quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

A Quarta Revolução

Revolução está para revolver - ou seja, virar. No campo das ciências humanas, trata-se de uma mudança abrupta na estrutura de uma sociedade, isto é, em seu sistema político-econômico. Ela pode se dar a nível local ou nacional. Apesar de que, se isso ocorrer - ou seja, ela não for global -  o resultado será uma  estrutura  de vida curta e fim desastroso, doloroso e, acima de tudo, deprimente. Por que? Pelo simples fato de que o mundo é interconectado, dinâmico e possui uma sociedade inerte em termos de consciência. Além disso, a ideologia dominante (sabendo muito bem disso) opera magistralmente no subconsciente das massas, tornando o controle muito mais simples e fluído - pois o autocontrole em prol de um ideal de vida já está implantado em mentes e corações.

Dessa vez ela deve se dar em outro plano.
O mundo, desde o início das navegações (século XV), começa a se tornar globalizado. O Renascimento é um movimento de resgate da mentalidade clássica, da valorização do ser humano, da beleza das coisas do mundo. Com isso a Ciência tal como a conhecemos nasce e começa a avançar a passos largos. Nasce o Estado moderno, que centraliza o poder e cria uma série de instituições próprias, operando em conjunto com empresas privadas (sim, desde essa época elas existem). O capitalismo nasce.

A transição do feudalismo para o capitalismo se deu naturalmente. Não foi um evento, mas um processo que durou séculos, cujo desenvolvimento foi pautado pelas conquistas anteriores e (principalmente) subsequentes. Esse novo sistema viabilizou o que Yuval Harari denominou de Revolução Científica - a terceira de uma cadeia de mudanças fundamentais sofridas pela nossa espécie Homo sapiens

Qual foram as outras duas?

Elas já foram citadas alhures [1]: a cognitiva (~70.000 a.C.) e a agrícola (~9.000 a.C.). Foram denominadas 'revoluções' porque trouxeram mudanças muito profundas no modo de se fazer as coisas. Por exemplo, a capacidade de nos comunicarmos de forma mais elaborada permitiu a formação de grupos maiores (muito superiores a 150 pessoas) coesos, que por sua vez colimou numa maior interação entre seres, o que gera novas ideias. Pense nos utensílios de ferramenta, no uso dos objetos, na organização para defesa e caça, na busca por informações úteis para realizar deslocamentos e coisas do tipo. É de certa forma o início da manifestação dos princípios sistêmicos a nível humano. As demais espécies do gênero Homo (ramapithecus, florensiserectus, neanderthais,...), ao que tudo indica, não tinham essa capacidade de organização - pelo menos em grupos grandes. Isso significa que um Neanderthal, apesar de mais rápido, mais forte e mais adaptado ao frio do que um sapiens, poderia muito bem vencer uma luta 1-1 ou n-n (contanto que 'n' fosse um número baixo). Mas quando grandes quantidades desses grupos se enfrentam - seja por busca de local seguro, alimentos, recursos, segurança ou coisas do tipo - os sapiens levavam a melhor. Porque em grandes quantidades fica evidente a superioridade organizacional (através da comunicação) para vencer um inimigo. 

A transmissão de informação entre sapiens é muito mais rica do que qualquer outra espécie do gênero Homo. É rica, falando sobre hábitos e costumes dos neanderthais, o que os afugenta, o que os atrai, qual a explicação para determinados membros do grupo exercerem tal função, etc. O mesmo não se dá com as outras espécies do gênero Homo. Fofocar, ao que parece, foi um elemento vital para que aprendêssemos a criar relações de confiança com membros do grupo [2]. Porque essas conversas aparentemente vazias acabavam dando pistas em quem era melhor para tratar de certo assunto, como deveríamos abordar cada um, em que momento e diversas particularidades. Cria-se uma rede de informação na tribo.

Uma síntese de nossa trajetória.
Quando a agricultura surgiu nós já estávamos em todos os quatro cantos do planeta. Entre 9.000 e 1.500 a.C várias sociedades, em diferentes continentes, desenvolveram a técnica da domesticação. Na flora, o trigo, a batata, o arroz e o milho foram as principais culturas que passaram a fazer parte de nossa dieta. Na fauna, passamos a incorporar os cães e cavalos como nossos auxiliares -  e bovinos, caprinos, suínos e aves como nosso menu. Um passo substancial para nossa espécie se tornou o inferno para determinadas espécies animais. Nunca se controlou, confinou, maltratou tanto os animais quanto nos últimos dez mil anos - época em que se iniciou o uso ordenado deles. 

Nesse meio tempo - entre a segunda e terceira revoluções - houveram várias criações importantes: a escrita, o bronze, o ferro, o dinheiro, a roda, as cidades, os reinos, os impérios, a imprensa, a filosofia, os fundamentos da ciência, a geometria, os navios, as artes, as religiões e muito mais do que posso ou quero citar. Todas elas estão inseridas numa ordem. Uma cadeia de processos e eventos, que são paralelos e se fundem em ocasiões específicas (ex.: o casamento entre ciência e império de que Harari fala em seu livro). Mas podemos ver todas essas transformações como criações subsequente relacionadas - direta ou indiretamente - ao advento da domesticação. Esta possibilitou a concentração de energia, criação de excedentes, especialização de funções. Que se desdobraram em outras coisas. A palavra-chave aqui é desdobramento. Evolver significa desdobrar-se. Ou seja, des-envolver. O que estava empacotado é aberto. As potencialidades se manifestam. Do potencial para a realização. (Rohden adora escrever dessa forma)

Chega um ponto em que parecemos ter atingido uma saturação. E quando ímpeto evolutivo esbarra com limitações em vários campos, começam a eclodir ideias. Em forma de loucuras e persistências. Giordano Bruno é um exemplo notável. Mas há outros - muitos dos quais provavelmente desconhecidos e desconhecidas. Assim damos um salto rumo ao desconhecido - sabendo no fundo de que havia algo concreto após a longa e temerosa travessia. O mundo começa assim a se tornar globalizado. Começamos a nos tornar uma aldeia global aos poucos.

Momento de mudar nosso horizonte de possibilidades.
O capitalismo se junge a esse movimento de globalização, fomentando a colonização e as descobertas científicas. O crédito permite às pessoas empreenderem hoje baseadas em expectativas futuras. Não é preciso ter o dinheiro agora - apenas a confiança daqueles que irão emprestá-lo a juros (os bancos). O sistema financeiro pode emprestar até dez vezes o que ele possui de dinheiro real depositado [2]. Isso alavanca o sistema de crédito, tornando possível o florescimento de diversos negócios. Essa lógica perdura até hoje, apesar de ter assumido uma sofisticação que deixa a grande maioria apenas interessada no início e no fim do processo - e não em seus inúmeros malabarismos de comos e porquês

O livro de Yuval tem o mérito de permanecer o mais imparcial possível. Avalia os ganhos e perdas de cada movimento histórico. O dinheiro, a escrita, a roda, a expansão de nossa espécie, a ciência, a domesticação, o domínio sobre a natureza,...Uma resenha muito boa destaca a obra de Harari [3].

Antes de fazer um mergulho no sistema econômico e político hodierno - aparentemente invencível, insubstituível e de expansão inexorável - quero voltar à revolução cognitiva, que foi o pontapé inicial cujo desdobramento foi o advento da civilização - ou seja, as revoluções subsequentes.

