sexta-feira, 30 de setembro de 2022

O Fenômeno Mais Fascinante do Universo

Uma vida ardente em busca da Verdade expressa o anseio de ascensão da alma. Mas ascensão é, muitas vezes, sacrifício. Por outras, trabalho exaustivo. Outras ainda, incompreensão do semelhante. É um acúmulo de derrotas no curto prazo. Derrotas que por vezes desanimam e nos convidam a abrir a mente para outros modos de pensar, de conceber a vida e o universo. Derrotas que nos magoam e nos tentam a seguir os caminhos do mundo - caminho vazios. Caminhos de gôzos pérfidos e vitórias efêmeras. Caminhos alienantes e estúpidos. Mas caminhos bem consolidados e poderosos, que se impõem com força gigantesca, comprimindo o ser com febre de evolução, que se vê aprisionado no torvelinho das coisas mundanas: fofocas, burocracias, falatórios superficiais e conhecimento fragmentado. Nada de praticar os valores e fazer valer as teorias. É o espírito da força se impondo à força do espírito.

Fig.1: O organismo presente não é mais capaz de manter biocompatibilidade com espíritos 
que estão encarnando. O metabolismo deve mudar sua lógica. A glândula pineal sofrerá 
uma mudança em termos de atividade cinética (não de forma).

Em outros momentos, de outro modo, ocorreram tormentas na vida do autor. São tempestades verdadeiramente desesperadoras, na qual as formas mentais mais conservadoras se precipitam para impedir o progresso do ser - e consequentemente, do mundo. São embates titânicos entre um pobre ser, desprovido dos meios da argumentação, da astúcia e dos recursos, e um grupo encabeçado por uma mentalidade que o próprio (grupo) desconhece num nível mais profundo. Esse é um embate que se manifesta em atitudes firmes e resolutas por parte do mundo. Suas ferramentas são, primeiramente, ignorar a manifestação de um ser que possui febre de ascensão. Se isso não funcionar, há duas armas potentes que minam a imensa maioria (dessa diminuta minoria): medo e sedução. Às vezes em etapas- outras, simultaneamente, causando mais desespero naquele que é alvo. Mas quando se sofreu suficientemente os dissabores das (e pelas) vias mundanas, a desilusão é tão forte que, ou mata o ser por completo, dilacerando sua alma, ou induz a criatura com anelo de ascensão suprema a buscar destemidamente novas vias. E nesse momento o mundo (Anti-Sistema) treme. E as barreiras emergem quase que do nada, sem motivo, num esforço hercúleo de cessar o movimento ascensional na vertical.

A grande batalha começa.

Falando nisso, o primeiro livro de Pietro Ubaldi com o qual este autor teve contato foi justamente o de título homônimo ao grande embate (citado acima) que já se iniciou. As palavras e frases, de início, pareciam repetitivas - porque não se conhecia o fenômeno expressivo que seguia os motos fenomênicos. Mas logo todos os relatos começaram a exercer forte influência na pessoa que aqui escreve, relatando uma vida ansiosa por ultrapassar uma barreira. Barreira conceitual e - especialmente - de vivência...

Continuemos.

Todo o movimento iniciado aqui inicia-se em fevereiro de 2022 quando o autor, após um período de 2 anos de incubação devido à pandemia que assolou o mundo, sentiu uma determinação tão forte sobre suas visões de mundo e vivências, que a sua natureza íntima, em transformação profunda e buscando experiências no nível do consciente, impeliu-o a se aventurar por novos caminhos. 

Agir no mundo sem ser do mundo.

Caminhar por entre seus semelhantes, captando o melhor de cada um, de cada grupo, de cada pensamento, de cada saber, de cada história de vida, de cada crença. Um processo de filtragem automático. Uma síntese das grandes ideias que nortearam o pensamento humano, em todos os campos (arte, filosofia, religião e ciência), expresso por todo tipo de gente. Uma expressividade tão dinâmica, tão atuante, tão criativa, tão livre de barreiras, que se supera a cada dia. De tal forma que o autor, mês após mês, não consegue ser enquadrado pelos grupos da instituição, pela forma mental de seus colegas. Sua personalidade é oscilante. Seu psiquismo é dinamismo puro. Ele prontamente se dispõe a se corrigir. Expõe todas suas visões de mundo, suas ideias, suas percepções, à mostra, deixando tudo como alvo fácil, para testar a força de tudo que possui. 

É preciso muito sofrer para compreender de verdade. 

Não basta ler algo. Tampouco entender. Nem mesmo estudar. O estudo sistemático e esforçado te levará adiante na senda evolutiva até certo ponto. Após um certo nível, quem está em busca de uma explicação que compreenda toda a fenomenologia universal; quem busca a integração total do ser; quem busca a essência do microcosmo e macrocosmo físico; quem busca a essência do universo interior humano; quem arde pelo intangível e dedica a vida nessa busca infinita (num mundo finito). Essa criatura, fraca exteriormente mas destemida interiormente, se forja através da dor. 

Para quê?

Para superar barreiras que o mundo considera intransponíveis. 

E assim se dão saltos quânticos na forma de atuar no mundo. Um mundo (ainda) perdido, em estado de alucinação. E esses saltos não são gratuitos nem simples. Eles são uma conquista árdua por vias lamacentas. E por ser uma superação tremenda, que impressiona o mundo de forma tão profunda, as reações revelam - nem que por breves momentos - uma impotência total de lidar com as questões supremas. É aí que se percebe que se está no caminho certo. E a partir dessa sensação cristalina, se adquire uma determinação tão férrea e um dinamismo psíquico tão veloz, que o mundo, antes com o ser na palma das mãos, se sente, de certa forma, dominado por ele, buscando-o e temendo-o. Não pela criatura em questão ser agressiva ou astuta, mas justamente pela sua atuação tão fora do comum. Pela sua perseverança e criatividade. Pela sua busca apaixonada, que a torna capaz de conquistar patamares que jamais julgara ser capaz. 

Fig.2: As afirmações que mais apontam para o Absoluto foram proferidas por homens  da ciência.
Os medíocres usam das descobertas dos grandes para exercerem seus egoísmos intelectivos. 
Os grandes estão em movimento perpétuo, livres para adentrar no desconhecido.

As vias do espírito se tornaram prioridade. A matéria possui agora papel secundário, de coadjuvante que auxilia. As coisas começam a se colocar no seu devido lugar: o lugar justo. Uma hierarquia divina começa a ser formada na consciência daquele que tanto se esforçou pelo ideal. E dessa forma todo seu íntimo se torna ordenado, harmônico, coerente e coeso. Isso lhe dá energia para ir além. Lhe dá ímpeto criativo para criar novos conceitos e gerar ideias unificantes e interessantes. Lhe dá coragem para se expressar de modo cada vez mais sintético, efetivo e envolvente. É irresistível.

Os resquícios que cada um tem do AS age contra esse ser que tanto manifesta características do S. É o diabo atuando através de pessoas cujas consciências ainda não despertaram (às vezes nem em grau mínimo). E assim se tornam demônios a sentem superados no caminho. Matrix é uma metáfora para esse fenômeno.

