domingo, 24 de fevereiro de 2019

Uma intuição que despeja em forma de palavras

Existem seres muito lentos para os padrões vigentes nos meios em que vivem. Em sua fala eles têm dificuldade em manifestar-se no ritmo exigido pelo ambiente (leia-se sociedade). Seu pensar pode até se dar de forma mais ágil no campo racional - mas ainda está muito aquém dos padrões exigidos pela sua posição relativa na sociedade. De modo que isso seja percebido com facilidade pelos outros, ocasionando num julgamento de superfície, que torna o ser alvo de críticas com fundamentação frouxa e objeto de escárnio. Isso se torna tão mais intenso e frequente quanto mais o indivíduo apresenta um descompasso entre sua razão e sua intuição. Entre sua imaginação e seu raciocínio. Entre suas ideias (e ideais) e suas implementações. Entre sua bondade e sua capacidade defensiva (neste mundo).

Uma personalidade forte faz barulho a
todo momento, chamando atenção.
Já uma individualidade mística
silencia com sua essência.
É o trovejar do silêncio...
Dificilmente alguém parou para pensar e refletir que todo julgamento é baseado em uma concepção de mundo particular - de como as coisas devem ser e quais os métodos 'ideais'. É muito simples estabelecermos um conjunto de 'certos' e 'errados', de 'bons' e 'maus', quando nosso grau de percepção dos fenômenos é muito primário.

Geralmente, pessoas que tem soluções prontas (respostas imediatas) para as questões mais polêmicas e delicadas tem um raciocínio de superfície, limitado pela frouxidão de suas capacidades em estabelecer interconexões e sentir o transformismo que as rege. São indivíduos que creem em certa verdade (relativa), encarando-a como ponto fundamental, inquestionável. É comum que, ao indagarmos o sujeito portador desse sistema de crenças e valores, nos vejamos diante de alguém temeroso de avançar na senda do pensamento e da emoção. Receoso de ousar em campos inexplorados. De rever conceitos e combinar ideias. De redefinir ideais. De revelar fraquezas para se lançar na construção de novas proezas...Dessa forma, o medo vence a ousadia e a repetição se torna regra. Adentra-se num ciclo de autodefesa, em que a ferramenta do intelecto analítico serve tanto ao pior quanto ao melhor dos tipos. Terreno arenoso...

Recentemente pude perceber uma situação da qual não mais me agrada participar. Porque já percebi que isso não irá mudar a mente de um ser preso na superfície - dos preconceitos, das narrativas pré-fabricadas e das sensações momentâneas. Trata-se de uma conversa entre três ou quatro pessoas.

Uma delas tinha a visão simplória. As outras duas - que mais ardentemente tentavam explicar ao primeiro os equívocos de seu modo de pensar - já percebem os defeitos estruturais de nosso sistema, apesar de não verem claramente como se forja a solução definitiva desse mal. Essas pessoas explicavam várias vezes, através de fatos e realidades vivenciadas; através da lógica que a racionalidade compreende. Argumentavam do porquê uma pessoa muito rica dever pagar imposto proporcional à sua fortuna, propriedades e ganhos. Tudo isso, para quem estudou (Domenico) DE MASI, (Ladislau) DOWBOR, (Noam) CHOMSKY - só para ficar em três grandes pensadores da 2 ª metade do século XX e início do XXI - é óbvio. Ou mesmo para quem intuitivamente está alinhado com essas correntes de pensamento. Não vou adentrar nos porquês aqui porque o blog já tratou exaustivamente desses temas (quem desejar pode encontrar explicações ao longo da espiral evolutiva deste espaço virtual). Mas há muita gente que ainda não percebe do que se trata, e tais conceitos se situam no inconcebível (superconcebível), pois demandam ao (pequeno) ser uma habilidade em lidar com contradições (espírito democrático) maior. Revela-se um mundo mais complexo, em que os fatos são construídos por poucos atores (grande mídia), forjando narrativas, exaustivamente repetidas aos quatro ventos. Um mundo em que as pessoas estão tão atarefadas em atividades de pouco valor que não resta tempo, energia ou vontade para repousar e observar à fundo o que de fato ocorre à sua volta. Assim, problemas como fome, corrupção, trânsito, etc. são resolvidos prendendo-se alguém, anulando-se o sistema tributário e desmontando entidades "muito poderosas" (como o Estado).

O rumo que a elite (e seu fantoche, o governo) vêm dando
ao país parece ter como destino fatal uma explosão de revolta.
A reforma se revela desmonte e a crença num futuro melhor
(nesse modelo) só diminuí. 
O Brasil está dominado pelo não-pensamento. Ou melhor, pelo pavor ao: pensamento crítico, reflexão, análise. E pela existência de contrapontos - daí a tentativa de diminuir a democracia (que opera com base na contradição), incrementando o autoritarismo (que suprime o outro). Muitos indivíduos, independentemente de seu grau de escolaridade ou posição social, aderem a comportamentos automáticos, baseados no senso comum que se forma a respeito de certos temas. É o instinto de rebanho, que torna o próprio (rebanho) co-partícipe de políticas de intensificação da violência cometida contra o mesmo. Funcionário público a favor da privatização (de seu setor), negro racista, mulher machista, empregados contra leis que os defendem, e muitos outros paradoxos da sociedade contemporânea. Isso tem um motivo, que reside na psique do ser - em seu subconsciente.

Quando o indivíduo deixa de acreditar no potencial de transformação da espécie, ele adentra numa linha de individualismo - que é justamente o contrário da diferenciação, que colima no senso de coletividade em prol da edificação de um pensamento sistêmico. Essa espiral faz a pessoa se ver restrita a uma existência limitada, cuja vida se encerra numa carcaça (corpo) que deve ser nutrida da melhor forma (satisfação dos instintos, ainda baixos no estado atual). Assim, faz-se de tudo para conquistar o quinhão da sobrevivência - num sistema que torna a competição cada vez mais acirrada e sem sentido. Assim, a pessoa deixa de se identificar com as causas que possui em comum com muitos irmãos, negando sua identidade terrena e seu senso moral. Trata-se de uma tentativa de ganhar um pouco a mais. Estamos no mundo em que visa-se garantir-se às custas dos outros humanos, da sustentabilidade do sistema-Terra e sistema-Vida, e da degradação das próprias ideias que embalaram a nossa espécie na esteira do tempo.

É muito árduo resolver um problema definitivamente. Constroem-se teorias e usam-se fatos (passados) para justificar sua inaplicabilidade. Mas as soluções momentâneas são aparentes e esboroam no tempo, deixando como resíduo um problema ainda pior, com um sulco mais profundo na alma humana.

Observando a vida constatei essas verdades. Minha paciência é limitada porque os tempos clamam por soluções impetuosas aliadas a uma nova forma de conceber as coisas. 'Deus', 'trabalho', 'evolução', 'criação', 'educação', 'reprodução', 'Estado', 'amor', 'ciência',...São conceitos-chave que precisam ser revistos sob uma lente monista. É preciso deixar claro como eles (concepção) nasceram, qual seu vir-a-ser na espiral evolutiva e como se relacionam. Parte-se do ponto central: DEUS.

Somente uma nova concepção da divindade poderá fazer a humanidade evoluir sem dores apocalípticas. É mister absorver as visões de Ubaldi, Rohden, Roustaing* e Chardin. Percebê-las em seu imo. Sentir a relação entre tudo isso e a vida que levamos, com dores e superações. Ver-nos a partir de outro plano. Isso tudo pode ser feito a partir de uma nova atitude perante as coisas do mundo. Mas é preciso antes sentir que se trata de uma arquitetura nova - a mais completa apresentada até o momento em nosso mundo atrasadíssimo.

Às vezes, enquanto reflito num momento de calma, seja na natureza ou no lar, imagino que algumas 'limitações' de certas criaturas se devem a um excesso de visão sobre a realidade. Essa visão intensa, ao se manifestar, se degrada e às vezes seu processo se dá desordenadamente - porque a mente racional não é capaz de coordenar o trovejar da intuição. E assim o ser que é portador desse 'problema' (indicativo de um possível adiantamento evolutivo) deve tomar o cuidado de manter em riste suas capacidades de abstração e sintonização com correntes mais altas, enquanto (paralelamente) estuda e ganha experiência nas artes do mundo, adquirindo capacidades literárias, lógicas, orais, gestuais, materiais, etc. Sempre tendo em conta o objetivo supremo: espiritualizar a matéria através da vivência integral, orientada pela simplicidade e encouraçada pela astúcia.

Observações:
* https://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Baptiste_Roustaing

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Do Alfa ao Ômega

Partindo do princípio da sinceridade (alfa) as trajetórias de vida são lançadas. Quanto mais intenso e ousado esse princípio, maior a capacidade de se lançar num caminho orientado. Eleva-se mais com um parto mais intenso. Após o primeiro tiro não há mais como cessar o movimento. A meta passa a ser o correto agir, culminando no fim último: ômega.

