bloquinhos. Viu Beleza em estado latente. Vontade submersa. Expressões escondidas. Inteligência oculta...Quis criar dois seres complementares.

Decidiu trabalhar em cima da matéria bruta, dia após dia, arduamente e com uma tal intensidade que chegou a assombrar aqueles que passavam por perto de seu local de trabalho. As marteladas eram fortes e intensas, mas as partes começaram a tomar forma.

Quando começava a se esboçar rostos e corpos, muitos se admiravam. Mas o Escultor via aquilo e não se contentava. Ele viu inteligência e alma em cada bloco. E também decidiu trabalhar em cima dessas duas frentes...

De repente os blocos começaram a sentir e perceber as coisas. E o Escultor passou a trabalhar em planos mais elevados, de longe, mas sempre atuante. Cada vez mais penetrante, cada vez mais refinado...

Corpo, sentimentos, intelecto, alma....

Os "bloquinhos" vivam e eram felizes em sua primária inteligência e ingênuos sentidos.

Mas o Escultor continuava a trabalhar em cima dos dois.
Estavam longe (muito longe) da perfeição...E Ele sabia disso, e trabalhava, martelada após martelada.

As marteladas da matéria passaram a ser na mente e nos sentidos. Depois nas almas. Cada vez mais fundo, cada vez mais cirúrgico. E mantinha-os separados, junto com outras obras anteriores. Não queria ver suas duas novas obras juntas antes de cada uma atingir o máximo que poderia ser. E depois de juntas, sabia que criaria algo tão belo, tão sublime e tão harmônico que poderia deixá-los continuarem sua melhora, juntos, se lançando a empreitadas que lhe dessem marteladas nos pontos certos, para se aproximarem cada vez mais do seu ideal...E do ideal do escultor...

Esse era o Grande Escultor...

Os "bloquinhos", separados, começaram a sofrer e se desiludir. Choravam, gritavam e se desesperavam. Agiam de modo certo com os outros bloquinhos e recebiam pancadas em troca. Do que não viam (martelo do Escultor) e dos seus semelhantes - que estavam estacionados no tempo. Passaram-se anos e as derrotas e fracassos doíam muito. Ora um ora outro ameaçava desistir de sua existência e seus atos. Desespero por não encontrar alguém que o compreendesse.

No meio de tanto desespero e gotas de esperança, surge uma espécie de loucura que inicialmente vem como ímpeto e depois se traduz em calma e mergulho interior: "qual é a minha natureza?", "por que acontece tudo assim?", "de onde vem esse sofrimento?", "por quê?", "como funcionam as leis da vida?". Essas e muitas outras dúvidas alimentavam uma nascente curiosidade nos dois bloquinhos machucados e frágeis, que já começavam a tomar formas mais sutis que seu meio.

Cada qual a seu modo, os bloquinhos começaram a agir de modos diferentes. Receberam tantas dores (físicas, verbais, afetivas e espirituais) que se tornaram imunes a muitas delas. Melhor: começaram a usar todo seu passado como objeto de estudo e (sobretudo) autoconhecimento.

Quando estamos suficientemente feitos por fora podemos sair
e nos fazer por dentro. Trabalhar em camadas cada vez mais
profundas, percebendo um universo cada vez mais vasto.
Criaram se modos de vida, concepções de mundo. Estudos, esforços e ensaios de discursos fora-de-série. Uma forma de sentir e pensar diferente. Viam que muitos bloquinhos tinham os mesmos desejos e sofriam muito, mesmo sofrendo menos marteladas de seus irmãos. Mas estes não compreendiam o que acontecia ao redor, enquanto os dois protagonistas vislumbravam uma finalidade para tudo aquilo. Uma razão-de-ser de todos fenômenos e atos...

Nossos protagonistas não se destacavam pela sua força ou aparências. Nem sequer pela inteligência. Eles possuíam esses atributos, mas (aparentemente) apenas na medida que o Escultor considerava ideal. Nada de excessos aqui nem ali. Quando uma parte atingia a máxima perfeição - o ponto ideal - partia-se para outra completamente diferente...

E a alma ardia e sofria em chamas invisíveis. Fornalhas que só eram sentidas por aqueles que superaram a si mesmos e abraçaram suas dores.

Fornalhas que passaram mais a ser interessantes do que pesadelos...

As dores eram intensas e profundas. Nada que o mundo percebesse. Para muitos os atos de inquietação, apesar de serenos, eram uma frescura de fracos. Uma doença e sinal de fraqueza. Nada a acrescentar para o mundo...

Mas nossos protagonistas começaram a criar e crescer. Um deles iniciou, sem planejamento, uma série de trabalhos não visto como tal. Estudo, escrita e descobertas. Vivência. E tal era o ímpeto de produção que ele decidiu fazer suas descobertas e estudos intuitivos por conta própria, se enclausurando em seu quarto e frequentando seus ambientes.

"O tempo que você gosta de perder não é tempo perdido".

"Sem dor não há Salvação".

Essas palavras ecoavam pela mente de nossos protagonistas. Num de forma explícita, no outro implicitamente. Mas os dois estavam com suas faculdades plenamente desenvolvidas. Estavam quase prontos.

O Grande Escultor chegara ao ponto de ajuste fino. Suas marteladas eram sutis e leves. Mas tal era a sensibilidade nervosa atingida por seus "bloquinhos" que cada uma delas doía bastante. No entanto, curiosamente, eles aprenderam a controlar e canalizar essa dor, fazendo uso construtivo dela.

"Todo mal que me fazem não me faz mal.
Todo bem que me fazem não me faz bom.
Apenas meu Eu espiritual pode fazer-me bom ou mau." 

Huberto Rohden

Um dia, após muitas marteladas, o nosso Escultor decide aproximar os dois "bloquinhos". Eles haviam atingido uma beleza indescritível. Não tanto exterior, mas sim interior. Era esta que tornava aquela atraente e saudável. Uma harmonia indescritível. Dois seres construídos um para o outro.

Diferentes em suas formas, gostos externos e histórias,

Idênticos em sua maturidade e ímpeto ascensional...

A identificação não é imediata. As dores do mundo tornaram os dois "simples como pombos mas astutos como serpentes" (Sermão da Montanha). Mas sua visão profunda e vasta acelerou o processo de reconhecimento do outro. Em pouco tempo estavam os dois protagonistas juntos e se conhecendo. Um reforçava o outro em um aspecto específico.