Fig.3: Matrix expressa a realidade mais profunda através de uma forma vistosa, ágil e capilarizável.
A casca todos veem e degustam. Mas o recheio (substância) poucos saboreiam.

Na cena em que Morpheus e Neo estão caminhando num programa de treinamento (uma avenida de Nova Iorque), de repente, surge uma mulher de vermelho e Neo se põe a fitá-la enquanto Morpheus lhe passa ensinamentos. E o sábio mestre que instrui o discípulo percebe isso (na verdade já antecipava a reação dele). E convida-o a olhar para trás e ver a mulher. É aí que ela sumiu e tomou a forma de um agente, que lhe aponta uma arma na testa. 

A cena ilustra de modo claríssimo esse fenômeno: as pessoas do mundo, em sua maioria inconscientes da realidade profunda, se deixam levar pelos algoritmos impostas a elas. E assim, a qualquer momento, o programador dessa grande farsa (o princípio da revolta, o AS, o diabo) consegue facilmente entrar em seu domínio pessoal e torná-la um atuador inerte que serve a interesses escusos. 

Meu amigo...a partir do momento em que você enxerga a essência das coisas - e pratica o ideal nas mais diversas vertentes de sua vida, continuamente e criativamente - tudo muda. Tudo...

A tormenta iniciou (mais uma).

A criatura que aqui escreve está ciente das forças que o rodeiam. Ele sabe as consequências de seguir e implementar o ideal - nem que em grau mínimo. Mas (estranhamente) se sente muito seguro. Confiante e até mesmo animado.

Que misteriosa força é essa que preenche o ser de paz? De "onde" vem? Como atua?

Pouco se sabe sobra a natureza desse impulso íntimo. 

Porém, ele é muito convincente. 

Que se inicie a grande orquestração musical da ascensão!

domingo, 11 de setembro de 2022

Se está quase impossível, então continue!

Você, que gosta de ficar o mais isolado possível e se cansa com a companhia da imensa maioria das pessoas. Você que não suporta mais o modo como as pessoas agem; a falta de coerência entre discurso e prática; o ceticismo mórbido dos grupos e a falta de percepção das pessoas. Você que se cansa enormemente ao estar com outros, sendo conduzido pelas brincadeiras, pelos falatórios que se repetem ciclicamente - sob várias formas, mas sempre iguais em sua essência - e pelas obrigações repetitivas que tem pouco efeito na melhoria das condições. Você pode se fazer três perguntas sobre sua imensa vontade (e determinação) de se isolar para ver se de fato você deve persistir em seu caminho único:

   1ª) Eu me isolo por estar com medo de algo ou alguém?

   2ª) Eu me isolo por me achar superior a algo ou alguém?

   3ª) Eu me isolo por estar com raiva de algo ou alguém?

Se para as três perguntas a resposta for negativa, então siga seu caminho solitário. Por mais árduo que seja,tenha certeza que você iniciou a jornada de ascensão. E deverá encontrar por si mesmo as respostas para suas inquietações. 

Fig.1: Num certo momento, nem você nem eu não precisaremos nos esforçar. Será tudo suave.
O trabalho será um regozijo porque se tornou apostólico, missão de vida, imperativo supremo. 
Ninguém irá compreender...E assim despertamos em nós essa consciência crística.
Imagem: filme Matrix (1999).

Haverão pessoas que irão aparecer e desaparecer de seu caminho. Você irá se iludir com muito nos próximos anos, décadas - e quem sabe vidas. Como Ubaldi, quando veio ao Brasil com garantias de ter total apoio moral e sustento financeiro para continuar sua obra - que é a Obra de Deus. O missionário da Umbria, aos 66~67 anos, se deparou com a cruel realidade dos grupos voltados a uma proposta espiritual, que não estavam no seu nível de universalidade e imparcialidade, preferindo engrossar suas fileiras à ascender rumo a planos superiores de vida. Mas tudo deu certo, pois seu trabalho era apontado para o Alto - e assim foi lhe dada todo o apoio. É a providência divina complementando a previdência humana. 

Devemos sempre estar nos fazendo essas três perguntas. Elas nos dão o norte. São nossa bússola. E ao estarmos diante de um (aparante) beco sem saída, devemos buscar algo para continuar nossa jornada. É preciso algo que lhe inspire. Um projeto de vida que não dependa de terceiros. Um modo de ser próprio, unicamente seu. É preciso perseverar até o esgotamento de suas forças - coisa que ninguém faz.

A estrada para o Paraíso está repleto de cadáveres. Pessoas que desistem diante de dificuldades. A imensa maioria nem começa, já percebendo que existe uma barreira inicial. Preferem seguir a maioria e se manter num estado de existência mais próximo à animalidade. Tem medo de se aventurarem por caminhos que lhes ajudem a conquistar uma forma de vida superior, mais livre e significativa. Como a conquista é elevadíssima, a dedicação é fora do comum. Muitos deixam de acreditar, e assim o Evangelho é letra morta para muitos. Para outros, são palavras bonitas a se repetir no silêncio da noite ou em grupos isolados, mas apenas isso. Outros ainda gostam de se aproximar desses belos ensinamentos para satisfazer seu ego intelectual, mas jamais aplicam esses conceitos em sua vida.

Num mundo de ignorância interior não é possível transformar explicando intelectualmente ou usando fatos. É preciso permear sua vida com os ensinamentos multimilenares dos grandes gênios, santos e heróis. Não esperar por apoio humano - pois não há compreensão. Ninguém compreende porque não enxergam uma realidade mais profunda. 

As pessoas estão vivendo o clímax de um modo de vida que morreu. Se refestelam ao redor de um grande cadáver sem o saberem. Não veem o corpo moribundo e por isso o cultuam. Estão todas juntas, de mãos dadas. A minoria que vê nisso tudo um beco sem saída, é diminuta. Tem pouca ou nenhuma voz. É ignorada. É suprimida. É vista como sonhadora e infantil... Mas o tempo irã revelar quem de fato é infantil em todo esse turbilhão moderno...

Fig.2: Por nos prendermos ao agora e ao sensório, nos perdemos numa vida sem Vida.
Para quem já despertou, uma vida sem sentido não vale a pena ser vivida. Avançar sempre, 
de forma cada vez mais firme, vetorizada e criativa. Eis o inexorável destino de quem tocou a Realidade.

A humanidade está perdendo o bonde da História. A quem vê, cumpre o dever de avisar. Existem pessoas que expressam esse fim dos tempos e o advento de um novo mundo, com uma nova forma de sentir e pensar (ou melhor, pensar de fato). Elas o fazem através de suas relações com outras pessoas: como falam, o que destacam, o que assistem, escutam, desejam; como se dedicam a determinadas coisas; que peso dão às coisas do mundo. Essas pessoas às vezes vão mais longe, e começam a materializar esse espírito que pulsa dentro de seu imo. E começam a ousar destemidamente, mobilizando recursos interiores e exteriores. Em alguns pontos, quase desistem, porque sua natureza se tornou tão diferente daquela de seu ambiente que este começa a lhe barrar, do modo muito sutil, todas tentativas de fazer o mundo ascender. Mas é apenas superando essas barreiras que se progride.