Qual é esse correto agir? E esse fim último? Pouco se sabe sobre a organicidade da vida. Muito se teme sobre a intangibilidade de leis superiores, que transcendem o campo do mundo sensível e cognoscível. A arte é o único campo - no momento - capaz de aceitar (e lidar) de forma mais séria com o fenômeno inspirativo, se apropriando de algumas de suas características através de suas práticas. Resta-nos permear de forma consciente e sistemática a ciência com esse espírito de superações. Não se trata obviamente de tornar ciência em arte, objetividade em subjetividade - mas sim de tornar as chispas de genialidade advindas dos recônditos da alma intersubjetiva, realidades saboreadas em todas suas dores e glórias, construindo um elo entre esse mundo e o mundo objetivo. Dessa forma ter-se-á uma nova objetividade, com visão mais larga, percebida por todos porque sentida no imo do ser.

Quando nos vemos diante de um abismo insuperável é
necessário fazer brotar o senso mais elevado de Deus.
A Fé e a Razão estão prestes a se casar. A ciência será
feita apaixonadamente. A religião será coerente. Religião e
Ciência serão uma única coisa: o estudo de Deus e Universo.
Estudo intuitivo, conduzindo o intelecto e as ações.
O processo evolutivo humano se dá no campo psíquico. Nosso desenvolvimento orgânico se apoiou na continuidade do mundo animal (evolucionismo material), sofisticando-se dentro de suas possibilidades para permitir a manifestação das potencialidades da mente. Assim os primeiros hominídeos eram rudimentares, com volume craniano limitado, pelos no corpo, braços grandes e sem nenhum senso de transcendência. É apenas por volta de 80 a 100 mil anos a.C. que o ser humano (já Homo sapiens sapiens) passa a demonstrar um despertamento para a realidade de uma vida além da existência física: túmulos com objetos são encontrados que datam dessa época. Nasce o senso de religiosidade.

O advento das civilizações antigas atesta um salto evolutivo sem precedentes. Segundo as teorias do evolucionismo espiritualista - para ser mais preciso, do espiritismo - um expurgo de almas do sistema solar da estrela Capela [1] nos trouxe o impulso necessário para sairmos da pré-história. A partir do  décimo milênio antes de Cristo surgem as primeiras aglomerações urbanas. O senso de organização coletiva começa a surgir, de forma rudimentar e bárbara - mas surge. No quinto milênio a.C. florescem civilizações: sumérios, hititas, egípcios,...No oriente, na China e Índia, grandes dinastias, com religiões, política  culturas próprias. Para coordenar os instintos humanos mais basilares de forma eficiente, edificam-se sistemas de leis (controle), organizam-se exércitos (domínio de recursos), erguem-se religiões (cultura), desenvolve-se o pensamento (filosofia e ciência). Mas é na Grécia Antiga que surgirá o início de uma trajetória sistematizadora, cujos herdeiros somos nós.

Suspensa entre os séculos V e XVI d.C. o mundo ocidental fez uso de muitos conceitos de Aristóteles para forjar uma geometria do universo. Geometria fechada, considerando o cosmos finito, e a Terra circunscrita em esferas celestiais com gradações especificadas pela Igreja. Essa foi a Idade Média. Época das dolorosas privações e doenças. Mas ao mesmo tempo das visões sublimes e da manifestação dos Santos. Era do misticismo na sua forma mais pura - sem um pingo de racionalidade. Era em que Fé e Razão estavam completamente divorciadas, sendo que os dogmas e a revelação constituíam a única forma de se chegar a verdades. Era do monopólio da Igreja, com seu império que dominava mentes e corações - além de terras e ouro. Era que trouxe contribuições em meio a dores. Época ainda mal compreendida.

O advento da Revolução Científica (séc. XVI) brindou a humanidade com o despertar pleno do intelecto. Me parece que o sofrimento de Giordano Bruno abriu as portas para uma nova onda de expansão do pensamento e do bem-estar material. Esse ser acreditava que o universo era infinito em sua extensão espacial, sempre existente (eterno) e com incontáveis mundos, muitos deles habitados por seres vivos como nós, sendo o nosso planeta um mero ponto num oceano de partículas siderais. Por sentir isso e manifestar, foi torturado por sete anos e queimado vivo. Galileu Galilei tinha as mesmas visões, e comprovou muitas verdades com sua luneta. Mas foi poupado: negou oficialmente que a Terra se movia (mas admitia isso em seu imo...eppur si muove....). A partir daí as descobertas se dão em ritmo crescente e vertiginoso.

Giordano Bruno (1548-1600). Homem de ímpeto,
de determinação e de coragem. Com sua dor ele
abriu novos caminhos.
O universo de geometria fechada passa a ser de geometria aberta. Demócrio substitui Aristóteles. Tudo passa a ser explicável através do mecanicismo científico. O materialismo ganha corpo e começa a dominar todas esferas da vida humana. Á medida que a ciência descobre e explica fenômenos do mundo circunjacente, o império da Igreja cai, pouco a pouco, com o escorrer do tempo. A astronomia desvenda os mundos e comprova verdades irrefutáveis; Newton, Kepler e cia.  estabelece as leis de movimento, percebe as cores, desenvolve ferramentas matemáticas; Lavoisier estabelece as leis de conservação de massa e energia (nada se cria, nada se perde, tudo se transforma);  Darwin comprova a evolução das espécies; Freud explica a natureza humana (do tipo médio, predominante); e assim por diante. Parece que nada iria frear esse impulso impetuoso.

Milhões migram da crença pura e simples para o raciocínio frio e cortante. Esse parece trazer mais conforto. Bem-estar e tecnologia são as palavras do dia. Assim, no século XIX, explode o ateísmo. Muitos seres humanos, percebendo as novas verdades, aceitam-as. Mas em seu imo reside uma centelha de divindade que afirma haver algo a mais. Que Deus não poderia estar morto - a não ser que se tratasse de uma concepção de Deus.

O teísmo da Idade Média passou a ser o deísmo de Descartes e Newton. Logo em breve, esse deísmo se transmuda em ateísmo [2]. Deus acaba saindo fora do jogo humano, ficando restrito às práticas religiosas e aos ensinamentos morais. O evolucionismo traria em si uma vertente equivalente para o lado do além-túmulo, permitindo ao ser humano voltar a ter uma crença. Foi necessário assim surgir uma doutrina que explicasse de forma mais madura os fenômenos sobrenaturais. Nasce assim o evolucionismo espiritualista.

Gilson Freire destaca em sua monumental obra [3] a importância da teosofia e da doutrina espírita. Essa corrente de pensamento soluciona muitos dos paradoxos do criacionismo judaico-cristão, ao mesmo tempo em que abraça e trabalha com as mais modernas teorias da ciência. Seu mérito está em revelar de forma sistemática, coerente e comprovada a continuidade da existência no além-túmulo, e com isso o fenômeno da reencarnação; deu alento aos perdidos; consolou milhões; e trouxe importantes revelações. Seu desafio é não parar na esteira do progresso e admitir novas visões e teorias.

Nascido no auge do materialismo da ciência, o espiritismo também bebeu de suas fontes: o universo continuava infinito no espaço e eterno no tempo. O dualismo ainda predominava, pois nós somos centelhas de Deus, nos apartando dele à medida que somos criados. Apesar disso ele deixa de ter uma característica antropomórfica, típica das religiões monoteístas. Deu uma interpretação geológica-paleontológica mais madura à Gênese Mosaica e atestou a existência do além-túmulo.

Por ter feito muitos males, o cristianismo teve muitos de seus conceitos (defendidos fervorosamente) afogados pelo espiritismo, como a ressurreição, substituindo-a pela reencarnação. No entanto, apesar de ser uma verdade prestes a ser comprovada pela mais moderna ciência quântica [4], a reencarnação não é a ressurreição. Eis um problema que o espiritismo não foi capaz de resolver de forma convincente. Ao mesmo tempo, o conceito de ressurreição católico (e seus derivados) não é mais aceitável à mente humana moderna, dotada de bom-senso e aderente à lógica. Seria preciso surgir um novo conceito de Deus e Universo para solucionar esses paradoxos que começavam a inquietar mentes sedentas por um alimento substancial...

O século XX nos traz o neocriacionismo científico. Com as descobertas de Hubble, a cosmologia volta a admitir um universo finito. A geometria fechada volta a ser colocada em pauta. Posteriores descobertas comprovam definitivamente que o universo está em expansão. Logo, teve uma origem no tempo - e vai se extinguir...pois tudo que nasce morre. Além disso, se surge no tempo e está em expansão, houve uma época em que era inexistente: o espaço também "morrerá". A 2ª Lei da Termodinâmica (entropia) já comprova o fim de todo movimento (zero absoluto), no qual toda vida irá deixar de existir - com o máximo de entropia. Calcula-se que dentro de 24 bilhões de anos o universo físico irá se extinguir.

Nessa jornada de descoberta espiritual, é bom ter alguém
para caminhar junto. Amor é quando duas pessoas olham
para a mesma meta, no infinito e eterno -
e não um para o outro, num egoísmo fraterno.
Porque é em Deus que eles se encontrarão... 
Einstein sistematiza sua teoria. Espaço e tempo passam a ser entrelaçados e relativos. Derruba-se o mito do absolutismo e separatismo do espaço e do tempo. Funde-se e relativiza-se as dimensões por nós conhecidas - mas misteriosas em sua essência...