Tudo começa com nossa capacidade de abstração. O caso da Peugeot é usado como exemplo. Uma torcida de futebol também. Na verdade se observarmos uma miríade de conceitos à nossa volta, que apreendemos como normais inconscientemente (como nação, religião, time, classe social, profissão, etc.) se apoia numa narrativa abstrata. Essa capacidade mexe com algo dentro das pessoas. Torna-as capazes de fazer coisas que não fariam sem uma visão mais vasta. Elas se mobilizam. Morrem por governos. Destroem sua saúde, sua vida, pela empresa. Constroem aparatos fantásticos.


É no âmbito da capacidade de abstração que reside a possibilidade de acionar engrenagens interiores humanas que acabam não apenas por viabilizar, mas também concretizar, consolidar e perpetuar formas de vida concreta, que influem em muitas (se não todas) esferas de vida de pessoas, grupos e nações. Em geral, essa habilidade exclusiva de nossa espécie (ao menos nesse planeta), sempre foi usada para o mal. Isto é, vencer um grupo, ou explorar, ou coisas derivadas. Mas é verdade também que nessa marcha de satisfação do egoísmo coletivo houveram personagens históricos de espírito verdadeiramente alado, que imprimiram um tom ascensional à marcha da humanidade. Alguns o fizeram de forma mais radical, imprimindo novas ideias à força. Ideias originariamente belas e sublimes, que apontam para uma forma de vida mais coesa, eficiente e livre - mas que durante a implementação logo sofreram uma degradação, tornando os executores reféns das forças da vida. Outros o fizeram de forma pacata, mais harmônica. Sem dar tiros ou abalar a ordem estabelecida - mesmo que a mesma fosse uma barbaridade perante os idealistas que já sentem no imo o palpitar de um mundo verdadeiramente digno de ser chamado de 'decente e 'civilizado'. No entanto as pessoas não compreendem o significado de certos atores históricos, condenando-os sem compreender as razões profundas de seus atos - nem percebendo a profunda mudança causada pelos mesmos. Já discorri essa questão alhures [4]. Quem deseja saber o porquê do autor possuir essa visão deve fazer um estudo da ideia desenvolvida.

Como usar os dados? Intenção de melhorar o ser.
Voltemos ao capitalismo. Mas é preciso que antes, para quem não tenha lido, fazer uma leitura calma e sem julgamento de um ensaio [5]. Ele trata daquilo que vejo como alternativa verdadeiramente revolucionária a esse modelo atual. Destruo mitos e dilato visões. Desdobro conceitos e pontuo detalhes que passam despercebidos na correria do dia-a-dia. É importante que 'percamos' tempo com aquilo que possua as reais possibilidades de salvação.

Harari desenvolve de forma brilhante uma breve história da humanidade. Seu livro, a meu ver, é pré-requisito para qualquer um que deseje esboçar alternativas para a civilização contemporânea. Lê-lo me fez consolidar uma série de conhecimentos que passaram corridos em meu ensino. Aprendi coisas que desconhecia - apesar de suspeitar como elas se deram. E assim consigo ver de forma mais coesa o desenrolar multimilenar do sapiens. A leitura te prende. É cativante sem rebuscamento acadêmico. É sintética (considerando o período de tempo abordado) sem atropelar grandes conquistas e feitos. Não apenas vale a pena como é um dos livros centrais em meu acervo. Daqui para frente minha meta é inciar um esforço de unificação - um trabalho verdadeiramente homérico, por ser tão ousado.

À medida que lia o livro de Harari sempre me vinha em mente a Obra de Pietro Ubaldi. Tudo ia se encaixando na teoria desse grande missionário da Umbria. Desde a questão dos ciclos históricos até o caráter ambivalente das conquistas humanas. É muito interessante ler um livro de história com uma perspectiva que transcende o espaço, o tempo e nosso nível de consciência. Porque nos pontos em que o autor se depara com a dúvida começamos a delinear soluções para a mesma. Um encaixe entre a síntese da ciência e do espírito (Ubaldi) e a síntese do mundo (Harari). A partir daí pode-se esboçar uma quarta revolução - que com certeza deve nascer em breve.

Nosso planeta está passando por um período de transição planetária. Perceber isso independe de alguém ser espírita, espiritualista, budista, suicida ou qualquer outro sistema de crença ou religião. A Inteligência Artificial, a Automação, a financeirização, a liquidez das relações, a nossa relação intensa com as tecnologias e a informação, o aquecimento global, o esboço de uma noosfera,...tudo isso é o início de um processo global de destruição e construção. Dois movimentos simultâneos. Um de degradação intensa e infernal. Outro de gênese de conceitos e criaturas fantásticas - que estão ousando afirmar formas de vida inconcebíveis à mentalidade comum. Na mesma medida em que brota o desespero, as ofensas e a destruição dos pilares da civilização [6], observa-se o despertar de consciência. 

Indivíduos fantásticos se revelam - e se superam a  cada grito e ofensa desferido por demônios poderosos. Podemos conhecer os trabalhos desses profetas do século XXI - verdadeiros emissários do Cristo! - graças a essa revolução na tecnologia de comunicação e ampliação do acesso. Em meio a muito excremento propagandístico afloram pérolas que portam os segredos da salvação. 

MASCARO. A: Profeta do século XXI.
Assistir às suas palestras dá a meu ser uma visão cada vez mais madura do mundo. Mas isso não é o mais importante. Existem alguns que nos inspiram. Nos fazem crer na possibilidade de vencer em meio a uma derrota iminente. Vencer a nós mesmos. A nossa ignorância segregadora. Estamos vendo talvez o renascimento do ideal que animou os primeiros cristãos - dispostos a sofrerem as maiores atrocidades em prol da difusão da visão de Cristo. E com isso diversos ideais secundários - mas muito importantes - que animaram as almas de teóricos que descreveram como a sociedade está organizada e quais as linhas gerais para a superação do estado atual - que deve chegar a um fim, de uma forma ou de outra.

Queremos progredir à força da dor ou através do esforço de um trabalho completamente novo? A humanidade está, em seu íntimo, cansada dessa lógica insana de consumir e fofocar e se blindar contra tudo e todos que desvie um grau sequer de sua opinião. Está doente porque não está sabendo pensar por si só. Repete velhas máximas de modo desordenado. É raríssimo encontrarmos uma pessoa nesse mundo capaz de pensar por si só - gerar ideias de dentro de si. O próprio autor se indaga sobre sua capacidade (ou falta de) de ir além de uma fronteira. Seu desejo é transcender seus próprios pensamentos. Seu sonho é ser útil si, para tudo e para todos - o que implica em uma coisa só...pois todas as três coisas estão profundamente interligadas. Num estágio futuro (de conscientização profunda) a tendência será a fusão: unidade de sentimento vertendo em potência de atuação e orientação de pensamento.

A última grande figura que começo a conhecer melhor se chama Alysson Leandro Mascaro [7]. É professor doutor de filosofia do direito da USP. Capacidade de comunicação formidável. Inteligência profunda. E humanidade no gesto, na fala e na atitude. Suas palestras ajudaram a reorientar minha visão universal sobre o momento histórico que passamos (crise sistêmica do capitalismo). Uma delas em particular, ministrada no V CONTAJ, na Bahia, me fez pensar melhor em várias questões. 