A partir daí o Escultor, seguro de seu feito, deixou os dois bloquinhos andando juntos, por conta, no meio de todos outros. Eles próprios dariam suas auto-marteladas para continuarem a obra inacabada. Eles sabiam que não eram perfeitos e estavam muito longe disso, mas sua harmonia interna já lhes permitia viver em paz com eles e com os outros. E perceberam: um ajudaria o outro.

Ririam juntos, viveriam juntos.
Um ajudaria o outro na tristeza (e vice-versa). Um escutaria o outro (e vice-versa).

Eles estavam longe do Infinito,
mas cientes disso...

Eles se encaixavam perfeitamente,
e cientes disso...

Eles andaram muito pelos finitos,
E andariam muito mais e muito mais elegantemente pelos outros finitos...

Eles eram, são e serão dois finitos em busca do Infinito.

Dois finitos que vivem momentos finitos de intensidade infinita.
Às vezes sem dizerem uma palavra, sem fazerem um gesto, sem se tocarem...

São dois "bloquinhos" que se transformaram em homem e mulher.
São dois seres humanos que anseiam pela plenitude cósmica...

Nossa humanidade é permeada de histórias como essa - do Escultor e dois bloquinhos.
São numerosas mas raras. Porque muitos blocos se perdem no meio do caminho, atrasando sua plenificação por anos, decênios, séculos, milênios,...Poucos veem a dor e a abraçam. E com isso perdem a oportunidade de se esculpirem. De se tornarem cada vez mais sublimes, encaixáveis, casáveis,...

"Muitos são os chamados, poucos os escolhidos..."

Escrevo essa história na esperança de que o número de escolhidos se aproxime (um pouquinho) daquele dos chamados. Porque de nada adianta alguém viver num céu (interno) feliz enquanto outros estão num inferno (interno) infeliz.

Prefiro o Céu infeliz preocupado com o Todo do que um Céu feliz despreocupado com o Todo.

Porque um dia, se eu merecer, poderei atingir o meu Céu feliz interno, sem culpas, sem preocupações...

O verdadeiro e único Céu Feliz.

Junto com você, junto com todos os outros...

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A VERDADEIRA ORDEM

Tenho um desejo mais profundo do que o "desejo",
Um querer íntimo mais maduro que o dever objetivo.

Vislumbro uma Ordem muito mais bela do que a "ordem" - deste mundo.
Uma Ordem coerente, amorosa e libertária.
Uma Ordem sincera consigo mesma e bondosa com os outros.
Uma Ordem tão poderosa que não necessita recorrer à força das armas e do terrorismo psicológico.
Uma Ordem sublime e elevada...

A "minha" Ordem é a ordem de todos os seres que permeiam o Universo. 
A "minha" Ordem é impessoal, imparcial e universal.
A "minha" Ordem não é aquela do meu TER e sim aquela do meu SER.
A "minha" Ordem é a Ordem de todos e de tudo.

Por que "minha" então?
Porque descobri-a depois de muitas dores e marteladas. Mergulhei em fornalhas e sofri as queimaduras. Chorei e lamentei meu triste destino...

Enquanto isso o mundo à minha volta, na mesma fornalha, cantava e gozava.
E eu me sentia incapaz e errado. Incapaz de fechar essa grande equação que solucionava os últimos problemas humanos. Errado por agir em descompasso com o universo ao redor. 

Ora apareciam seres que compreendiam o meu grito silencioso de desespero. E assim as dores eram arrefecidas. Depois, numa dada época, surge a LUZ, transmitida em linguagem escrita e envolvente. Dois seres fantásticos. Duas Obras universais e poderosas. Obras que rasgaram o relativismo desesperançoso deste mundo e fecharam o circuito das desordens. Obras que me conduziram à compreensão do UNO Absoluto e Infinito, e sua íntima e poderosa relação com os MÚLTIPLOS relativos e finitos.

Aurora Boreal. Devemos imitar a Natureza
até um ponto. Depois disso cabe a nós
criarmos uma Ordem Supra-Natural..
E são as dores que levam à compreensão. Uma visão mais vasta e profunda de tudo e de todos. 
Visão e vivência. Vivência e visão. Experiência que o estudo pode vislumbrar, mas apenas a intuição pode dar.

Todos terão a "sua" Ordem. 
Após dores e lutas e pseudo-perdas e pseudo-ganhos, começarão a perceber quais são os Reais ganhos e as reais perdas. 

A "minha" Ordem não é minha, e sim de todos. 
É a Ordem que permeia toda forma de vida, cada qual com sua função intrínseca. 

A "minha" Ordem é uma concepção vasta e elevada, que muitos creem ser loucura, alguns compreenderam e poucos superaram.

Vislumbro a Ordem que se manifesta pela Desordem.

Não quero a desordem que se manifesta pela ordem.

Minha busca traz dor, sofrimento, angústia e medo.
Mas não me arrependo. Jamais...
Porque já colhi os pequenos frutos sadios e eternos de meu semeio árduo e doloroso.

E para termos frutos sadios e eternos devemos sofrer com o semeio permeado de dor, 
porque Sem Dor não há Salvação.

Ainda tenho muito a semear...
Por isso devemos nos orientar para o futuro, viver o presente e nos apoiar no passado.

Uma Ordem Cósmica buscada por uma desordem que a serve é 

MELHOR do que 

Uma Ordem humana mantida por uma desordem que a serve.

Mas isso é muito profundo para os ouvidos intelectuais cujas capacidades intuitivas estão dormentes...

No entanto todos chegaremos lá, por livre convicção ou por força.

Porque a Lei de Deus é o bem que não sentimos.
A garantia de nossa Salvação. 
A imanência da Divindade no Universo da materialidade. 

Cada vez mais seres, consciente ou inconscientemente, vislumbram e querem essa ordem.
Querem porque devem, e devem porque querem.

E só através da compreensão mística chegaremos à mais profunda realidade.

Somos mais ricos do que imaginamos,
Somos mais belos do que julgamos,
Somos potência não atualizada.
Somos humanos...

Humanos atualizáveis pelo conhecimento da Verdade.

"Conhecereis a Verdade - e a Verdade vos libertará"

sexta-feira, 3 de abril de 2015

TRANSFORMANDO POLÊMICA EM AUTO-CONHECIMENTO

Polêmica é ruim ou é boa? Ela é desagradável para alguns, prazerosa para outros. Quando aquele assunto delicado começa a pairar no ar muitos se refugiam partindo da conversa ou cortando a fonte. Alguns por não ter suficiente argumento. Outros por julgarem que estão com a verdade absoluta (já falei sobre essa questão em outros textos), e portanto já terem o assunto "resolvido" em suas mentes. Mas não em sua alma...

