Um blog que é tudo e nada.
Poesia científica.
Fé raciocinada.
Ciência orientada para a unidade.
Vários assuntos esmiuçados tendo por base o sentimento nas profundezas da alma e possibilidades do futuro. Deste sentimento chega-se às análises do mundo cotidiano, sentido e valorizado.
A mensagem verdadeiramente importante deve anular quem a transmite, que nada mais é do que uma ferramenta de ideias.
As barreiras que se impõem inexoravelmente àqueles que decidem adentrar em matagais conceituais densos, cheios de armadilhas, - e obviamente sem o apoio da compreensão humana - são variadas. Elas crescem à medida que se avança. Todos morrem nesse caminho. Uns antes, outros mais adiante. O desgaste é iminente. A demanda por criatividade, permanente. Continuar em certas trajetórias demanda mais do que coragem, mais do que inteligência. Exige uma ousadia inteligente temperada com uma pitada de fé.
Fé vem do latim fides, que significa "fidelidade", qualidade de quem é fiel (a algo/alguém). É, segundo Huberto Rohden, a capacidade de sintonizar com uma fonte que transcenda a capacidade cognitiva, isto é, estar ligado de alguma forma a algo que vá além do mundo tangível, compreendido em larga medida através da objetividade - um dos pilares do pensamento racional-analítico. Para os romanos "fé" significa a materialização da palavra proferida, ou seja, uma declaração cumprida, concretizada.
É preciso enfrentar a ignorância e abraçar a fé.
Photo de Andrey Zvyagintsev (Unsplash).
Fé não é crença. Enquanto a primeira é dar um salto da razão rumo às misteriosas sobras do porvir, a última é acreditar em algo que lhe foi narrado por terceiros. A primeira é um ímpeto de coragem em busca de criatividade. A segundo é um freio da liberdade que gera uma repetição e engessamento de comportamentos.
Levando isso em consideração, possuir uma pitada de fé é ter um grau mínimo de sintonização com algo absolutamente belo, bom além do compreensível, e infinitamente forte.
Vamos por partes..
1. O que é absolutamente belo?
Ou seja, belo sob todos os pontos de vista, em todas as épocas, para todas as culturas e em qualquer lugar. Apenas algo que não esteja sujeito às vicissitudes desse universo imperfeito (mas em evolução!). Algo que não esteja sujeito às suas leis, apesar destas revelarem características desse objeto desconhecido (belo), de forma que esse conceito esteja na multiplicidade das leis, e estas sejam manifestações relativas dessa grande beleza.
2. O que é bom além do compreensível?
Traduzindo: um algo que possui uma capacidade natural de beneficiar a tudo e a todos, em todos os momentos, da forma mais inteligente possível, dando musicalidade à marcha evolutiva do universo, da vida e da consciência. Resposta: Apenas algo que respeite as imperfeições de um universo atrasado. Para isso o acasalamento desse bom perfeito (além do compreensível) com as bondades relativas (e consequentemente, maldades relativas) deve se dar de forma a degradar a manifestação do primeiro em prol da elevação do segundo.
Perceba: o que é infinito, quando se mescla ordenadamente com o finito, deve gerar como produto alguma coisa tangível (mesmo que não para todas formas de vida), compreensível (mesmo que não para certos níveis de consciência) e portanto reconhecível para indivíduos e sociedades que atingiram o grau requerido para assimilar um novo fenômeno - seja este físico, dinâmico ou psíquico.
A simbiose do além (para todos) com o aquém (de uns ou de outros) é o fenômeno responsável pela famigerada evolução. Ela que dá a característica de espiral à nossa trajetória.
A Trajetória dos Movimentos Fenomênicos.
Quando algo novo desce a este mundo, inicia-se uma batalha titânica entre forças consolidadas do Anti-Sistema (AS) com os resplendores tangíveis que revelam um pouco a mais do Sistema (S)*. Tudo que não pode ser minimamente capturado pelo intelecto assusta e gera medo. Aquilo que não pode ser sentido é considerado quimera, alucinação. A primeira reação é ignorar. Depois, à medida que a "doença" se manifesta, as reações começam a ficar mais claras, adquirindo agressividade. Mas por mais percalços que sofra, a nova encarnação morre e renasce, morre e renasce, em vários corpos, assumindo formas diferentes, que exprimem o conceito central de forma cada vez mais elegante, lógica e atraente...Este é o fenômeno evolutivo em sua tradução mais pura (até o momento). Pietro Ubaldi nos brindou com a mais completa síntese do conhecimento e do amor.
3. O que é infinitamente forte?
Ou seja, há de fato algo que possa resistir a qualquer evento, processo, fenômeno, permanecendo sempre igual? Se sim, é por ser perfeito. Logo, o infinitamente forte deve ser perfeito. Como inexiste perfeição em nosso universo (AS), esse algo infinitamente forte só pode pertencer a outro universo, que é perfeito como esse algo (S).
A ideia que fazemos de Deus está vinculada às nossas características. Expandimos nossas virtudes ao máximo concebível para elencar os atributos de Deus. Damos forma à Ele (como se ele tivesse forma...). Damos características humanas (raiva, ciúme, sensação de ofensa), já rebaixando-o. Á medida que o ser evoluiu, a noção de Deus vai ficando cada vez mais clara. Desmaterializa-se. Cai o antropocentrismo. Compreende-se enfim que Ele é, no fundo, extremamente obediente à Sua Lei - pois ele É A Lei.
Mas como?, pergunta você. Se ele é Todo-Poderoso, poderia derrogar a qualquer momento suas leis para auxiliar os justos. Certo? Errado.
Ok, Oliva...você está delirando. Até acho seus ensaios inspiradores e (ao mesmo tempo) fortemente embasados na lógica e com forte respeito à toda(s) ciência(s) (além de poéticos). Mas aqui você foi longe demais...
De modo algum. Porque a Lei é Sua natureza. Se a Lei é intrínseca a Deus, como pode Ela ser imperfeita. Tudo que provêm de Deus é Perfeito. Logo, Sua Lei também o É, o que nos leva à conclusão que não precisa ser remendada ou derrogada por Ele. Sim..Quando essa visão preencheu meu Ser, alguns anos atrás, senti uma felicidade transbordante e inexprimível. E Ubaldi explica em detalhes essa questão, que é impossível àquele bem-intencionado não se preencher de alegria - e passar a permear toda sua vida cotidiana com esse princípio. Uma conquista do espírito!
Gerei este texto para iniciar o ritual fúnebre pelo qual a humanidade deve passar - e iniciar por conta. É a morte de uma forma mental que não mais satisfaz os anseios nascentes de uma nova humanidade.
Para renascer é necessário morrer.
Sem destruição não há criação.
Sem perda não há ganho.
Sem morte não há vida.
Ao menos aqui, no Anti-Sistema...reino da dualidade preenchido pelo espaço-tempo e pautado pelo relativo. Reino em movimento perpétuo.
Mas não há de se temer a morte, pois ela traz em si as condições para novas formas brotarem.
Necessitamos de um novo modelo de civilização. E para isso é mister conquistarmos uma nova consciência.
É preciso sentir a urgência dos tempos. A beleza dos gestos simples. A potência da vida simples. A emoção do estudo apaixonado e da pesquisa ousada. É preciso ir além de tudo - respeitando o bom já consolidado pelas instituições. É preciso manifestar todas as nossas intenções e ideias, boas e ruins, complicadas ou não, para realizarmos essa limpeza emocional e mental. Ficaremos mais leves e prontos para zarpar rumo a novos continentes, cujas belezas já poderão ser vistas com os olhos sendo gerados neste momento.
É preciso perceber a riqueza gerada pela eficiência. É preciso perceber que a maturação íntima lhe dará uma capacidade de penetração muito maior nas selvas da cultura, da ciência, do pensamento, da sociedade e da arte, do que a busca desenfreada por atualizar-se, por informar-se, por participar de tudo possível a todo momento - pensando em posições e garantias.
É preciso compreender que a ciência e tecnologia de hoje já é capaz de resolver problemas fundamentais que sempre assolaram a humanidade. Fome, doenças, guerras, violência, poluição, desentendimento,...tudo pode ser eliminado. Basta adquirir consciência de que há suficiente recursos e oportunidades para que todos possam se realizar ao grau máximo. Jacque Fresco percebeu isso - e muitos outros(as). O vídeo abaixo, Building an Abundant Future, da Singularity University, dá uma ideia.
É preciso dar um salto de fé rumo ao abismo que se apresenta.
Quem fala já deu um salto desses (pequeno...mas efetivo).
E diz: vale a pena...
Observações
* É recomendável conhecer a Obra de Pietro Ubaldi para absorver por completo o significado que o autor deseja passar.
Quanto vale a imortalidade para você? Viver indefinidamente, sem morrer, mantendo o estado orgânico e psicológico dos seus melhores anos. Aparência saudável, robustez física, agilidade mental, rapidez verbal. Vitalidade...E se, além disso, lhe fosse possível possuir outros atributos? Como, por exemplo, uma memória enorme e uma velocidade de processamento de informação ímpar - que nenhum ser humano jamais teria condições de exibir. Em suma, uma ampliação das capacidades físicas e intelectuais.