Para aqueles sem tempo (e/ou paciência), tenho separado - logo abaixo - um vídeo mais curto, do mesmo palestrante. Ele explica qual a real função do poder judiciário em nosso mundo. Após assistir o vídeo fica cada vez mais claro a unidade de pensamento entre o monismo ubaldiano e o espírito de Alysson Mascaro.


Uno a visão desse grande ser ao último livro de Ubaldi, Cristo. As ideias centrais estão em ressonância:

"Por enquanto, subsiste ainda a luta de classes. Mas ela serve para a formação de grupos, que dão origem a uma consciência coletiva de dimensões sempre mais vastas. Assim se organizam as massas, de modo que as primeiras iniciativas tomadas neste sentido pelos vários socialismos e comunismos se expandem no terreno das democracias, realizando um processo de organização mundial. A ideia de justiça social, que era antigamente prerrogativa de um determinado partido, extravasa para além dos confins dos grupos que a haviam pensado primeiramente. Assim, o princípio pelo qual a assistência ao pobre e a supressão ou a suavização das desigualdades econômicas é um dever se expande sempre mais no mundo inteiro, inclusive nos regimes capitalistas."
CRISTO - Pietro Ubaldi (grifos meus)
 
"O comunismo quis antecipar demasiadamente os tempos, presumindo no indivíduo uma maturidade que não existe, uma consciência coletiva que lhe permitisse viver no estado orgânico, uma consciência a ser conquistada, da qual se está ainda longe. Eis então que o comunismo pode cumprir uma função útil à vida, enquanto, sob a forma de imposição ou de coação, serve como escola que ensina a viver em forma coletiva e enquanto, como antecipação de um futuro hoje utópico, serve para lançar ideias de justiça social que eram desconhecidas no mundo democrático."
CRISTO - Pietro Ubaldi (grifos meus)

Não veja um homem. Sinta o princípio.
A Quarta Revolução, ao que me parece, deve ser uma revolução de consciência - se a vontade de sobreviver como espécie superar a inércia de perpetuar a lógica consolidada que não mais funciona. Mas como vivemos num mundo globalizado, uma de suas consequências será a gênese de um sistema político-econômico completamente novo. A organização da sociedade deve mudar para que possamos continuar criando as coisas fantásticas que as eras passadas nos brindaram. A herança do capitalismo deve ser lida tanto em suas conquistas (em envelhecimento) quanto em suas limitações (crescentes).

O futuro verdadeiramente projetado pelas vias do bom-senso deve envolver distribuição de recursos, igualdade de oportunidades, controle democrático dos meios de produção e comunicação, respeito às diferenças, liberdade de expressão, formas de intercâmbio mais sofisticadas (e simples), heterogeneidade de ideias substancialmente férteis, eficiência energética e valores que sejam realmente incorporados nas atitudes do dia-a-dia. O sistema atual não se interessa em garantir esses princípios. Não é questão de opinião - apenas de observação. É preciso outra forma de organização social.

Claro. Para isso é preciso que algo dentro de nós esteja ciente. A mudança do mundo externo deve partir de dentro. Mas ambos os mundos - interno e externo - irão mudar juntos. Pois são uma só coisa. 

Justiça social e reforma íntima formam uma unidade. Hoje em dia o ser humano não é capaz de dissociar uma da outra. A implicação é bidirecional. O monismo de Ubaldi se faz cada vez mais evidente. Segregar princípios é uma prática do intelecto. Devemos transcendê-lo! A chave para essa superação reside na maturação interior.

Os nomes pouco interessam. O fato é que ou geramos um novo sistema - uma forma de organização nunca vista antes - ou corremos o risco de desaparecer ou passar muitos séculos ou milênios nos arrastando numa vida miserável, violenta, altamente tecnológica e fria, esperta mas destituída de inteligência, de modo a olharmos para a deprimência do mundo atual e pensarmos "Nossa...como eram bons aqueles tempos..." Isso é uma forma de morte.

Temos condições de criar uma nova vida coletiva. Criemo-la.

Referências:
[1] https://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2019/12/sim-generalistas-profundos-nao.html
[2] HARARI, Yuval Noah. Sapiens: uma breve história da humanidade. L&PM Pocket. 2012.
[3] https://www.deviante.com.br/noticias/resenha-sapiens-uma-breve-historia-da-humanidade-yuval-noah-harari/
[4] https://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2019/05/so-dor-revela-e-liberta.html
[5] https://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2018/08/incorporar-o-ecossocialismo-ou-perecer.html
[6] https://www.google.com/search?q=emborcamento+do+rumo+natural&source=lmns&bih=679&biw=1143&hl=pt-BR&ved=2ahUKEwierrDWyOPmAhVFKrkGHWjjDiMQ_AUoAHoECAEQAA
[7] https://pt.wikipedia.org/wiki/Alysson_Leandro_Mascaro
[8] https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/As-grandes-mentes-de-esquerda-do-seculo-XX/4/45687
[9] https://piaui.folha.uol.com.br/materia/como-vai-acabar-o-capitalismo/

domingo, 29 de dezembro de 2019

Processos Colaborativos na ESBM - Palestra, 05/2019

Conforme prometido, segue a palestra de Processos Colaborativos na Engenharia de Sistemas Baseada em Modelos (ESBM), proferida em maio de 2019 na Semana da Engenharia do IFSP/SJC.

Aqui o foco é mais específico, visando um público mais restrito, da área técnica, com enfoque especial para os(as) futuros engenheiros(as) da instituição - e todos docentes interessados no tópico, que trabalharam ou trabalham com o tema apresentado.

Dividi a apresentação em seis tópicos (ver vídeos abaixo). A ideia é transmitir as tendências na área de desenvolvimento de sistemas, e a partir daí explicar o trabalho desenvolvido por mim durante meus anos como estudante de Pós-graduação no INPE. Irei definir e caracterizar brevemente os modelos, para a seguir  mostrar dois importantes paradigmas na representação de sistemas físicos (físico e informacional), destacando as diferenças entre ambos em termos de simbologia, fidelidade, simplicidade e resultados de simulação. Tudo isso foi feito no meu Mestrado, que consistiu em comparar as duas abordagens tendo como base um subsistema propulsivo para satélites*.

A segunda parte contextualiza o desenvolvimento colaborativo e seus processos. Irei aqui apenas esboçar a natureza desse tipo de desenvolvimento. Comento sobre o ambiente colaborativo - que viabiliza a implementação de processos colaborativos. Também destaco os requisitos de processo, exemplificando o porquê deles serem especificados durante a construção da cadeia de processo - e antes da execução da mesma.

A definição de requisitos implica em restrições. Essas são definidas pelas ferramentas, objetivos do processo e tipos de conexões. Eles permitem, dito de modo simples, a construção de uma ou mais cadeias de processo de forma orientada. Pode-se inclusive pensar numa hierarquia de funcionalidades e, dentro de uma mesma (funcionalidade), uma sub-hierarquia de eficácia. Tudo isso dependerá do grau de complexidade da rede.