A polêmica não é um problema em si. Ela é a manifestação da nossa incapacidade em lidar de forma madura com questões fundamentais que a ciência não foi capaz de resolver - até hoje. Mas existem áreas com potencialidade de transformá-la em um conhecimento profundo, que nos aproxime da espiritualidade e consequentemente de uma organização coletiva (um pouco) menos dolorosa e (um pouco) mais fraterna. Áreas que servirão de plataforma para a aplicação de princípios universais, canalizando forças e habilidades latentes no ser humano [1].

Percebam que polêmica se relaciona a discurso democrático e ciências humanas. Quem fez faculdade sabe do que estou falando. Especialmente públicas com campus grandes como USP, Unicamp, Unesp, UFMG, UFRGS, UERJ, UFRJ...

Volta e meia nos deparamos com grupos de ciências humanas ou filosofia envolvidos em debates acalorados. Os estudantes de ciências naturais, de engenharia, de medicina, de odontologia, e áreas que ficam entre os dois "mundos" como psicologia e economia se assustam com tais engajamentos. Sua área tem uma dinâmica diferente.

Cada área do conhecimento opera segundo suas possibilidades, seu histórico e seu meio.
Em engenharia poderíamos definir: 1) o meio como aquilo situado fora do "volume de controle", ou seja, tudo que não seja da vida íntima e faça parte das preocupações de grupo/área; 2) o histórico como o comportamento médio do "sistema" (estudantes de x, y ou z faculdade) ao longo dos anos, com suas "vitórias" e "derrotas" e; 3) as possibilidades como as circunstâncias (internas e externas) que, se bem usadas, podem ajudar a alinhar tudo e todos na busca de uma sociedade mais harmônica.

Outro ponto: uma profissão ou área do conhecimento aparentar eficiência em relação a outra não significa que ela seja mais importante. Como eu já disse e expliquei anteriormente, nosso Universo não é nem estaticamente ordenado nem dinamicamente desordenado, e sim dinamicamente ordenado. Em seu Absoluto, claro.

Da Tese infinita saem as anti-teses finitas.
As anti-teses, ao longo de sua redenção,
formam a sin-tese.
O ser humano é mais complexo do que o ser infra-humano. Porque ele é mais. E organizar o mais é mais difícil do que organizar o menos. A física é mais ordenável do que a metafísica. Mas essa verdade - presente - não afirma que a metafísica não seja compreensível nem organizável. Eis a noção de transformismo!

Um verdadeiro sábio, se chega a realizar altos estudos, não se prende à sua área. Ele utiliza-a para esclarecer, organizar, compreender e ajudar os seus e os outros. Ele é servo de algo maior do que seu nicho e seu ego. Isso o torna formidável.

Um sábio que atingiu a cátedra do meio acadêmico é humilde e considera tudo e todos. Observa além do presente, pressentindo tendências. Ele pode gostar de seu nicho porque considera-o como o melhor canal para manifestar suas habilidades. Transmite a necessidade de unificação e esclarecimento.

Me parece que existem mais ignorantes do que sábios nos meios acadêmicos. Ignorantes e sábios com diplomas e honrarias e títulos e artigos e apresentações em congressos e etc. Isso não é triste nem feliz, e sim uma realidade que só poderia ser assim. Porque o conhecimento torna o ser ego-consciente preconceituoso. Mas o ser pleni-consciente se libertou das necessidades do mundo e faz o melhor da melhor forma, independente de sua posição na escala mental ou material.

A cada dia se torna mais claro porque podem haver pessoas boas e "ignorantes". Todo o panorama se abre diante de meu ser, revelando uma fenomenologia universal tão sábia que ora assombra, ora fascina.

Assombra pela minha ignorância, fascina pela minha vontade de me realizar mais.

É a grande razão-de-ser...

Referências 
[1] http://leonardoleiteoliva.blogspot.com.br/2014/08/e-chegado-o-tempo-das-ciencias-humanas.html

quarta-feira, 1 de abril de 2015

A VERDADEIRA INDEPENDÊNCIA (uma visão analítica-sistemática)

Eu falei anteriormente da verdadeira independência de um ponto de vista místico-idealista. Isso é suficiente para aqueles que sabem "ouvir com o coração". Para os humildes sábios [1] e seres do tipo é desnecessário provar aquilo que é intimamente sentido.

Agora me volto para a mente racional-sistematizadora, investigativa e empírica. Me volto para aqueles que demandam provas antes de aceitarem. Para aqueles que veem o humano e a natureza como entidades desconexas - exceto para extrair bens - e o Divino como uma fantasia inútil de mentes ignorantes. Falarei a linguagem desses, usando os fatos e os métodos do mundo para mostrar para onde tudo aponta.

Bom, antes de tudo devo ressaltar que existem duas independências:

Uma delas ilusória e outra Real. 
Uma delas relativa e outra Absoluta. 
Uma delas reconhecida e outra dificilmente atingível.

Quando eu falo verdadeira me refiro à Real independência: física e espiritual.

Você já parou para pensar que trabalhar para ganhar dinheiro não é a finalidade da vida? Me refiro a um "trabalho" que sirva apenas para "manter a roda girando" e não despertar as potencialidades latentes. Um pseudo-trabalho que o mundo declara trabalho. Quero dizer...você acorda cedo, pega o carro (ou ônibus), enfrenta trânsito, entra num lugar fechado, cumpre suas obrigações da forma que te pedem, conversa com colegas, fala sobre as notícias, conta piadas, ora concorda com os outros ora discorda, mas se a discordância for muito saliente guarda para si e prefere não entrar em debates acalorados profundos. Depois de 9 ou 10 horas num espaço - sempre igual - sem poder manifestar suas mais profundas idéias, mesmo que relacionadas ao serviço, você volta pra casa, enfrenta trânsito e com sorte chega com um pouco de energia em casa. Senso de dever cumprido. Mais por sofrer do que por fazer! o íntimo de alguns diz. Mas não há nada a fazer, exceto cumprir seus deveres perante a família e/ou sociedade, não se tornando um farrapo humano...

