sábado, 12 de outubro de 2013

A RIQUEZA ESTÁ EM NÓS

Um dos sociólogos mais famosos da atualidade, Zygmunt Baumann, define nossos tempos como "líquidos", em contraposição a um passado recente tido como “sólido”.

No mundo de 2, 3 ou 4 décadas atrás as relações (de trabalho, pessoais, afetivas, gostos, etc) tendiam a se transformar lentamente, – se sofressem transformações – respeitando a dinâmica de nossa mente e organismo. Havia uma estabilidade. Hoje, ao contrário, – e cada vez mais – as mudanças estão se dando de forma cada vez mais rápida, de forma que uma geração apenas seja capaz de perceber mudanças radicais em sua própria vida e no mundo com apenas poucos anos de vida.

Não tenho nada contra a eficiência. Nem (contra) a velocidade. Pelo contrário: sou uma pessoa que sempre procura fazer mais e (sobretudo) melhor. Para mim e para os outros. No entanto, parece que nós como indivíduos e sociedade estamos tentando competir com a tecnologia que nós próprios desenvolvemos e continuamos a desenvolver. Mas...nós não podemos competir com algo que é um acessório.

Do meu ponto de vista, o terreno de nossos tempos está fértil para desorientar as pessoas cada vez mais, salvo em poucos focos nos quais podemos encontrar verdades e sinceridade e amor ao conhecimento e coisas do tipo. Para mim esses lugares são parques, centros culturais, ruas, cafés, bibliotecas, institutos de pesquisa, cursos livres e mesmo até no ambiente de trabalho – se a pessoa tiver a chance e souber escolher. Provavelmente alguém possa citar outros ambientes. Mas deve se assemelhar a essa amostra.

Muita gente se desespera ao buscar algo ou alguém especial na vida. E recorre a todos tipos de artifícios “mágicos” oferecidos pelo mercado. Mutilam seus próprios corpos e almas para agradarem pessoas que muitas vezes não se importam. E julgam que fazendo isso estarão agradando a si mesmos. Cria-se um círculo vicioso. É triste.

Devemos buscar a nós mesmos antes de tudo. Ao fazer isso a probabilidade de nos sentirmos em paz aumenta. Mas essa é uma atitude que deve ser trabalhada TODO dia. Em toda atitude. Uma verdadeira reforma interior. Depois de um tempo (longo, diga-se de passagem) essa atitude se incorpora ao nosso ser e passamos a nos guiar por esse descobrimento interior inconscientemente.

Segundo Bertrand Russel, um dos pré-requisitos da felicidade é sermos capazes de nos interessarmos por coisas que não tem uma aparente utilidade prática. E faz sentido. Porque – e veja só que luxo! - se encontrarmos um oásis de divertimento numa ocupação tida como deserto para muitos, teremos à disposição uma riqueza inestimável ao nosso alcance. E sem problemas de competição.

Aprenda jardinagem. Aprenda música. Aprenda pingue-pongue. Aprenda poesia. Escreva. Dance. Leia livros. Faça exercícios. Questione elegantemente. Escreva suas ideias. Aprenda ciência, religião, filosofia. Filosofe! Sozinho ou com alguém. Treine coisas básicas como escutar os outros. Aprenda a admirar o céu. Fite-o por diversos minutos num dia em que ele se encontrar especialmente moldado para agradar ao máximo seus sentidos. Tudo isso e muito mais está ao nosso alcance.

Aqui e agora.
  Ali e depois.
    Sempre. Sempre. Sempre.
       Toujours!

A riqueza cósmica está em nós e não é tangível. Por isso é tão difícil percebê-la. Dentro de cada criatura viva está todo combustível necessário para mover mundos e almas. É um campo ainda não explorado. É uma área que nosso mercado alienado e engessado é incapaz de detectar. Muito menos explorar. Muito menos usar corretamente. Porque ele tem como foco os nossos vícios e fraquezas. Não nossas forças e virtudes.


Mas já percebo a verdade vindo à tona em alguns lugares. Sendo desenterrada aos poucos. E com isso as riquezas cósmicas vão se revelando. E é um caminho irreversível. Firme e irreversível. Como deve ser o fluxo da vida. 

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