Niels Bohr, De Broglie mostram um modelo atômico que atesta que a luz pode se comportar como onda ou partícula. A energia e a matéria passam a ser manifestações diferenciadas de uma mesma substância...

A Física quântica nos leva ao reino dos quarks. Partículas fundamentais são descobertas pelos modernos instrumentos. Percebe-se que nos interstícios da matéria reina a nossa completa ignorância. Percebe-se a não-localidade, a dualidade onda-partícula, a simultaneidade, o holismo, etc...como realidades do mundo subatômico. As forças fundamentais são elencadas em quatro: forte, fraca, eletromagnética e gravitacional. A Teoria das Cordas [5] busca unificar a teoria da relatividade a a teoria quântica numa única formulação matemática (um sonho e visão de Einstein), forjando uma Teoria de Tudo. A ciência, nesse segundo momento, se vê novamente diante de Deus, que é unicidade e imaterialidade...

A Biologia descobre a estrutura do DNA, com Watson e Crick [6]. Mas sabe-se que um conjunto orgânico de moléculas que contém instruções genéticas não são a causa última da lógica de construção. Coordenador não é criador! O DNA coordena e replica instruções através de moléculas especializadas.

"O ácido desoxirribonucleico (ADN, em português: ácido desoxirribonucleico; ou DNA, em inglês: deoxyribonucleic acid) é um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos e alguns vírus, e que transmitem as características hereditárias de cada ser vivo." (Fonte: Wikipedia)

Um composto orgânico é material. A lei que permite que ele se forme e coordene a vida é imaterial...

Com o neocriacionismo científico a ciência se vê forçosamente diante da necessidade de admitir a existência de uma causa não causada, única e imaterial, fora do plano alcançável pela nossa parca razão analítica. Sim...ao ler a obra de Gilson Freire [3] percebe-se de forma cristalina que a humanidade está muito próxima de atestar o universo do espírito. E de admitir a última realidade  encoberta por mais de quatro séculos pelo materialismo: Deus.

O criacionismo aristotélico possui suas sublimes e últimas verdades da teoria da queda mas não sabe explicá-las;

O evolucionismo espiritualista revelou realidades evidentes e lógicas, dando consolo. Mas ignorando integralmente conceitos do passado, se vê diante de paradoxos;

O materialismo mecanicista nos brindou com muitos avanços no bem-estar. Mas nos deixou solitários e desesperançosos num universo infinito e incerto;

O neocriacionismo reestrutura a ciência materialista e aponta para os conceitos mais defendidos pelo criacionismo...

Chega o momento de descer à terra um novo pensador...

Esse é Ubaldi. Antes de residir no Brasil
definitivamente, passou três meses dando uma
série de palestras sobre sua Obra (1951). Percorreu
todo o país. Apóstolo de Cristo, cumpriu sua missão.
Me salvou da perdição...
Pietro Ubaldi desenvolve sua vida e obra ao longo do século XX, publicando suas visões sistematizadas, em forma de livros, ao longo de quarenta anos: de 1931 a 1971. São 24 volumes que, em seu conjunto: resolve quase todos paradoxos do espiritismo, reorienta as modernas teorias cosmogônicas e resgata de forma madura os mais queridos conceitos criacionistas. Com o místico da Umbria forja-se um sincretismo magistral e harmônico de todas as arquiteturas precedentes.

A Arquitetura Monista de Ubaldi é a mais completa jamais surgida em nosso mundo. Pela primeira vez temos registrado em nosso mundo "real" o advento de um verdadeiro apóstolo moderno. Um profeta e um santo que foi capaz de comprovar de forma consciente e sublime a existência da Lei de Deus, apresentando-nos uma Teoria da Queda que o neocriacionismo é incapaz de negar sem destruir a si próprio. Resta à nossa parca razão assimilar essa seiva divina e nos deixarmos orientar por seus ensinamentos.

Muitas questões que assolam as mentes mais irriquietas e os corações mais sinceros encontram soluções da obra ubaldiana:

A questão do juízo final (dos criacionistas) e do juízo parcial (dos espíritas);
A questão da reencarnação, com sua natureza, seu porquê e seu processo;
A questão da ressurreição: do que se trata, como obtê-la;
A questão dos milagres, vista à fundo;
A questão da Queda dos espíritos;
Os porquês da dualidade em nosso universo;
A questão da bondade de Deus aliado ao sofrimento que passamos;
O monismo explicado em sua mais alta forma.

Estamos diante de um conceito que irá transformar a humanidade efetivamente - assim que formos capazes de assimilar e praticar os ensinamentos do Prof. Ubaldi.

Esse blog surgiu para cumprir a missão de transmitir essa arquitetura. De validar a teoria [7]. De mostrar, em grau ínfimo, que a Lei de Deus está atuando incessantemente - e que os milagres ocorrem devido à sinceridade ardente aliados a ousadias inteligentíssimas.

Aqui fala um papagaio de segunda categoria, cuja única função é transmitir da forma mais intensa conceitos verdadeiramente revolucionários.

Toda a glória é de Deus.
O modelo é Cristo e seus emissários, em variados graus evolutivos: Lao Tsé, Buda, Francisco, Ubaldi,...
E a salvação é nossa.

Eduardo Vaz - XXII Congresso Nacional Pietro Ubaldi



XX Congresso Pietro Ubaldi - Gilson Freire - Rumo à Superconsciência


Referências:
[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Exilados_da_Capela
[2] Teísmo atesta que Deus criou e continua atuante no Universo. O deísmo admite a existência de um Criador, mas atesta que, após esse ato, Deus deixa de atuar na sua criação. O ateísmo nega completamente a divindade, afirmando que o cosmos é puro acaso e caos.
[3] Arquitetura Cósmica.
[4] https://www.youtube.com/watch?v=EgAPwSWuRog
[5] https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_das_cordas
[6] https://pt.wikipedia.org/wiki/Francis_Crick
[7] http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2014/11/validar-teoria.html

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Entre duas virtudes

Existe apenas um modo de apreender algo definitivamente: através da experiência. Podemos ler tudo sobre algo, estudar, abstrair conceitos e até mesmo refletir. Mas o que garantirá que o âmago de nossa alma se transforme de modo efetivo é passar por uma vivência íntima. Com o estudo de algo podemos apenas aprender - para apreender é imperioso entrar no campo de batalha. O Kurukshetra [1] da Bhagavad Gita. Todos nós podemos iniciar essa batalha, em nosso interior. Ela se inicia quando estamos prontos, tendo superado as piores tendências e nos livrado das ilusões mais sorrateiras do mundo (Maya). Vencê-la representa a maior conquista humana, capaz de transformar tudo.
Primeiro, contemplamos. Depois, com o espírito preenchido
de inspiração, "criamos" através de um trabalho incessante.
Apenas aquilo que macera a alma tem o poder de despertá-la. Ela se torna mais expandida a partir do uso positivo da dor. A capacidade (da alma) de lidar com complexidades aumenta na mesma proporção que converte experiências - geralmente dolorosas - em produtos acabados, tangíveis ou não. Assim adquire-se a habilidade de elaborar ideias, redigir textos, compor músicas, realizar estudos e trabalhos, dialogar habilmente, enfrentar situações de exposições, manifestar sentimentos, mudar os hábitos e - sobretudo - enxergar o significado profundo que se manifesta na superfície cotidiana. 

Duas são as virtudes a serem dominadas pelo ser. Uma foi percebida pelo Ocidente - outra pelo Oriente. A primeira é a capacidade de ação. A segunda, a arte da meditação. Uma é atividade que opera no mundo de forma dinâmica e se repercute na sociedade, de uma forma benéfica ou maléfica. A outra é contemplação do mundo interior, com a adoção de uma vida simples e de reflexão, buscando trabalhar a essência do indivíduo. Dessa forma podemos dizer que o leste trabalhou a arte da sabedoria enquanto o oeste exercitou a ciência da aplicação. Ambas são importantes para atingir o que a arquitetura criacionista denomina salvação. A questão é a dificuldade em exercitar ambas (virtude) e torná-las um binômio dinâmico capaz de construir a personalidade de forma a acompanhar o desenvolvimento do indivíduo.

A personalidade é a forma com que a nossa individualidade se manifesta nesse plano físico. São características relacionadas ao ambiente (geográfico-cultural) e às características genéticas (pai-mãe), que o espírito deve usar para moldar o organismo físico e mental. A individualidade se refere ao espírito, ou consciência, que - como o próprio nome indica - é algo indivisível e intangível. É muito importante destacar essa diferença para que não corramos o risco de nos confundirmos na hora de estabelecer comunicação sobre assuntos desse tipo.

O que comumente se vê é pessoas com aculturadas a exercitarem um dos pólos (reflexão ou ação). Mas isso é feito de modo incompleto e mecânico. Com baixa intensidade. Uma reflexão que se traduz como puro exercício para aquisição de verniz intelectual ou cultural é mal usada. Uma ação horizontal, que tende ao abuso, com fins egoístas (individualismo), é pior do que nada fazer. Logo, é preciso saber realizar a ação e a reflexão verdadeiras. Esse é o primeiro ponto.