Às vezes existe alguém profundamente sintonizado com nossas idéias e ideais. Mas estabelecer essa intimidade colocaria em risco nossa estabilidade. Ambos usamos máscaras para garantir o pão nosso de cada dia. Aliás, todos. Mas ao mesmo tempo nosso íntimo clama por ascensão. Expansões que queimam a alma. Necessárias a partir de um ponto. Se irmos além de uma fronteira, nos aprofundando numa realidade poderosa, e nos alegrando com isso, a inveja circunjacente cerca e começa a investigar. Muitos se interessam, mesmo sem saber o porquê. Chegam perto ocasionalmente, quando podem. Entendem pouco e compreendem nada, mas admiram e sorriem silenciosamente. Desejam o sucesso. Desejam que algo novo comece. Mas ao mesmo tempo existe a força autoritária que pouco convive com os pequenos seres, e é capaz de captar qualquer coisa estranha. E a classifica como ameaça. É assim que a imensa maioria do mundo concebe o despertar da alma...

Primeiro a produção 100% voltada para o mundo. Um pouco
de mente, nada de espírito.
O diferente em si ameaça a segurança dos pequenos eus. Um diferente, um anormal, que se associa a um outro anormal é assustador. E quando ambos sentem e demonstram uma realidade mais vasta, e portanto mais fascinante, o anormal passa a ser supra-normal. Todos querem classificá-lo como infra-normal, mas são incapazes. O íntimo deles impede...

Bom...mas a questão é a seguinte: você "trabalha" e ganha o dinheiro. E quanto mais "trabalha" (cumprindo uma obrigação, agradando alguns, mostrando que "você é importante", mostrando "serviço"), mais procuramos buscar algo que pague bem. E também, ao ganhar nosso soldo, nada mais lógico do que gastá-lo para compensar nossas frustrações - que não dizemos abertamente de onde vem...

E qual o modo mais fácil de gastar dinheiro em pouco tempo? Shoppings, bares, restaurantes, enfeitando nossas mulheres / agradando nossos homens, indo a baladas, comprando casas imensas em condomínios ultra-protegidos e carros de luxo para mostrar que "trabalhamos duro" aos nossos vizinhos, fazer viagens para nos sentirmos um pouco afastados da vida cotidiana. Viagens que no fundo nunca realmente te levam muito além de sua vida cotidiana...Mesmos locais turísticos, mesmos restaurantes, mesma rotina de viagem. E variações dessa mesma substância. Dinamicidade-material lá para compensar a dinamicidade-material aqui. Engessamento espiritual, sempre.

Ou alguém aqui já ouviu alguém dizer que trabalha 50 horas por semana e ganha 10 mil e prefere frequentar eventos culturais em espaços públicos, pegar livros na biblioteca, ter um carro simples, fazer academia no parque, comer mais em casa e se contentar com sua casa? Se existem tais seres devem ser raros...

A própria dinâmica exaustiva sugere a pessoa a "compensar" o cansaço nos "espaços adequados". Nos espaços que lhe proporcionarão a "felicidade". E no entanto, dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, sentimos a mesma sensação incômoda sem saber diagnosticá-la. Sexo, comida, ruídos (que chamam de música), pseudo-romances, posses,...nada nos traz uma felicidade definitiva. Apenas algo temporário. E nada que é temporário é essencial. E após um tempo alguns percebem que foram enganados. Não sabem por quem nem pelo quê. Porque foram eles próprios, por não possuírem consciência do seu potencial interno, deixaram-se arrastar pelas forças externas da sociedade. Forças que influenciam e acabam ditando nossas vidas...

Pouco tempo, muito dinheiro. Fórmula potente para o consumismo. A força centrífuga se torna irresistível. É um sistema estruturado para o consumo desmedido - inclusive de relações e amizades!

Depois...livres para gastar em coisas que "precisamos".
E assim a roda gira...
Você pode falar o que quiser, mas se parar para pensar a fundo, verá que todas suas ações são norteadas pela necessidade de compensação. Já que tenho renda alta, por que economizar? Por que sofrer economizando, não gastando o que ganhei merecido? Gastamos anos e vidas em algo que não cremos e depois o mundo - em compensação - nos dá a recompensa das disneylândias e prazeres. É uma ilusão.

Eu nunca gostei de ir em bares, por exemplo - nada contra quem vai. Mas a questão é que eu fui me dando conta de que muitas pessoas gostam de se reunir e conversar e rir nos finais de semana após o expediente para "relaxar". E geralmente em lugares com som (alto), que cobram caro por uma simples bebida e impedem qualquer pessoa de falar de algo realmente substancial. Apenas o lugar-comum. Senão é "chato", é "intelectual-arrogante", é "místico-delirante". Etc. E tudo isso poderia ser feito na casa de um ou de outro, ou num parque ou praça, de forma mais tranquila (para conversar de verdade) e barata. 

BARATA!

Pense bem: é a mesma coisa. Nada de importante foi tirado, exceto o fato de você não estar consumindo para se divertir. E inclusive crescendo...

O que custaria 50 - 100 reais passa para 5 ou 10 (ou nada, se você apenas quiser bater um papo com colegas degustando um sanduíche).

Poucos param pra pensar nisso. E o mais assustador (para quem é do mundo) E fascinante (para quem não é do mundo) é que isso se aplica a diversas esferas da vida!

Restaurantes bons possuem comidas caras e serviços bons, mas novamente você pode comer em casa muito mais barato. E às vezes, se você sabe cozinhar algo e tem alimentação saudável, será muito melhor fazer sua comida. Mas novamente, como para não virar um farrapo temos pouco tempo, dificilmente teremos energia - e tempo - para nos enveredarmos por esse caminho.

E assim economizarmos nos alimentando melhor...

Alguns podem estar me achando unilateral pelo seguinte motivo: o mundo precisa girar! A roda da economia tem que girar! Já falei sobre isso em outro ensaio [2] e me aprofundei em detalhes antes [3] Mas repito: estamos saturados disso em nosso íntimo.

Por que eu causo mal à economia mundial por consumir pouco e me sentir bem e o outro que consome em excesso e sempre tem recaídas depressivas está ajudando?

Enquanto um prejudica o meio-ambiente, se engana, compensa ausência da presença com presentes e sexo animalesco, paralisa a mentalidade, vive o mesmo de formas cada vez mais barulhentas; o outro, apesar de cutucar a economia, joga menos detritos, consome menos energia, usa menos água, cria com pouco, se questiona, ama mais intensamente e arrisca "perder" amigos e amores por seguir sua consciência.

Provocações...

Oras, se o povo sempre foi obrigado e conseguiu - com sucesso criativo ímpar - se adaptar às necessidades do mercado, porque este, tão "dinâmico", tão "resiliente", tão "universal", não quer se adaptar às necessidades do povo, representação de uma coletividade de SERES - cada década mais conscientes?