Nosso desejo oculto em vencer a inexorável irmã morte pode ter vitórias. Mas elas são raras - e temporárias. Mesmo com muitas sagacidades, chega o momento de cedermos e partirmos para outras regiões - ou para o 'nada', a depender da crença da pessoa. Esse desejo ardente em se imortalizar se encarna em nossas criações.
Todas construções humanas expressam uma vontade que jaz no recôndito da alma humana. O subconsciente é um manancial de comportamentos incompreendidos que possui força hercúlea e ímpeto romano. Essa fonte obscura, que age de tal forma que nosso consciente pouco consegue controlar e compreender, possui muito a nos ensinar - sobre nossa natureza. E é dele que parte (digamos) a inspiração para exteriorizar nossas vontades, seja em forma de invenções, de teorias, de obras de arte, de correntes de pensamentos, de mitos da criação ou atos de amor.
Homem Bicentenário (1999).
Desde a aurora das civilizações a humanidade cria máquinas.Somos a única espécie efetivamente exossomática - ou seja, que produz instrumentos cuja finalidade é estender as capacidades corporais e intelectuais. Começamos criando ferramentas simples. Depois chegamos às máquinas mecânicas. Depois às eletromecânicas. Inserimos os computadores nos processos. Inventamos máquinas que fazem máquinas e são capazes de tomar decisões. Decisões que nós, em condições normais (isto é, adversas... jamais ideais), com nossa bagagem de emoções incompreendidas e incompreensíveis, jamais seriam tomadas de maneira sábia. Ao criar essas artificialidades eficientes e sedutoras, confessamos que somos criaturas limitadas. Mas ao mesmo tempo, com isso, apontamos para outros horizontes.
A capacidade de sentir à fundo as coisas que ocorrem à nossa volta - e ocorreram em nossa vida, seja no plano material, financeiro, profissional, afetivo ou intelectual - é uma conquista biológica de um número (ainda) pequeno de criaturas. Criaturas que, perseverando nessa trilha, estão consolidando um novo tipo de inteligência que lhes dará um potencial de transformar sua realidade. E a realidade de seus irmãos - se estes ao menos compreenderem do que se trata.
Estou usando o período de isolamento para mergulhar em estudos e melhorar a qualidade de minha vida. Desenvolvi o hábito de: (a) caminhar ao menos 6 dias por semana, fazendo exercícios leves ao menos uma ou duas vezes; (b) preparar dois cursos de engenharia (estudando-os), em média dedicando 3 a 4 horas por dia a isso (domingo a domingo); (c) cozinhar (hoje fiz um belíssimo pão italiano); (d) ler e estudar autores renomados (recentemente terminei de ler um livro de Eric Hobsbawm); (e) manter um mínimo de trabalho obrigatório (reuniões, atendimento à distância aos alunos); (f) conversar (por telefone) com meu pai e esposa e; (g) assistir a filmes novos. Às vezes, revejo um filme do passado que ficou marcado em minha memória.
Ontem vi pela segunda (ou terceira) vez Homem Bicentenário (1999), estrelado por Robin Williams. É a história de um objeto que se torna sujeito. É a história de uma coisa que se revela uma pessoa. E não apenas uma pessoa, mas um ser de valor, com uma capacidade evolutiva fora do comum. É como se a potência do artificial estivesse à serviço da leveza do natural. Uma consciência brotando numa máquina...num robô? Sim.
Desde o primeiro 'contato' com a família Martin, um mal-entendido já lhe gera um nome. De androide passa a ser denominado Andrew. O batismo coincide com o principio (inexplicável) espiritual já contido naquela série de circuitos e rearranjos eletromecânicos que formam um robô destinado à servir as famílias.
A beleza de Homem Bicentenário está em revelar que o verdadeiro desejo está em se alinhar com a forma de vida material capaz de expressar os valores eternos do espírito, com todas suas idiossincrasias e ambiguidades. Ambiguidades por estarmos em busca perpétua, caminhando e superando formas mentais. Quebrando paradigmas e assimilando habilidades, conhecimentos e experiências. Nesse filme não é o humano que quer se tornar uma máquina, mas sim a máquina que anseia por se tornar humana. É o desejo de ser menos quantitativamente para ganhar mais qualitativamente. Viver a condição humana para vislumbrar as possibilidades dos espíritos que estão albergados em forma humana. Nosso estágio atual é humano. É complexo e lida com um equilíbrio de forças (Sistema x Anti-Sistema) que gera comportamentos contraditórios. Mas é um estágio..E Andrew, aquele que está robô mas não é robô, percebendo tudo isso, inicia sua jornada por adquirir a vestimenta que melhor expresse sua natureza.
A moça e seu amigo mecânico.
Antes de tudo (e percebam quanta beleza): a evolução se dá no ritmo da vida, lenta mas firme; incerta mas criativa. Os períodos são longos. Para Andrew, é preciso mergulhar numa outra relação com o tempo para conseguir alinhar suas essência com sua existência. É preciso demonstrar, apesar de todas impossibilidades e resistências, seu valor. Conquista a simpatia de uma família em tempo relativamente curto. Ganha o coração de alguns com os anos e décadas.
A agilidade da evolução tecnológica deve passar a firmeza da inércia humana, dobrando-a, para que os tempos sejam maduros para que o que deveria ocorrer ocorrer de fato. Isso explica o porquê de Andrew não ter podido ter uma vida a dois com a Little Miss. O distanciamento era imenso em termos de normas sociais, legislação, possibilidades de intercâmbio orgânico, rotinas e prioridades. No entanto, o que interessava era quem era a pessoa com que se desejava passar os resto da vida. Mas isso, no mundo presente, tem pouco peso nas decisões.
Andrew é alimentado pelo chefe da família (Sam Neil), que fornece todas as condições para a emancipação de Andrew, visto como um robô até mesmo por aquele que queria humanizá-lo. Como se vê, o senso de posse se revela mesmo nas pessoas mais bondosas e com muita sapiência na condução da vida. Isso não rebaixa o personagem do pai, mas sim humaniza-o. Podemos ver Andrew como uma espécie de filho 'especial' - ao menos aos olhos do pai - que adquire a capacidade de tomar suas próprias decisões. Eis que a máquina de autonomia circunscrita ao âmbito do controle humano se vê verdadeiramente livre, podendo ditar o rumo de sua trajetória.
Existem trechos pouco realistas no filme, sim. Andrew persuade muito facilmente Portia (a neta de Little Miss) a se casar com ele, no terço final do longa. Mas, ao mesmo tempo, o filme não pode explorar com o devido grau de realidade todas as nuanças da vida. Esse não é o escopo dessa obra. Obra que é um poema audiovisual que condensa em uma situação particular o valor da experiência humana nesse universo. Temos aqui um filme que deve ser visto, pensado e refletido. Mas sobretudo sentido.
É muito gratificante sentir lágrimas correrem pelas faces em certas cenas, que fecham uma grande visão de uma realidade profunda. É nesse momento que podemos nos lembrar de nossa identidade - ou ao menos traços que levem a ela.
Em O Homem Bicentenário, o espírito pousou no artificial, humanizando-o. E assim, chegando nesse estágio, pôde morrer, continuando seu caminho, junto a nós, num ciclo que só terminará com a espiritualização completa de todo nosso ser...
Através do tempo é possível ir aglutinando uma quantidade crescente de informação a respeito dos rumos que esse país vem tomando. Quando falo "esse país" me refiro ao destino da imensa maioria (99% ou 99,9%). Destino cada vez mais conduzido por intercâmbio de misérias - sejam elas consideradas como tal ou não. O fato é que a humanidade reluta em adquirir um mínimo de consciência a respeito do que realmente ocorre no mundo. No Brasil isso me parece mais grave. Parece que quanto mais "garantida" uma pessoa está, mais essa pessoa tende a fazer vista grossa dos problemas mais dolorosos, cuja causa reside na estrutura sistêmica - que se perpetua através de um modelo mental pautado no ódio, no gozo ilimitado, na falta de memória e na covardia.
Quando falo "covardia", me refiro àqueles(as) incapazes de tomar qualquer postura a respeito do que vem ocorrendo à sua volta. Seu medo (em perder sua imagem de pessoas "sérias", "alinhadas com o progresso", com as "tendências da modernidade", etc.) é tão intenso que, ao menor sinal de denúncia da realidade das pessoas é vista como algo a ser evitado. Ignora-se por não se saber encarar a realidade de frente. É triste constatar o que já se sabia há muito tempo, por vias intuitivas: quanto mais misérias materiais, de instrução, de títulos, de cargos, de ocupações, de remunerações relativamente boas, de opções de lazer (e aí inclua clubes, sexo desmensurado, comida industrializada, seriados, fofocas, carrões, casarões, viagens carrões, etc.) temos ao nosso alcance, menor a tendência a nos engajarmos num processo de transformação. Claro...existem exceções. E os graus de adesão à miserabilidade de uma vida de confortos também varia.