A contemplação se dá através da busca do
nada. É com o esvaziamento da mente e a calmaria
dos sentidos que podemos conhecer nossa essência.
A partir do momento em que nossos atos começam a ser pautados por objetivos que extrapolem os limites de nosso horizonte de expectativas, podemos dizer que estamos ascendendo nesse pólo. É preciso ignorar as consequências do presente quando se sente um ideal distante conduzindo nossas atitudes, lá nos recônditos da alma. O mesmo se dá com a reflexão: quando mergulhamos no vazio, permeando nosso ser com conceitos incompreensíveis pela mente racional, precisamos fazê-lo a partir de um desejo sincero e ardente que visa a melhoria efetiva de nossa alma. Caso contrário o esforço será em vão. Eis a segunda observação.

Ter uma ou outra virtude bem desenvolvida leva a pessoa a notar a existência do outro pólo: para avançar na verticalidade mística é preciso dar as mãos ao outro pólo, cujas características são complementares. Esse aspecto dual do universo faz parte do monismo.

Nesse ponto Gilson Freire destaca que dualismo é um termo negativo, antagonismo entre finitos, que nega o monismo, apoiado apenas na característica transcendente de Deus - excluindo sua imanência. Ela enxerga apenas a competição - o que conduz à destruição. Já a dualidade é um termo positivo, no qual duas coisas (ou seres), apesar de suas diferenças, se unem, num amplexo de complementaridade que se traduz em cooperação. Sobre essas duas realidades da vida (cooperação - competição), Antônio Nobre [2] explica a função de cada uma: a cooperação é o modo de operação que o nosso planeta (e toda a vida!) adota para regular e viabilizar a evolução. A competição é usada como última alternativa, quando a colaboração não é mais possível.

A ação é transformação, atuação no meio. Seu produto deve
trazer um ganho de experiência - e um auxílio ao próximo.
O mundo infra-humano está em constante cooperação, apesar das crueldades dos predadores. Porque a inteligência dos animais é restrita a um férreo instinto que os prende a fronteiras de atuação. Dessa forma, no conjunto, cada qual buscando satisfazer suas necessidades (instintivas) acaba regulando a comunidade global de seres - e não alterando os fenômenos. Os humanos, por possuírem razão, são capazes de prever e planejar; de potenciar os meios e traçar finalidades; de transformar e comunicar; de encurtar as barreiras espaciais e temporais - sem no entanto superá-las. Acabam usando essa capacidade fenomenal de raciocinar para satisfazer os seus instintos - que são muito semelhantes aos dos animais, grupo mais próximo na escala evolutiva. São instintos mais sofisticados, que se traduzem em vontades buscadas de forma incessante. A elementar fome passa a ser desejo de propriedade. O sexo evolui para a perpetuação da família, da nação, da cultura. Conservação do indivíduo (fome) e da espécie (sexo). A primeira e segunda leis da vida, citadas por Pietro Ubaldi em seu livro História de um Homem. Mas nós humanos temos imiscuído em nosso âmago uma força que clama por conquistas que vão além das quantidades...Conquistas voltadas para nosso interior. Conquistas que não se preocupam com a fortificação das coisas externas como aparência, posição social, títulos, dinheiro, etc.

A terceira lei é aquela que não se interessa pelas coisas do mundo, e sim em fazê-lo melhorar. É a lei da evolução. Quem se alinha a essa lei? No momento, raríssimos indivíduos. É a lei do ser que segue o Evangelho, tendo-o em seu íntimo. Francisco de Assis é um exemplo de homem da 3ª lei. Santos,  chefes de estado, místicos, pensadores, artistas, cientistas.

É preciso combinar o melhor de cada ideia, conceito, ideologia, prática, especialidade, religião e filosofia. Sem o qual não seremos capazes de retornar ao Sistema* - ou seja, atingir a salvação. Cristo afirmou que é preciso, além de "amar a Deus acima de todas as coisas", também "amar o próximo como a si mesmo". 

Retornar-se-á aos mitos da criação de um modo amadurecido: na forma de visão unitária do Todo.

Referências:
[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_de_Kurukshetra
[2] https://www.youtube.com/watch?v=R0z4vPOVFTc

Observações:
* Podemos resumir os conceitos ubaldianos da seguinte forma:
Sistema = 'reino' do imponderável, além do espaço-tempo e do relativo, o absoluto (o Céu dos cristãos)
Anti-Sistema = universo físico em transformação, relativo (a Terra dos cristãos, que no tempo atual é um inferno)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Um artigo e uma entrevista

Antes de adentrar no livro de Gilson Freire, gostaria de compartilhar um artigo muito tocante escrito pelo Leonardo Boff, intitulado O misterioso destino de cada um:

https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Historias-do-Futuro/O-misterioso-destino-de-cada-um/48/42951

E recomendar uma entrevista do programa Voz Ativa, com Alysson Leandro Mascaro,


São essa classe de seres que começam a perceber a necessidade imperiosa de superarmos o atual paradigma, calcado no relativo e numa razão sem telefinalismo. A vida exige que adentremos numa nova forma de sentir e viver. É necessário remover os véus das verdades de superfície (des-cobrir) para que se nos apresente uma visão mais profunda da realidade, capaz de mobilizar o âmago dos seres.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

O Vértice da Sabedoria (até o momento)

A evolução não cessa jamais. Os últimos seis meses foram de atividade febril. De julho a dezembro o autor fez um pacto consigo mesmo, que consistiu em dedicar todos os interstícios de tempo e átimos de energia a realizar suas mais prementes obrigações do momento. Mentalizou-se uma hierarquia, fortemente inculcada na psique devido a um senso de dever, e assim foi possível seguir um roteiro pré-estabelecido, naturalizado em todo organismo bio-fisio-psíquico, dia após dia. Assim deu-se, após um tour de force de 170 dias, o que o mundo chama de sucesso. No fundo trata-se de uma ferramenta humana, que graças a esforços contínuos nos dois planos - mundo das medidas e reino do imponderável - está tendo seus caminhos abertos para realizar atividades de ordem mais elevada. 

Chegou-se ao topo. Mas essa posição de máximo é temporária.
Logo surgirão novos paradoxos, que demandarão novos
saltos de fé, cada vez mais inteligentes. Hora da razão
 que tanto escalou criar as asas da voo intuitivo.
A pergunta que paira no ar é: qual será o próximo tour de force

Mal inicia o ano e diversas ideias vêm à mente. A vontade impetuosa (de se realizar) e a assimilação dos fenômenos da realidade (estudada e vivenciada), ímpar em seus ritmos alucinantes, se aliam para  forjar um novo processo. O espírito fervilha num caldo de possibilidades que se lhe apresentam de forma muito sutil a cada dia que se passa. As condições são ideais. Há de se consumir o que se possui para alçar novos patamares. Quais serão eles? De que forma isso será feito? 

Para nos lançarmos numa empreitada íntima - que envolve as coisas do mundo, com suas ferramentas, métodos, opiniões e demandas - é mister sentirmos a presença do imponderável em tudo. Não se trata de uma alucinação mental de (e para) fracos, reconfortante àqueles que menos possuem habilidades e estacionaram no acostamento da preguiça. Não. É uma questão de perceber algo diferente no mundo que nos cerca, através de outro sentido. Esboçar hipóteses mais ousadas, para viabilizar novos avanços num terreno cada vez mais sedutor às mentes mais aguçadas e aos sentimentos mais anelantes. Para isso é preciso ter em mente de que a marcha da humanidade não cessa, jamais. Por quê? 

A Cosmologia e a Física quântica já comprovaram: o Universo é finito. Ele teve uma origem, distanciada 13,7 bilhões de anos de nosso presente - segundo a teoria do big bang. E sabe-se: tudo que nasce morre - e tudo que morre deve renascer. A primeira máxima é uma conclusão lógica do pensamento evolucionista do racionalismo mecanicista-cartesiano. A segunda, um imperativo lógico do evolucionismo espiritualista, que satisfaz toda alma humana, que em seu íntimo sente a presença de uma substância eterna além de tudo que se conhece. Em suma, o que se explicita no relativo deve desaparecer - nele ou com ele. 

Por terem uma particularidade em relação ao mundo físico (matéria e energia) [1], as múltiplas formas de vida estão em processo de morte e nascimento, cujo ritmo é muito diferenciado daquele das partículas e ondas. Os períodos são curtíssimos, muito limitados em termos siderais. No entanto, do ponto de vista criativo (inteligência), trata-se de um fenômeno ímpar, envolvente e apaixonante a todas as mentes e corações. A ciência materialista, em seu orgulho e impotência, a vê como um epifenômeno do cosmos. Coisa sem explicação lógica, e portanto não digna de ser investigada mais à fundo - justamente pelos fatos demandarem, imperiosamente, a edificação de uma hipótese negada nos últimos 3 séculos: Deus

O Sol é apenas um dos aspectos representativos da
grandiosidade de Deus. Tudo que conhecemos orbita em
torno de uma Lei, que rege desde o íntimo da matéria até
os espíritos mais avançados que conhecemos (anjos).
Isso nos leva à obra de Gilson Freire, um tour de force sem igual em termos de organização da linha de pensamento que mais interessa ao ser humano: a evolução, em seu sentido mais lato, e sua consequência última: a salvação. O livro se intitula Arquitetura Cósmica, obra de vastidão conceitual incomensurável, edificada com espírito de bondade ímpar, aliado a uma prosa do mais alto nível. A inspiração veio de um homem que resolveu - da forma mais completa até o momento - as enormes lacunas deixadas pelo teocentrismo aristotélico medieval, pelo evolucionismo espiritualista, e pelo neocriacionismo da Física quântica, da Cosmologia e da Biologia: Pietro Ubaldi.

