segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O PROBLEMA DO TER, DA DOR E DO SER

Estou nesse momento lendo um livro muito interessante de um dos maiores pensadores de nossos tempos. Este pensador se chama Pietro Ubaldi. Estudou direito, mas nunca exerceu a profissão, além de música. Falava fluentemente 6 idiomas e suas obras espiritas/espiritualistas não se encaixavam necessariamente nessas categorias por falarem de assuntos ainda em estado de germe em nossa “civilização”. Assuntos elevados e que exigiram de seu elaborador uma série de habilidades de vários campos do conhecimento, além da capacidade de interconectá-las.

Pietro Ubaldi
Bom, quanto ao livro em questão, seu título é “A Civilização do Terceiro Milênio”. E através desse livro estou começando a enxergar melhor muitas coisas da minha vida e da sociedade. Problemas gerais e – aparentemente – infindáveis da humanidade.

Pietro Ubaldi fala que a humanidade passa por três fases de desenvolvimento: a de selvagem, a de administrador e a de evoluído. A primeira delas é caracterizada pelo desejo das necessidades materiais elementares, instintivas, facilmente observáveis e sentidas. A obtenção dos recursos é predominantemente feita através de furto. A segunda, a qual a grande maioria das pessoas no planeta se encontra, é caracterizada pela racionalidade, uso da ciência como fim e pelo desenvolvimento material (mas não espiritual). A forma de aquisição de bens se dá predominantemente por meio do trabalho. E a terceira é caracterizada pela sensibilidade, pelo uso da ciência como meio (e não fim) para se atingir uma melhor compreensão de si mesmo, dos seres à volta e dos mecanismos – físicos e morais – que regem o funcionamento do Universo. A forma de aquisição de bens se dá através da justiça. E cada uma dessas fases trazem problemas que, quando resolvidos, abrem portas para a entrada de outros. E eu, agora, imagino que eles sejam os seguintes: ter, dor e ser.

Do meu ponto de vista a História da humanidade pode ser sintetizada nesses tipos de seres. Me parece bem lógico. É claro que essa classificação seria uma simplificação muito grande. Porque as gradações contínuas – e portanto são infinitas – entre esses diversos estágios de evolução. Mas com essa simplificação é possível começar a analisar outras características de cada tipo.

Quanto aos problemas, eis a minha ideia de ter criado essa classificação:

No estado selvagem existe uma necessidade de aquisição de recursos essenciais à sobrevivência: água, comida, calor, abrigo, e outros instintos naturais. Essa necessidade é justificável e compatível com o grau de desenvolvimento intelecto-moral dos seres que se encontram nesse patamar. Eles não são melhores nem piores do que os outros dois. Apenas estão num estágio evolutivo mais próximo do inicial. Eles tem o problema do ter.

Com o advento da agricultura muitos problemas foram resolvidos. Fomos capazes de formar vilas, aldeias, cidades, metrópoles. Desenvolvemos as relações sociais, o comércio, as ciências, as religiões, criamos filosofias, construímos, destruímos, e por aí vai. Mas o problema material (do ter) ainda persistia).

Há pouco tempo, – 200 anos – com o advento da indústria, foi possível finalmente aplicar todas descobertas científicas, todo capital acumulado e uma população crescente para o desenvolvimento tecnológico da humanidade. Com isso vem se resolvendo em grande parte a questão material. No entanto, esse desenvolvimento ainda se encontra longe de ser concretizado, pois os benefícios dessa revolução ainda são muito mal distribuídos e – sobretudo – aplicados de forma errônea por parte de nossos industriais, governantes e banqueiros: guerras, exploração de seu semelhante, propaganda enganosa, alienação das massas, consumo, lesão do meio ambiente (ar, água, terra, seres), entre outras.
Já produzimos o suficiente para termos conforto material. Ou seja, criamos a solução para o problema do ter. Apesar disso, a entrada na próxima etapa está sendo atrasada porque as pessoas que lideram esse planeta são – em sua maioria creio – seres involuídos, que pensam na autopromoção e não são capazes de enxergar que estamos todos interconectados nesse mundo – e Universo. O resultado é que essas pessoas submetem a maioria a uma condição de vida indigna, impossibilitando a ascenção material de muita gente, tomando grande parte do tempo e energia de bilhões de seres. Isso vem gerando revoltas e revoluções com fortes (justificáveis) argumentos sócio-culturais, econômicos e políticos. Isso vem gerando problema da dor.

O problema da dor só poderá ser superado com a conscientização da maioria dos seres de que todos nós: humanos, animais, vegetais e minerais, estamos interconectados e devemos só extrair o necessário do mundo material para nos desenvolvermos ao máximo (decidi excluir a energia, porque ela também é uma forma de matéria, como o próprio Einstein já provou teoricamente). E também com a conscientização de que todos fenômenos estão igualmente interconectados: físicos, históricos, químicos, biológicos, musicais, matemáticos, filosóficos, religiosos, psicológicos, sociológicos,...Somente com essas duas grandes e fundamentais conscientizações estaremos aptos a superar o problema da dor. Problema este gerado pela inabilidade em lidarmos com a resolução do problema do ter. Pela ganância. Pela fascinação pelas coisas materiais. Pela ciência e tecnologia como um fim, e não como um meio.

Já é possível notar que existem pessoas e até entidades começando a se preocupar com um novo tipo de problema: do ser. Ainda são raríssimos e raríssimas. Mas começam a pipocar novos tipos de visões de mundo, de vida e de objetivos. Algo incompreendido por muitos bem sucedidos no plano material, que vê nesse tipo de gente fraqueza e ineficiência. No entanto, sabe-se que a dinâmica de desenvolvimento da humanidade e do indivíduo é muito lenta. Lenta mas firme. Firme e focada para o progresso espiritual. Inconsciente ou conscientemente, todos começam a sentir isso. É a marcha inexorável rumno ao progresso – no verdadeiro sentido da palavra.

Ainda somos submetidos a um modo de vida que foca o consumo desmensurado de recursos. E não vemos opção a não ser seguir as regras do sistema ou nos sujeitarmos à fome, ao desemprego e à rejeição. Dificilmente alguém poderá ser astrônomo, físico, filósofo, historiador, dramaturgo, cineasta, escritor, químico, professor, ou se ocupar de coisas do tipo sem passar por dificuldades de ordem material. Apesar disso, são as profissões mais importantes para o nosso progresso – espiritual e, indiretamente, material – que são relegadas à humilhação e descaso. Caso típico de uma “civilização” do tipo administradora. Inteligente, mas com pouca moral. “Civilização” que só vê aplicação direta das coisas e foca na forma, não na substância.

Estou na metade do livro mas já senti muitas verdades no raciocínio desse ser chamado Pietro Ubaldi, que fez voto de pobreza aos 41 anos e dedicou mais de metade de sua vida à realização e compilação de uma série de obras que abordam as questões mais cruciais da humanidade. Sua escrita é profunda mas é possível captar as ideias principais. Elas estão lá, pairando em páginas e mais páginas dedicadas à resolução dos nosso problemas.

O verdadeiro tesouro está em obras como essa. No entanto, vê-lo, adquiri-lo e fazer uso benéfico do mesmo exigirá de nós uma boa dose de sensibilidade. 


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