Esses alguns. Esses pouquíssimos. Esses seres criam coisas que ficarão registradas pela eternidade. Enquanto tudo que não for substancial irá desmoronar, as obras calcadas no Absoluto irão sobreviver. Porque quem participou delas o fez sem esperar fama ou dinheiro ou títulos ou cargos ou gozos diversos - ao contrário de quase todos que se dedicam arduamente a algo.  

Os nossos tempos demandam pessoas altamente sintonizadas com uma forma de vida progressiva e sustentável. As circunstâncias se desenrolam de modo muito claro. Quem não sabe ler as profundezas dos fatos se atêm aos aspectos momentâneos, às regras, às reações superficiais. 

O setor educacional está uma catástrofe não exatamente por falta de investimentos ou políticas públicas ou mesmo a cultura geral daqueles que participam de suas fileiras (como servidores ou servidos). Claro, essas questões são importantíssimas e devem ser abordadas. Mas o cerne da questão não se encontra nos aspectos exteriores. 

Há um baixo grau de consciência coletiva em nosso mundo. 

Como podemos constatar (e até mensurar) isso?

Reparando como as pessoas estão presas a diversos rituais, cheios de frases repetidas atavicamente sem o perceber;

Reparando como as pessoas, cheias de "verdades absolutas", se recusam a testá-las na arena das ideias, das conversas, das conversas oficiais;

Reparando como as pessoas só se associam a outras superficialmente, para preencher um vazio interior;

Reparando que as pessoas se amedrontam diante da Vida, se albergando em regras e normas e leis. Se refugiando em comportamentos robóticos que retiram sua humanidade;

Reparando que as pessoas se colocam em situações hiper-estressantes, que às vezes duram anos ou décadas ou toda a vida, e se lamentam de modo disfarçado através de sua busca insana por consumo conspícuo e egoísta (inclusive de outras pessoas);

Reparando que ninguém (ou quase) sabe reagir diante de algo verdadeiramente diferente. E assim fogem, ignoram, obliteram e etc. Porque se acostumaram ao modo de comportamento de rebanho. Se sentem seguros por estarem todos juntos, em grande quantidade. E em nosso mundo inconsciente, o que dita o que é certo e verdade é a quantidade de pessoas que fazem algo.

Poderia continuar, mas creio ter ressaltado os pontos centrais. 

O problema é simples: o trabalho de ascensão é árduo porque as pessoas, se não ignoram completamente, tentam usar o ideal materializado para obter alguma vantagem. Para o involuído, tudo neste mundo é visto como artigo de uso para satisfazer algum tipo de gozo. Então não há muito a se fazer a não ser ter paciência infinita e procurar modos (cada vez mais) criativos de atuar - sem se rebaixar. Isso é difícil. Às vezes, quase impossível. 

Fig.3: "Vale a pena!" Quem diz não está no conforto. Quem diz não está repetindo belas teorias.
Quem diz já caminha há muitos anos por uma estrada diferente. 

Quando alguns começam a perceber que certas coisas que você está fazendo são 'pra valer', ou seja, que estavas realmente falando sério a respeito de algumas coisas - e não apenas fazendo para chamar atenção - então as barreiras emergem quase que do nada. 

É nesse momento que deves se ancorar no Patrão (O Único).

Porque do mundo nada se pode esperar.

Mas pessoas virão inesperadamente - gente que às vezes você nem esperaria. 

Compreenda (e isso vale para mim especialmente): Não se trata de costurar contatos, sociabilizar ou planejar. Trata-se de avançar por conta própria, pacientemente, mesmo que no vazio e em meio aos ataques.

Avança-se como uma locomotiva, que só conhece uma rota: a certa, determinada pela Lei.

Eu não vivo o mundo dos outros - crio o meu mundo continuamente.

Logo, a Vitória Única é certa - porque o fracasso é contínuo.

É isso. Compreenda quem o puder.

Referências:

https://laurajanehaver.medium.com/your-journey-is-harder-because-your-calling-is-higher-5f5915204da9

sábado, 3 de setembro de 2022

Curso de Extensão sobre A GRANDE SÍNTESE

Vídeo de divulgação da 1ª Edição do Curso de extensão sobre o estudo da obra A Grande Síntese (mascarado como "Filosofia da Ciência").


O curso será ministrado no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), campus de Sâo José dos Campos. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Solidão, Coragem e Ascensão

Apenas quando algo é escasso é que existe valorização desse algo. No momento em que saboreamos aquilo que nos foi negado durante muito tempo - algo necessário, essencial para nos alimentar, fisicamente ou espiritualmente -   a sensação é plena. Não há maior satisfação do que saborear aquilo que nos foi impedido durante um bom tempo. Ou seja, o distanciamento (=proibição de algo ou alguém ou uma atividade) nos dá uma perspectiva mais ampla das coisas. Da vida. Da nossa missão neste mundo.

Fig.1: Todo ser tem valor infinito diante do Absoluto. A vontade de unificar acompanha a visão da Realidade.
A capacidade de transformar dependerá de uma combinação dos princípios eternos. Não há receita. 
Cada ser é único. Mas a meta é suprema e substancialmente idêntica.

A falta do outro só é sentida com a ausência dele. Aquilo que não era valorizado torna-se de valor. De repente percebe-se quão grande foi o rombo causado pela partida de uma pessoa. É uma marca muito profunda na alma. Um impacto muito forte que abala profundamente uma ou mais criaturas que conviveram próximos a esse ser e nunca perceberam o que ele estava fazendo. Qual era sua real função? Sua missão? Seu significado? Por quê ele veio para cá? Por que ele estava fazendo tudo isso?

Quando percebemos o significado das coisas que ocorrem começamos a agir de modo mais firme. Num ser em vias de se tornar evoluído (tipo biológico do futuro), a bondade, a inteligência e a coragem andam de mãos dadas. 

Bondade é ter intenção pura, seguir os princípios imutáveis (amor, imortalidade, cooperação, etc.), querer uma solução que seja sustentável e abra brechas para o reino da liberdade com responsabilidade do futuro;

Inteligência é saber associar, ponderar, perceber as limitações dos métodos e a necessidade de integração (e posterior fusão) dos saberes. É ter uma percepção de longo prazo na hora de esquematizar diretrizes gerais e agilidade competente no curto prazo, para lidar com as misérias e desafios do cotidiano;

Coragem é alinhar sua mais íntima vontade, provinda da consciência latente, com o modo de lidar com o mundo. Com os outros...É encontrar maneiras criativas de imprimir o pensamento de Deus nas ações do dia-a-dia, através de seu metiê (profissão), de seu modo de existir e atuar. É ousar. É demonstrar firmeza e serenidade diante de dez ou vinte ou quarenta ou cem que discordem de você.

É a combinação harmônica, intensa e dinâmica dessas três grandes características que forjam um ser invencível. Um ser invencível que é derrotado n vezes, mas que se levanta n+1 vezes. E a cada recuperação, o ser se ergue mais belo, mais experiente, mais ágil, mais determinado.