O centro diretor tende a se tornar cada vez mais apto a
capturar realidades do espírito. No humano, chegamos-se ao
auge em termos orgânicos. Agora a evolução se torna cada
vez mais intangível.
Minha postura em relação à vida é muito simples, muito clara e muito aberta: me conscientizar cada vez mais a respeito da nossa origem, nosso destino, a dinâmica da dor e do processo evolutivo. Conhecer mais profundamente, vivendo, a Lei de Deus. É preciso (se) vigiar constantemente. E observar o comportamento dos semelhantes. Seus medos, reações, gestos e atitudes ficam muito triviais a partir de um momento. Ver à fundo o oceano da realidade traz à superfície a verdadeira deficiência coletiva - que insistimos em manter. De repente o livre-arbítrio humano se torna um determinismo triste. Determinismo que os poderes conhecem muito bem, a gerenciam - tal qual um cientista de laboratório controla as condições, durações e tipos de resultados que deseja de seus experimentos. Esse gerenciamento é feito através da mídia. Sim: somos escravos dos meios de comunicação E da maioria.
O ser humano moderno aprendeu que se pautar pelas tendências coletivas traz acesso a várias comodidades. No entanto ainda não percebeu que num dado momento esse comportamento começa a lhe trazer uma cristalização das possibilidades que seu íntimo almeja.
Após subirmos um andar na escalada evolutiva, a tendência é assimilarmos tudo de útil daquele piso, incorporando em nossa personalidade o que os desafios (dores) tem a nos oferecer. Saber usar as novas capacidades intelectivas (razão) e sensíveis (intuição), coordenando-as, para construir a nossa personalidade, libertando-a dos eventos de superfície, que nos induzem a persistir numa trajetória circular, fechada, enquadrada num férreo determinismo que não nos permite expandir os modos de conceber a vida, a evolução e de interpretar os acontecimentos. Para o pioneiros, o caminho é solitário. Mas na mesma intensidade em que a solidão é um fato, a irreversibilidade também o é.
Voltemos ao meu primeiro grifo:
"a humanidade reluta em adquirir um mínimo de consciência a respeito do que realmente ocorre no mundo."
O que realmente ocorre no mundo?, as pessoas vão se (e me) perguntar. E eu digo que basta observarmos com desprendimento o que ocorre à nossa volta.
A questão ecológica é cada vez mais crítica. Os efeitos do aquecimento global já são visíveis. Vários países sofrem com enchentes, maremotos, furacões, seca e conflitos relacionados. A destruição da infra-estrutura gera problema de refugiados. Falta de alimentos também. As pessoas se deslocam em função da sobrevivência. Catástrofes ambientais que são causadas por humanos (mas denominadas 'naturais'), como Brumadinho e Mariana, ambas em Minas Gerais. Trata-se de verdadeiro crime contra biomas, comunidades, sociedade. No entanto, o (anti-)sistema que vigora garante que não haverá responsabilização das corporações que causam tanta dor às pessoas.
Elas querem o que produzem (de bom). Apenas isso.
Elas são muitas. Se somarmos eles, são praticamente a
humanidade toda.
As corporações se tornaram mais poderosas do que os governos. O Estado, outrora estrutura de máxima autoridade e portanto influência, se vê como um apêndice poderoso de um centro diretor que determina qual é o rumo da humanidade. Esse centro diretor é o neoliberalismo, e hoje quem mais o representa é o capital financeiro seguido de mega-corporações.
É verdade que as massas humanas, mesmo tendo adquirido uma certa inteligência (de superfície, na terminologia de Ubaldi), conseguem levar uma vida mais ágil e esclarecida em relação aos ancestrais de 200, 300 ou 500 anos. No entanto, a magnitude dos desafios demanda uma inteligência diversa, capaz de sintetizar o oceano de ruído que nossas tecnologias e meios de comunicação fazem questão de propagar despudoradamente. Deve-se ser capaz de pensar por si só - e não seguir tendências por mera comodidade. Mas isso é muito difícil ao biótipo médio. No entanto isso deve ser feito para que não haja risco de retrocesso involutivo.
Observando bem a nossa sociedade podemos concluir que estamos nos tornando uma Idade Média altamente tecnológica. Ou seja, desafazimento dos laços comunitários, do único órgão diretor do desenvolvimento social (Estado), e um medo crescente. Se a consciência do ser humano pouco ou pouquíssimo evoluiu nos últimos cinco séculos, o mesmo não é o caso do desenvolvimento científico e tecnológico. E isso constitui um risco muito maior do que a detonação de bombas atômicas - apesar do risco incluir, dentre muitas dores pontuais e misérias persistentes, esse tipo de catástrofe para formar o mosaico da miséria do século XXI.
Escrevo esse ensaio me recuperando de uma febre cíclica. Um sintoma que não vem acompanhado de outros tipos de sintomas - cuja junção poderia auxiliar a dar uma ideia mais precisa do tipo de patologia que o autor sofre. Não há vômito, diarreia, entupimento das vias nasais nem dor de cabeça (ela veio e passou logo). A febre é baixa (até 38,5 ºC) e oscila durante o dia (ontem durante o dia desaparece, e à noite retorna...hoje desaparece...e assim continua). Somado a isso outro fato estranho: a febre não vem acompanhada de um sentimento de frio. Nem tremores ou calafrios. Dorme-se com um certo calor. O fenômeno não está dentro dos parâmetros da normalidade. Trata-se de um organismo que apresenta comportamentos não enquadráveis pelos modelos clássicos da medicina - o que sugere justamente que tensão espiritual-nervosa influencia fortemente o organismo. Isso se torna visível no momento em que e procura fincar as bases do Alto nesse mundo.
Aproveito esse início de recuperação para me lançar à escrita. É muito importante registrar o desmoronamento do mundo que as pessoas aprenderam a sustentar e viver. Se agarrar a um modelo que não é mais útil é equivalente a se agarrar a um cadáver esperando que ele possa dialogar e viver contigo numa vida plena de comunicação e afeto. Tudo indica que o capitalismo se tornou esse cadáver. No entanto, isso não significa que podemos nos extinguir em breve.
Ficou impresso na mentalidade coletiva de que "é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo". Isso é triste e comprova que o ser humano - ao menos em sua média, que é o que dita os rumos da espécie e do planeta - ainda está mais focado no Anti-Sistema do que no Sistema.
Colocar um sistema econômico à frente de todo o planeta, com sua sabedoria multimilenar (ao quadrado), de bilhões de anos, é atestado de loucura.
Muitos ainda não perceberam que o Universo está em processo de transformação. Para o caso de locais em que a vida emerge, isso se torna acelerado. Quando nasce o psiquismo - primeiro veículo de manifestação efetiva do espírito, esse processo não apenas se torna exponencialmente mais rápido, como adquire um dinamismo fora do comum. E brota uma chispa de livre-arbítrio.
Através do ser humano a vida se torna eminentemente psiquica. As outras espécies possuem latente seu psiquismo, mas as possibilidades orgânicas das mesmas impede o seu desenvolvimento. Cabe aos espírito cuja evolução permitiram se vestir com uma roupagem humana desenvolver plenamente seu órgão diretor (cérebro e sistema nervoso) e sua suas funções (pensamentos), refinando-os até ao patamar de ter inserido no seio do organismo as capacidades para perceber realidades mais profundas. Sensibilidade e pensamento. O ideal é um desenvolvimento paralelo, sem grandes distanciamentos ,pois, a partir de certo ponto, essa delta entre capacidade de pensar/sistematizar e sensibilidade para se orientar pode resultar numa convulsão.
As pessoas votam contra seus próprios interesses e não reagem a acontecimentos absurdos justamente por esse desequilíbrio. Tudo se resume a isso, em sua essência. A falta de sensibilidade tira a coragem do ser. Se não sentimos os horrores que é passar fome, não ter um teto ou uma ocupação digna, ou um mínimo de instrução, água, higiene, afeto, não iremos nos incomodar cm suas consequências. Nem em nós - muito menos nos outros. Para transformar o mundo...para imprimir ímpeto criativo e vontade voraz em nossas atitudes e atos, é preciso antes de mais nada sentir. Isso significa adquirir consciência.
Enquanto as pessoas se sentirem satisfeitas com uma vida de misérias, repleta de distrações e de movimentos superficiais que nada deslocam a locomotiva humana da civilização de seu rumo perdido, nada mudará.
No presente momento assiste-se a destruição de um país (Brasil). Uma política levada a cabo de forma muito calculada, sustentada por narrativas incompletas, que trazem mentiras à tona usando fragmentos de uma realidade que não pode ser vista de forma descontextualizada. Aquele que se diz Ministro da Economia de fato é um Ministro de Destruição (M.D.). É claro que nunca houve um funcionamento virtuoso nesse ministério, mas sempre se tomou o cuidado de não destruir as bases que mantém o mínimo de vida civilizada neste país. Agora assistimos a uma ofensiva desesperada para destroçar todas as instituições (e profissionais) que podem atender a imensa maioria da população.
