domingo, 5 de janeiro de 2014

O ARTISTA

Um filme em P&B e mudo. Filmado em 2011. Uma história simples com um tema universal. Um bom elenco. Nenhuma grande pretensão. Eis os elementos fundamentais de um filme que conseguiu chamar a atenção de muita gente e ganhar cinco Oscar – prêmio que pode não ser o máximo em termos artísticos, mas ainda é um bom termômetro de filmes bons.


"O Artista" (cartaz)
1927. Vemos o ator George Valentin (Jean Dujardin) no auge de sua carreira. Um artista mudo que domina a dança, as expressões e a mímica. Boa pinta, rico e famoso. O artista do momento. Uma posição com a qual ele já se habituou.

Na saída de uma de suas Premières, nosso artista acidentalmente se esbarra com uma de suas fãs, – ou ela se esbarra nele – Peppy Miller (Bérénice Bejo). Ele reage graciosamente. Ela fica feliz e lhe dá um beijo na bochecha no auge dos flashes fotográficos. A partir desse encontro uma série de coincidências passam a permear a vida dos dois personagens.

Talvez inspirada pelo ocorrido, Peppy decide tentar a sorte na indústria cinematográfica. E aí tem início a carreira dela no Cinema. E junto com esse alvorecer, surge um novo protagonista: o som.

O advento do som rompe paradigmas no arte cinematográfica. Agora era preciso dominar a arte da fala para se destacar nas telas. Para uns era o término da carreira. Para outros, se tratava da salvação de tempos insossos ou o início de uma verdadeira carreira. Valentin se encaixava no primeiro caso. Miller no último. Auge e queda para um. Início e ascensão para outro. Eis que o início de uma bela relação é chacoalhada violentamente pela mudança dos tempos. O novo cinema se coloca entre os dois protagonistas.


Peppy Miller assistindo cenas de um filme bom.
É interessante (e real) perceber que uma pessoa pode atingir o clímax na vida (pessoal e profissional) e, em poucos anos, chegar a um estado de depressão absoluto. Unicamente devido às mudanças do mundo. Mudanças essas iminentes e irrefreáveis.

George começa a desaparecer de cena. Seu nome migra dos jornais famosos para as memórias das pessoas mais antigas. Seu trabalho diminui. Seus contratos acabam. Sua rejeição à nova tecnologia o colocam fora do ramo. Pouco a pouco. Paralelamente, Peppy ascende rapidamente, atingindo o status de estrela. Ela é o novo. O futuro. O jovem. É o que o público, a mídia e – consequentemente – os produtores querem. Ela é independente e influente. No entanto, apesar de todo dinheiro e fama e juventude à sua volta, sua felicidade só pode ser completa com George.

Confesso que esse sentimento – irrefreável como a chegada do cinema falado – de amor que Peppy sente por George se assemelha mais a um conto de fadas do que a uma possibilidade real em nosso mundo (e no mundo deles). No entanto, esse é uma das finalidades da Sétima Arte: ELEVAR o espectador. Isto é, fazer as pessoas crerem na possibilidade de um mundo melhor, em que existam sentimentos profundos e no qual a sinceridade prevaleça sobre a teatralidade. Pelo menos isso é o que o Cinema sempre significou para mim.

Por 'acaso' (ou melhor, propositalmente), trata-se de apresentar uma comovente história através da forma antiga de filmar – mudo e P&B. E com o sucesso de bilheteria do filme, constata-se que essa forma de fazer filme, apesar de ter caído em desuso e não ser praticável em massa nos dias atuais, ainda possui sua capacidade de encantar plateias.

E lembrar às pessoas de como era o passado da Sétima Arte.

E de como os seres humanos podem ser.


Trailer em:
http://www.youtube.com/watch?v=OK7pfLlsUQM




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