Já são mais de sete anos de uma escalada evolutiva sem igual. Hoje percebo que o (meu) processo de desdobramento da consciência se iniciou há sete anos (2011), quando vieram os primeiros choques. Trata-se de impactos comuns ao mundo (permeado de dores), mas que, devido à sensibilidade do autor, se mostraram destrutivos. À época a impressão era a de que a vida findava. Tudo iria ruir: financeiramente, emocionalmente, intelectualmente, fisicamente, afetivamente. A noção do Espírito estava pouco firmada no coração. No entanto haviam todos os pré-requisitos para se iniciar algo muito inusitado...

A partir dos grandes eventos a trajetória tomou um rumo diverso do esperado. Os choques vieram de supetão, num átimo, sendo seguidos de outros, menores mas igualmente destrutivos. Mas quando o segundo veio (dez/2012), o autor já estava mergulhando em um universo, que o auxiliou nessa passagem dolorosa. Na mesma época findava seu mestrado.

Passados seis meses (jun/2013), inicia-se um processo de escrita sem planejamento algum. Essa explosão da alma se deu em paralelo a uma explosão coletiva, de indignação com o país e seus métodos, que se apresentava através de manifestações de intensidade assombrosa e envergadura capaz de chacoalhar o país, num amplexo de indignação sem precedentes, imprevisível a todos especialistas [3]. O ímpeto visava fazer uma iniciação, despejando questões muito profundas para uma abordagem verdadeiramente efetiva. Isso é o que se percebe olhando para a trajetória sendo construída. 
Uma viagem fantástica. Leitura útil
apenas para quem vivenciou a Lei.
Não basta ter erudição e condição:
é imperioso dispor de estofo
espiritual.
O frêmito do cotidiano indignou o autor, que estava sendo impulsionado para regiões desconhecidas. Sem jamais abandonar seus deveres, a criatura foi constatando a (triste) realidade do que ele já sentia ser verdade. Assim se deram manifestações fantásticas, traduzidas em conceitos e textos (2013-2014), além de (de brinde) uma aquisição de experiência profissional sem igual, recheando o currículo e dotando o autor de uma couraça que apenas um ambiente infernal poderia fornecer. Pois ficar dez horas por dia em ambiente insalubre, fechado, sem possibilidades de ser quem ele de fato era, constituía em tortura do espírito, somente sanável com uma manifestação inteligente e ousada - ousadamente inteligente. Assim maturou-se, inconscientemente, um novo ciclo, ao passo que se tratava de aproveitar tudo daquele que estava sendo (conscientemente) destruído. Eis a Lei de Deus em atuação para quem ardentemente a segue...

O fim do processo (nov/2014) lança a criatura-ferramenta numa espiral de reflexões. Nessa época a ânsia por ir além da doutrina consoladora [2] é muito ampla, e dessa forma se lhe apresenta algo incomensurável, que faria das recentes descobertas um simples astro orbitando em torno de um Sol intenso. Esse Sol é uma concepção de Deus e Universo jamais vista antes [4]. E assim tem-se o elemento principal do processo subsequente, que conduziria a pobre criatura a patamares de realização profissional, acadêmica, financeira afetiva inimagináveis, com a operacionalização do que a teologia medieval denomina milagre - e o que a ciência do espírito, prestes a nascer, denominará alinhamento com a Lei de Deus

Não irei pecar me repetindo sobre o que vem sendo exaustivamente - de vários modos - relatado de tempos em tempos neste 'espaço'. No entanto é premente enfatizar o aspecto substancial do fenômeno, demonstrando àqueles imersos no desespero de uma vida vazia e sem sentido, enfastiada de sensações cada vez mais angustiantes e engessantes, de que existe uma Lei que encapsula todas as outras, nas modalidades e níveis diversos, e que se "situa" fora do domínio espaço-tempo, local em que o relativo impera, ainda rejeitando violentamente (e impiedosamente) o que lhe excede: o absoluto. No entanto é este que tem o domínio daquele. E por isso não tem pressa, pois "seu reino não é deste mundo" [5]. Neste mundo, o espaço e o tempo findarão - como comprovam as teorias da Física quântica e a Lei da Entropia. No outro, esses finitos limitantes, com prazo de nascimento e morte, não lhe tocam nem no fio de cabelo...

Daí em diante a história é bem conhecida. Para aqueles que se interessarem pelos acontecimentos mundanos subsequentes recomenda-se a leitura e estudo dos textos que se dão a partir de (Nov/2014) [6]. 

Nos próximos ensaios tentarei transmitir a sensação de estar fazendo essa viagem no espaço, no tempo e no espírito, através da obra daquele que podemos chamar de continuador da obra ubaldiana, desfraldando ainda mais a nossa parca visão - visão de um espírito que anseia pelo absoluto...

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Notas e Referências:

[1] A vida consegue se contrapor à Lei da Entropia enquanto nasce, cresce e se desenvolve, viabilizando um desenvolvimento inteligente ímpar. 

[2] O espiritismo se apresentou como um consolo sem igual, servindo ao mesmo tempo para compreender os vários porquês da vida, sem negar o materialismo dos atomistas e o mecanicismo e cartesianismo.  

[3] As Jornadas de Junho, que se deram no Brasil em 2013, cujo catalisador foi ao aumento das passagens de ônibus nas capitais, capitaneada inicialmente pelo Movimento Passe Livre.

[4] Trata-se da arquitetura monista de Pietro Ubaldi.

[5] Jesus Cristo (João, 18:36).

[6] Alguns dos mais esclarecedores do processo que carateriza essa Lei suprema se encontram logo abaixo:

[6.1] Validar a Teoria 
         <http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2014/11/validar-teoria.html>
[6.2]  O Absoluto englobando o relativo 
         <http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2014/11/o-absoluto-englobando-o-relativo.html>
[6.3] Um ciclo, duas fases: pirâmide expansiva, pirâmide seletiva   <http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2014/11/um-ciclo-duas-fases-piramide-expansiva.html>
[6.4]  Fenomenologia dos Relacionamentos - parte 2 <http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/01/fenomenologia-dos-relacionamentos-parte.html>
[6.5]  Sistematização do Processo Evolutivo <http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/03/sistematizacao-do-processo-evolutivo.html>
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/03/sistematizacao-do-processo-evolutivo_27.html
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/03/sistematizacao-do-processo-evolutivo_81.html>
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/03/sistematizacao-do-processo-evolutivo_28.html>
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/03/sistematizacao-do-processo-evolutivo_9.html>
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/03/sistematizacao-do-processo-evolutivo_86.html>
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/03/sistematizacao-do-processo-evolutivo_40.html>
[6.6]  Era uma vez um escultor mágico e dois bloquinhos
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/04/era-uma-vez-um-escultor-magico-e-dois.html>
[6.7]  A necessidade da miséria (alheia*) para nos sentirmos bem - mas não sermos bons <http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/04/a-necessidade-da-miseria-para-nos.html>
[6.8]  Ascese mística traduzida em entretenimento 
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/04/a-ascese-mistica-traduzida-em.html>
[6.9]  Voltagem para amperagem 
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/05/voltagem-para-amperagem.html>
[6.10]  Matrix: uma visão místico-cósmica 
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/06/matrix-uma-visao-mistico-cosmica.html>
[6.11]  Reforma íntima integral 
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/06/reforma-intima-integral.html>
[6.12]  Busca infinita num mundo finito 
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/07/busca-infinita-num-mundo-finito.html>
[6.13]  A providência divina abraçando a previdência humana <http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/10/a-providencia-divina-abracando.html>
[6.14]  V: em busca da unidade das consciências 
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/10/v-em-busca-da-verdadeira-unidade.html>
[6.15]  A felicidade tranquiliza - a infelicidade inferniza <http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/11/a-felicidade-tranquiliza-infelicidade.html>
[6.16]  Ar-Água-Alimento-Abrigo-Afeto
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/11/ar-agua-alimento-abrigo-afeto.html>
[6.17]  A Lei de Deus
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2015/11/a-lei-de-deus.html>
[6.18]  Produção e Distribuição 
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2016/05/producao-e-distribuicao-parte-1.html>
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2016/05/producao-e-distribuicao-parte-2.html>
[6.19]  Ben-Hur e a natureza crística subjacente 
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2016/08/ben-hur-e-natureza-cristica-subjacente.html>
[6.20]  Gênese da sabedoria: a autoridade libertadora desatando os nós da liberdade autoritária <http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2017/04/genese-da-sabedoria-autoridade.html>
[6.21]  V's vituosos 
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2017/05/vs-virtuosos.html>
[6.22]  O advogado de Deus
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2017/06/o-advogado-de-deus.html>
[6.23]  Duas somas
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2017/07/duas-somas.html>
[6.24]  Os Miseráveis: queda e salvação 
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2017/07/os-miseraveis-queda-e-salvacao.html>
[6.25]  Emborcamento do rumo natural
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2017/08/emborcamento-do-rumo-natural.html>
[6.26] Ensaio sobre espaço, tempo e consciência (e seus desdobramentos)  <http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2017/09/ensaio-sobre-espaco-tempo-consciencia-e.html>
[6.27] Mecânica do milagre 
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2017/09/mecanica-do-milagre.html>
[6.28] Racionalismo em cheque 
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2017/10/racionalismo-em-cheque.html>
[6.27] Absoluto e relativo 
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2017/10/absoluto-e-relativo.html>
[6.28] O cineasta do evangelho 
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2017/12/o-cineasta-do-evangelho.html>
[6.27] Relatividade vertical, relatividade horizontal (RVRH)<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2017/12/relatividade-vertical-relatividade.html>
[6.28] Pensamento sistêmico: ponte entre técnica e misticismo <http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2018/03/pensamento-sistemico-ponte-entre.html>
[6.29] Estado de fluxo
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2018/04/estado-de-fluxo.html>
[6.30] Deus legisla, o Diabo executa, Cristo julga <http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2018/06/deus-legisla-o-diabo-executa-cristo.html>
[6.31] Vegetarianismo: questão de maturação evolutiva? <http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2018/06/vegetarianismo-questao-de-maturacao.html>
[6.32] Miracolo non ci aspetta - si crea 
<http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2018/07/miracolo-non-ci-aspetta-si-crea.html>