Por que as forças que dominaram até hoje não admitem o que eles tanto propagam: a humanidade muda: os costumes, os sistemas, surgem novos paradigmas [4], novas relações, novas prioridades,..

Não se trata de destruir algo e sim remanejar pesos [5].

O que torna a vivência difícil é o mundo de aparências que nos induz a escolher profissões que não nos façam morrer de fome. Exemplo: poucos se sentem estimulados a cursar música ou filosofia ou artes ou ciências humanas ou mesmo ciências naturais puras porque: (1) dependerão de outros para o sustento na maioria dos casos; (2) não se sentem suficientemente bons para se destacarem a ponto de realmente inovarem na área, e portanto garantirem um sustento num órgão público (geralmente); (3) temem serem ridicularizados pela sociedade ou família ou parceiro(a) ou tudo junto, por darem peso às opiniões do mundo - mas pouco às suas...E cobrar da pessoa coragem para seguir seu ideal não é sensato.

Pessoas bem orientadas e conscientes não são santas. Elas apenas se deram conta do caminho e começaram a percorrê-lo. Para superar a morte - da matéria - abraçando a vida - do espírito. São iniciados, segundo Rohden.

Ou seja, seguir uma via alternativa é difícil mesmo para quem é muito consciente, equilibrado e vive de forma simples. A lucidez pode ajudar (e muito!), mas não torna as coisas tão fáceis. Os espinhos da rejeição ainda doem e o mundo continuará com sua cegueira.

Mas a batalha compensa. Porque é uma batalha pela SUA EVOLUÇÃO. É arriscado e você, meu amigo, minha amiga, estará sozinho, e cada vez mais, à medida que você decide ser fiel à sua verdadeira pessoa, buscando fazer o que gosta, do jeito que gosta.

O mundo financeiro tentará te punir e ridicularizar. E o seu entorno provavelmente também. Intensamente, inconscientemente.

Mas meu amigo, minha amiga, lhes perdoe, pois "eles não sabem o que fazem".

Este blog, cujos textos estão todos concatenados, tenta ajudar qualquer um - de qualquer meio, com qualquer crença - a despertar para si mesmo.

Não falo em espírito e imponderável e Deus porque quero impor tudo isso.

Digo isso porque sinto no meu íntimo a presença de uma realidade tão profunda quanto enigmática, que fascina e assombra simultaneamente. Minha vida e a vida de uma pessoa muito querida é a prova viva disso. De que existe uma força imponderável que, se analisada cirurgicamente, tirará a autoridade do diagnóstico de "acaso".

E mais: crendo no "mais", tudo se tornará mais suportável, mais claro, mais orientado e com sentido. Mesmo que ele não exista. 

Portanto sinta-se livre para seguir seu caminho nessa jornada.

Quero finalizar invocando a cena inicial do filme "O Grande Ditador" [6].

Quando o capitão - ou seja lá que patente for - pede para seu inferior certificar que um projétil falho esteja em ordem. Cada um que recebe a ordem, ao invés de executá-la, passa para seu inferior hierarquicamente. A falha maior nesse quadro: o comandante supremo, que deveria dar o exemplo comprovando assim sua grandeza. E também dos outros, que poderiam fazer isso. E assim funciona a humanidade, causando guerras e criando ilusões, delegando serviço sujo para quem pode e ignorando a verdade.

Somos dependentes de uma mentalidade arcaica e "livres" na matéria.

Somos prisioneiros de uma forma mental...

Mas podemos mudar isso.
Com trabalho duro.
Trabalho real, árduo e compensador.
Trabalho prestes a nascer nos próximos séculos...

Eu não estou sozinho nessa batalha [7]. E portanto - ainda longe de ser um místico ou gênio que não se importa com o meio -me tranquilizo e continuo o meu serviço.


Referências
[1] http://leonardoleiteoliva.blogspot.com.br/2015/03/sistematizacao-do-processo-evolutivo_81.html
[2] http://leonardoleiteoliva.blogspot.com.br/2015/03/outras-rodas-devem-girar.html
[3] http://leonardoleiteoliva.blogspot.com.br/2014/08/democracia-diretautopia-hoje-vir-ser.html
[4] http://pt.wikipedia.org/wiki/Paradigma
[5] Para uma compreensão detalhada recomendo a leitura de toda teorização da idéia nos seguinte
      estudo: Sistematização do Aspecto Evolutivo, subdividido em partes (1, 2.1, 2.2, 2.3, 2.4, 2.5 e 3)
[6] https://www.youtube.com/watch?v=4NtBnaarXfg    --> os primeiros 5 minutos.
[7] http://www.jasondemakis.com/category/money-2/  --> excelente blog!!!

A VERDADEIRA INDEPENDÊNCIA (uma visão mística-idealista)

O caminho individual do ser humano é semelhante àquele do caminho da humanidade. Somos criados pelos pais - uns melhores do que outros - e quando atingimos uma certa idade sentimos uma vontade irresistível de sair do ninho. Ter nossa autonomia. Adquirir independência. Ter nosso espaço, nos alimentarmos do nosso jeito, frequentar outros ambientes, entre outras coisas. É claro que não se trata de uma regra que se aplique a todos. Especialmente com a metamorfose cultural-econômico-tecnológica que o mundo vem sofrendo nas últimas décadas.

Desde a década de 80 ou 90 as relações sociais vem mudando. Mais por necessidade de adaptação - devido às alterações naturais da mentalidade político-econômica. A tecnologia se torna cada vez mais influente, e a informática é o grande carro-chefe do momento, junto com a eletrônica. A vida dos jovens nas escolas, dos adultos no trabalho e dos idosos na sua desocupação é permeada cada vez mais com aparatos. Abraçamos o novo mas não aprendemos a usá-lo de forma a manter o controle de nossas vidas.

O excesso de velocidade nos desorientou. E as técnicas e a lógica e a ciência contribuíram com isso. Recebemos muita informação, impossibilitando nossa capacidade de processá-la (somos limitados organicamente). Ao mesmo tempo, existem aqueles que creem terem vencido esse problema recorrendo a teorias estatísticas e científicas. Buscam elegantemente, com ares de sapiência, impor suas verdades baseados em provas (aparentemente) irrefutáveis. São números e planilhas e vocábulos e teorias impressionantes que parecem mais converter do que convencer. Anexar ao invés de libertar. Mas uma observação paciente desmistifica o pseudo-absolutismo dessas verdades estáticas, tornando-as relativas e dinâmicas.

Jesus, o Cristo. O mundo está
prestes a iniciar o processo de
assimilação.
Não tem jeito, é assim. Você pode contra-argumentar por horas comigo mas eu lhe asseguro que essa é uma realidade profunda que está inscrita em toda criatura viva.