É sem dúvida uma invencibilidade diferente daquela passada por filmes modernos que só querem arrecadar público consumidor de superficialidades. É uma força que parece fraca. É uma inteligência aparentemente pouco séria, pois não se ancora firmemente nas referências e busca resolver o problema do conhecimento por vias intuitivas, de maturação interior - via experiências.  

Nós somente iremos saber do que somos capazes se atingirmos as fronteiras de nosso concebível. Se ousarmos ir além das convenções externas impostas a nós (a todo momento, sutilmente, sob várias formas). Se enfrentarmos os nossos fantasmas. Se soubermos lidar com o inesperado. 

Fig.2: Ascender é trabalhoso. É tão mais arriscado quanto mais pioneiro se for. 
A conquista do cume libertador é tão mais gloriosa quanto mais determinada e cheia de barreiras mundanas. 
Quem não enxerga não compreende nada. E muitos não enxergam. Não compreendendo, agem como agentes do diabo,
inserindo barreiras inconscientemente. 

Sem equações mastigadas prontas para serem inseridas. Sem métodos prontos. Sem suporte das equipes de RH, psicólogas, pedagogas, TI, chefia, pseudo-gurus ou coisas do tipo. Apenas apoiado no Absoluto - único ponto de apoio verdadeiramente poderoso. Um centro que não é espacial, nem mental, mas espiritual. Esse é o único ponto de apoio que jamais nos deixará decepcionados. Não nos abandona jamais. Porque ele transcende tudo que conhecemos e não conhecemos - mas ao mesmo tempo permeia tudo que conhecemos e não conhecemos. 

"Since a highly spiritual person lives by their inner truth, they will follow that path regardless of social conditions. Human behavior tends to follow the latest fashion, topics, mentality, and so on. However, a spiritual person realizes all these trending lifestyles are not meant to last so they have adjusted their mentality to things that are timeless."

Fonte: TUGMAKVU (grifos meus)

Pessoas espirituais vivem sua verdade interior (1°grifo). Isso aponta para subjetividade. Algo único e ao mesmo tempo real, importante, essencial para o progresso de do indivíduo e do universo. É nesse domínio - o domínio da consciência, do Eu Superior - que reside a potência que nos permite perseverar, criar e desfrutar das coisas realmente valorosas da vida. Coisas que não envolvem fama ou drogas ou dinheiro ou fofocas ou títulos ou coisas do tipo. Nada do mundo deve ser colocado como de máxima importância - apenas usado em prol de princípios superiores, eternos. 

Uma pessoa desperta, já ligeiramente espiritualizada, percebe que as tendências do mundo não foram feitas para durar (2°grifo). É de sua natureza serem transitórias. Ou melhor, existirem temporariamente. Logo, não possuem valor intrínseco. Então a mentalidade dos despertos estão voltados para as coisas perenes

Não é difícil compreender isso. O desafio é implementar essas visões profundas em vida. Permear nossas sistematizações, teorias, metodologias, obras, relacionamentos e tudo mais com essa substância. 

O barulho ensurdecedor das relações sociais impede o contato de cada pessoa com a essência da vida. A sociabilidade se tornou uma tara. E com isso a sensibilidade social virou apenas artigo a ser usado para as pessoas aparentarem se importar. A propaganda e até mesmo as implicações das incompletas teorias do presente - apoiadas nas aparências e num conforto insustentável e egoísta -  nos induzem a fazer cada vez mais, conectar mais, publicar mais e coisas desse tipo. Mas sem orientação, sem reflexão. As normas e a cultura dominante, produto da forma mental moderna, do tipo médio, um medíocre, penalizam a qualidade e viabilizam as quantidades. Como resultado, os mecanismos de freio ao progresso funcionam bem - e a tarefa de transformar o mundo se torna árdua. 

O autor já sentiu, viveu e percebeu à fundo tudo isso. Essas dores tem implicações muito profundas no modo de se comportar perante o mundo. É uma mudança de atitude radical. Passa-se a ter uma política de atuação integral, com mais energia vital do que a média. Muito vigor porque o Espírito muito está demandando do organismo físico. Age-se no mundo de forma ativa (=incessante, energizado) e altiva (=digno, ilustre, com brio), respeitando o ritmo de cada criatura. 

Resta ainda alguns pontos a serem melhorados. Talvez a dor auxilie o autor a perceber melhor. Isso será muito bom para o seu progresso espiritual. Não esperar absolutamente nada do mundo para assim poder oferecer o melhor de si mesmo é o ponto supremo nos próximos anos. 

Nada esperar do mundo, 

Viver no mundo,

Não ser do mundo...

Não tenha vergonha do seu Eu Superior. De sua Consciência Crística. Ela é sua evolução e salvação.

No fundo, evolução e salvação são o mesmo fenômeno.

Um sob a perspectiva científica - o outro, sob a perspectiva religiosa.

Referências:

TUGMAKVU, Muang'Akili. Why Highly Advanced Spiritual People Prefer to be Alone. Link: <https://medium.com/broaderinsights/why-highly-advanced-spiritual-people-prefer-to-be-alone-b37c1a1932ca>

A Consciência Crística | O despertar do DEUS INTERIOR. Link: <https://www.youtube.com/watch?v=FaTanU0Whh4&ab_channel=PODERDOEUSUPERIOR>

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Monismo Substancial (parte 3)

No ensaio anterior terminei citando a necessidade de adicionarmos dimensões adicionais ao estudo de nosso Universo. Aqui irei continuar do ponto em que parti, tendo por norte o ensaio-referência de Gerald Baron. 

Fig.1 Tudo que conhecemos é um caso particular do Todo infinito e eterno.

O que nos interessa inicialmente é a questão das dimensões. A física estadunidense Lisa Randall aborda essa questão de um ponto de vista estritamente materialista. De modo bem simplificado, ela atesta a necessidade de uma quinta dimensão para explicar os fenômenos que a ciência desconhece. Sabemos que existem três dimensões espaciais (x,y,z) e uma dimensão temporal (t). Elas formam o nosso tecido espaço-tempo. Mas muitos fenômenos que ocorrem nesse palco dualístico tem uma natureza misteriosa. Por exemplo: por quê duas das forças fundamentais, a gravitacional e a eletromagnética, possuem magnitudes tão diferentes, da ordem de 10^40 (dez elevado a quarenta)?

Sua Voz em A Grande Síntese (AGS) nos dá orientações supremas para abordar esse desafio. A ciência ainda não considera esse livro como algo sério, digno de conduzir toda a Física Quântica e Relativística. Apenas um ou outro grande cientista teve contato com a obra e (ao menos) percebeu que se tratava de algo fora do normal. Algo maravilhoso do ponto de vista espiritual e moral e ao mesmo tempo a ser levado em consideração pelas mentes mais científicas. Um desses grandes nomes da ciência foi Enrico Fermi, conterrâneo e contemporâneo de Pietro Ubaldi, que chegou a escrever três longos e aprofundados artigos sobre os três primeiros livros do Apóstolo de Cristo. Um deles sobre AGS, cujo trecho transcrevo abaixo.