No meu Doutorado estive concentrado em criar uma nova metodologia de interconexão e reuso de ferramentas computacionais, além de implementar uma análise paramétrica automatizada (e remota) de um processo colaborativo.

O que é isso?, alguns podem estar se perguntando.

Bom...tudo que envolve 'análise' pode ser lido como 'estudo'. Se estou analisando algo (ou alguém), há uma série de processos cognitivos acionados responsáveis por estabelecer mensurações, filtragens e classificações para, a partir destas, tomar uma decisão - ou dar uma resposta ao meu chefe.

'Paramétrica' é a junção dos vocábulos 'parâmetro' com 'mensuração'.:

substantivo masculino
  1. 1.
    padrão, regra, princípio etc. por intermédio do qual se estabelece uma relação ou comparação entre termos.
  2. 2.
    MATEMÁTICA
    variável de caráter secundário cuja finalidade é especificar os objetos de um conjunto ou de uma família [P.ex., na família de planos ax + by + cz + d = o ; abc e d são parâmetros.].

mensuração
substantivo feminino
  1. ato ou efeito de medir ou mensurar.
    • MÚSICA
      m.q. MENSURA.
Origem
⊙ ETIM lat.tar. mensuratĭo,ōnis 'medição de terras; agrimensura'


Dito de outra forma, 'parâmetros', em engenharia, são atributos de componentes, subsistemas ou sistemas. A massa de um eixo, por exemplo, é um parâmetro. Seu diâmetro. Os diâmetros das seções de um bocal convergente-divergente. A densidade de um combustível (se não variar com a temperatura e pressão). São grandezas que não sofrem variação ao longo do tempo de operação. No entanto, elas mudam (e muito!) ao longo da fase de projeto, em que o sistema ainda está sendo definido. 

Mensurar é medir. Logo, uma 'análise paramétrica' é um estudo que visa medir parâmetros - que variam a cada ciclo - com o intuito de observar qual combinação (de parâmetros) é a mais próxima ao ideal para compor definitivamente aquele sistema (ou produto, na linguagem empresarial). 

Automatizar esse processo implica em aliviar o trabalho humano, tornando o computador responsável por fazer as variações e coletar ordenadamente os dados, gerando gráficos, tabelas e até mesmo relatórios. É claro que necessário se faz setar como serão essas variações e quantos ciclos serão executados. O humano sempre está no início e no fim dos processos automáticos - cada vez mais próximo às origens e concentrado nos fins.

Ela é feita remotamente porque toda essa rede pode ser executada envolvendo diversos profissionais e grupos situados em locais geográficos distintos. Cada um tem sua ferramenta, instalada em sua máquina, construída a partir de seus modelos analíticos, usando uma linguagem e assumindo hipóteses.

O desenvolvimento colaborativo parte do mesmo princípio
da organização de uma orquestra. Os músicos são os especialistas.
Seus instrumentos, suas teorias, ferramentas e métodos. O maestro,
o coordenador (ambiente). As músicas, os arranjos (processos).
Trata-se sem dúvida de algo que pode aumentar em muito a eficiência do desenvolvimento de sistemas. Em particular, na engenharia. Mas não apenas restrito a esse campo. A diminuição de ciclos (tempo), aliada à maior facilidade em obter um conjunto enorme de dados de forma ordenada (informação) permite decisões mais inteligentes. Há ainda a diminuição do custo: menos ferramentas computacionais são necessárias, o que implica em menos licenças. Os dados são distribuídos / compartilhados na rede. A memória computacional (armazenamento e execução) pode ser menor. Ganha-se agilidade dos elementos e do todo através da integração e interconexão das ferramentas num ambiente (virtual) colaborativo. Mas isso ainda não é tudo: há a questão da possibilidade de reuso.

O reuso de ferramentas depende do mapeamento do conjunto. Isso independe da cadeia de processo a ser construída. Para construí-lá (a cadeia) o grupo (conjunto de instituições, grupos, pessoas) deve não apenas se basear em seu sistema, mas num mapa (de ferramentas) que revele as possibilidades de construção. A esse mapa dei o nome de 'diagrama inter-ferramentas dinâmico '.

Por que 'inter-ferramentas'? Porque são várias, e relacionadas direta ou indiretamente entre si.
Por que 'dinâmico'? Porque percebi que ele pode adquirir diferentes configurações. Para isso é preciso compreender os tipos de conexões entre ferramentas existentes.

Segundo Deshmukh et al. (2014), existem sete tipos de relações entre modelos (que eu estendi para ferramentas, um termo mais geral):


I) "Depende de" é uma relação de necessidade. Um modelo depende de outro para ser executado. A inversa seria "é requisito para".

II) "Foi derivado de" é uma relação de criação. Um modelo parte de outro para ser construído. Sua inversa é "é um template para".

III) "É uma extensão de" é uma relação de ampliação. Um modelo tem as mesmas características de outro, além de suas próprias. A inversa é "foi estendido por".

IV) "É uma reimplementação de" é uma relação de identidade funcional. A diferença reside na executabilidade para uma plataforma de simulação distinta. Sua inversa é "foi reimplementada com".

V) "É mais complexo que" é uma relação de aumento de fidelidade em relação a outro. O modelo fornece informações que o outro é incapaz. Sua inversa é "é mais simples que".

VI) "É uma alternativa a" trata de uma relação de semelhança. A função é a mesma que de outro modelo, mas a lógica interna de funcionamento é distinta.

VII) "É compatível a" é uma relação de parceria. O modelo pode ser usado conjuntamente com outro (está adaptado a isso).

As relações são setas bi ou unidirecionais que conectam ferramentas (círculos numerados). A cor do círculo determina sua natureza (ver árvore de classificação). Assim é possível construir um diagrama que relacione todos os modelos que os grupos possuem, formando um mapa completo que dará as possibilidades de arranjos e rearranjos de suas cadeias de processo.

Após essa visão geral entro com o estudo de caso feito.

1. Histórico e tendências
parte 1

parte 2

parte 3

2. Modelos e paradigmas
parte 1

parte 2

3. Desenvolvimento colaborativo
parte 1

parte 2

parte 3

4. Estudo de caso
parte 1

parte 2

parte 3

5. Conclusões

Notas
*trata-se da Plataforma Multi-Missão, PMM, o primeiro inteiramente desenvolvido no Brasil.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Compilação de visões (D8)

Atividade 2.2 – Fórum Avaliativo – O público-alvo da Educação Especial no contexto educacional Regular

Neste fórum iremos analisar e debater o processo de inclusão de alunos que fazem parte do público-alvo da Educação Especial no contexto de cursos do Centro Paula Souza.
Você já teve ou tem alunos público-alvo da Educação Especial (deficiência, transtornos globais do desenvolvimento (TEA) ou altas habilidades ou superdotação) em algumas de suas salas de aula? Compartilhe com os colegas as seguintes reflexões:
  1. Você conversou com esse aluno no início do curso?
  2. Você realizou alguma atividade ou conversa com sua turma ao receber esse aluno?
  3. Foi necessário adaptar algum material, procedimento ou conteúdo?
  4. Como foi a convivência desse aluno com o restante da turma?
Caso você não tenha tido um aluno público-alvo da Educação Especial em suas turmas, reflita as questões acima de forma a se colocar da maneira como agiria se tivesse tido um aluno com tais características em seus cursos.


por LEONARDO LEITE OLIVA - segunda, 7 Out 2019, 17:08
Bom dia a todos(as) !