O pseudo-absoluto demanda engessamento.
O relativismo demanda movimento. 

O pseudo-absoluto é o absoluto humano. É imperfeito, ilusório e nocivo a partir de um ponto. É assim que sistemas vistos como "a última solução" caem por água abaixo. Por mais "triste" que isso pareça para alguns, - ou muitos...- é assim que funciona a dinâmica evolucionista do Universo. Um Todo que na sua ordem absoluta aceita as desordens relativas. Porque o mais compreende o menos, enquanto este nem sequer entende aquele.

Mas como eu já disse: uma desordem relativa é melhor do que uma ordem falsa travestida de divina [1]. A partir de certo ponto é melhor admitir que precisamos andar para frente. E às vezes (quase sempre) o caminho para melhorar não é aquele imaginado pela maioria. E quase nunca aquele propagandeado pelo poder...

"Faça aos outros o que gostaria que fizessem a ti."

Essa frase é atribuída a Jesus, o Cristo, e a um chinês tão sábio quanto chamado Lao Tsé. Ela é tão profunda e ampla que nosso intelecto jamais será capaz de assimilá-la. Mas nós seremos...

Para assimilar os ilogismos do espíritos devemos viver a mais profunda realidade. Ler e estudar é bom, mas a partir de certo ponto muitos se darão conta de que o essencial aplicado resolve todas as misérias, e buscar gananciosamente erudição para "nos melhorarmos" é o verdadeiro motivo de estarmos nos sentindo estagnados - politicamente, economicamente, socialmente, psicologicamente...

Devemos "perder o tempo" sentindo nosso Eu, porque "o tempo que você perde não é tempo perdido" disse Bertrand Russell. Esse inglês, apesar de nunca ter vislumbrado o próximo nível de consciência humano (intuitivo-sintético), pelo que sinto contribuiu - inconscientemente - para levar a mente racional-analítica às portas do mundo intuitivo-sintético. Lendo "A Conquista da Felicidade" [2] me convenci disso.

O tempo e o espaço inexistem de fato para o místico, para o santo, e para os gênios esclarecidos. Por isso eles conseguiram chegar a um grau de sensibilidade nervosa que assegura paz interior.

O nosso pesadelo com o "ter pouco" é para eles uma bênção. 
O nosso pesadelo de "não pegar mulher (ou homem)" é para eles um fato sem importância.
O nosso pesadelo de morrer crucificado por apoiar um "ideal insano" é para eles natural. 

Visão emborcada a nossa.
"Por que não a deles???", alguém pode perguntar.

Lao-Tsé. Viveu no oriente, por volta de 600 a.C.
Lao-Tsé significa "jovem mestre",
"adolescente maduro". E de fato o nome casou
perfeitamente com a vida conduzida pelo sábio.
Porque nós os admiramos e tentamos imitá-los ao longo de séculos e milênios. Mesmo imitando desastrosamente e admirando falsamente, ainda assim o fazemos. E no nosso íntimo sabemos o que fazemos. Porque eles são biótipos do porvir...

Existe muito trabalho a ser feito para esses seres. Muito mesmo. E não se trata do trabalho como o conhecemos. Trabalho escravizante, preso no tempo e no espaço. Trabalho engessado em rituais que desgastam e iludem. Trabalho tanto mais remunerado quanto mais engessado. Não! O trabalho dos místicos, dos santos e dos gênios da arte ou ciência é conceitual. Trabalho vivido, contínuo, prazeroso. Trabalho que faz o ser esquecer do mundo externo e se voltar para o interno. E - vejam só! - nessa aparentemente egoísta empreitada, eles brindam a humanidade com conceitos e modos de vida e teorias e obras de arte que elevam. E nós, seres ainda pouco evoluídos, assimilamos suas verdades cósmicas. E depois vamos lentamente nos apoiando nelas, criando nossas pequeninas idéias e invenções.

O Santo realiza o máximo de si e dá o máximo ao mundo.
E nada recebe do mundo.
Mas tudo recebeu do Céu...

Mas comecei o texto querendo falar de independência. E de fato falei sobre ela.

Para sermos livres do mundo temos de nos libertar de nós mesmos. Do nosso ser analítico. Para que nosso Ser sintético possa se manifestar.


P.S.: Uma curiosidade: Lao quer dizer "jovem mestre" ou "adolescente maduro". E de fato, após ler uma obra de Rohden sobre o Mestre chinês, o nome caiu como uma luva no Ser que a vestiu durante sua estadia.   =)

Referências
[1] http://leonardoleiteoliva.blogspot.com.br/2015/03/entre-duas-hierarquias-um-unico-caminho.html
[2] http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=9864

segunda-feira, 30 de março de 2015

REPETIÇÃO DE DISCURSO

Sim. Observando em aspectos gerais somos seres que repetem discursos. A filósofa Márcia Tiburi reforça essa tese na entrevista concedida à Revista Cult [1]

"As pessoas repetem discursos porque nós somos seres humanos e seres humanos são seres que imitam uns aos outros."

Mas eu iria mais longe, afirmando que seremos realmente autônomos num futuro distante, já que a própria filósofa é capaz de se conscientizar de uma realidade mais real, mais profunda e portanto mais influente e poderosa do que aquela vista por bilhões; e dizendo que em nosso estágio atual, a grande (imensa) maioria de seres de nossa espécie, quando deve expor sua opinião "pessoal", reproduz o discurso vigente ou de algum grupo que sente mais afinidade. Me refiro à essência do discurso. Pode-se dizer que a opinião deste ou daquela é puramente pessoal, mas quando você realizar uma dissecção, removendo todas as formas que a destacam das demais, começará a perceber que (quase) todas opiniões são iguais em sua essência.

Ubaldi afirma frequentemente em diversos volumes de sua Obra o seguinte: o conhecimento nos torna preconceituosos. É fácil compreender isso. Quando adquirimos um saber, uma habilidade, tendemos a nos sentir melhores em relação ao entorno e nosso ego pede por uma recompensa por essa conquista. Normalmente não corremos atrás do saber por amor, mas sim por um instinto de sobrevivência ou desejo de nos sentirmos mais do que os outros. Se adquirimos esse saber ou habilidade, faremos uso errôneo dele, nos satisfazendo com os ganhos proporcionados muito além da medida, e às vezes nos prendendo a ele como se fossemos para uma batalha.

Queremos superar os outros enquanto na verdade deveríamos nos superar.