"No caso de Ubaldi, resta explicar um fato estranho. Um homem que, depois de haver estudado leis, de má vontade, de ter viajado para ver o mundo e aprender línguas, dedica-se a ensinar inglês num pequeno ginásio de província, e deixa de ocupar-se com estudos e leituras científicas; este homem, de improviso, toma a pena e escreve Mensagens impressionantes, que ele assevera que lhe foram sugeridas por seres superiores. Dois anos depois, e sempre acusando a mesma proveniência, escreve um volume de 400 páginas — do qual fiz a apreciação — perfeitamente orgânico e coerente, que, pode dizer-se, enfrenta todos os problemas mais delicados pertinentes à ciência e à vida, e se mostra bem informado (mas por caminhos extraordinários) dos últimos resultados seus, acha conexões inéditas e antecipa descobertas teóricas. Tudo isso, numa forma literária irrepreensível, lúcida e elegante; com um tom elevadíssimo, uma espiritualidade cálida e pura, e uma humanidade palpitante."

Enrico Fermi, da revista Gerarchia. Milão, abril de 1938. (grifos meus)

Fig.2 Enrico Fermi (1901-1954). Físico teórico italiano naturalizado estadunidense. 
Participou do Projeto Manhattan.

O volume em questão pode ser lido aqui. Para quem realmente vê e sente o que eu (sinto e vejo), os outros livros de Ubaldi se encontram nessa página aqui

Voltando à questão das dimensões, o que se percebe é que o trabalho da Dra. Lisa Randall é muito importante do ponto de vista intelectual-científico. No entanto (e aqui relembro que sou leigo em alta física), eu não posso deixar de sentir em meu íntimo que o caminho sendo esboçado é um beco sem saída. Por quê? Simplesmente porque ela tenta explicar uma realidade mais profunda sem sair do âmbito da matéria e das dimensões conhecidas. Ela quer, pelo que vejo, encontrar mais dimensões no espaço - sendo que elas inexistem, de acordo com Sua Voz. 

O aspecto ternário continua guiando minhas investigações, pois me parece o mais coerente - apesar de eu não saber demonstrar o porquê disso com todo ferramental intelectual. É uma questão de intuição

Quando falamos de outras dimensões além do espaço-tempo, é comum encontrarmos na ciência hipóteses que apontam que essas dimensões ocultas estariam empacotadas de tal forma que é dificílimo identificá-las. Como as ondas gravitacionais, que por ter comprimento de onda infinitesimal, só foram detectadas em 2015 (sendo que AGS falou sobre sua existência em 1932, quando a ciência nem aventava a possibilidade delas existirem).

A questão é: por que estariam essas dimensões dobradas, ocultas, escondidas, em nosso universo? Elas parecem não se manifestar plenamente, se interpretarmos todas as averiguações da ciência. 

Será, então, que isso é natural

Será que houve um processo responsável por essa contração (dessas dimensões)? 

Será que nosso universo espaço-tempo seria um resultado (manifestação) dessa contração? 

Será que todas essas perguntas tem algum sentido?

E quando falamos em tudo isso, não podemos deixar de lado as escrituras sagradas quando se fala na Queda. Vejamos um trecho do artigo em questão.

"The first humans who became aware they had the gift of mind lived in a cosmos that included the full dimensions of the created universe. They were given charge over it by the Spirit/God but in willful disobedience to the directions of the Spirit, they lost their access to the full dimensions. The cosmos did not change, but their senses and abilities were changed so that only four dimensions of space and time were accessible to them."

Fonte:  BARON (grifos meus)

Vejam: está sendo dito que tínhamos acesso a todas as dimensões do universo criado (que não seria este aqui exatamente). Mas desobedecendo as diretrizes do Espírito, que poderíamos traduzir por Lei de Deus, acabamos perdendo o acesso pleno às dimensões (trecho grifado). Então o cosmos original, pleno ou infinito, não mudou, mas sim nossos 'sentidos' e 'habilidades', de tal modo que apenas quatro dimensões (espaço e tempo) fossem acessíveis a nós, diz Baron.

Mitologicamente, anjos com espadas foram colocados na fronteira entre nosso mundo limitado, ilusório, em perpétua transformação (AS) e o mundo original, livre, infinito, ilimitado, perene (S). Esses anjos podem ser vistos como o mecanismo de proteção imanente no ser decaído que o impede de viver num 'local' melhor devido ao seu estado decaído. Ou seja, nos tornamos não-merecedores de viver plenamente. A vida que era una foi despedaçada em incontáveis existências, nas palavras de Ubaldi. 

"The Unus Mundus lies outside time and space including the full dimensions of creation. It is creation but not the same as our cosmos. Eden and heaven are interchangeable. These are ancient names of the full dimension of the cosmos intended for humans, the world which they were charged with the responsibility to steward or manage on behalf of the creator-king. The Unus Mundus is not heaven because it is the dynamic movement of the whole from which all creation emerges. Heaven is also created but, unlike the four dimensional cosmos we experience, heaven is the unlimited dimension where God has chosen to rule directly."

Fonte:  BARON (grifos meus) 

O 'Unus Mundus' está fora do espaço e do tempo. Ele é criação, mas não a mesma de nosso cosmo (1° grifo). Seria ele então o Sistema de Ubaldi. Logo depois, ele afirma que Céu e Terra são intercambiáveis. Isso nos remete à Grande Equação da Substância (GES), que mostra que Espírito, energia e matéria são contíguos. Isto é, estão presente em tudo e todos em nosso universo, a todo momento. E se transformam um no outro (ou seja, possuem uma natureza comum).

Logo depois ele afirma que o 'Unus Mundus' não é o Céu porque ele é o 'movimento dinâmico do Todo a partir do qual a criação (nosso universo, o AS) emerge'.

Interessante...

Talvez ele esteja querendo dizer que O 'Unus Mundus' seria o S-AS, isto é, o Universo Divino (S) em coexistência com o (nosso) universo decaído (AS).

Ele também diz (último grifo) que o Céu também foi criado. Seria então o momento em que se deu a 1ª criação, na qual Deus, sozinho e homogêneo, se particionou em infinitas individuações - porém permanecendo no centro, no controle - que denominamos criaturas, de mesma natureza porém potência inferior à do Criador. Cada criatura com um 'tamanho', gerando uma diferenciação que aponta para um sistema hierarquizado. Foi criado assim o Sistema (ou Céu). Essa é a dimensão na qual Deus rege tudo diretamente. E indiretamente, ele rege o nosso universo, fazendo-se imanente.

"In all versions of the Unus Mundus we reviewed, this unitary world of energetic and informational reality stood outside time and space. The fifth dimension as explained by physicist/philosopher Tim Andersen requires timelessness. This fits the definition of heaven particularly if eternity is considered timeless versus endless time. One of the consequences then of the Fall, the restriction of humans to four dimensions, was the loss of timelessness and the imposition of time on the four dimensions. Andersen pointed out that entropy is different or missing in the fifth dimension so it may be that entropy is the meaning of death in the punishment meted out to the disobedient early humans. They and the entire cosmos they were limited to were subjected to entropy and therefore certain death."