Eu nunca tive de lidar com um aluno que exigisse cuidados especiais. Não imagino como eu agiria. Provavelmente seja necessário algum treinamento para saber como proceder durante o curso - pois trata-se de alguém que possui menos sentidos e/ou diferente ritmo de aprendizado, com limitações do ponto de vista do que consideramos normal.

Acredito que há pessoas com mais (ou menos) aptidões para lidar com esse tipo de público, assim como temos docentes que lidam melhor com o público infantil do que com adultos - e vice-versa. Percebo que pessoas que possuem mais afinidade com as artes, em geral, são mais receptivas ao diferente, por serem capazes de internalizar sentimentos de forma mais pronunciada. Isso não significa que a pessoa tenha de ter uma formação na área, mas uma afinidade com as formas de expressão. Da mesma forma, o fenômeno pode se dar para quem se envolve de forma muito intensa com aspectos mais profundos da realidade através da ciência, da comunicação ou da filosofia.

Recentemente vi um filme muito bom que trata justamente do tema. Uma freira na França que trabalha num convento para meninas surdas acaba se responsabilizando por uma menina cega e surda, mesmo que o lugar não tenha competência para tratar de tal problemática. Ela acaba recebendo a menina e acaba conquistando sua confiança, tornando-a uma pessoa autônoma em vários sentidos.

https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=D5qJv_I7K6M&feature=emb_title

O espectador vê o árduo trabalho assumida pela jovem e frágil freira. Ela possui saúde precária e acaba falecendo no final, mas cumpre sua missão, considerada impossível (e indesejável) pelas suas colegas: elevar uma menina a um status aceitável, dando-lhe autonomia e confiança, expandindo seus horizontes através de um trabalho formidável, criando uma forma de comunicação nova. É realmente muito bonito. Recomendo o filme.


por LEONARDO LEITE OLIVA - quarta, 23 Out 2019, 20:06
Concordo contigo X. Eu particularmente estou muito despreparado. Não sei como agir. E às vezes, mesmo com as melhores das intenções, podemos estar fazendo algo prejudicial a alguém. Precisamos ter vivência e um certo treinamento para essas situações. Como você bem disse (grifos meus):
Analisando o contexto de inclusão de uma forma mais ampla, acredito que grande parte dos docentes, ainda está despreparado para receber em sala de aula, alunos com deficiências e dificuldades físicas e cognitivas mais significativas."

Eu fico pensando em termos de comunicação...
Nos apoiamos nos cinco sentidos para atuarmos e formarmos nossas opiniões. A carência de um deles - ou de um membro, ou de uma capacidade cognitiva - traz um problema para o indivíduo. No entanto, percebo que há casos fenomenais, em que a amputação de um sentido, membro ou capacidade intelectual acaba servindo de estímulo para a potencialização de virtudes, gerando-se assim ideias e obras de arte fantásticas.

Quantos casos de gênios não há em que personalidades fora do padrão viviam tormentos constantes e intensos durante toda a vida. Van Gogh, Beethoven e Alan Turing exemplificam esse fenômeno. O sofrimento, se atinge seres de elevado grau de consciência, tirando-lhes às vezes sentidos muito queridos (Beethoven ficou surdo) é o catalisador das criações que ecoam na vasta esteira do tempo. É sem dúvida um fenômeno muito intrigante, que nos deixa perplexos e nos leva a perguntar se existe uma função pedagógica em tudo isso.

Fico pensando em evolução com tudo isso..
Várias obras cinematográficas apontam para uma realidade futura imprevisível, porém muito ansiada pelo íntimo coletivo.

No filme Inteligência Artificial (idealizado por Kubrick e filmado por Spielberg), quando o menino-robô se depara com alienígenas num futuro distante, o espectador percebe que esses seres esbeltos, transparentes (em todos aspectos), eficientes, verdadeiramente inteligentes e pouco materializados, se comunicam por pensamento. Não é necessário ver, ouvir, cheirar, tocar, saborear...Não é necessário um subtrato físico para que ocorra a transmissão de ideias e sentimentos...Logo, a deficiência inexiste, pois vive-se num plano superior, que (aparentemente) superou, há muitos milênios, tendências instintivas que acompanham a nossa personalidade. 

Me pergunto se uma evolução profunda de nossa espécie, à nível íntimo, substancial, não terá o poder de plasmar o organismo físico de modo orientado, rumo a uma neo-configuração orgânico-molecular, reestruturando tudo. Uma evolução interior, que se dará cada vez mais no campo psíquico do que no físico. E este sofrerá influências concretas a partir de fenômenos internos, intangíveis.

Tudo me indica que deslocar nosso centro de gravidade de preocupações para planos mais sutis nos libertará cada vez mais da necessidade de sermos dependentes de órgãos saudáveis para nosso pleno desenvolvimento. Quando discorro sobre essas questões, obviamente penso na escala de milênios e milênios - pois sei que a evolução...especialmente da consciência humana...é lentíssima. 

Enfim...acredito que chegará um momento em nossa trajetória multimilenar em que não haverão mais deficiências. Porque estaremos vivendo em planos de existência hiper-sensórios (como os alienígenas do filme). Mas antes de chegar lá precisamos saber tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. É mister ter empatia para com o outro para operar essa ascensão de espírito. E...por mais paradoxal que pareça...é apenas sabendo abraçar o outro e inseri-lo na sociedade que permitirá à humanidade se livrar da dependência desse organismo pesado, com vínculo férreo ao tempo, que sente a existência se arrastar; um organismo muito sensível às perturbações do ambiente. 

Criamos tecnologias para aliviar o sofrimento. Tratamentos e medicamentos para reverter doenças e deficiências. E temos tido sucesso. E continuaremos tendo com o progresso. Mas acredito que a maior conquista a ser feita deixará tudo isso como capítulos da pré-história de uma humanidade futura, que venceu as amarras de um mundo fortemente calcado na materialidade. Trata-se de um destino irresistível mas (aparentemente) irrealizável. Mas já se constata que a utopia de hoje é a realidade de amanhã. E é graças a essas visões "loucas" que poderemos chegar em lugares inimagináveis.

Eu não sei como esse processo se dará. Mas sinto que, quando se consumar, abolirá definitivamente as deficiências e doenças. E assim nada nos atingirá - pois teremos aprendido sobre as limitações do outro e sofrido outras dores, de outras formas. Variadas formas. 

Link:https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=ns3YRpeeGwI&feature=emb_title


FIM

Compilação de visões (D7)

Atividade 2.2 – Fórum Avaliativo – Questões norteadoras do processo de elaboração, desenvolvimento e avaliação dos impactos do currículo da educação profissional

Algumas questões sobre currículo, lançadas no início do século passado, ainda são objeto de debate, tanto no meio acadêmico quanto nos meios político e econômico. Discuta com seus colegas as seguintes questões:
  1. Como conciliar as principais fontes do conhecimento a ser ensinado: o conhecimento acadêmico, as disciplinas científicas e os saberes profissionais do mundo ocupacional?
  2. O que deve estar no centro do ensino: os saberes “objetivos” do conhecimento organizado ou as percepções e as vivências subjetivas dos indivíduos?
  3. Afinal, qual deve ser a finalidade da educação: ajustar os indivíduos à sociedade, tal como ela se encontra, ou prepará-los para transformá-la?
  4. Como avaliar a eficácia do cumprimento curricular?
Reflita sobre essas questões e poste seus comentários em nosso fórum. Não se esqueça de acessar o fórum com frequência, para poder dar continuidade na conversa com seus colegas sobre o tema!


por LEONARDO LEITE OLIVA - quinta, 1 Ago 2019, 10:27
 
Bom dia a todos(as).