O resultado é a estagnação. Grupos se formam, compartilhando sua visão relativa, parcial e portanto egoísta. Se ajudam, como uma seita. Isso se dá em todas esferas: corporativa, estatal, religiosa. Cada uma delas se baseia num sistema de valores com normas de conduta e princípios éticos relativos. Formas díspares, essência idêntica. Cada uma reclama superioridade e pureza em relação às outras, vendendo sua imagem de agente de progresso ao povo. E para se fixarem e fortalecerem seus tentáculos, impõem aos seus membros (e a eles mesmos) uma concepção estática do mundo. E tentam aliciar outros poderes, inclusive formando alianças paradoxais.

Márcia Tiburi. Está perto de chegar nas concepções
apresentadas por Ubaldi e Rohden. Mulher crítica,
capaz de transcender o lugar-comum e se manter fiel
a si mesmo- para um dia conhecer a verdade...verdade
que libertará...
Quem vê o nosso universo como um corpo dinâmico dotado de transformismo em diferentes planos dificilmente consegue permanecer muito tempo fiel a um grupo desses. A própria natureza do ser torna o gigante estático econômico-político-religioso refratário a esse pequeno ser físico de grandeza mística. 

Dois desses grupos possuem inúmeros exemplos famosos de "desertores": criaturas que ousaram ir além, semeando em tempos e solos árduos sementes poderosas que num futuro distante se tornaram - ou hão de se tornar - esplendorosas árvores. Teorias, idéias, obras de todos tipos,...E assim, com a determinação férrea de uma elite, a humanidade progride, assimilando os ideais aos poucos. Ensaiando implementações, ora bruscas, ora tímidas. Ajustando, criticando, assimilando, descrendo, voltando a crer,...

O outro gigante estático, jovem e vigoroso, ainda não é encaixado no grupo a que pertence de fato porque muitos veem nele a solução última de todos problemas. Apesar de amplos setores alertarem e diversas evidências virem à tona - cada vez mais - a forma mental humana média sintoniza com esse tipo de ordem e portanto não é capaz sequer de criticá-lá abertamente. Além disso, a autoridade exercida é mais inteligente, induzindo e repetindo (verdades incompletas), iludindo (todos) e tirando liberdades sem exibir tentáculos perceptíveis à média. Privar alguém de um recurso essencial para a vida orgânica somente porque se disse uma verdade construtiva é pior que o pior dos crimes apresentados na televisão. Eis o golias de nossos tempos. Um gigante alçado por um sistema que está se saturando lentamente. E fazendo o psicológico-afetivo de bilhões sangrarem desnecessariamente. É um gigante que enxerga apenas balanços no campo material, pouco se importando com a real necessidade das ascensões humanas. Família, cultura, saúde e sociedade são apenas propagandas. O senhor lucro aprova ou não a inserção dessas preocupações, apenas com o intuito de não sofrer críticas que impeçam o seu funcionamento.

Daqui a mil, dois mil ou mais anos, quem sabe, a realidade dolorosa percebida pelos poucos anormais de hoje se torne um consenso universal.

A dificuldade está em provar a insanidade. Justamente porque chegamos a um grau em que para continuar evoluindo as provas pouco valem. Demonstrações abundam cada vez mais. Nos saturamos de intelectualismo a tal ponto de organizarmos orgias mentais, sem saber a real finalidade desse tipo de habilidade.

Homem bicentenário: o desejo de se tornar humano,
A compreensão suplanta tudo que o mundo atual concebe e conhece, mas tem pouca voz. E ela deve ser atingida individualmente, por conta própria. Eis o problema e a solução.

Por meio do discurso íntimo e dos gestos e exemplos podemos ajudar alguém a caminhar para a porta da consciência. Mas só uma pessoa poderá atravessá-la: a própria pessoa.

Nossa camada mais científica sociedade, do mercado, da tecnologia, vê nos robôs uma superioridade. Não me espanta tal comportamento: os próprios admiradores dos robôs começam a adotar um modo de pensar robótico, algorítmico. Por maior que seja a capacidade de calcular, por maior que seja a performance, por maior que seja a velocidade de repetição e processamento, inexiste o transformismo que carateriza o humano.

Um humano pode ser imperfeito mas é fascinantemente evoluível.
Um robô pode ser brutalmente eficiente mas jamais será algo além do que é.

Mas nós ainda repetimos discursos...

Nos sentimos sozinhos porque não temos a experiência intuitiva de Deus.

Recorremos à aprovação social, aos benefícios materiais do emprego e às compensações sexuais, da mesa, dos vícios e violências para nos sentirmos minimamente decentes.

Por não conceber mais somos incapazes de declarar independência de tudo isso.

Transcender é ser mais amanhã do que ontem. É sentir a tensa emoção do desconforto e viver a intensa alegria de descobrir novos mundos metafísicos - nesse mesmo mundo físico.

É seguir sua consciência e sozinho, baseado em suas experiências e no seu Ser, se lançar em empreitadas tão incertas quanto fascinantes.

Não repitam discursos, não atrasem a sua verdadeira razão-de-ser...
Em troca de algum pedaço de carne humana, de papel com números, de dispositivos e máquinas e aprovações.

No filme Homem Bicentenário [2] o maior sonho de Andrew (o robô) é se tornar humano.

Morrer para poder viver ao máximo...
Deixar as maquinações para viver as idéias...
E um dia - quem sabe - amar.
De verdade...


[1] https://www.youtube.com/watch?v=M75vy0dZ9KA
[2] https://www.youtube.com/watch?v=d0o1etRplPE

sábado, 28 de março de 2015

SISTEMATIZAÇÃO DO PROCESSO EVOLUTIVO (parte 3)

Chegamos ao final dessa primeira aproximação sistemática do processo evolutivo que rege o ser humano, seja deste planeta ou de outras humanidades. Essa abordagem é ainda muito geral e provavelmente incompleta, podendo existir variações específicas.

Um detalhe importante para evitar confusões é: o diagrama não é em função do tempo.
Ele apenas mostra o conhecimento em função da consciência (e vice-versa, como expliquei no início).

Isso significa que enquanto um ser pode concluir as mesmas Fases 1 e 2 - ao longo de milênios e milênios, absolutamente, ou ao longo da vida, relativamente - num período menor do que outros. O porquê disso sou incapaz de explicar. Nem sequer me vem algo à mente no momento. Isso pode ser um tema de investigação futura.