Fonte:  BARON (grifos meus) 

A quinta dimensão (consciência) requer ausência de tempo (1° grifo). Usando a GES sabemos que o Espírito puro (alfa) pertence ao universo em que o movimento é não-vibracional, ou seja, intrínseco. Como ele opera a partir da consciência pura, então essa dimensão não necessita da dimensão tempo - característica da energia (beta). Nossas três dimensões espaciais, que formam o volume ou espaço, são o palco em que a matéria (gama) existe. E também, graças ao tempo, se transforma.

Fig.3: A GES resume toda a odisséia dos seres de nosso universo. Nela pode-se ver todos os fenômenos.
Ela será o Tao Te Ching da ciência - quando esta evoluir, se despindo de seus pré-conceitos.

O autor atesta (2° grifo) que a entropia estaria ausente na quinta dimensão, o reino do Espírito puro (alfa). Por quê? Porque no S não há matéria nem energia em estado manifesto - apenas como algo latente ou estado potencial. Sendo a grandeza entropia associada ao fluxo geral do tempo, dando direção única a ele, então ela cessa de existir num 'local' em que inexiste essa dimensão. E conclui dizendo que ela (entropia) seria o castigo aos espíritos desobedientes - que ele chama de humanos. 

Eu só trocaria 'castigo' por 'mecanismo retificador da Lei'. Soa mais científico, lógico e condizente com a natureza de Deus. 

Posteriormente iremos abordar algumas questões sobre como escapar dessa prisão em que nos metemos. 

Até lá.


Referências

BARON, Gerald B. Personal reflections on the concept of dual aspect monism. Link: <https://medium.com/top-down-or-bottom-up/personal-reflections-on-the-concept-of-dual-aspect-monism-95500891b97c>

Ciência Hoje. Lisa Randall: muito além das tres dimensões  Link: <https://cienciahoje.org.br/artigo/entrevista-lisa-randall-muito-alem-das-tres-dimensoes/>

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Monismo Substancial (parte 2)

No ensaio anterior foi definido o monismo substancial, identificando-o com o 'monismo de caráter dual' de Peter B. Todd. Foi visto que esse monismo parte do monismo neutro, porém é diferente deste porque consegue integrar o dualismo em seu seio - sem no entanto deixar de colocar o aspecto unitário como aquele dominante em nosso universo. Dessa forma foi possível afirmar as verdades relativas de todas outras visões de mundo, ideologias, teorias científicas e religiões - e excluir os resíduos que negam a Verdade e o Absoluto. Ou seja, foi nos apresentada uma arquitetura (framework, em inglês) capaz de inserir todos os relativos dentro de si - logo, algo que inclui tudo, matéria, energia, vida, psiquismo, espírito...até Deus. Trata-se de algo que pode orientar a ciência em sua busca por uma explicação satisfatória de toda fenomenologia universal, unir as mais distintas religiões e doutrinas, coordenar as correntes filosóficas, irmanar os povos, as culturas, os indivíduos. 

Fig.1: O vórtice absorve e expele para o ambiente. Seja matéria, energia ou informação, há uma troca constante. 
As individuações só se dão por causa desse movimento de absorção-expulsão. É o que caracteriza todos
os fenômenos. Vórtices. Movimentos vorticosos. Motos fenomênicos...

A partir dessa cosmovisão, há muito a ser feito. Uma busca infinita num mundo finito.

O próximo passo é adentrarmos mais à fundo no conceito, observando evidências em nosso mundo e através das últimas perquirições da ciência, abandonando temporariamente o seu aspecto teológico e filosófico. Faremos isso baseado nas pesquisas e interpretações dos mais renomados físicos, biólogos, cosmólogos e demais personalidades do campo da ciência, do início do século XX à segunda década do século XXI. Isto é, traremos os fatos e as construções do campo racional, baseado na mais pura lógica e observações, com o intuito de demonstrar que tudo que vem sendo feito aqui, há quase dez anos - uma década! - não é mera divagação e/ou desabafo de um ser, mas um conjunto de afirmações profundas sobre os princípios gerais de funcionamento do universo. Trata-se de um domínio que, uma vez aberta uma brecha, nos permitirá conduzir nossas vidas de modo orientado (verdadeiramente orientado, não aparentemente).

Por quê?

Porque a reencarnação será percebida como fenômeno concreto; a informação, campo de atuação da consciência, será estreitamente jungida ao nosso universo quadridimensional de espaço-tempo; a consciência será percebida como uma dimensão superior, que em sua forma pura, é intrínseca, não-vibracional; a moral terá o mesmo valor que a inteligência, sendo cada competência (inteligência e bondade) uma asa que deve ter sua contraparte para que possamos alçar o voo evolutivo. 

Comecemos essa jornada citando um trecho de um paper escrito por Peter B. Todd no "Australian Journal of Parapsychology, ISSN: 1445-2308 Volume 17, Number 2, pp. 147-169".

"In evolutionary panentheism, mind and matter exist in a relationship of complementarity where neither is reducible to the other, while God is immanent in nature although also transcending of it. Thus the universe and the divine are not ontologically equivalent."

(grifos meus)

"No panenteísmo evolucionário, mente e matéria existem numa relação de complementariedade, na qual nem uma nem outra é redutível à sua contraparte, ao passo que Deus é imanente na natureza, apesar de também transcendê-la. Portanto, o universo e o divino não são ontologicamente equivalentes."

Livre tradução (grifos meus)

Fig.2: Peter B. Todd. Falecido recentemente. Já viveu o auge do físico (era fisiculturista). Depois estudou muito à fundo o
universo psíquico através de trabalho com pessoas com câncer. 

Mente e matéria seriam complementares e co-existem sempre, em todos lugares, a todo momento, de vários modos, para que a Realidade possa se manifestar e o nosso Universo (nós incluso) possa evoluir. E Deus estaria presente em toda natureza, desde o início do tempo até ao seu término, animando as coisas e os seres a partir de um impulso íntimo. mas Deus, ao mesmo tempo, estaria além de toda relatividade, não sujeito ao transformismo evolutivo, ou seja, no domínio total 'localizado' no Infinito e Eterno, Reino do Absoluto. 

Resumindo: 

1°) Deus É transcendente e imanente. 

2°) Matéria e Espírito seriam manifestações extremas de uma substância única.

Continuemos nossa pesca (de evidências) no terreno científico.

As Edward Kelly notes, in the book Beyond Physicalism, which he co-edited with Adam Crabtree and Paul Marshall (Kelly, Crabtree, & Marshall, 2015), the “physicalist consensus … rests upon an outdated conception of nature, deriving from Galileo, Descartes, Newton, and Laplace, that began its career by deliberately banishing conscious human minds from its purview!” (Kelly, 2015, p. 32).