A educação tem um caráter duplo: ela deve simultaneamente adequar o indivíduo ao mundo presente e capacitá-lo a transformar esse mundo da forma mais harmônica possível, a partir de suas inclinações. Todos podem trabalhar em prol do progresso (em seu sentido mais pleno e puro). Mas cada um o fará a seu modo. Alguns como cientistas; outros como inventores; outros como oradores; outros como professores; outros como grandes estadistas; outros como pensadores; outros ainda como brilhante artistas; outros como aqueles que aliviam o sofrimento ; e por ai vai. A variedade de tipos é enorme.
O processo de aprendizagem deve colocar em pauta as seguintes perguntas:

1) Por que o mundo é como é?
2) Como ele funciona?
3) Quais são as micro e macro tendências? Como elas se relacionam?
4) Qual a nossa origem e o nosso destino?
5) Como se dá o processo evolutivo?

Em (1) devemos remontar às origens: a Física moderna nos explica sobre a gênese do espaço-tempo. A Biologia nos expõe à gênese da vida orgânica e seu desdobramento. A História revela a trajetória de nossa espécie, com o desenvolvimento do psiquismo num nível completamente novo, que se destaca violentamente daquele das outras espécies.

Em (2) temos os processos cognitivos. Relações de causa-efeito. Leis do mundo infra-humano e humano. Com a explicação dos mecanismos de funcionamento (leis, normas, costumes, etc.) passamos a compreender como foram elaborados e por que. Percebe-se que eles nascem, crescem, alteram-se e morrem, para dar lugar a outros mecanismos.

Em (3) podemos aproveitar para reconhecer padrões - formados conscientemente ou não. A partir de experiências pretéritas é possível imaginar desdobramentos futuros. Aí é imprescindível observar que o caos do muito pequeno pode se revelar uma grande ordem - se vista de um plano mais elevado. Isso é percebido na visão espacial, quando nos aproximamos muito de um belo quadro, que parece cheio de cores destoantes, mas que se revela belo quando visto em seu todo; ou quando só percebemos fragmentos de correntes de pensamento, que nos parecem sem sentido. 

Em (4) a educação tem a oportunidade de apresentar-se em sua essência: humilde e dinâmica. Deve esclarecer que nada pode ser negado completamente. Resta muito a ser desvendado pela mente e pelo coração. E até superar a própria forma mental, esboçando outras formas de realizar pesquisa dos fenômenos. Nisso a Física quântica já avançou: o observador deve estar na mesma faixa vibracional do fenômeno para compreendê-lo em sua plenitude. Uma fusão de alma individual com fenômeno, destruindo momentaneamente o ego enclausurante em prol de uma (re)descoberta. 

Re-descoberta? Por quê? 

A partir daí tem-se a oportunidade de discorrer sobre esse tema em termos metafísicos, relacionando religião, filosofia e ciência - o tripé do pensamento e sentimento que anima todo ser humano. 

Huberto Rohden deixa claro a função do educador:
"O educador é um “edutor”, alguém que “eduz” do seu educando o que nele dormita de melhor e mais puro. Educar não é injetar, impingir, mas sim eduzir e desenvolver o que já existe na alma do educando, assim como a luz solar desperta e desenvolve na semente a planta que nela existe potencialmente."

O educador desperta o que está em estado latente. Ele é catalisador. Quem deve atravessar a porta é o próprio aluno, sujeito do processo individual de realização universal. 

Conforme a X afirmou, o envolvimento do estudante com o processo evolutivo humano tende a torná-lo um sujeito de valor. 
"Se formos capazes de fazer nossos alunos se sentirem parte desse processo, estaremos aptos a tornar a educação um processo de transformação e não apenas de formação."

A partir do momento em que o aluno percebe o que ele é, diz: "Agora eu percebo que posso transformar o meu entorno!" E com isso ganha ímpeto, regenerando suas forças e orientando seus sentimentos. Inicia-se a pensar mais profundamente, abarcando horizontes de tempo mais vastos e implicações mais profundas.

por LEONARDO LEITE OLIVA - segunda, 5 Ago 2019, 13:28
 
Bom dia X. 
Muito interessante essas observações. 
Um ponto importante é de conhecermos o conjunto de alunos. Partir de suas subjetividades para saber em que sequência abordar os conteúdos; como apresentá-los (e em que ritmo); quais os tipos de relações a serem estabelecidas (entre saberes, entre o saber e a prática, entre casos reais e soluções envolvendo o conhecimento ensinado, etc.); como elaborar o currículo; entre outras questões.

Quanto ao vídeo, ele mostra alguns pontos interessantes que dificilmente nós - presos nos automatismos do dia-a-dia - paramos para refletir. Um deles é a felicidade como fonte do sucesso (e não o contrário). 

A felicidade é o estado de uma pessoa num dado momento da vida. O sucesso é a interpretação subjetiva do indivíduo de suas realizações. Mas essa interpretação é fortemente influenciada pelo sistema no qual vive e pela sociedade com a qual se relaciona (de alguma forma). Isso torna difícil trilhar um caminho claro, já que o "nosso" sucesso será uma mescla de visões de mundo que no íntimo não estão ressoando em nossa essência.
De forma simplificada podemos dizer que:

Felicidade está para ser.
Sucesso está para fazer.

O nosso fazer (obras concretas) deve ser um transbordamento do nosso ser (essência). É muito difícil construirmos (uma carreira, uma vida pessoal, de) sucesso sem um embasamento atitudinal que dê força e orientação às nossas ações. 

Podemos ainda encarar como fontes de cada um a maturação interior (conquista da felicidade) e a atuação social (ter sucesso), que visa superar uma forma de vida. 

A questão da gratidão é fascinante. Ela remonta da aurora da história, em que várias religiões e filosofias se debruçaram em cima da questão da felicidade. 
Acredito que esse tópico possa estar relacionado a questões profundas. Podemos perscrutar o terreno das religiões no quesito 'gratidão', que é um tipo de oração. Fundamentalmente existem três tipos de orações: 

a) para pedir; 
b) para agradecer;
c) para louvar.

Pedir está para o ato mais individualista, focado no curto prazo e portanto em interesses que não trarão uma satisfação substancial e efetiva. 

Agradecer, ou ser grato, revela um estado mais sublimado. Pois a pessoa observa sua vida, vendo à fundo o que ela possui e é, e percebe que conquistou uma série de características positivas e posição (que podem ser muito melhoradas). Sente-se uma paz inigualável quando esse sentimento de gratidão, às vezes executado em forma de reverenciamento íntimo, transmudando o olhar, a voz, o ânimo em executar as atividades banais do dia-a-dia, se manifesta.