A fala do M.D. (agora irei denominá-lo assim) revela o desejo do poder: colocar os 180~190 milhões de brasileiros que de alguma forma dependem do serviço público para sobreviver contra os 12 milhões de servidores que garantem isso. Coloca-se uma parte da população contra a outra, ambas acabando por viabilizar a destruição de seu próprio futuro, brigando por misérias. Enquanto isso (e assim) o governo da destruição pode trabalhar com relativa paz. Sem mobilização não há enfrentamento. O governo, implementador do sonho do capital financeiro (e pesadelo dos seres humanos), pode marchar de forma consistente, garantindo ao capital os restos mortais da sociedade, dos trabalhadores, da cultura e tudo que realmente possui valor.
A Anti-Sistema funciona assim: usa-se uma aparência (verdade frouxa) para distrair grupos que são vistos apenas como algo a ser explorado.
Quem perde com a destruição do Serviço Público? Todos. Os servidores, não tendo condições, tenderão a abandonar ou fazer um serviço cada vez pior - por falta de condição. As pessoas que dependem de seus serviços (inclusive os próprios) também. Somente as elites não se preocupam, pois elas dominam tudo.
Funcionalismo público em diversos países do mundo. Fonte: [1]
As classes altas - porém não donas dos meios de produção - são os capatazes desses interesses minoritários. São médicos particulares com suas clínicas, juízes, grandes advogados, procuradores e outros profissionais liberais que muito bem ganham. Esses são os capatazes que ganham 30 mil, 40 mil, 80 mil por mês. Não são a elite mas a servem. Constituem potencialmente 5% do país. Se somarmos outros um pouco abaixo (que também sonham que um dia serão ricos, e que isso é o ideal), temos uns 10 a 20% do país. Essa parte do topo, em sua grande maioria, reprime de várias formas o povo e a si mesma. E mais triste: até a população pobre se sabota. Mas sua responsabilidade é menor - pois menor é seu poder e influência. No entanto somos todos responsáveis pela miséria que há.
Haverá um colapso iminente nessa nação e nesse planeta. Pelo visto o Brasil deseja estar na dianteira do regresso involutivo - último suspiro das forças do AS antes que uma Nova Terra brote - das entranhas de um mundo passado, pútrido, arcaico, formado por massas não-pensantes presas a rituais e tecnologias, fazendo uso desagregador de quase tudo.
Cavar a própria cova e fiar tranquilo, em paz, é o maior sinal de insanidade odiosa.
O tempo revelará se o que se diz está de acordo ou não.
Vocábulos como "meritocracia", "empreendedorismo", "crescimento econômico", "produto verde", entre outros se tornaram um mantra. A sociedade acabou naturalizando e admirando essas palavras de tanto ouvi-las. Não sabemos exatamente o que é cada uma dessas coisas. Se alguém nos interrogar à fundo, dando exemplos e contraexemplos, e pedir para que expliquemos o motivo de um processo ser meritocrático ou empreendedor, não sabemos de fato o que algo é.
Devemos retornar às origens para nos corrigirmos.
Hoje em dia no Brasil (mas no mundo também), em todos circuitos sociais, empreender significa progresso financeiro, de vida, de saúde, de tudo. Políticos se elegem com esse slogan - afirmando que irão estimular o empreendedorismo. Para isso deixam a máquina pública menos atuante. Aos poucos, a influência do setor público na vida das pessoas diminui. Ano após ano. Década após década. Com longos períodos, as diferenças começam a ficar visíveis.
As informações revelam que manter um padrão de vida mínimo (moradia, alimentação, acesso a água, transporte, saúde básica, vestimenta) é cada vez mais desafiador [1,2]. É preciso cada vez mais aceitar a realidade como é para talvez (talvez) garantir o seu não-extermínio (psicológico, social, físico, cultural). Ou seja, não dormir, danificar o organismo, optar entre ter uma cama ou se alimentar; entre se alimentar bem ou não ter condições de manter o filho na escola; optar por pagar uma fortuna ou duas por um serviço que realmente não seria necessário.
O vídeo abaixo revela para onde caminha nosso sistema global. Mantê-lo é garantia certa de extermínio - nem que a espécie sobreviva por mais milhares de anos. De nada adianta sobreviver se isso representa se perpetuar de uma forma pré-histórica.
A diversidade de opiniões, ao contrário de ser indício de liberdade de expressão, é uma autorização para que todas as pessoas, em larga medida desesperadas, liberem visões de mundo plenas de ideias preconcebidas e fatos que satisfaçam seus instintos (e de seu grupo). Não há orientação. A lei da novidade é a que conta. A originalidade da mentira prevalece sobre a repetibilidade da verdade. Porque esta (a verdade) é uma só, sempre. Não pode ser original pelo simples fato de que ela se liga à essência una - e não a existências múltiplas .O que se pode fazer é renová-la de tempos em tempos. Essa é a missão dos gênios, seja no campo da arte, da ciência, da administração, da liderança, da invenção ou do pensamento. Nesse aspecto a Vida e Obra de Pietro Ubaldi tem a possibilidade de trazer um impulso impressionante à humanidade. Mas é preciso que as pessoas despertem para o porquê da importância disso tudo.
Através de uma leitura profunda dos acontecimentos é cada vez mais natural irmos em direção ao questionamento. Observamos que o que é moda de fato é loucura. Isso se aplica ao empreendedorismo.
Em sua acepção radical (de raíz, fundamental), empreender é:
verbo
1.
transitivo direto
decidir realizar (tarefa difícil e trabalhosa); tentar.
"e. uma travessia arriscada"
2.
transitivo direto
pôr em execução; realizar.
"e. pesquisas"
É uma empreitada titânica. De grande esforço. Que exige muitas de nossas habilidades e capacidades, energia e uma criatividade. E um pouco a mais, se quisermos ter sucesso - o diferencial. Mas não sabemos exatamente como desenvolver esse plus. Nem qual a receita para fazê-lo. Há portanto riscos em atividades desse tipo.
Lao Tsé. Monista. Empreendedor de verdade.
Agora, reparem que empreender não se relaciona a atividade econômica - muito menos financeira - exclusivamente.É a mentalidade hodierna que se acostumou a estabelecer essa identificação. E o sistema (a lógica que preenche a "atmosfera mental") faz questão de reforçar isso através de suas propagandas e narrativas, presentes em seus produtos, serviços, filmes, músicas, sistemas educacionais e arquitetura social.
Homens poderosos dizem que o empreendedorismo é o futuro. Ele nos tornará independentes do Estado. Não serão necessários direitos. A coisa pública (dizem ou pensam) é um dinossauro que deve ser diminuído gradativamente - exceto para garantir o controle sobre a população e a extração de recursos da mesma. Criaram se narrativas para justificar essa visão. Uma série de notícias são apresentadas. Histórias contadas. Pessoas elevadas (ou silenciadas). Com a função de tornar cada vez mais aceitável essa visão de mundo. Mas as coisas simplesmente não encaixam...
Uma série de empreendedores ficaram riquíssimos com inutilidades [3]. Esses exemplos são muitos.
Por que isso ocorre?
Porque o sistema (isto é, a lógica predominante coletiva, a qual as instituições servem de variadas formas numa grande rede) recompensa esse tipo de empreendimento. Assim vemos bilhões (se não trilhões) de dólares anualmente direcionados para os bolsos daqueles que não melhoram o estado das coisas no mundo, sob nenhum ponto de vista (social, econômico, cultural, espiritual, educacional, científico, ambiental, atmosférico, filosófico, etc.).
Mas mesmo se observarmos os empreendedores relativamente úteis, como Bill Gates, fundador da Microsoft, nada justifica sua fortuna. Isso se aplica a todos bilionários do mundo, cuja lista é facilmente acessível [4]. Não há motivos que justifiquem uma recompensa tão alta, tanto em termos monetários quanto em níveis de admiração global, a um indivíduo. E o uso que essas pessoas fazem dos recursos não é tão bom quanto aparenta (ver vídeo abaixo).
Investir em setores apontados como soluções para a sociedade e o ambiente não significa de fato que estes (setores) são a solução efetiva, viável, desejável ,sustentável, para o planeta (isso inclui nós, homo sapiens). Vandana Shiva [7] destaca essa questão na entrevista acima. Recomendo às pessoas investigarem melhor esse tema, pois o que aparentemente pode ser uma ação benéfica muitas vezes se revela uma arquitetura de destruição silenciosa e inocente. Da mesma forma, cultivar vegatais in-vitro e produzir carne artificial não me parece a solução da humanidade [5]. O simples fato de nos desconectarmos cada vez mais da natureza é bizarro. O divórcio entre natureza humana e infra-humana é prejudicial para quem está acima (nós), dependentes das bases (ciclos de carbono, água, nitrogênio, biodiversidade, etc.) e de seus significados (para a psique humana). É preocupante observar que pessoas que buscam um mundo melhor, como George Monbiot, não enxergam essa questão. Certamente um pouco de conhecimento e vivência de outras vertentes da vida trariam a pessoa de volta à si. Para isso é preciso permear as coisas do mundo com uma visão mística, transcendente, espiritual.