Outro ponto: apesar de termos um ponto inicial comum (ignorância inocente), atingiremos perfeições relativas diferentes, inerentes ao nosso potencial divino individual. Por que? Porque a perfeição absoluta pertence a uma única entidade, mais conhecida como Deus. E nem poderia ser diferente se vivemos num monismo*, isto é, um Universo em que a ordem e a unidade governa as multiplicidades em constante transição. 

O mundo é mudança. A vida é transição, metamorfose, saída da posição de conforto, e portanto dor. Ás vezes diminuta, outras intensa. Intensa a tal ponto de gerar uma maturação da alma só percebida após um longo período. Ganha-se uma sabedoria profunda. Uma sensibilidade psíquico-nervosa que nenhuma escola ou universidade ou instituto - de qualquer área - deste mundo é capaz de fornecer. É tão assustador quanto fascinante. Depende da concepção do ser do seu universo metafísico interno - e do universo físico externo. 

Outra questão que talvez sonde a mente de alguma mentes investigativas: chegaremos um dia no nosso máximo? e chegando lá, acabou tudo?...isto é, a vida se torna perfeitamente estática? Ubaldi responde** que quando chegamos no infinito a evolução continua (indefinidamente). É estática para nós que ainda não o atingimos, mas magnificamente dinâmica para os que estão na perfeição (relativas ao nosso universo com espaço e tempo). O "local" conceptual em que tempo e espaço inexistem é extremamente difícil de conceber (eu não consigo), e portanto não ouso avançar nesse ponto - nem sequer Ubaldi detalhou. talvez por falta de tempo e forças...

Encorajo os anormais (para o supra-normais) a criticarem, detalharem, opinarem e, se possível, incrementarem essa ponte. E os normais a encontrarem alguma incoerência. Não negarem com base nos métodos do mundo, que só concebe o passado e o presente, mas tentar perceber o íntimo de toda a realidade que hoje pode (pode...pode...) se encaixar como uma peça nesse gigante mosaico dinâmico que rege a vida, os fenômenos e o destino de todo sujeito e objeto.  

Receber sem preconceito, estudar o fenômeno se tornando o fenômeno, amando-o.

Quando afirmamos a verdade do outro e mostramos uma verdade maior, que engloba aquela do outro, sem a negar, encaixando-a com maestria numa ordem universal permeada de transformismo e orientada para um fim comum, podemos nos declarar mais conscientes, independente de nossa bagagem intelectual. Isso nos torna mais humildes e calmos - jamais o contrário.

Repare o seguinte: as áreas em que conseguimos dar o máximo de nós são aquelas em que temos muita facilidade. Aquelas cujo saber é óbvio (para nós). Porque sentimos uma afinidade com aquele tema específico. Gostamos daquilo, amamos o estudo de tal tema, ou fazer tal atividade.

Mas tão logo saturamos e chegamos ao nível do conhecido fronteiriço daquilo, geralmente abandonamos e perdemos o gosto pela vida. Aquilo que nos interessava foi desvendado "por completo", enquanto o resto pouco nos interessa. Mas será que foi todo desvendado? E será que as outras coisas não tem um quê de profundamente interessante, que talvez só venha a despertar nosso interesse com as marteladas da vida e as circunstâncias adequadas?

Imagine aquele momento em que você está sozinho e não tenha nada de útil para fazer. Nada segundo seus valores. Nada realmente interessante. E que a rotina já esteja tão saturante em alguns setores que abandonar algumas coisas para se adentrar em outras - pessoais, suas...só suas - já seja uma possibilidade. Se você percebe alguma verdade em tudo que foi escrito e dito e concebido e sistematizado ao longo deste trabalho, encorajo você a começar um trabalho de observação, sem compromissos ou expectativas. Mas a fundo e intensamente. Há muito mais a ser melhorado e infinitamente mais a ser feito. Para ti e seu entorno. 

Esse blog (acredito) é o mais universal e imparcial possível. Os temas podem parecer elucubrações, mas eu andei 30 anos (e continuo andando) pelo mundo, na padaria, no trabalho, nas escolas, nas ruas, na família, entre amigos,...ouvindo os mais diferentes comentários e sonhos e etc das pessoas dos mais variados "backgrounds", e percebo que no fundo existe um fio condutor permeando as atitudes e sentimentos de cada ser. Um desejo ardente, mais consciente a cada ano, mais claro a cada existência. Uma linha comum em sua essência, e uma capacidade desejosa por se materializar nas atitudes do dia-a-dia. Isso me estimula a continuar este trabalho. 

Prefiro o sofrimento feliz ao gozo infeliz. 

E agora, neste momento, me sinto satisfeito, com sensação de dever cumprido. Algo que até hoje apenas uma curta experiência de 10 meses foi capaz de me dar em plenitude. 

Quando uma parcela expressiva do mundo atravessar a linha de amplitude intelectual máxima tudo isto ficará mais claro.

Assim espero, assim será...


Comentários
* http://www.monismo.com.br/TrechosGranSintese.html
** Queda e Salvação, capítulos finais

SISTEMATIZAÇÃO DO PROCESSO EVOLUTIVO (parte 2.5)

Me escapou à mente dois casos ainda possíveis: 1.c e 1.d.

Para aqueles que se interessaram e chegaram até aqui não há problema. O que foi dito foi dito. Somente peço que considerem a parte 2.1 com 8 casos (já corrigi o diagrama e texto).

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Caso 1.c

Conscientização precoce com uma potenciação intelectual assombrosa. Trata-se de gênios da ciência ou arte (ou ambas). Biótipos cuja humildade é tão assombrosa quanto sua grandeza e capacidade de unificar idéias em campos díspares e abstratos. 

Figura 10: Caso dos gênios.

Eles conseguiram ir além do que o mundo conseguiu sistematizar concretamente até o momento, antes buscando e depois criando mais. Sua criação é bem orientada precocemente e altamente potenciada. O mundo percebe sua grandeza e importância mas não assimila rapidamente as suas criações de conceitos e invenções e obras de arte. Nem compreende o que motiva-os a criarem febrilmente (sua doação pela humanidade). Não há ganância, só amor.

Leonardo da Vinci, Blaise Pascal, Isaac Newton são exemplos clássicos.

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Caso 1.d

Nessa situação chega-se ao cume após, mas a demora para se transitar de fase é compensada pelo "plus" de conhecimento intelectual adquirido. Mas essas descobertas, apesar de interessantes, já não são efetivamente úteis para o mundo. No entanto, como no caso 3.b, pode-se auxiliar aqueles que ainda não atingiram a noção da importância do espírito.

Figura 11: Semelhante a 3.b, mas com mais delta
intelectual.
(continua)