Louvar seria uma transcendência da barreira da gratidão. Ser grato ainda implica em olhar para sua própria vida e ver num nível mais intangível, de longo prazo e com sensibilidade refinada, o que você possui que lhe seja realmente benéfico. Mas a partir do momento em que louvamos (as leis do universo, um princípio diretor universal, a unidade em cada diversidade, etc.), rasgamos as barreiras do ego para adentrar no princípio universal que irmana todos fenômenos e dá tom ao processo evolutivo, em todos os níveis (de complexidade) e escalas (espacial, temporal, consciencial, intuitiva,...). O ser não se identifica mais com o nome, título, memória ou história. Ele é o próprio fenômeno, o universo, o devenir incessante da forma. Sua vida pode estar destroçada sob todas as perspectivas, mas sua unidade com o Todo lhe dá uma tranquilidade. Torna-se misterioso e irresistível.  Um misto de temor e fascinação toma conta de quem observa de longe, numa distância espacial pequena - mas a anos-luz em termos conceptuais...

As três formas de interagirmos com o mundo (exterior e interior) são válidas. É preciso que cada um inicie no nível mais compatível com sua natureza. 
Se só se sabe pedir, que se peça com um mínimo de bom senso e apenas o necessário;

Se já se aprendeu a agradecer, agradeça as coisas realmente valorosas, que são imperecíveis e fulcro de novas virtudes;

Quando se atinge a habilidade de louvar, percebe-se que nada mais é importante - exceto estar conectado ao princípio universal. Logo, tudo é importante...Mas com um novo olhar. O modo de agir é discreto e profundo. Potente e orientado. Lento mas certo.

Atividade 6.2 – Fórum Avaliativo – Planejamento Docente

Como vimos no decorrer desta disciplina, “o planejamento é um processo e, como tal, é ativo e dinâmico, envolvendo operações mentais como analisar, prever, selecionar, definir, estruturar e organizar. Planejar, portanto, é refletir, é prever, é criar, é agir.” (HAIDT, 2000). 
Com base nos textos estudados nesta unidade e na sua experiência docente, discuta neste fórum sobre:
  1. A importância do planejamento didático no processo de ensino e aprendizagem.
  2. O desafio posto ao trabalho docente no planejamento e no desenvolvimento de projetos interdisciplinares.
Não se esqueça de acessar o fórum com frequência, para poder dar continuidade na conversa com seus colegas sobre o tema!


por LEONARDO LEITE OLIVA - segunda, 2 Set 2019, 11:42
 
O planejamento acompanha a humanidade desde a aurora da História. Trata-se de uma prática que visa garantir uma certa tranquilidade ao longo de períodos futuros baseado em planos feitos no passado e sendo implementados no presente. É construir, em linhas gerais, um roteiro (script) a ser seguido por todos os membros envolvidos, orientando de forma normativa um processo cujo produto final deve ser um sistema ou aprendizado. 

"considera-se o planejamento a previsão metódica de uma ação a ser desencadeada e a racionalização dos meios para atingir os fins." (AGASI, L.C.P., 2018) (grifos meus)

Prever envolve traçar possibilidades (acidentes, gargalos, conflitos, ou mesmo eventos benéficos inesperados). Assim, a capacidade de fazer projeções no tempo é de grande valia. A construção de modelos simples - e mesmo simulações - pode ajudar a definir o caminho a ser seguido. 
Racionalizar os meios significa sistematizá-los a fim de tornar o processo o mais automático possível, diminuindo a duração e frequência de atividades repetitivas. E estabelecendo uma linguagem comum que permita as pessoas se comunicarem com menos ambiguidade. 

Igualmente, o processo de reflexão é fundamental para o planejamento adequado. Segundo Saviani (1987, p.24), uma reflexão filosófica envolve três características:

• "radical" - o que significa buscar a raiz do problema;
• "rigorosa" - na medida em que faz uso do método científico;
• "de conjunto" - pois exige visão da totalidade na qual o fenômeno aparece. 

Trata-se portanto de ver em profundidade, nas causas, um determinado problema, cuja solução deve ser transformada em objetivo-mor efetivo, não-perecível à curto prazo e que não atropele nenhum princípio vital, humano e de equilíbrio do meio. 

O plano de ensino deve ser (re)avaliado constantemente, à medida que é executado e (re)elaborado. Logo, percebe-se a característica cíclica-ascensional-oscilatória desse objeto tão peculiar para o processo de ensino-aprendizagem.

Cíclica porque as atividades sempre são retomadas em sua essência;
Ascensional porque o objetivo é sempre melhorar o que se tem, causando menos desgaste e mais resultados, com integração cada vez maior de todos;
Oscilatória porque ninguém possui uma receita pronta. Todas tentativas trazem em germe a possibilidade de erro, e portanto pode-se terminar um ciclo num patamar igual ou mais rebaixado do que aquele do qual se partiu. Mas o acúmulo de erros potencializa a criatividade e a vontade, tornando cada vez maior a garantia de conquistas futuras, dando um tom ascensional ao processo- se observado a longo prazo.

Trata-se de fenômeno universal muito bem descrito pelo Prof. Pietro Ubaldi, que fala sobre a Lei da Complementariedade, cujos princípios podemos encontrar em sua Obra:

"O movimento que existe no universo não é jamais um deslocamento unilateral, efetivo e definitivo, mas é a metade de um ciclo que retorna ao ponto de partida, após haver cumprido determinado devenir, uma vibração de ida e volta, completa em sua contraparte inversa e complementar."
A Grande Síntese, Cap. 8

Ou seja: para vencer é preciso antes fracassar. Geralmente um número grande de vezes. É esse fracasso que forma o substrato da vitória. Um plano de ensino, para sobreviver e não ser descartado, deve estar em mutação constante, navegando na onda de transformismo ditada pelos afetos, novas técnicas, teorias, métodos e configurações sociais. Daí a necessidade de refletir:

"Segundo SAVIANI (1987, p. 23), "a palavra reflexão vem do verbo latino 'reflectire' que significa 'voltar atrás'. É, pois um (re)pensar, ou seja, um pensamento em segundo grau." 
(AGASI, L.C.P., 2018)

Esse 'voltar atrás' dá o tom oscilatório do fenômeno.
Deve-se refazer os pontos falhos, mas jamais alterar aqueles já fortificados, que se tornaram consolidados como método. O que se consolida se torna clássico. Mas para melhorar é preciso ir além dos métodos consolidados. Criar o novo, fazer o inesperado, pode passar pela estrada segura dos conhecimentos clássicos - mas exige um quid a mais. Uma verdade ainda em estado fluídico. Não materializada. Incompreendida em sua generalidade. Sem contornos definidos e objeto de profundas perquirições.

Essas (e outras) questões devem ser apresentadas aos alunos antes de qualquer empreitada interdisciplinar.

por LEONARDO LEITE OLIVA - domingo, 8 Set 2019, 10:52
 
Bom dia a todos(as).
X, esse vídeo é realmente esclarecedor ao deixar definido de forma objetiva o significado da multi, inter e transdisciplinaridade. Muito interessante todos os temas tratados pelo vídeo e por ti. Sinto por vezes que desejamos apontar para regiões mais altas do pensamento, e acabamos por despejar questões interessantes, de profundidade oceânica, capazes de resolver dilemas do atual momento histórico.