Mas voltemos à questão dos bilionários.
Concentrar renda elevadíssima na mão de pouquíssimos não significa geração de empregos e oportunidades. Os dados revelam o contrário - pelo menos a partir de certo ponto, que ao que parece foi ultrapassado há algumas décadas. Nunca a concentração de renda foi tão grande em nosso mundo, segundo o último relatório da Oxfam [1]. Por outro lado, o desemprego cresce. Ou, se diminui, se plasma num emprego cada vez mais instável, precário, do tipo "empreendedor".
O setor de serviços aumenta em relação ao industrial. E a informalidade cresce, ocupando o lugar que outrora era da formalidade. Dessa forma a tendência é clara: haverão cada vez mais empregos desvinculados do setor industrial e regulamentados. Ricardo Antunes explica a lógica do sistema moderno:
Não se trata de ideologia, e sim uma visão sociológica do mundo do trabalho. Parece ser comum - especialmente no Brasil - confundir cientistas sociais que descrevem a realidade e suas possíveis (e prováveis) consequências com revolucionários insanos sedentos por guerra e sangue, por regresso e desentendimentos. Somente uma coisa explica esse ódio àqueles que descrevem a realidade: incapacidade de lidar com a natureza de um sistema falido, prestes a implodir.
Sim. É duro ouvir isso. Mas precisamos acordar. Estamos (estivemos) sempre um ou dois passos atrás da marcha predominante. Vez ou outra o bom senso conseguiu ocupar um nicho na marcha da humanidade, garantindo mínimos direitos, regulação e condições de florescimento de ideias. Mas na fase atual estamos mergulhando num abismo.
"Claro", você vai dizer. "Mas sempre passamos por mergulhos em abismos. Até piores do que agora...Pense na Peste Negra, na Escravidão, na 1ª e 2ª Guerra,...". Sim. É verdade. Eu concordo. Mas a questão é: hoje, nosso poder de difusão de informação é imenso. O potencial de manipulação de corporações é global e intocável. O ritmo das mudanças é vertiginoso - tão alto que um simples piscar de olhos pode nos deixar à deriva nessa marcha insana rumo a competição e a ter sucesso nos negócios.
Nada (ou quase) está em sintonia com os ensinamentos de Buda, de Cristo, de Lao Tsé. Apesar disso, existem pessoas que já despertaram e começam a falar de forma muito clara a grande Verdade. Sob muitos pontos de vista: idealista e filosófico (Vladimir Safatle, Márcia Tiburi), jurídico e social (Alysson Mascaro), vivencial (Eduardo Marinho), financeiro (Eduardo Moreira), trabalhista (Ricardo Antunes), fiscal (Maria Fattorelli), social (Jessé de Souza), sistêmico e energético (Jacque Fresco, Luiz Marques), de saúde (Drauzio Varella), educacional (Daniel Cara), político (Marielle Franco, Jean Wyllys, Jandira Feghali, Luiza Erundina), científico (Sidarta Ribeiro), ecológico (Antônio Nobre e Carlos Nobre), monista (Gilson Freire, Maurício Crispim, João Attilio) entre muitos outros(as).
Não há sentido em recompensar tanto tão poucos. Mesmo se suas ideias foram relativamente (relativamente...) úteis. Mesmo porque quem define isso é o sistema - sustentado sempre pela inércia humana, que o torna tão poderoso justamente por esse imobilismo psíquico. Caso contrário Beethoven, Van Gogh, entre outros deveriam ser bilionários ou trilionários. Ou seja, quem quantifica o valor das ideias e criações é o sistema. Assim, nos direcionamos sempre tendo por base essa lógica sistêmica.
Há três problemas (mortais) intrínsecos no capitalismo neoliberal:
1) Ele é incapaz de recompensar ideias verdadeiramente boas;
2) Ele exagera na recompensa de ideias;
3) Ele recompensa ideias ruins ou péssimas.
E uma consequência é:
4) O indivíduo deseja se perpetuar de acordo com a lógica que o alçou ao poder.
(1) ocorre porque ideias verdadeiramente boas levaria ao fim do (anti)sistema que temos. Elas integrariam, redistribuiriam, libertariam as pessoas da escravidão de uma vida inútil. Dariam um sentido à vida das pessoas. Fariam todos começarem a refletir. Ganharem coragem para ir além do senso comum, das aparências. Ganhariam coragem e se associariam de formas cada vez mais originais. Tenderiam a caminhar para o imaterial, o intangível, as causas, a unidade, a sustentabilidade, o equilíbrio, o pensamento com sentimento.
(2) é fruto da natureza do sistema. Ele preza diferenças porque opera com base na inveja e ciúmes dos indivíduos. Reforça a ilusão. É assim que ele consegue manter as engrenagens em movimento e as forças ativas. No nível evolutivo atual, é sempre necessário ter alguém de onde extrair o nosso prazer. Enquanto vivermos de acordo com essa lógica de escassez seremos sempre escravos uns dos outros - e servos da lógica dominante.
(3) é quase que uma expansão de (1). Ideias boas de verdade não são aceitáveis porque levariam ao fim da exploração e sofrimento. Ideias com aparência de boas (úteis dentro do contexto triste que vivemos) são aceitas por agilizarem e darem significado ao sistema. Mas ideias ruins (como candy crush) são aceitas porque mantém as pessoas na inércia. Atividades e coisas e pensamentos que deixam as pessoas em ciclos infindáveis. Gastam energia, dinheiro, tempo, emoções e pensamentos com coisas que desagregam. Coisas que afastam da família, do cônjuge, dos amigos, das ideias verdadeiramente transformadoras...Assim nos distraímos. Nos afogamos num bem-estar degradante. Engordamos e nos divertimos. Mas Ubaldi já disse que as forças da vida querem a evolução.É melhor obter como produto final um magro evoluído do que um gordo involuído.
Por "magro" entenda-se pobre de coisas do mundo: saúde, dinheiro, vestimenta, higiene, instrução ,etc.
Por "gordo" compreenda-se o contrário: alguém com os bens materiais necessários.
Essa visão me aparece por profunda introspecção. Ela resolve os problemas fundamentais e delineia a estrutura que gerencia as sociedades.
Alan Turing. Empreendedor (de verdade também).
Não irei citar exemplos para embasar essa visão, mas garanto que futuras observações irão confirmá-las. Porque (ao menos para mim) é tudo muito autoexplicativo. Caso você discorde, dedique parte de seu tempo a investigar a vida de pessoas que trouxeram um progresso tremendo à humanidade mas foram tratadas de forma bizarra pela lógica global (pode começar por Alan Turing, [6]).
Ser recompensado por uma ideia verdadeiramente boa com (digamos) 2 ou 3 milhões de dólares irá torná-lo, na verdade, muito mais rico do que os atuais bilionários. E cada vez mais... Pois não se gerará miséria - às custas de sua riqueza exagerada. Não se ativará a cobiça. E, sendo verdadeiramente boa (a ideia), trará um mundo cada vez menos dependente de dinheiro para que o ser humano desfrute do verdadeiro paraíso na Terra.
O clímax desse princípio nos conduzirá a um mundo celestial, em que a pessoa gerará ideias para auxiliar o Todo, sendo conduzida pela sua consciência (sentimento de paz interior aliado a uma inteligência criativa e dinâmica). Sua recompensa será manifestar ao mundo a essência divina. Pois não haverá mais miséria - porque teremos erradicado o pensamento de escassez que alimenta o nosso sistema. Sistema que se tornará uma peça de museu, que nos revelará quão involuídos éramos - pensando estarmos no ápice da civilização...
Tudo isso é de uma lógica perfeita. E casa com os princípios do Cristo.
O problema fundamental da humanidade atual é a falta de consciência. Mas isso não diz muita coisa quando o desejo de despertá-la (em si e, depois, nos outros) nasce. É preciso saber o que ocorre num nível mais profundo. Isso implica numa busca. Busca por experiências e por conhecimento. Geralmente há uma combinação de ambos: ao vivenciarmos uma situação (geralmente desagradável) temos a possibilidade de adquirir um conhecimento. Construímos pontes entre aquilo dito em livros ou aprendido na escola e a emoção que nos domina quando passamos por alguma experiência.É uma relação dinâmica.
Estar passando por algo tenso e manter o nível de consciência desperto é desafiador, mas possível. Em momentos críticos de minha vida pude aplicar esse (digamos) método. Como resultado sempre tive de retorno algo que vejo como miraculoso - ou quase.
A fonte e o fluxo da vida. Foto de Nathan Anderson (Unsplash).