TODD, Peter B.  (grifos meus)

Conforme Edward Kelly destaca, no livro Beyond Physicalism, co-editado com Adam Crabtree e Paul Marshall(Kelly, Crabtree, & Marshall, 2015), o “consenso fisicalista… se apoia numa concepção defasada da natureza, derivada de Galileu, Descartes, Newton e Laplace, que começaram suas carreiras banindo deliberadamente a mente consciente humana de suas análises! (Kelly, 2015, p. 32).

Tradução livre (grifos meus)

Percebam: não se trata de desclassificar os feitos da mente racional-analítica nos últimos três séculos. Não se trata de jogar no lixo a mecânica newtoniana e suas derivações nos mais diversos campos do conhecimento; nem o método científico; nem a observação e a objetividade; nem nada do tipo. Trata-se de ressaltar que os métodos consolidados se revelam incapazes de fornecer novas explicações do mundo. 

Frente às novas descobertas da Mecânica Quântica (o observador afeta o observado, ou a consciência interfere na realidade física...e vice-versa, como já se sabe), toda a realidade deve ser re-descoberta. Para isso é necessário incorporar uma nova dimensão às pesquisas científicas: a consciência, cuja 'morada é um domínio não-local e atemporal. E com isso serão carreados todos os objetos direta ou indiretamente relacionados a ela: livre-arbítrio, Deus, o Absoluto, o campo Akáshico, a informação, reencarnação, evolução, ressurreição, Queda do Espírito, etc. A ciência se transforma. Logo, seus métodos mudam radicalmente.

Da objetividade sensória passa-se à subjetividade íntima. Do pensamento sequencial passa-se à visão direta. Do estudo exaustivo, complexo e gélido passa-se à vivência intensa, singela e transformadora. É sem dúvida a maior revolução pela qual a nossa espécie irá passar. Não há nada igual na História humana. 

Wolfgang Pauli, um dos expoentes da Física Quântica, trocou ideias com Carl G. Jung, um dos expoentes da Psicologia Analítica, durante muito tempo trocaram 

Pauli, having collaborated with Jung, thus enriching archetypal psychology with insights from quantum physics, argued for a relationship of complementarity between mind and matter, as well as a worldview which embraced both rational understanding and the mystical experience of unity or holism.

TODD, Peter B.  (grifos meus)

Pauli, tendo colaborado com Jung, e portanto enriquecendo a psicologia dos arquétipos com vislumbres da mecânica quântica, clamou por uma relação de complementariedade entre mente e matéria, assim como uma visão de mundo que albergasse tanto a compreensão racional e a experiência mística de unidade ou holismo. 

Tradução livre  (grifos meus)

Estamos apontando a fala de um cientista célebre do século XX que nos deu o Princípio de exclusão, que estabelece que nenhuma partícula pode existir no mesmo estado quântico. Pois bem, essa mente brilhante 'clama' por uma visão de mundo capaz de incluir tanto o aspecto racional-analítico, constituído de sistematizações e estudos, quanto o intuitivo-sintético, norteada por visões e vivência

Quanto mais se vive mais se sofre. Quanto mais se sofre, mais se persiste nos caminhos errados - num primeiro momento. Isso leva ao cansaço. Repetições levam a um despertar ligeiro. A partir daí se sofre conscientemente. Quanto mais se sofre desse modo, mais se sente a necessidade de compreender a realidade. E assim inicia se a busca pelo conhecimento - e depois, a vivência deste conhecimento. 

Compreender não é entender.

Entender tem a ver com saber o funcionamento de leis de superfície. Tem a ver com estudo, memorização, aprendizado de superfície. É acúmulo de informações e erudição. É reproduzir sofisticadamente e argumentar até vencer.

Compreender tem a ver com ter ciência do porquê as coisas serem como são, e o mecanismo íntimo de funcionamento das coisas. Tem a ver com vivenciar todas as leis (superiores e inferiores, das espirituais às físicas) com todas fibras de seu ser. É conhecimento e atitude. É criar incessantemente e convencer através do exemplo. 

O assunto é simples, porém profundo. Vamos continuar.

Entre 1932 e 1958 Pauli e Jung colaboraram estreitamente no sentido de integrar de modo forte o fenômeno físico com o psíquico. Ou seja, o alvo de ambos era o "problema psicofísico". O interessante é que essa relação jamais teria se iniciado se o jovem Wolfgang não tivesse sido abandonado pela mulher (apenas um ano após o casamento!), uma cantora de cabaré. E foi ficar com um químico - o que o deixou muito perplexo, considerando que ele, um físico dedicado a desvendar os mistérios do mundo subatômico, era um 'objeto' de relação muito mais interessante - dentro do campo dos profissionais da ciência. Não, ele não se conformou. Se a mulher tivesse o abandonado por um lutador de boxe ou coisa do tipo, teria sido compreensível, e talvez até pouco doloroso. 

Fig.3: Wolfgang Pauli e Carl Gustav Jung. Expoentes da Física e da Psicanálise.
Os especialistas da matéria e da Mente se reunindo em busca da essência de tudo e de todos.

Vamos voltar ao que interessa.

Pauli estava fascinado com esse novo mundo quântico, em que toda a física clássica ruía diante das incertezas do comportamento da matéria. O que parecia determinístico em escala humana, com incontável número de elementos, passou a ser imprevisível, não-sistematizável, não equacionável, ou seja, parecia não haver uma lei que determinasse o comportamento da matéria a partir de uma escala muito pequena. Como o reducionismo científico partia do pressuposto que os blocos fundamentais formavam a realidade sensória, isso era claramente um soco no estômago na ciência materialista, reducionista, mecanicista, local e temporal. Foi dado o impulso inicial para o desenvolvimento de um movimento profundo que irá abalar as bases da humanidade. Isso está muito além da ciência - ferramenta de busca humana.  

E Jung. Carl Jung estava igualmente maravilhado. Só que com o mundo mental. A psique. A metafísica. Um domínio intangível, porém com repercussões profundas, que abalam as atitudes humanas e levam pessoas a fazerem coisas concretíssimas. Assim como Pauli, Jung estava fazendo uma revolução no seu campo. E à medida que os dois avançavam em seus objetos de estudo, mais próximo eles ficavam...

A relação se iniciou sem planejamento por parte de nenhum dos dois: Pauli chegou até Jung como um paciente. Um paciente quebrado, arrasado, deprimido, destruído. Um paciente muito, muito, mas muito mal. Que não entendia a lógica do mundo. E seu médico seria a pessoa ideal para lidar com tudo isso. 

Nascido em 1875 na cidade de Kesswil, Suiça, Carl Jung passou uma infância regada de conexões religiosas. Tudo indicava que ele seguiria o sacerdócio. Porém, sua inclinação acabou pendendo para a medicina e psiquiatria. Isso no entanto não significa que sua carreira e sua obra não teriam significado transcendente. A influência religiosa serviu de base para seu espírito já antenado imprimir um aspecto mais profundo em sua profissão, permitindo-lhe dar contribuições fantásticas no campo da psicanálise. 