Multidisciplinaridade - múltiplas disciplinas, mas compartimentadas.
Interdisciplinaridade - disciplinas múltiplas, que se relacionam em nível de superfície.
Transdisciplinaridade - disciplinas múltiplas, que se relacionam em profundidade.

Trata-se de uma progressão de consciência. Começamos, como civilização, desenvolvendo as múltiplas áreas do conhecimento para na sequência inciarmos ensaios de unificação. Essa unificação começa com relações à nível simples, em que a essência de cada departamento permanece intocada - mas seus efeitos e ferramentas e métodos podem ser imitados por outros campos.

Após a gênese dos princípios que iriam nortear todo o desenvolvimento do pensamento científico e filosófico (Séc. XVI em diante), na Grécia Antiga, começam a surgir mentes que aprofundam cada área do conhecimento. Nasce a Física, a Química, a Medicina, a Psicologia, a Sociologia, a Genética, a Economia, entre outras. A especialização é a palavra de ordem. Nos fascinamos com as descobertas que o método da especialização nos trouxe. Vencia por ora o pensamento materialista calcado na racionalidade pura. Análise e utilitarismo pareciam ser a última palavra e solução de todos problemas da existência humana. No entanto as contradições aparecem...

A primeira metade do século XX viu uma explosão na Física. Nasce a relatividade, a física quântica e a teoria da gênese do espaço-tempo (Big-Bang). Na Biologia descobre-se a estrutura do DNA e seu roteiro de coordenação. As experiências coletivas enriquecem a filosofia (ex.: Hannah Arendt) e demais departamentos humanos. Descobrimos que pouco (ou nada) sabemos. Nos vemos obrigados a retomar conceitos antigos sob um prisma diferente. Não há solução sem a fusão. Fusão de tudo e de todos. De teorias, de pessoas, de grupos, de estados nacionais, de formas de expressão, de almas...

Estamos diante de um fenômeno em que a evolução da sensibilidade humana é um reflexo da expansão da consciência. As gerações novas, tendo sedimentado todo o desenvolvimento multimilenar da espécie, e já com um pacote cultural sintético que resume - mesmo que de forma insuficiente e pobre - as grandes descobertas e métodos da ciência e do pensamento - conseguem sempre partir de um ponto mais alto. E com mais velocidade inicial. Isso se traduz num potencial de progressão maior.

Teilhard de Chardin (1881-1955) vislumbrou o advento da noosfera [1], uma esfera de pensamento (nous) que tende a se consolidar no planeta à medida que evoluímos em termos psíquicos. Trata-se de correntes de pensamento, cuja manifestação e consolidação a ciência ainda desconhece. Para criar essa esfera, me parece que iniciamos usando a tecnosfera como muleta. A internet seria um primeiro ensaio dessa construção humana, via tecnologias digitais e conhecimento da física moderna. Trata-se da construção de uma 'atmosfera' de pensamentos que permite a cada um 'capturar' um pensamento que paira no ar. Mas é preciso antes desenvolver a capacidade receptiva. Nesse campo a Física quântica poderá nos brindar com muitas descobertas interessantes aplicadas à questão de conexões humanas.

De fato, a humanidade começa a mudar seu comportamento devido a essa fusão de opiniões, sentimentos e ideias. Serio o aspecto de relação (inter), que tende a evoluir para ideias e sentimentos que se interpenetram (trans), criando uma verdadeira fusão de almas. Na fase inicial o fenômeno é caótico. Mas à medida que se adquire a dimensão do fenômeno, encaixando-o na fenomenologia universal, torna-se cada vez mais diretor do processo - ao invés de se ser arrastado por ele, à força. Desenvolvi uma breve visão do tema [2], relacionando-o com a Obra de Pietro Ubaldi (1886-1972).

Afirmo com segurança que essas descobertas no campo do pensamento acabarão desaguando no manancial dos grandes fenômenos místicos, abandonados há um bom tempo, e portanto ainda muito negados e mal interpretados pelo homem moderno, que abandonou métodos intuitivos por não ter maturação interior suficiente que possibilite a percepção dos resultados.

O advento da ciência moderna e do bem-estar afastou o ser humano de um fenômeno capaz de dar luz à questão da transdisciplinaridade. Atravessar e ser atravessado implica em deixar-se diluir no Todo. Implica fusão de almas. E para interpenetrar - na vida dos outros, nos fenômenos, na História - é preciso estar receptivo a algo maior que seu invólucro individual. Essa é uma descrição mais atualizada do fenômeno místico, brilhantemente descrito por Ubaldi, pois ele viveu-o:

"Para resolver o problema do conhecimento, é necessário atingir a universalidade do eu. Faz-se mister escancarar, mediante um ato de fé e de amor, mediante um senso de completa submissão, as portas da alma e projetar-se fora de si, para que o infinito nela penetre. Certamente, este é um comportamento novo na hodierna psicologia, contudo ele é necessário à consecução de resultados novos. Somente a identificação do eu com o fenômeno pode permitir a dilatação do primeiro até aos limites do segundo. Assim, quando o fenômeno se tornar o universo, a expansão do eu não terá limites, como não os tem a Divindade."
Ascese Mística, Cap. VI

Trata-se do maior fenômeno do universo, do qual agradeço profundamente a Ubaldi, que através desse resgate das questões mais intrigantes da humanidade - através de sua vivência e genialidade - me retirou de um lodaçal de pensamentos desconexos e sentimentos conflitantes.
Deixar que o infinito nos penetre significa nos abrirmos a novas experiências. Ter empatia é se fundir ao outro para perceber sua dor. Não é um fenômeno externo (simpatia), mas profundo.

As três (trans, inter e multi) disciplinaridades formam um organismo uno. Para haver relações (inter) entre algo e coisas, é necessário que hajam duas ou mais (multi). Para você penetrar no mistério de um fenômeno / personalidade (trans), é preciso antes sondar sua periferia. Como numa relação. Começamos por aproximações tímidas e seguras para, a partir do que se sabe com segurança, penetrarmos mais, desenvolvendo a relação. Uma relação que se torna cada vez mais íntima quanto mais unidade se sente em relação ao outro / ao fenômeno. Dessa forma podemos ver que transdisciplinaridade, interdisciplinaridade e multidisciplinaridade são uma só coisa, mas em níveis evolutivos diferentes (ver figura anexa), da mesma forma que espírito, energia e matéria são formas de manifestação diversas de uma mesma substância [4]. Em suma, o dualismo desse universo está contido num grande monismo, que o coordena magistralmente, guiando os sujeitos através de forças evolutivas. Forças que fatalmente irão nos levar a mais liberdade e felicidade.

Creio que a visão dos níveis de consciência do Prof. Ubaldi, através de uma palestra de Gilson Freire [5], pode dar luz a essa questão de mudança de paradigma.

Estamos rumo à uma unificação sem precedentes...

Referências:
[1] Noosfera. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Noosfera >
[2] OLIVA, L.L. Da biosfera à noosfera. DIponsível em: <http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2019/08/da-biosfera-noosfera_28.html>
[3] UBALDI, Pietro. Ascese Mística.
[4] UBALDI, Pietro. A Grande Síntese.
[5] FREIRE, Gilson. XX Congresso Pietro Ubaldi: Rumo à Superconsciência.