No momento em que você sente ter agido de forma completamente sincera, responsável e com dedicaçãocompleta no passado, fica mais fácil depositar a confiança nas edificações já concretizadas no campo da causa. E com isso surge uma segurança inabalável. De tal forma que, mesmo em momentos de alto risco, cheios de ameaças, inseguranças e caos, nada disso causa abalo ao Ser e as turbulências acabam perdendo a força que esperavam ter. Nenhum poder do mundo pode abalar aquilo que foi construído de forma transparente, dedicada e ardorosamente criativa. O autor vivenciou esse fenômeno pela última vez há mais de um ano [1], momento em que estava para concluir uma fase importante de sua vida.
Quando temos plena consciência de ter realizado um trabalho verdadeiramente independente, criativo, conduzido de forma honesta, não há nada a temer. Nenhum poder será capaz de desmontar uma obra edificada com intenção tão pura e dedicação tão fervorosa. Não se trata de valores mensuráveis, mas sim de qualidades intangíveis, que o imponderável defende nos momentos em que percebe os riscos. Vê que a criatura tem uma missão e garante que ela terá o necessário para o cumprimento da mesma. E o mais incrível, que venho constatando: é possível que benesses exteriores estejam alinhadas com progressos interiores. Ou seja, seremos beneficiados do ponto de vista do mundo SE o Alto percebe que a criatura que as recebe não as usará para se glorificar, mas para ser GRATO e dar cabo de seu DEVER. Nesse caso os ganhos se tornam combustível a ser usado até a exaustão para o Ser alcançar novos patamares - de consciência e conhecimento e sensibilização. Para que possa melhor se comunicar com o mundo e auxiliá-lo a seu modo. Tudo é uma preparação para atingir um estágio subsequente que pode ser inimaginável no momento presente.
A receita pode assumir várias formas. Mas em linhas gerais, o ponto central é sempre o mesmo: precisamos nos doar 100% aquilo que estamos construindo. Há prazos. Há dificuldades (inúmeras!). Devemos encará-las e não cessar a atividade. Nosso mundo passa a ser aquilo por um período. É preciso estar imerso naquela questão. Diminuir seu nível de energia para outras coisas para que uma tarefa seja cumprida. Ganha-se experiência até em construções muito pequenas. Experiência em coisas do mundo e em vivência. Mas a mais importante delas será a maturação interior.
Esse fenômeno vem sendo observado pelo autor desde o momento em que deu uma guinada em sua jornada - revelando assim que o destino pode ser melhorado com uma atuação fervorosa. Mas isso apenas é possível porque o Alto percebeu que colocar o Ser numa outra posição (ou dar a ele algo mundano) irá fazê-lo resplandecer de modo mais intenso a substância divina. Há sempre uma função associada a um ganho concreto. Se conscientizar disso é garantir que não sejamos vítimas das forças do Universo, jogando fora aquilo que nos foi dado.
Alguns são agraciados com várias coisas neste mundo. Podemos dizer que muitos são (agraciados), se considerarmos que existem muitas situações - por mais simples que sejam - que dão a possibilidade do indivíduo esculpir a sua personalidade de modo a libertar o espírito. Mas em geral as pessoas se tornam vítimas de suas bênçãos: focam no objeto em si, se esquecendo de que ele deve cumprir uma função mais elevada. Usamos nossa saúde, nosso corpo saudável, nossa genética vantajosa, nossa posição social, nossos títulos, nosso conhecimento, nossa cultura em prol de objetivos baixos, de curto prazo, do mundo. Alimentamos essas vantagens concebidas, visando mantê-las ou fortalecê-las com o tempo. O Ser cai numa armadilha que garantirá sua posição até o momento em que as forças se exaurem. Rompe-se o contato com o Alto. Ingratidão. Não há mais aliança. O Ser é abandonado e deve contar apenas com as próprias forças - já que não buscou trabalhar em prol da construção da eternidade e do infinito.
Nesses momentos brota a possibilidade. Fonte: Leio McLaren
"Orai e vigiai" já dizia uma criatura há dois mil anos. Vigiai é estar atento às suas atitudes. Sendo positivas ou negativas, o importante é estar ciente de seu corpo físico, mental e emocional, para que sua consciência não se funda neles. A identificação com os corpos perecíveis é o que nos enfraquece.
Tenha sempre consciência disso: todos nosso atributos devem cumprir uma função superior. Podemos ter conforto, claro. Mas que ele seja breve e com a finalidade de nos energizar, despertar potencialidades e sensibilizar nosso Ser. É possível alinhar uma segurança no mundo com um despertar espiritual. Mas para que isso seja possível é necessário que a criatura já tenha adquirido um certo grau de consciência.
Aquele que sentiu a Lei de Deus agir em sua vida já consegue se sensibilizar para essa questão central.
No ponto em que muitos se cansam, ele persiste.
No ponto em que muitos gozam a situação, ele a usa para construir seu Ser.
No ponto em que muitos reclamam seus méritos, ele é preenchido por gratidão.
Reconhecer o Alto agindo em nossas vidas é um atestado de gratidão.
Não somos nós que fazemos as coisas mais incríveis, mas sim forças do imponderável que atuam através de nossas ações.
Isso deve ficar claro. Caso contrário estaremos presos numa armadilha que impossibilitará a nós, humanidade, sair desse estado atual, cheio de distúrbios, misérias (variadas) e cujo progresso é, no mínimo, arrastado. Ou seja, lentíssimo. Mas há um prazo e devemos considerá-lo.
A espiritualidade (ou conscientização) não é uma busca circunscrita a um horário, local e circunstância. Ela é uma buscaintegral. Devemos estar despertos em todos momentos. Em cada atividade devemos carregar o espírito de transcendência. Buscar centelhas do infinito nos finitos cotidianos. Ou, em outras palavras, ver significado profundo em tudo. Cada gesto, cada pensamento e atitude deve prestar contas ao Alto. Dessa forma estaremos nos habituando a criar uma nova forma de perceber o mundo.
Nós não devemos esperar o milagre e sim criá-lo! [2]
Há muitos motivos para sabermos que somos naturalmente criaturas miraculosas [3] - e portanto capazes de efetivar milagres. Mas para isso é imperioso estabelecer uma relação (mesmo que inconsciente) com as forças do Alto - ou a Lei de Deus. Estar vibrando num frequência que se aproxime da Fonte é o que garante o canal entre o S e o AS.
Todo agir deve ser permeado de honestidade, ousadia e inteligência.
Nova civilização, nova mentalidade. Nova mentalidade, novos valores.
A cada ano que passa percebo estar assimilando de forma cada vez mais rápida uma série de verdades (relativas). É o poder da síntese atuando no subconsciente com a informação recebida pelos meios de comunicação. São diversas perspectivas sobre o mundo. Interpretações diferentes, mas cujo eixo comum é a vontade de se chegar a uma organização coletiva melhor que possibilite a manifestação do mais nobre de cada indivíduo. É preciso estar aberto a muitas visões. Mas (ao mesmo tempo) é preciso filtrar aquilo que não serve.
A busca é infinita - num mundo finito.
A vontade é maior que as derrotas.
Eu não tenho receio em dizer coisas que podem soar muito fortes, dando uma ideia superficial negativa de minha pessoa. Pois há ideias que se chocam diretamente com meu "campo magnético espiritual". Elas ricocheteiam como pedras em tanques. Aprendi a identificar enrolações com o passar dos anos, de modo a me tornar muito eficiente em termos de não perder tempo com superficialidades. Não se trata de excluir o diferente, mas sim o que leva à involução. Há o diferente que unifica e o diferente que pulveriza. O primeiro purifica - o outro polui.
O que mais me interessa é ir direto ao ponto. A capacidade de trazer em seu discurso a síntese - sem abandonar detalhes cruciais - é o mérito das vozes que apontam para a evolução. Isso é o que busco quando falo.
No mundo da oralidade há mais pressões do que no mundo da escrita. Deve-se ser rápido, sintético, com variação do tom de voz de acordo com a importância do tema. Tudo isso não pode abandonar a essência da inteligência, cuja marca é manifestar um raciocínio lógico eficiente, uma comunicabilidade agradável e uma originalidade resolutiva.
Umair Haque. Economista, jornalista e consciente.
Umair Haque é um economista e jornalista norte-americano que escreve regularmente ensaios relacionados ao colapso civilizatório mundial, destacando a insanidade que se tornou o modelo de vida norte-americano. Num de seus últimos ensaios ele destaca a questão da armadilha da riqueza [1], já comentado aqui [2]. O cerne da questão, que muito nos toca, levantada por ele (e por mim) é: a renda e riqueza são diretamente proporcionais à felicidade APENAS até certo ponto. Claro...é preciso considerar alguns fatores além disso - como a pessoa viver num local que não esteja em guerra, que não haja crise de refugiados em seu país, que se viva num regime relativamente democrático, entre outros. Além desses fatores, é preciso lembrar que esse vínculo renda-felicidade e renda-riqueza só existe no atual paradigma de desenvolvimento. Essa questão é central para compreendermos como deve ser iniciada a transformação de nossa sociedade (e sistema), pois é a base que deve tornar viável a construção de uma civilização verdadeiramente inclusiva, eficiente e progressista.
Vou explicar o porquê.