* essa correção pretendo fazer no título, de modo a ficar mais coerente com o fenômeno que se dá.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Quanta dor é necessária?

Inicia-se o ano de 2019. O autor ascende em níveis materiais, intelecto-culturais e espirituais. Novas engrenagens (tangíveis e intangíveis) começam a girar. Outras são geradas conceptualmente. O estado de ânimo e saúde estão altos e estáveis. O currículo se avoluma. A personalidade se constrói. A comunicabilidade salta e a capacidade de enfrentamento aumenta. As ideias fervilham.

No momento, três grandes frentes: estudo (preparo) de um curso para engenharia e outro de extensão; elaboração de ideias e redação de textos; revisões da tese. Em paralelo, a leitura de uma obra espiritual-científica [1], às noites. Em breve iniciar-se-à a continuação do curso pedagógico. De restante, filmes alternativos visando despertar a consciência, vida em família, uma viagem simples, para repouso da mente, gastronomia, músicas elevadas, ginástica, e muita vontade de criar. Isso sem contar com as condições profissionais.

Figura 1: Universalidade e Imparcialidade.
O ordenado é satisfatório e constante - pois vive-se de forma simples. As condições, adequadas. A possibilidade de crescer na carreira, boa. Trata-se sem dúvida de uma vida abençoada. Todos esses fatores levam o autor a um estado de gratidão - que se manifesta na forma de intensidade espiritual - indescritível, em que a responsabilidade pesa tremendamente. Esta, aliada à vontade infinita em desenvolver-se, é o motor psíquico-orgânico que sustentará as formações subsequentes. A situação de dever só aumenta. Quando se percebe o desmoronamento iminente e  inexorável da sociedade contemporânea, em que tudo o que se conhece por decência está ruindo no mundo, o ímpeto domina. É imperativo fazer o que deve ser feito: alertar o mundo e apontar para os exemplos, desde Ubaldi e até Rohden; de Lammenais a Gilson Freire; de Francisco (de Assis) à Francisco (o Papa); de Boulos a Duvivier; de Dowbor a Safatle; de Tiburi a Manuela; e muitos outros(as). É no Brasil que essa forma mental (tamásik-rajásik) adquire a forma mais caricatural, violenta, hipócrita e ignorante.

A subida ao poder de uma série de criaturas desalinhadas com qualquer interesse de desenvolvimento cultural, artístico, científico, desenvolvimentista, social, humano, tributário, agrário, por moradia, etc, marca o esfacelamento do que se conhece por Nova República (1988-2016), pautada por conciliações de classes - e especialmente parlamentares - em todos governos eleitos após a Constituição de 1988 - também conhecida como Constituição Cidadã. Alguns delas foram piores que outros. Mas nenhum deles rompeu tão explicitamente com a onda de evolução (lenta e ineficiente, porém consistente) que vinha permitindo a inserção de certas camadas da população em ambientes antes só reservados a uma classe. O processo teve um grande defeito: criaram-se consumidores, não cidadãos [2].

Por outro lado, é difícil implementar-se um ideal no mundo concreto (leia-se, instituições de poder e cultura) sem sujar-se no lodaçal humano dos esquemas, vícios e violências [3]. Isso é tanto mais verídico quanto menor o número de indivíduos engajados em apoiar àqueles alinhados com sua visão, situados mais no topo da pirâmide do poder (influência) político-econômico. De tal forma que, se aquele grupo ou indivíduo se vê no poder sozinho - junto com grupos não-alinhados nos princípios -, sem o devido apoio, integral, constante, intenso e criativo, de uma boa parte da população (uma massa crítica), a tarefa é titânica e de difícil realização. Com o tempo ela tende a degradar. 

Quem crê na melhora, pautando-se nos movimentos inciais do novo governo, se ilude. Os motivos são vários. Vejamos alguns.

(a) Estar preso ao grande aparato midiático por muitos anos e/ou décadas, que (de)formou a capacidade de selecionar informações e (des)construir conhecimentos;

(b) Temer se destacar do meio em que se vive, optando pelas "garantias" do mundo, tão tangíveis quanto imediatas. Desse modo a consciência é sufocada em prol do bem-estar, seja este psicológico, material ou social;

(c) Estar aprisionado aos instintos em grau muito alto, construindo uma racionalidade argumentativa que oculte os vícios e justifique os engessamentos mentais, sejam eles de indivíduo ou de grupo;

(d) Ter se tornado refém da digitalização e dos aparatos eletroeletrônicos, hoje tão abundantes quanto chamativos, indispensáveis às operações mais obrigatórias da vida, como pagar contas, declarar imposto, arranjar empregos e oportunidades, entrar em círculos sociais, entre outros.

Figura 2: Partidos com mais fichas sujas.
Extraído de: Folha de S. Paulo.
A onda anti-corrupção é uma cortina de fumaça que engana os incautos - e estes são muitos. Existem dados que comprovam os graus de corrupção por partido (dos inúmeros) e por setor (público ou privado). Mas as coberturas do horário nobre focam determinados acontecimentos, envolvendo usualmente o mesmo personagem e grupo(s), geralmente relacionados de alguma forma. Estudos comprovam isso de forma cristalina, mostrando que a grande mídia é tendenciosa [4]. Mas afinal de contas, por que afirmo categoricamente que ela é tendenciosa?

Vamos considerar o número de políticos, por partido, barrados pela Lei da Ficha Limpa (Figura 2). Se observarmos os dez maiores (do PSDB ao PDT), cuja quantidade de membros destoa mas não de forma gritante, percebe-se que o PT possui 18, que é 1/3 do PSDB, primeiríssimo colocado, com 56. E que o PMDB, que sempre controlou o legislativo, vem na sequência, com 49. Em seguida PP, PR, PSB, PTB,...Isso leva o leitor mais ponderado a se perguntar o porquê da mídia (e de tanta gente, a reboque da mesma) dedicar uma quantidade de tempo tão grande em detalhar e repetir (exaustivamente) as mazelas e defeitos do PT - que existem sim e não são poucos - ao passo que deixam em paz todo o restante do espectro político do país. Não é preciso ser muito inteligente para perceber que existe uma manipulação sendo orquestrada. Nessa trama, não se sabe exatamente o porquê disso - sabe-se apenas que ela existe, tamanho o descalabro entre informações factuais e sugestões que colimam em condenações fanáticas.

Figura 3: Participação percentual de cada base de incidência
na receita tributária total, 2013. Fonte: OCDE.
Uma outra informação pode dar ideia das causas da desigualdade em nosso país (Figura 3). Nela observa-se que o Brasil destoa do mundo, taxando pesadamente bens e serviços, pouquíssimo patrimônio e pouco a renda - que ainda se dá de forma desigual, com poucas faixas e teto pequeno, com atesta a Figura 4. Isso significa que aqueles que menos recebem (os pobres) devem pagar mais impostos, ao passo que a classe média também é prejudicada, tendo que pagar o mesmo percentual daquele que ganha muito. POr exemplo, um engenheiro que ganha 5 mil/mês já paga o teto do IR; um juíz que ganha 30 mil/mês paga a mesma proporção; um CEO de uma multinacional que ganha 400 mil/mês idem, e por aí vai...Isso significa que acumula-se cada vez mais quanto mais se ganha. Quem ganha mais acaba viabilizando ganhos ainda maiores no futuro. Porque aplicações financeiras possuem tributação baixa e não demandam nenhum esforço - por não produzirem nem bens, nem serviços, sejam eles tangíveis (comida, geladeiras, casas) ou intangíveis (cultura, conhecimento).