Não irei me aprofundar no trabalho entre os dois aqui. Mas vocês podem se aprofundar aqui

O que gostaria de terminar falando é sobre o John Polkinghorne. Esse homem atuou tanto no campo da Teologia quanto da Ciência. Professor de física matemática na Universidade de Cambridge de 1968 a 1979, quando abandonou a cátedra para estudar para o sacerdócio, que acabou conquistando em 1982, tornando-se sacerdote da Igreja Anglicana. O homem chegou muito próximo da cosmovisão ubaldiana. Ao mesmo tempo, apesar de não ter visto o panorama mais geral de que tenho notícia, ele fez observações muito interessantes a respeito de nossa existência, de Deus e da re-organização de nosso universo.

"Regarding our eternal life as embodied beings, Polkinghorne shows that we are not mind and body. We are a unitary entity with both mind and body being essential aspects. That means, contrary to a belief in a bodiless spiritual existence, our destiny is a future with a resurrected body. Jesus’ resurrected body is a model of the properties all resurrected beings will demonstrate. As to how our personal identities survive death, he equates our essence to information patterns or code which are stored in the mind of God awaiting the final time of the restoration. This is not a re-creation, but restoration of the created cosmos. As we store data and programming in the cloud and can move these from device to device, so the resurrection serves as a “hardware upgrade,” with our existing bodies — like Jesus’ which bore the unhealed wounds of crucifixion — upgraded to a physical body suitable for living in a restored creation."

Fonte: BARON, G.R. (grifos meus)

Parece que nossa consciência armazena as informações essenciais de nossas passagens terrenas na 'mente' de Deus, que pode ser o Campo Akáshico tão estudado por Ervin LászlóPolkinghorne destaca que a ressurreição se dá no final do processo evolutivo. E que após nos tornarmos o nosso máximo (Espíritos Puros), teremos restaurado nosso estado original. Trata-se de restauração, não de recriação. Esta já foi feita no seio do Absoluto (Sistema). A restauração se dá no ponto culminante de nossa existência nesse universo (Anti-Sistema), quando 'saímos' dele e adentramos o Reino de Deus (Sistema).

Fig.4: Polkinghorne, sacerdote e cientista. Conhecedor das complexidades da matéria e das profundidades do Espírito. 
Buscou integrar ambos em busca da substância.

Ubaldi e Polkinghorne usam terminologia diferentes. Vão por caminhos um pouco distintos. Mas fazendo uma leitura profunda, percebemos que estão dizendo a mesma coisa. 

E esse inglês, interessantíssimo e muito determinado em sua busca, conseguiu encaixar o conceito de 'informação ativa' de David Bohm e aplicá-la à imanência de Deus - ou envolvimento ativo no cosmos em processo de regeneração. E mais: destaca que acaso (cegueira do ser, ignorância) e necessidade (impulso para ascender, fragmento do conhecimento originário) estão na base dessa imanência. 

Polkinghorne takes David Bohm’s “active information” concept and applies it to the question of God’s immanence or active involvement in the cosmos. Chance and necessity have been identified as the foundation of all that is and that happens. Chance, we now see, plays a part in quantum activity as well as in all complex systems through chaos theory. The assumption of physicalist science is that the indeterminate is fully random. Is it? Must it be? How would one know if actions were fully random or influenced in some small way, but with immense consequences?

Fonte: BARON, G.R. (grifos meus) 

Fig.5: David Bohm. Físico brilhante, Filósofo profundo e estudioso da Consciência. 
Homem em busca da relação entre Ciência e Espiritualidade.

As incertezas não são de origem integralmente aleatória. As incertezas ocorrem nas bordas (=escalas extremas de tempo e espaço). A Mecânica Quântica e a Cosmologia Relativística lidam com essas incertezas (de formas diferentes). Na escala humana, no mundo da Física Clássica, não há mistérios, complexidades. Ao adentrarmo-nos na essência das coisas nos deparamos com a indeterminação. É no reino subatômico que a luta entre Sistema e Anti-Sistema é mais acirrada. Mas a indeterminação apenas se manifesta nos extremos porque há duas forças em jogo (S e AS), impossibilitando ordem total. Mas a tendência é o progredir para a ordem. É desintegrar-se, é morrer, é extinguir-se num plano inferior - para renascer num superior, mais sutil, belo, livre e portanto independente. Isso é maravilhoso e deve encantar o ser humano mais evoluído. Ser humano pronto para habitar um mundo mais desenvolvido.

"The ability of God to act within the reliable laws put in place without resort to miracle can be seen in the contingent facts of the history of the cosmos and life, but also in our individual experiences. It is credible, then, to pray to a God who acts in this world, and still be a strong believer in what science has demonstrated to be true."

Fonte: BARON, G.R. (grifos meus) 

Deus age em nosso mundo sem necessidade de desrespeitar as leis conhecidas pelo nosso (parco) conhecimento. Ele atua no íntimo, como diz Ubaldi. Ele jaz nas profundezas. Está velado ao ignorante egoísta. É revelado ao conhecedor bondoso. É uma força contínua, sutil e ativa que opera incessantemente pela regeneração de tudo e de todos. Alinhando-se a essa força, nos tornamos invencíveis. Nossa jornada se torna mais significativa (reforça a si mesma) e significante (influencia outros).

Antes de terminar este (já longo) ensaio, gostaria de falar sobre o unus mundus.

"The Unus Mundus, as we have seen in all versions of it we reviewed, is outside of space and time. Called “pregeometry,” “prespacetime,” “holomovement,” and “the Absolute” it is of necessity neither held within space or time."

Fonte: BARON, G.R. (grifos meus) 

O Unus Mundus está 'fora' do espaço e do tempo. Pode ser denominado por pré-geometria, pré-espaço-tempo, holomovimento e Absoluto. Todas essas definições de encaixam perfeitamente na do Sistema de Pietro Ubaldi. 

Podemos associar a 'mente' com que os estudiosos trabalham como um aspecto da fase 'energia' (ver A Grande Síntese), já que no ensaio de Baron ele considera o Espírito como distinto da mente. Ele chega inclusive a aventar a possibilidade de haver o spiriton ('partícula' do Espírito). Algo que o Gilson Freire (se não me engano), em seu último livro A Física do Espírito, também faz. 

Fig.6: Gilson Freire. Médico homeopata e estudioso da obra de Pietro Ubaldi. 
Deu contribuições significativas ao monismo substancial.

E ainda há ainda a questão da necessidade de adicionar dimensões extras ao nosso estudo para a compreensão do universo.

Mas isso ficará para um próximo ensaio.

Até lá.


Referências

BARON, Gerald B. Dual Aspect Monism: "Amphibians", the soul and immortality. Link: <https://medium.com/top-down-or-bottom-up/dual-aspect-monism-amphibians-the-soul-and-immortality-581ba2689ac1>.

BARON, Gerald B. Personal reflections on the concept of dual aspect monism. Link: <https://medium.com/top-down-or-bottom-up/personal-reflections-on-the-concept-of-dual-aspect-monism-95500891b97c>

TODD, Peter B. Dual-Aspect Monism, Mind-Matter Complementarity, Self-Continuity and Evolutionary Panentheism.  "Australian Journal of Parapsychology, ISSN: 1445-2308 Volume 17, Number 2, pp. 147-169".