Eduardo Moreira faz sempre uma analogia muito interessante a respeito da riqueza: ele a compara com areia num parquinho. Se existe um monte muito grande num local com certeza existe um buraco enorme em outro. Porque hoje em dia, em tempos de capitalismo das finanças, o capital - outrora útil para a economia e a sociedade - se tornou improdutivo [3]. Isso nos leva à questão de que a imensa maioria da riqueza monetária "produzida" no mundo não está apoiada na criação de verdadeira riqueza - isto é, as coisas que uma pessoa precisa para viver e sobreviver. Conclusão: areia não é criada no parquinho! Mas observa-se a formação de montes enormes: a lista de bilionários cresce assim como suas fortunas. De onde vem tanto dinheiro?
O vídeo abaixo explica os motivos de não admirarmos os bilionários e suas vidas (vazias e destrutivas). Devemos temer tal notícia. Porque ela revela a pseudo-geração de riqueza - ou seja, criação de dinheiro desvinculado da preservação dos biomas, da integração social, do progresso humano. Um encolhimento da economia. Um empobrecimento da sociedade, da ciência, da tecnologia e da cultura.
Moreira ainda aponta um fato importante: enquanto o brasileiro médio louva abertamente (ou admira intimamente) esse modo de vida bilionário, menospreza o funcionalismo público. Porque a grande mídia colocou isso em sua cabeça: de que o servidor público ganha absurdamente bem e deve ter sua carreira destroçada. Assim todos nos igualamos na pobreza. Nós...os 99%. Enquanto o 1% ou uma fração dessa elite permanece intocada não são incomodados.
Quem drena recursos da nação (e do mundo) não é o serviço público. Todo país desenvolvido depende do serviço público para avançar. Sidarta Ribeiro,diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), neurocientista, destaca que mesmo nos EUA - terra que mais cultua o capitalismo desenfreado - as universidades recebem forte apoio governamental (assista à entrevista abaixo).
A soma recebida pelos 12 milhões de funcionários púbicos do Brasil (municipal, estadual e federal) está na mesma ordem de grandeza da soma recebida pelos 200 bilionários brasileiros:
BILIONÁRIOS (aumento de patrimônio 2012-2019)
Ano 2012 2019
Riqueza relativa 7% do PIB 17% do PIB
Riqueza absoluta 346 bilhões 1.205 bilhões
Aumento de patrimônio em 2018
SERVIDORES PÚBLICOS x BILIONÁRIOS
Quantidade 12.000.000 200
Aumento de patrimônio R$ 700 bilhões R$ 230 bilhões
Aumento p/pessoa R$ 58.330 R$ 1.150.000.000
Dá para perceber o quão grande é o delírio do brasileiro médio? Cada bilionário (em média) aumentou seu patrimônio em 1,15 bilhão. Cada servidor público (em média) aumentou em algo como 60 mil reais. Esses bilionários são majoritariamente do setor financeiro e de bebidas. Suas atividades - se é que podemos chamar de tal - nada agregam à economia ou à sociedade - muito menos à cultura. Isso não é opinião - é fato. Basta observar e refletir sobre os processos da economia atual.
Os servidores públicos mantém as escolas, universidades, pesquisas, coleta de lixo, saneamento, fiscalização, assistência, serviços públicos, iluminação, etc e etc em todo país. Remova esses 12 milhões ou degrade suas carreiras e ver-se-à em pouco tempo o colapso do pouco que resta de digno neste país.
Qualquer crítica ao serviço público é bem vinda contanto que seja séria e contundente. Os problemas existem e não serão resolvidos à base de extermínio ou degradação das carreiras. A falta de recursos se deve ao péssimo sistema tributário, à ineficiência do modelo econômico e à falta de bom senso da grande mídia, em larga medida.
Para começar poderia-se pensar em taxar as fortunas daqueles bilionários (e outros um pouco abaixo) para que se fomente políticas públicas essenciais. Como pode um país não ter 100% de saneamento básico em 2020?
Pense bem: um professor universitário com mestrado, doutorado, pós-doc, que orienta e dá aulas e pesquisa e faz extensão; que participa de congressos e escreve artigos; que dirige institutos e revisa periódicos; que escreve livros; que dá palestras; que prepara cursos e aulas e suou muito para conseguir passar num concurso; que já informou e ajudou milhares de estudantes; cujas pesquisas podem impactar na vida de milhões; e cujas ideias podem evitar as dores de outros milhões. Esse sujeito, que recebe (digamos) 15 mil ou 20 mil por mês já na metade final da carreira, recebe demais? Enquanto um bilionário que especula e só investe naquilo que irá garantir uma próxima crise global (intermediação financeira), ganhando 1 bilhão (isso são 1.000 milhões) sem produzir NADA, é admirado ou deixado em paz...É hora do mundo - e especialmente do brasileiro - começar a pensar.
Pode-se melhorar a eficiência dos serviços com planejamento e informação. Com planos de carreira e criação de canais de comunicação entre sociedade e servidores. Há muitas alternativas para melhorar o desempenho, desde as senhoras que atendem no INSS até os altos funcionários públicos.
Servidores. O próprio nome já diz tudo: eles estão aí para servir o país. Acima do lucro, a garantia de que se forme cidadão. Eliminar o servidor é garantir que esse cidadão morra para dar lugar a um consumidor.
Problemas de eficiência no setor público devem ser resolvidos. Mas: 1) eles não implicam na destruição do Estado e seus funcionários, base de toda sociedade minimamente civilizada; 2) há imensas ineficiências nas empresas privadas (eu já fui empregado numa), que só não é tão difundido pelo autoritarismo silencioso (psicológico e financeiro) imposto de forma pervasiva.
Ninguém nunca parou para pensar que de nada adianta o meio privado ser mais eficiente se essa é restrita a uma eficiência econômica e tecnológica? É preciso ver a qualidade de vida das pessoas no local de trabalho (os índices de estresse, depressão e suicídio nunca foram tão altos devido à questão do mercado de trabalho [4]). É preciso considerar a utilidade e eficiência real dos produtos (um carro de 30 mil reais cumpre as funções essenciais de um carro de 100 mil ou mais). É preciso valorizar profissões que questionem o estado atual das coisas (o mundo sempre progrediu com esse confronto). É preciso considerar tudo de um ponto de vista integral e perceber as implicações a longo prazo do modo de vida atual. Isso está sendo feito?
Mas o escopo aqui não é entrar nos meandros dessas questões.
Retomemos às bases de uma nova civilização.
Na palestra proferida por mim na SNCT 2019 [5] eu destaquei dois tipos de alternativas para a atual civilização predatória: Ecovilas e o Projeto Vênus.
Observando em detalhe vejo vantagens em ambos modelos - que em muitos aspectos compartilham pontos comuns, como a sustentabilidade, inclusão social, entre outras coisas. O Projeto de Jacque Fresco tem a vantagem de oferecer uma base que permita um progresso científico, cultural, tecnológico e filosófico grande. As ecovilas não parecem oferecer uma proposta para continuarmos nossos desenvolvimento nas grandes linhas mestras da evolução.
Por outro lado, as ecovilas são um modelo simples e já implementado em muitas localidades, com custo baixo. O Projeto Vênus depende de um esforço coletivo enorme, e (para piorar) da vontade do poder econômico (a plutocracia que domina o globo). Nesse sentido torna-se muito difícil a implementação de um projeto desse.
As ecovilas, apesar de estarem em expansão, tem uma adesão irrisória comparado à população do planeta [6]. Quem vive nela pode ser considerado mais feliz do que a média da população. Mas quem pode são poucos: há limitação de vagas; há questões de entrosamento com o grupo; há restrições de serviços essenciais (como tratamento médico, cirurgias, como lidar com intempéries/imigrantes/etc., institutos de pesquisa, etc.).
Vamos ponto por ponto:
1) Questão da QUANTIDADE
Se existe um modelo que pode salvar a humanidade, ele deve englobar todos (ou inicialmente a imensa maioria das pessoas). As ecovilas não demonstram ser um modelo expansivo, coordenado e minimamente centralizado para fazer frente a esse desafio. O capital financeiro deixa-as em paz porque elas não ameaçam seu domínio. Aliás, se crescessem exponencialmente, logo se veriam (de alguma forma) capturadas pelo sistema vigente. Porque em seu imo fazem frente a ele: seu modo de vida é a antítese do atual, em termos de valores.
Pense bem: o mundo vai se salvar com 2 ou 3 milhões de pessoas em ecovilas e 7 ou 8 bilhões (3 mil vezes mais) imersos num modo de vida vinculado ao capitalismo financeiro? O modelo deveria se expandir exponencialmente, dada a gravidade da(s) crise(s) que se aproxima (financeira, ambiental, social). Ele é capaz disso? Acho difícil..
2) Questão da INDIVIDUALIDADE
Lembre-se: individualidade não é individualismo. O primeiro é a valorização de um modo de vida que caracteriza um ser e o deixa em posição de criação e evolução. É estar aberto às ideias diferentes mas com debates num terreno de alto nível. O segundo é uma maneira de acumular às custas do outro. De ser momentaneamente alegre às custas do entorno. De não querer dialogar.