Figura 4: Rendimentos isentos e não-tributáveis dos
declarantes do IRPF tendo como base o salário mínimo
de 2013. Fonte: Receita Federal do Brasil.
Me é muito desagradável dedicar tempo e energia em descer a nível de assuntos tão elementares (e polêmicos, considerando o grau de cegueira que domina boa parte da população brasileira). Mas é preciso fazer o esforço de acordar os bem-intencionados em sono profundo. Convocar mentes e corações ao bom senso não equivale a cooptá-las a seguirem suas ideias- ou melhor, fazer os outros  pensarem como você ou eu. É simplesmente torná-los aptos a pensar. Portanto há duas maneiras de encarar os (poucos) fatos e informações inseridos aqui: como um ataque do grupo A (dos maus) contra o grupo B (dos bons); ou como um convite à reflexão. Neste último caso, não se nega a verdade do outro, mas adicionam-se novas informações, igualmente consistentes, destacando o contexto e revelando as nuances da natureza humana. Eis a proposta do Blog.

Pietro Ubaldi, Huberto Rohden, Albert Einstein, Allan Kardec, Isaac Newton, Ludwig Van Beethoven, Victor Hugo, Benedito Spinoza, Blaise Pascal, Giordano Bruno, e muitos outros iluminados que os antecederam, começaram a busca por esse monismo, seja através da astronomia, da matemática, da física, da música, dos espíritos, da filosofia,... de Deus. Adiciono a estes uma alma muito bondosa e competente, difusor e assimilador da Obra de Ubaldi: Gilson Freire, espírito de grande capacidade de discernimento, como sua jornada de vida pode atestar [6]. Por que cito esses grandes?

Aqui tento, através das dores sofridas e de uma vivência intensa, permear todos os assuntos que afetam de alguma forma minha psique e espírito, visando forjar minha personalidade. E como consequência, é natural apontar para os verdadeiros vetores do progresso, recém-citados.

É importante se dar conta de que as dores da atualidade somente cessarão com um novo rumo. É preciso admitir as verdades relativas (todas) para haver diálogo e compreensão. 


Figura 5: discernimento é manifestado pelo olhar da pessoa.
Eles são a janela da alma.
No momento estou fazendo uma viagem fantástica, formidável e prazerosa. Uma viagem no espaço, no tempo e na consciência [1]. Todas as noites me deleito e revivo os dramas e glórias da ciência, da filosofia e da religião, encarnadas em criaturas de personalidade ímpar, cujos feitos assombram em termos de magnitude e determinação. Fico confortado ao saber que os espíritos atrasados serão expelidos desta orbe ao terminarem suas vidas, ao longo desse século, para habitarem mundos atrasados e assim dar condições para que as boas almas deste planeta Terra possam trabalhar em paz para o progresso do mundo. Essa realocação será natural e inexorável, obedecendo leis do intangível, superiores a todas que conhecemos até o momento. Aqueles que dominam o mundo (megacorporações e bancos) e ditam as regras do jogo para seus capatazes (governos) tem pouco tempo. Não estão fazendo o seu trabalho, optando por confundir e distorcer a realidade para extrair os meios de vida da humanidade, enaltecendo a ideologia mais nefasta e destrutiva que esse mundo já viveu: o neoliberalismo.

Essa sim, é a verdadeira corrente mental que deve ser combatida. E os meios de vencê-la terão de ir além dos convencionais, pautados na argumentação e no materialismo científico...

A intuição, o amor e a vivência querem despertar.

Quanta dor mais será necessária para acionar essas engrenagens superiores?

Referências:
[1] FREIRE, Gilson. Arquitetura Cósmica. Editora INEDE, 2006. 
[2] https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46624102
[3] UBALDI, P. A Descida dos Ideais. FUNDAPU. 1965. Disponível em: https://teilhardianos.files.wordpress.com/2012/06/a-descida-dos-ideais-pietro-ubaldi.pdf
[4] Lula e o Massacre do Jornal Nacional. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/politica/lula-e-o-massacre-do-jornal-nacional/
[5] O Ranking dos Fichas Sujas. Disponível em: http://domacedo.blogspot.com/2012/09/o-ranking-dos-fichas-sujas.html
[6] http://www.gilsonfreire.med.br/

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

O Caminho do Meio

O Príncipe Siddhartha Gautama, que ficou conhecido como Buda (desperto), legou à humanidade lições de valor inestimável. Sua busca pela iluminação se traduz em viver de acordo com princípios superiores, focando todos os pensamentos, atitudes e ações, no longo prazo. Isto é, na edificação da alma. Ao mesmo tempo, não se esqueceu do corpo e da mente - entidades abaixo da alma em termos de indestrutibilidade. Por que? 

Buda possui ensinamentos que podem potencializar
nossa vida cotidiana, sentida e vivida. Só precisamos
nos sensibilizar para eles...
O monismo é a primeiro nível de consciência que não vê matéria e espírito como entidades distintas, com origens diferentes. Ambos são formas de manifestação da substância (divina), una, indestrutível, íntegra e boa. O que distingue ambas é que o espírito é uma forma (muito) mais sutil da substância em relação à matéria, manifestação grosseira e capturável pelos nossos cinco sentidos. O liame que estabelece uma relação íntima entre essas duas aparentes antíteses multimilenares é a energia, traduzido pelo dinamismo do universo. Tudo é um vir-a-ser (divenire). 

Nossas obras são inacabadas. Nossas teses, cursos, carreiras, relacionamentos, textos, linhas de pensamento e demonstrações de sentimento...Os projetos de vida verdadeiramente significativos, permeados de valor e impulsionados por forças desconhecidas, jamais cessam. Sempre estão em curso, ressuscitando ideias em nome do ideal - jamais ultrapassado. Buda trouxe à luz esse grande aspecto da vida. Característica fundamental de nosso universo material. A transformação se dá em vários níveis e modalidades, que acaba assumindo escalas de tempo e formas diversas. Do reino físico-químico às formas de vida orgânicas simples e complexas; destas ao psiquismo rudimentar, que se manifesta pela primeira vez no homem como razão; desta para os saltos vertiginosos, alcançando a estratosfera do saber e da vivência, através dos gênios e santos; deste para além, demandando uma vida cada vez mais significativa, próxima a um princípio diretor que tudo engloba, tudo coordena, tudo ama: Deus. Neste estágio um amplexo abarca cada instante da vida do ser, tornando-o um espécime diferenciado ao grau mais alto.


Nosso jovem príncipe começou a se inquietar com a questão da vida e da morte, da dor, do sofrimento e da finitude humana desde cedo. Aos 19 anos começou e perquirir sobre o sentido de tudo isso. Por que existe a dor? Por que todos morrem? Por que essa finitude que delimita um destino fatal, a despeito de todos esforços humanos em eternizar a forma, o corpo, as teorias? Nascido na riqueza e vivendo na riqueza, com todas garantias e glórias terrenas, esse homem sentiu as limitações de tudo, e como processo natural começou a maturação interior sobre essas questões. Queria uma explicação - que o mundo não tinha formulado. Assim, aos 29 anos Siddhartha, príncipe bem casado, com uma bela esposa e filho recém-nascido, abandona seu palácio e se lança ao mundo. Por escolha própria se atirou ao desconhecido, sabendo apenas o que não queria. 

Podemos separar a vida do príncipe em duas partes antes de atingir a iluminação e se tornar um Buda.

A primeira delas foi a vida no palácio, de forma consciente (19 aos 29 anos). Aí ele, na flor da idade, dispõe de todos confortos e autoridade, toda beleza e garantias. A segunda ocorre após o abandono do lar, caracterizada pela vida ascética, negando tudo que o mundo oferecia, passando fome, dormindo ao relento e sem posse alguma, nem sequer vestimenta decente. Essa fase é mais curta, porém muito intensa e de grande valor (dos 29 aos 35 anos). Nela o (ex-)príncipe saboreia o outro pólo da vida, se tornando um pária, sem família, maltrapilho, sujo, fedido, esfomeado, recusando tudo que provêm do mundo, que é Maya (a grande ilusão) [1].

Em meios a tantas privações, meditação profunda. A dedicação para as coisas intangíveis era total. Em busca do imperecível, íntegro e infinito, Gautama se dedicava o máximo possível à entrar num estado de interiorização. Mas sempre era impedido de atingir o ponto máximo (nirvana).

"De acordo com os textos mais antigos,[40] após ter alcançado o estado meditativo de jhana, Gautama estava no caminho certo para a iluminação. Mas o seu ascetismo extremo não funcionou e Gautama descobriu o que os Budistas chamaram de o Caminho do Meio, o caminho para a moderação, afastado dos extremismos da autoindulgência e da automortificação. Em um famoso incidente, depois ter ficado extremamente fraco devido à fome, é dito que ele aceitou leite e pudim de arroz de uma garota chamada Sujata. Tal era a aparência pálida de Siddhārtha, que Sujata teria acreditado, erroneamente, que ele seria um espírito que lhe realizaria um desejo." [2] (grifos meus)

Aí ele solucionou o grande "x" da questão: os extremos não possuem a solução. Se ele pudesse traduzir o que viu, de relance, provavelmente afirmaria que estava tentando atingir o infinito e eterno através de um outro pólo do mundo. Essa é uma mentalidade separatista, negadora de todos aspectos de um grupo de finitos (ex: riqueza) - e adoradora total de todos aspectos de outro grupo de finitos (ex: miséria), caracterizado por um grau de consciência dualista. Não. Seria necessário transcender esse separatismo, abraçando o divino de tudo e todos, e rejeitando o mundano - de tudo e de todos. Eis o monismo!