As ecovilas parecem não estar preparadas para receber os variados tipos de biótipos evoluídos que emergem em nosso globo. Eu, por exemplo, gosto muito de cinema (alternativo), de ter uma padaria perto, de um banho no chuveiro elétrico (2 min.), de livrarias e sebos e bibliotecas, de SESCs (oficinas, piscina, cursos, música, teatro, etc.), de serviços essenciais (médicos, exames, pronto-socorro), entre outras coisas. Será que tudo isso não é compatível com uma civilização sustentável e inclusiva? Woody Allen, meu pai e outros cosmopolitas tem a mesma mentalidade: querem viver num meio que permita sua expressão criativa. As ecovilas parecem não estar adaptadas a esses tipos humanos. E se pensarmos melhor, nem a outros tipos que possam haver - e que são pessoas equilibradas, criativas, pensantes e interessantes. Será que isso não representa uma limitação do modelo?
Uma civilização socialmente justa, ambientalmente sustentável e intelectualmente eficiente implica em ter espaço para todos tipos humanos - contanto que estejam dentro das leis da vida. Um pode gostar de pintura, outro de teatro, outro de literatura, outro de inventar, outro de cultivar, outro de cantar, outro de criar programas computacionais, outro de fazer experimentos químicos, outro de esboçar pensamentos e debater, outro de assistir vários filmes e fazer palestras, outro de fazer pães e doces, outro de filosofar e etc e etc. Um sistema deve incorporar todos perfis, respeitando-os e sabendo coordená-los para finalidades superiores. Sinergia!
3) Questão dos SERVIÇOS ESSENCIAIS
Alguém já viu uma pessoa idosa numa ecovila? Com problemas de saúde? As pessoas, à medida que envelhecem (mesmo que bem) acabam tendo a necessidade de recorrer a médicos, exames, tratamentos e hospitalização. Um filme com o Viggo Mortensen, chamado Capitão Fantástico (2016), que aborda de forma realista as limitações de viver de forma simples e natural.
O que quero dizer com tudo isso é que não há salvação individual (felicidade) sem uma revolução sistêmica (novo sistema coletivo político, econômico e cultural) - tampouco há uma revolução sistêmica sem a construção da felicidade individual. Por revolução quero dizer uma alteração profunda no modo de concebermos as coisas, de produzirmos e de nos relacionarmos (conosco e com o meio). Trata-se sobretudo de uma questão de orientação.
Não adianta. Por mais difícil que seja. Por mais que pareça impossível. Eu insisto no ponto: ou cria-se um modo de vida que incorpore toda humanidade e dê um mínimo (mínimo) de decência à vida das pessoas, com sustentabilidade global; ou nos iludimos em idealizações que se realizam para poucos e que não levam em conta a complexidade do ser humano e a necessidade imperativa de prosseguir com determinadas linhas de desenvolvimento civilizacionais (leia-se: universidades, institutos de pesquisa, medicina, educação, centros de arte, fóruns, centros de convivência, seguridade social, etc.).
O modelo novo deve incorporar as maiores conquistas da civilização [7] e ser redistributiva por natureza, além de garantir as condições climáticas ideais para tudo e todos. Não tem jeito.
O modelo, pelo que parece, ainda não existe. Ou por incompletude interna de sua estrutura (ecovilas) ou por falta de vontade da elite econômica em viabilizá-lo (Projeto Vênus). O Green New Deal parece ser mais viável. Poderia até servir de pré-requisito para um Projeto como o de Jacque Fresco (quem sabe..). Mas é preciso uma empreitada internacional.
Alexandria Ocasio-Cortez (1989), congressista socialista, falando sobre o Green New Deal.
A Renda Básica Universal (RBU) pode ser um elemento de rápida implementação para a transição de modelos econômicos. Poderá ser até parte constituinte do novo modelo a nascer. Mas não é o modelo em si (nem seu eixo diretor). O cerne da questão é alterar o sistema de crença e valores das pessoas - nem que num grau mínimo. Considerando o quão pouco deve ser feito (em comparação com o ideal que muitos sonham), acredito que seja viável. ninguém está pedindo para você abdicar de seu chuveiro elétrico ou ida a padaria ou roupas ou casa de 100 m2 ou conjunto de roupas. Apenas foque no realmente necessário e se liberte da ditadura social causada pela inconsciência.
Nós vivemos de acordo com o que é imposto pela mídia em nosso subconsciente. As pessoas aceitam sem resistir. O resultado é este: chegamos numa era em que todos questionam e combatem muitas coisas, exceto o cerne da questão, que é o modelo econômico que produz bilionários cada vez mais ricos, com fortunas rumo à casa do trilhão - ao passo que bilhões são achatados em condições de miséria financeira, social, cultural, intelectual. Falta de tempo. Falta de conversas. Falta de (verdadeiros) amigos. Falta de vontade. Falta de vontade...
Pessoas sérias apontam para a gravidade da situação:
"Com exceção da extinção dos dinossauros, todas envolveram mudanças climáticas causadas por gases de efeito estufa (A Terra Inabitável, Uma História do Futuro, David Wallace-Wells)."[8] "Pelas projeções das Nações Unidas, teremos 200 milhões de refugiados do clima até 2050. Outras estimativas são ainda mais pessimistas: 1 bilhão de pobres vulneráveis sem condições de sobrevivência. O Protocolo de Kyoto, firmado em 1997, considerava que 2º C de aquecimento global era o limiar da catástrofe: cidades inundadas, secas destrutivas, ondas de calor, furacões e monções, enfim os antes chamados “desastres naturais” vão se tornar regras e não exceção. Em 2016, o Acordo de Paris estabeleceu o aumento de 2º C como meta global a ser evitada."[8]
"Outros cientistas afirmam que as previsões do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) são conservadoras. Mesmo cumprindo as metas de emissão fixadas no Acordo de Paris, poderemos chegar a 4º C de aquecimento, com florestas transformadas em savanas, trazendo riscos sérios à habitabilidade do planeta." [8] "Nada impede que essa tendência seja alterada, tudo depende das decisões políticas dos países, de seus governos e suas empresas.Mas se os próximos trinta anos forem iguais aos trinta anos passados, até o fim deste século regiões inteiras da Terra se tornarão inabitáveis, com perspectivas de devastação da espécie humana." [8] (grifos meus)
É preciso destacar que o papel da sociedade é se conscientizar e mobilizar para colocar na parede os governos (servos do poder, com pontuais exceções de dentro) e as megacorporações e bancos (o poder). A sociedade, os lares, as famílias, as residências - vamos dizer, os 99% de baixo da pirâmide da riqueza, renda e poder - não tem o poder de mudar as coisas olhando para seu consumo próprio. Seu poder reside em tomar as rédeas do processo evolutivo. Isso só pode ser feito através da conscientização.
Rita Von Hunty, num brilhante vídeo, deixa claro essa questão: ela percebe que desenvolvimento sustentável é, em última instância, um oximoro - ou paradoxo (veja o vídeo, ela explica).
Especialistas corroboram:
"A conta pela demora em tomar as decisões corretas sobre o clima chegará para o mundo em 2030 no valor de 26 trilhões. A sociedade contemporânea é uma sociedade de desperdício de energia, de produção, de consumo. Só um país - os EUA – consomem 1/3 da energia de todo o mundo. O mundo não vai mais sobreviver sem a sustentabilidade ambiental. E isso é decisão de políticas públicas. As atitudes individuais de mudar o estilo de vida importam muito pouco. Vejamos, por exemplo, o consumo de água no Brasil. A agricultura consome cerca de 72%. A indústria, cerca de 9%. Mas as campanhas de economia de água visam apenas o consumidor urbano que representa só 8,6% do consumo total."[8]
As soluções não são individuais - são sistêmicas.
O ponto de partida pode ser (e é) individual, com a conscientização.
É muito importante distinguir esses dois aspectos: soluções (materialização) e gênese (princípios).
Claro que mudar um estilo de vida individual é salutar. Mesmo porque a extrapolação da faixa das necessidades verdadeiramente essenciais para o nível de capacidade dos indivíduos (elas podem variar ligeiramente...por isso falo em faixa e não ponto) é prejudicial aos mesmos.
Pense um pouco: um carro de 100 mil transporta a pessoa para o mesmo lugar que o meu carro de 30 mil (na verdade 28 mil). O IPVA é muito maior, o seguro provavelmente também, o consumo de combustível, a dificuldade de encontrar vaga nas garagens, a inveja, os falsos amigos, etc e etc. Aplique esse pensamento para todas esferas da vida e você verá o quanto as pessoas estão erguendo um culto à ineficiência em prol da aceitação social. Você pode vir e falar pra mim sobre conforto. Eu lhe digo: isso é confortite, e não conforto. Se não estabelecermos um teto (razoável) para renda, riqueza, consumo - considerando as necessidades da vida e respeitando as particularidades individuais - jamais iremos edificar um novo modelo econômico que nos conduza a uma nova civilização.