Equilíbrio. Nem recusar (ascético) nem abusar (tipo médio).
Mas usar corretamente (evoluído).
Todo mundo possui uma verdade em seus discursos, ações, atitudes, valores. Até mesmo nossos piores inimigos possuem um ponto de vista a favor da vida (e vice-versa). Para ver isso é preciso se desprender do nosso Ego humano (binômio corpo-mente), colocando-nos em sintonia com o nosso Eu divino (binômio alma-espírito). Nada é mais difícil do que realizar esse salto. Mas o que é mais interessante: podemos caminhar para esse estado de consciência através dos trabalhos que realizamos no mundo. Isso inclui sociabilização, vida profissional, estudos, afetos, obrigações, etc. Perceber isso é começar a compreender o que é o Caminho do Meio [3].

Eu já li algumas obras a respeito dessa jornada. No entanto é preciso vivenciá-la. Para isso é mister observar sua vida (dobrar-se sobre si mesmo) e perceber que aspectos de sua conduta (intenções) estão em sintonia com o Nobre Caminho Óctuplo [4] - os meios para chegar a esse equilíbrio. 

Quais são esses meios?
  • Compreensão correta - compreender as coisas em sua intimidade, real significado.
  • Pensamento correto - evitar causar o mal tanto nas ações quanto no pensamento.
  • Fala correta - Pronunciar apenas o necessário, quando requisitado. Não fofocar nem mentir. Ter discurso construtivo e conciliador.
  • Ação correta - Evitar a destruição da vida em todos sentidos. Abster-se de conduta sexual imprópria. Não tomar o que não foi dado.
  • Meio de vida correto - Profissão e carreira em harmonia com os princípio de Buda. Sempre visar um trabalho construtivo, em prol da vida e evolução, seja qual meio usar.
  • Esforço correto - Abandonar estados (de mente) prejudiciais. Cultivar a serenidade da mente.
  • Consciência correta - percepção apurada do corpo, dos pensamentos, da fala. Se observar a partir dos outros.
  • Concentração correta - Foco mental. Não se abalar com as agitações da superfície. 
Usá-los irá nos redirecionar na vida. Precisamos estar sempre nos relembrando de tudo isso. Isso nos levará a ter uma aceitação melhor da realidade - por mais cruel que seja. E com isso poderemos agir de modo mais orientado, sem nos deixar abalar pelas inquietações adjacentes, pelas ameaças e pelas ofertas de recompensas. Estaremos trabalhando na profundidade do oceano, deixando o mundo perceber por si só a grande verdade: que desesperar-se na superfície das ondas durante as tempestades - e festejar a ausência das mesmas - é pura perda de tempo que drena energias para o que realmente interessa. Isso venho percebendo com a vida - e experimentando através de minha existência [5].

Meditar é um meio poderoso para seguir o caminho do meio.
Mas novamente: é preciso de dedicar a atividade.
Dedicar-se a algo implica em reconhecer seu valor.
Quando a pessoa começa a perquirir e experimentar esses preceitos sagrados, de forma séria, - como fazemos com nossas obrigações mundanas - os resultados começam a ficar evidentes. Cria-se um ciclo de realimentação positiva, que tende a nos dar uma segurança crescente no caminho seguido, oferecendo simultaneamente conselhos (implícitos) para redirecionarmos nossa busca, para que ela fique menos dolorosa. Mas não para por aí. Há outras vantagens interessantes no pacote oferecido por Buda.

Existem muitas personalidades brasileiras que admiro. Cito algumas elas com certa regularidade aqui neste espaço: V. Safatle, R. Requião, M. Tiburi, L. Boff, E. Marinho, J. Souza, E. Moreira, L. Dowbor, G. Boulos, G. Duvivier, J.P. Stédile,...Mas é importante nunca nos prendermos de forma absoluta a uma ou algumas delas. Concordar com 100% das visões, ideias e métodos de alguém pode indicar que atingimos um limite de discernimento. Por melhor que alguém seja, por mais incrível que seja seu esforço em melhorar o mundo e a si mesmo; por mais criatividade e ousadia inteligente que alguém transborde, é imprescindível percebermos as limitações dos mesmos para que o progresso jamais cesse. Porque aí reside a gênese dos cultos e rituais e repetições. 

Alguém como (por exemplo) Eduardo Marinho é um ser formidável em vários aspectos, cuja contribuição para a difusão de verdades (pouco exemplificadas e ditas diretamente) é dificilmente igualável. Trata-se sem dúvida de um ser que teve a sinceridade e seriedade de iniciar e manter sua busca pelo significado da vida. Me sintonizo com a maioria das ideias dele e admiro sua coragem em enfrentar a realidade a partir de uma posição que lhe seja mais sincera - consigo mesmo. No entanto existem pontos sensíveis em que não compartilho de sua visão. 

Vejamos alguns aspectos baseados numa síntese de sua trajetória íntima, apresentada numa bela entrevista (que recomendo a todos(as)!) [6], disponível logo abaixo.



Suas atitudes e percepções estão plenamente de acordo com o que sinto a respeito do mundo. No entanto, não concordo plenamente com ele quanto a se desvincular de todos os valores sociais, que seria condição sine qua non para atingir uma plena libertação de ser e agir.

Num trecho da entrevista ele relata a alegria dele e de sua companheira ao saberem da gravidez da mesma. Ambos saíram nas ruas para festejar, pulando de alegria. Não tinham moradia, nem plano de saúde, nem emprego fixo, nem reservas financeiras, nem nada. Ele admite a irresponsabilidade - mas justifica-se (afirmando o que eu explicitei no parágrafo anterior, entre aspas).

R. Requião é (era) senador da república. Tem posses, é bem remunerado, se veste e se alimenta decentemente. Estudou. No entanto, não o vejo como alguém que cedeu ao mundo e em troca acabou perdendo a sua capacidade de ser e agir de acordo com sua consciência - como demonstram seus discursos e seu exemplo de vida pública (e privada), de forma cristalina [7]. É claro que existem normas a serem seguidas. Ter de conviver mais perto de pessoas com intenções espúrias. Mas o seu poder de alcance é muito maior do que de E.Marinho. Tanto em termos de legislar em prol do desenvolvimento econômico, da justiça social e da cultura, quanto em fazer frente a políticas de retrocesso. Não podemos ignorar esse outro aspecto a vida.


Todas pessoas que sentem um ímpeto evolutivo realizam um trabalho edificante - seja qual seja sua forma. Essas pessoas podem ter vidas muito diferentes em termos de posses, renda, alimentação, raça, escolaridade, especialização, discurso, etc. Mas nenhuma dessas características são gritantes, isto é, constituem uma ofensa à humanidade. Requião tem quase 80 anos e não para de trabalhar. Ele faz jus a seu salário. E tem uma visão integradora. Assim como L. Dowbor, operando na frente acadêmica. E Florestan Fernandes Jr., no jornalismo. 

Boulos tem uma ação "pé no barro", combinando ideias coerentes entre si, ação social construtiva e engajada, e vivência sintonizada com o que fala. Podemos afirmar o mesmo de J.P. Stédile. E muitas outras lideranças quilombolas, indígenas, ecológicas, espiritualistas, etc. De modo que todo ser humano com envergadura espiritual realiza seu trabalho em prol do infinito, cada qual de modo adaptado à sua personalidade.

Isso é exatamente o que significa o Caminho do Meio. É reconhecer as potencialidades construtivas das múltiplas finitudes e relativos. Pessoas são diferentes na superfície. Mas se elas estiverem operando em prol de um princípio superior, que muitos às vezes nem reconhecem e (portanto nem) sabem descrever, precisamos valorizá-las e aprender com elas - mas ao mesmo tempo nos capacitar a discernir suas limitações, expô-las e procurar apresentar uma alternativa que supere essa limitação.

Não se trata aqui de limitar grandes personalidades, e sim de entrar no mesmo nível vibratória que as fizeram ser o que são: grandes almas a serviço da ascensão. 

Discernimento é a chave para atingirmos esse equilíbrio, que nos posicionará no seio do vórtice evolutivo, nos alçando a patamares inimagináveis - e assim nos capacitando a entrar na primeira fileira de operários do progresso.

Buda nos brindou com esse grandioso conceito de vida há mais de 25 séculos. 
É hora de assimilá-lo com toda intensidade. 
Os tempos exigem isso!

Referências:
[1] https://aframramatis.org/artigos/maya-a-grange-ilusao-mantida-pela-danca-de-shiva/
[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Sidarta_Gautama#Partida_e_vida_asc%C3%A9tica
[3] https://pt.wikipedia.org/wiki/Caminho_do_Meio
[4] https://pt.wikipedia.org/wiki/Nobre_Caminho_%C3%93ctuplo
[5] http://leonardoleiteoliva.blogspot.com/2018/12/um-salto-de-fe.html
[6] https://www.youtube.com/watch?v=iqFOmq_9TR8
[7] https://www.youtube.com/watch?v=e8WNXYeQnSY